terça-feira, 16 de outubro de 2018

Meia Maratona do IC2

Surreal!
 
Até só ano passado, somando ambas as provas, tinham-se realizado 45 edições de Meias Maratonas das pontes. Nunca tinha sido necessário recorrer ao plano B por questões de segurança. Em 2018 isso aconteceu não numa ponte, mas em ambas. Tenho a sensação que por mais anos que corra isto nunca mais vai acontecer em qualquer das duas provas. Ter que activar o plano de contingência duas vezes no mesmo ano é algo único. E surreal! E eu, tal como muitos outros, teremos um dia o privilégio de dizer que participámos nestas edições "especiais". É claro que hoje ainda estou muito em cima do acontecimento para dizer de caras que "até foi engraçado" mas o certo é que já tenho esse sentimento em relação à prova de Março. 

Não me vou alongar novamente sobre a decisão de adiar a hora de partida das provas. Pessoalmente pareceu-me desnecessário no que diz respeito à Meia Maratona mas percebo que tendo que mudar a hora da Maratona então todo o programa teria que sofrer alterações. O que foi incompreensível foi a ausência de sanitários no IC2, por mais que se diga que não houve autorização da protecção civil para tal. A espera foi bastante desconfortável, não só por isso mas pela falta de espaço. Pelo menos no local em que estávamos inicialmente o aperto era grande.

Após as dúvidas da véspera a vontade de correr não era muita. A manhã já tinha começado atribulada quando um dos colegas da equipa teve que voltar a casa por se ter esquecido do dorsal. E ele até foi o primeiro a chegar à estação. Conseguiu chegar a tempo da prova mas já só o vimos durante o percurso e depois no final. Já no Oriente deu para uma foto de grupo com outros elementos que já lá estavam e que iam fazer a Mini. Votos de boas provas e lá fomos para os respectivos autocarros.

De volta ao IC2 conversava-se sobre provas, tempos, desafios futuros e objectivos para esta prova. Desde 1:30 a 2:30 havia expectativas de tempos para todos os gostos. Eu cá só queria fazer uns segundos abaixo das duas horas. Ir em modo de treino num ritmo a rondar os 5:40/km. Por causa das necessidades fisiológicas o nosso grupo separou-se e deixei de estar próximo do outro colega que também vai ao Porto e que também queria fazer um ritmo calmo. Ele acabou por fazer um belo tempo, sem querer. Eu ainda parti rápido à procura dele mas só o voltei a encontrar a descer o Marquês quando eu subia. Quem eu encontrei mesmo ali ao lado em amena cavaqueira foi a Vonita. Já estava a seguir a conversa dela há algum tempo até que aproveitei um momento oportuno para lhe dar um toque no ombro. Fizemos a foto da praxe e continuou-se em conversa. É tão bom que uma pessoa para cada lado que se vire encontre caras conhecidas. Ivone, espero que a prova tenha corrido bem às estreantes na Meia Maratona!

Parti rápido, mas ao fim de 500 metros tive um contratempo. Um atleta saltou o separador central vindo da outra faixa sem qualquer atenção para quem estava a correr. Para evitar um choque frontal com ele desviei-me, meti o pé na berma e torci-o. Felizmente foi coisa muito ligeira. Nós quilómetros seguintes fui a ver se sentia desconforto mas nunca me doeu nada. O meu receio era que só fosse sofrer as consequências depois de arrefecer, mas está tudo ok.

Apesar do início acima do ritmo pretendido passaram por mim alguns amigos a quem eu prontamente disse para seguirem porque eu estava em modo de passeio. Estabilizei o ritmo e ainda olhei demasiadas vezes para o relógio nesta fase. Depois acabei por só olhar quando ele indicava o ritmo do quilómetro que tinha acabado de concluir.

Fui separando a prova por pequenas metas. Sair do IC2, chegar ao Parque das Nações à separação da Mini, sair do Parque das Nações, Santa Apolónia e a primeira passagem no Terreiro do Paço. Estava mais preocupado em não me aborrecer na zona de Xabregas e Beato do que com a subida ao Marquês. Precisava de estar em zonas com mais público. O apoio era dado por alguns estrangeiros e por muitos elementos do Correr Lisboa espalhados pelo trajecto. Mesmo no Parque das Nações onde havia muita gente a assistir não havia muito apoio, apenas umas palmas circunstanciais. Ao contrário do que é habitual também não ia muito expansivo portanto mantive-me em silêncio. Por acaso do destino acabei por ter direito a claque pessoal quando vi lá ao longe uma cara que reconheci à medida que me aproximei. Era a Agridoce que, curiosamente, estava a fazer um directo da prova naquele preciso momento. Meti logo o meu melhor ar de corredor para a foto e afinal... Que desilusão! 😉

Querem ver a importância que o público tem numa pessoa durante uma prova? Não fazia ideia que ela estaria por ali - eu até podia ir mais próximo do outro lado do passeio e nem a encontrar - mas assim que passei por ela comecei a imaginar na minha cabeça mil e uma teorias. Será que x? Ou y? Querem ver que z? Corri grande parte do abecedário para descobrir ao fim do dia que estava enganado e todas as minhas teorias, inclusive teorias da conspiração, estavam erradas! Não faz mal! Enquanto pensava nisto passaram-se uns bons três ou quatro quilómetros sem eu dar por isso! Obrigado, já cheguei a meio da Meia.

Confesso que nos quilómetros seguintes tive uma espécie de apagão. Estava em piloto automático e não me lembro de quase nada. Apenas de agarrar umas quantas embalagens de gel num abastecimento - e confesso que não gostei muito dele - para além de estar sempre a trocar de garrafa de água, sendo isso também parte do treino para a Maratona. Parei uns segundos onde havia isotónico para beber sem me entornar e/ou engasgar todo. Lembro-me de ver o Panteão lá ao longe, eventualmente mais próximo até deixar de o ver. Estava ansioso por chegar a Santa Apolónia porque depois até ao Terreiro do Paço era um tirinho. Tantas vezes que já fiz o percurso inverso nas minhas caminhadas por Lisboa naquela zona, ontem era dia de o correr em sentido inverso.

Ao avistar a Praça do Comércio renasci na emoção e a primeira coisa que fiz foi - acertaram - pedir barulho ao público. Mas barulho a sério, palmas e tudo aquilo a que temos direito! Esbracejei como nunca e tive muito retorno! Estava na minha praia. Isto sem pessoal do lado de fora não tem piada. Não vou dizer que ganhei forças onde já não as tinha, porque na realidade eu não ia cansado, mas ganhei um ânimo para os quilómetros finais. Ao meu lado um atleta dizia que "agora é que vão ser elas!" Lembro-me de lhe responder que "Nem pensar, agora vem a melhor parte da prova! Vamos até ao Marquês festejar e depois festejamos outra vez na meta!"

Não era, mesmo, a subida que me preocupava. Chateia-me mais o empedrado, por exemplo. Como nestas coisas parece estar tudo feito à medida, a banda no Rossio tocava o Final Countdown quando passei a subir. (E o Highway to Hell quando desci. Pensando melhor, perfeito tinha sido ao contrário!) De por mim a cantar o refrão enquanto ia por ali acima e aproveitei também para ver quem vinha a descer no único ponto de retorno. Caraças, fizeram-me falta os retornos, pá.
 
Subi nas calmas. Vendo o ritmo depois até achei que não subi nada mal. E depois desci a todo o gás. Pelo menos com todo o gás possível ao fim de tantos quilómetros. E bom, foram os mais rápidos da prova. Um sprint final já na recta da meta e assunto encerrado. Medalha ao peito, grupo reunido novamente, gelado na mão, fotografia final e... caminhada rumo a Santa Apolónia para apanhar o comboio. Ainda deu para apoiar alguns atletas menos rápidos mas que estoicamente lutavam para completar a prova. E deu para me cruzar com a Inês e com o grupo de camisolas amarelas que iam com ela numa bela missão de amizade.

No comboio procurávamos saber resultados de amigos, resultados oficiais dos profissionais. Celebrávamos a estreia na distância de um companheiro de muitas lutas e que estava ali connosco. Foi uma longa aventura. A ida até à partida e a espera pelo início da prova duraram mais tempo que a Meia Maratona em si. Passei o resto da tarde a dormitar várias sestas e no intervalo delas espreitava as redes sociais que estavam cheias de medalhas, dorsais, fotos e textos de felicidade.
 
Mais um passo rumo ao Porto, rumo ao que o futuro trouxer!
 
Próxima paragem: Meia Maratona de Coimbra!
 
 
Prova nº 92 - Meia Maratona Ponte Vasco da Gama 2018 - 21km - 01:59:52



quinta-feira, 4 de outubro de 2018

30 dias

Está na hora. Faltam 30 dias para a Maratona do Porto.



Está na hora:

- de deixar de lamentar os quilómetros que devia ter corrido e não corri.
Neste que é o terceiro ano em que lá vou fazer a mítica distância, neste que é o ano em que eu disse que ia ser mais rigoroso, é também o ano em que menos quilómetros vou fazer nos meses antes da prova. E sim, tenho um excel com os treinos para a Maratona todos registados, cheio de fórmulas e cálculos, que me mostra a comparação com 2016 e 2017.

- de voltar a devorar tudo que é informação, texto, vídeos, etc sobre maratonas.
O que eu gosto dos serões passados no YouTube a navegar entre vídeos feitos por atletas durante maratonas, documentários sobre a prova, textos antigos de outros bloggers. E, de vez em quando, reler aquilo que eu próprio escrevi. E também ler tudo aquilo que vocês me disseram, tanto aqui como na rede social.

- de começar a tomar o meu doping: vitaminas e magnésio.
Há dois momentos que não esqueço na preparação para a primeira maratona. Um foi a altura em que o percurso da Meia Maratona Vasco da Gama se fundiu com o fim da Maratona de Lisboa. Vi gente a passar mal, gente a alongar no passeio, gente à procura de forças para acabar. E quem ia na Meia estava relativamente tranquilo. O outro foi o momento em que, no Porto, o meu mentor que me ia a acompanhar me disse - pouco antes de me "abandonar" aos 32km - que a partir dali eu iria ver muita gente a alongar no passeio...... mas que nem por sombras isso me iria acontecer porque andei a tomar magnésio precisamente para evitar câimbras!  É claro que isto tudo pode ser só psicológico, mas um mês antes das maratonas repito o ritual e para além de me sentir com mais energia durante o dia-a-dia, nunca sofri de câimbras na prova. A Prozis agradece e tem aqui um cliente fiel.

- de pensar já na próxima!
Obviamente! O dilema mantém-se o mesmo: um ano quero fazer a de Lisboa. É para o ano? Se for, não consigo voltar ao Porto porque são demasiado próximas e, embora conheça quem faça ambas, eu não arrisco isso. Mas o Porto é sempre o Porto e a cada ano que passa há sempre alguém que faz planos para lá ir no ano seguinte e eu não consigo deixar a malta ir sozinha, não é verdade? Depois também há uma Maratona que tenho debaixo de olho, ali em Dezembro, mas que para além de ser ainda mais longe que o Porto é dura como o raio. Um excelente desafio, portanto.

- de decidir como cruzar a meta!
Não há nada mais importante! Primeiro porque é sinal que fica feita, mas também é um momento único. Ninguém se vai lembrar de como cruzámos o pórtico dos 5km, pois não? Pensando bem, depois dos 15km eu festejo em todos os pórticos. Os que têm imagens comprovam isso. Mas sejamos honestos, uma pessoa não pode acabar 42km e cruzar a meta de forma banal. E eu já ando há imenso tempo a pensar nisso. Juro! Hei-de decidir entre os 35 e os 40 quilómetros enquanto tento saltar o Muro!

Pessoal, está na hora! Vamos a isso!

sábado, 22 de setembro de 2018

It's oh so quiet

A casa está silenciosa. Ao meu lado ouve-se a ventoinha a trabalhar. Lá fora ecoa o barulho dos carros que aproveitam também a calma da madrugada para circular de forma mais veloz na estrada onde o máximo é 50km/hora. De vez em quando ouço algum ruído vindo do bar que está tranquilamente instalado mesmo em frente de minha casa, do outro lado da rua. É normal numa noite quente de 6a feira, mesmo tendo em conta que este foi para muitos um mês mais "longo" e que o Dia de São Receber está ao virar da esquina, mas ainda distante. Há anos que vivo aqui e nunca lá fui.

Acabo de matar uma melga enquanto escrevia este texto. Há som mais incómodo do que uma melga no quarto a zumbir aos ouvidos? Claro que sim: o som de várias melgas!

Ali ao fundo da sala a TV está ligada e vai-me fazendo companhia a estas horas impróprias da noite. Já não consigo perceber sequer o que está a dar. Quando prestava atenção ia sorrindo ao rever pela 2745ª vez os episódios que passavam do How I Met Your Mother.

Adoro a série, confesso. No meio de tantas teorias do Barney, hoje lembrei-me de uma outra, da mãe do Ted que lhe dizia: "Nothing good ever happens after 2 a.m.".

Olhei para o relógio.
Era 1:35 quando comecei a escrever este texto. Demorei vinte minutos a escrevê-lo.
Missão cumprida. Se for rápido ainda chego à cama antes das duas da manhã.

Quando acordar amanhã logo vejo como me sinto. Provavelmente na mesma.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

O regresso às Lampas

"O que eu não gosto mesmo nada são aquelas provas em que passamos pela meta a meio do percurso e ainda temos que dar uma grande volta até terminar."
"Mas esta é uma dessas provas. Passamos pela meta aos 13km e depois ainda temos mais oito até chegar ao fim! Não sabia?"
"A sério? Ah não, é que eu é a primeira vez que venho e não vi o percurso."

Esta conversa aconteceu entre duas atletas a meio da subida por volta do quilómetro 4. Na verdade, eu já tinha reparado na atleta que iniciou esta conversa porque tinha passado por ela na subida anterior e ela ia a andar. Dei-lhe um toque nas costas, desejei-lhe força e ela disse que estava tudo ok. Na descida seguinte ultrapassou-me novamente em alta velocidade e instantes depois era isto que relatei. Eu sou muito picuinhas com os percursos das provas, gosto de saber ao que vou. Se é a primeira vez tento ver com algum detalhe aquilo em que me vou meter, se estou a repetir então vejo com atenção o meu desempenho anterior.

Se eu acho que nesta fase do mundo em que vivemos, onde a informação está ao alcance de um ou dois clicks, é absurdo ir para uma prova sem ter o mínimo de noção do trajecto e da altimetria, então quando se trata de uma prova como a Meia Maratona das Lampas isso é imensamente pior! Não estamos a falar de uma prova qualquer, é "apenas" uma das Meias de estrada mais exigentes do calendário. E nem sequer é uma prova recente e desconhecida, já tem a bela idade de 42 anos! Mesmo antes da partida os atletas foram avisados pelo speaker para fazer uma boa gestão de esforço e para não nos deixarmos embalar logo de início. Não sei que tempo final fez e se chegou bem ou se terá cedido à tentação de desistir à passagem pelos 13km. Espero obviamente que esteja bem! (Entretanto já saíram as classificações e penso que encontrei a atleta, que terminou com um tempo semelhante ao que eu fiz nas Lampas há dois anos.)

Tendo em conta que fui sozinho e cheguei cedo, tinha tanto tempo para queimar que até me dei ao luxo de mudar o carro de parque de estacionamento. Foi de forma muito preguiçosa que me fui terminando de equipar e dei um curto passeio por São João onde me fui começando a encontrar com alguns amigos. Estava super tranquilo e assim estive durante toda a prova. Quando começou, deixei-me ir. A ideia era fazer a prova a um ritmo de 6:00m/km e, sobretudo, fazer melhor que as 2:16 de... 2016.

Tive que meter um travão ao fim dos dois primeiros quilómetros porque já ia em excesso de velocidade. Era o ímpeto inicial que me iria levar ao cansaço num ápice, mas rapidamente medi um ritmo mais apropriado com o percurso e o carrossel inicial ajudou-me a fazer isso. Cheguei então à tal atleta e não podendo fazer muito mais para a ajudar, fui seguindo ao meu ritmo. Nesta fase fiquei também sem música porque o auricular ficou sem bateria. Paciência, mais disponibilidade tinha para meter conversa com quem me rodeava dentro e fora do asfalto.E se do lado tos atletas as subidas tiravam grandes hipóteses de conversa, do lado do público muitos eram os que nos batiam palmas quer por iniciativa própria, quer a pedido.

Foi pelos 6kms que comecei a seguir um pequeno grupo que ia mesmo por ali à minha frente. E um dos elementos era uma espécie de... eu! A cada grupo de espectadores que via, puxava por eles, pedia palmas, metia conversa, dizia uns disparates. E eu logo ali atrás não podia fazer o mesmo senão estava copiá-lo. Ora, se não os podes vencer, junta-te a eles. E foi uma companhia fantástica até perto dos 10/11kms. Sempre na palhaçada e na galhofa, a prova foi-se fazendo com uma alegria imensa. E é assim que eu gosto de estar na estrada: alegre! Nem se dava pelo tempo passar, falava-se do jantar que o esperava, das minis que ninguém nos oferecia à passagem pelos cafés, das subidas que continuam fortes e não baixam por mais que uma pessoa as vá calcando ao longo do tempo e da promessa de que se estivermos lá para o ano é porque estamos vivos. E nisto, numa subida, uma senhora ultrapassa-nos a todo o gás e eu digo que enquanto nós estamos na parvoice os atletas a sério estão a dar-nos uma abada! Ela riu-se e ficou por ali comigo, porque entretanto o meu parceiro de conversa disse que ia abrandar e mandou-nos seguir caminho.

Este companheiro de circunstância chama-se Fernando. Nós temos um Fernando na equipa que é exactamente igual em termos de convívio e diversão. O Fernando que conheci ali fez-me lembrar o Fernando que já conheço há alguns anos. Descobri que ambos são amigos nas rede sociais!

Seguindo, tinha agora uma nova parceria para continuar a prova. Descobri que ela também não conhecia o percurso, mas como ia fazer a Meia Rampa estava quase a acabar. Fomos juntos mais um quilómetro, altura em que continuei viagem e lhe desejei um bom fim de prova. Ao mesmo tempo lembro-me de me meter com um grande grupo de miúdos que estavam à beira da estrada a recolher high-5s e disse-lhes que para o ano eram eles a correr. Riram-se. Muito. Não sei porquê.

Ao chegar a São João das Lampas ia a sentir-me muito bem, com algum cansaço acumulado mas nada que me estivesse a desanimar. Lembrei-me então que tinha combinado comigo mesmo tomar um gel nessa altura e assim o fiz. Ia no encalce de nova companhia e tinha duas camisolas amarelas à frente: uma virou para a meta da Meia Rampa e a outra seguiu para os 21km mas voltou logo para trás. Penso que terá desistido e espero que esteja bem. Foi nesta altura que eu pensei na minha prova de 2016 e em como a partir daquele momento as coisas começaram a piorar.


Na verdade, começou a piorar aos 15km onde a subida é pouco acentuada mas constante. No sábado estava bem e não ia quebrar. A partir da passagem pelos 13km meti um objectivo meio parvo na cabeça, mas que terá funcionado: não podia ser ultrapassado por nenhum atleta! E assim aconteceu!

Devo ter ganho uns 30 lugares na geral nestes 8km finais. As contas da classificação apontam para isso e confirmam que fui fazendo uma corrida de trás para a frente. A certa altura estávamos já tão espaçados que não tinha ninguém à frente num raio de talvez 300 metros. E quando olhei para trás também não tinha ninguém por perto. Pensei que era algo semelhante que deve sentir quem vai a liderar uma prova e agarrei-me a esse bom feeling para continuar. E senti que estava a ultrapassar-me a mim mesmo e a deixar claramente para trás a prova de 2016.

Já nem precisei de tomar o segundo gel. Agora quem me dava força era o público a quem eu pedir para bater palmas sem parar e eram os próprios atletas que eu estava a ultrapassar. Eu desejava-lhes força e eles incentivavam-me a continuar. "Vais bem, segue!" "Continua, não pares!" "Aguenta assim até aos 20km, o último é sempre a descer!" foram algumas das coisas que ouvi, juntamente com um "És o maior!" que não percebi se veio de um atleta ou do público numa altura em que pedi para fazerem barulho. Acabo este parágrafo e vou deixar de me vangloriar, mas foi o meu momento de consagração pessoal. Uma espécie de karma. E a prova de que na cauda do pelotão também somos todos campeões à nossa maneira e até temos mais tempo para desfrutar do bom ambiente.

Faço aqui um reparo: fui ultrapassado sim! À entrada para o último km ouço alguém atrás de mim a dizer que já ia quase com 42. Anos de idade? Não, quilómetros feitos. Descobri que um grupo de, salvo erro, quatro atletas partiu às 15:00 para fazer uma primeira volta ao percurso e fez a segunda volta durante a prova. Sim, fizeram os 42km das Lampas na 42ª Edição. Excelente iniciativa! E foi aquele atleta, com o dobro da distância corrida, o único que me passou nos tais 8km finais... Espectáculo!

Com a meta à vista e com a descida a ajudar acabei a prova estupidamente feliz. Nem sequer consegui manter-me dentro da média que pretendia, falhei esse objectivo por pouco, mas isso não interessava. A prova estava feita, peguei na medalha, larguei um até para o ano e agarrei-me à melancia do abastecimento final. Só faltou a massagem, mas estava uma fila gigantesca. Alonguei, ainda vi amigos e conhecidos subirem ao pódio, estive um pouco à conversa e regressei a casa. Feliz.
Muito feliz. A 13 de Março, no rescaldo da Meia Maratona de Lisboa escrevi:

"E se a ideia é apagar resultados menos conseguidos do passado, então alguém avise a Meia das Lampas que em Setembro conversamos."

Pronto, estamos conversados! Hei-de voltar às Lampas para ver se também esta Meia passa a ter aquele rótulo de duas horinhas que eu digo sempre que parto para mais uns 21km. Ou para me rebentar todo e dar o litro e meio na Meia Rampa.

Próxima prova: Meia Maratona Ponte Vasco da Gama (vivam os passatempos!!!)

Prova nº 91 - Meia Maratona de São João das Lampas 2018 - 21km - 02:08:38

  

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Quilómetro 37

Estou um bocado frustrado.

O Benfica não foi campeão na época passada, pelo que não consigo colocar aqui o mesmo tipo de imagem que coloquei nos anos anteriores. Meter uma foto de uma tarja a dizer "Rumo ao 37" não é a mesma coisa. E também não há nenhum jogador no plantel principal que vista a camisola 37.

Fui incapaz de encontrar uma música onde o número 37 tivesse um papel importante na letra, no título, onde quer que fosse. Ou qualquer citação que fizesse referência ao número, mesmo sem ser de uma música. 

Não encontrei imagens engraçadas com o número 37. Eventualmente daquelas coisas a dizer que "não tenho 37, tenho 25 com 12 anos de experiência", mas isto tem mais sentido quando são números redondos.
 
Nunca usei o dorsal 37 numa prova. Nem sequer consegui encontrar por esse Google fora uma foto de um qualquer dorsal com o número 37! O mais parecido foi uma camisola de um jogador de futebol americano. Não é a mesma coisa!

A minha prova número 37 foi... aquela a Meia Maratona do Douro Vinhateiro em que desisti. Sem comentários!

Devo ter passado uns bons 37 minutos a pesquisar e a escrever este texto, até que encontrei isto.
Simples e perfeito!


Faltam 5 anos para uma Maratona. Vamos a isso!

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Imagine Dragons no Altice Arena, ou...

...o dia em que me questionei sobre a minha orientação sexual.

     
   
Fotos: Inês Barrau (Arte Sonora)

Agora que fiz uma revelação bombástica e vos distraí com umas fotos, segue o texto e pode ser que já se tenham esquecido do que disse. E não, não é qualquer gajo de calções em tronco nú e com meias Adidas que me cai no goto. A tradição ainda é o que era e antes disso é preciso jantar e cinema. Flores não são obrigatórias. Ou então basta apresentar um concerto brutal e eu fico rendido!

Foi em Abril que surgiu este plano para Setembro. A vida tem destas coisas cíclicas muito curiosas...
Neste caso foi uma prenda de anos antecipada (é amanhã, by the way) e depois de um domingo passado a tentar combater uma febre que teimou em não desaparecer, ao ponto de ter ficado em casa na 2a feira, estava com algum receio de não estar em grandes condições. Lá me enchi de coragem para ir trabalhar, até porque tinha coisas para resolver antes de entrar de férias e depois rumei ao concerto, ainda com dores de cabeça já não tanto pela febre, mas sobretudo por ter passado o dia ao computador. Vá, agora é para curtir o concerto sossegadinho e sentado sem grandes maluqueiras. Só que não, passei-o sempre em pé e aos saltos.

Descobri entretanto que havia uma primeira parte a cargo dos The Vaccines. A banda inglesa é um dos nomes que fica sempre bem num palco secundário de um qualquer festival de Verão, mas confesso que na altura não me consegui lembrar de nenhum single, nem quando tocaram umas músicas mais antigas. Agora que escrevo este texto lá fui pesquisar melhor e já me vieram à cabeça dois singles do primeiro álbum. Entraram em palco ao som do Waterloo dos ABBA, estiveram bem e conseguiram dar uma boa injecção (ah, viram o trocadilho? Magnífico!) de energia ao público para aquecer os ânimos antes da banda principal.
 
Sempre que há uma primeira parte gosto da altura em que dizem algo como "Ah e tal, estamos contentes por estar aqui, obrigado pelo apoio, vamos tocar a última música, curtam o resto da noite porque sabemos que estão ansiosos por ver e ouvir o/os (inserir nome da banda principal)!" Fico sempre à espera de ver alguém ao meu lado a levantar-se e a dizer que não e a ir embora porque só tinha mesmo ido para ver a banda de abertura. Um dia faço eu isso, só para ver a reacção da malta ao meu lado e depois vou-me sentar noutro sítio.

Outra coisa que eu acho curiosa é que há imensa gente medricas nos concertos. Em todos! Estávamos todos à espera do início dos Imagine Dragons ao mesmo tempo que ouvíamos música clássica quando, de repente, se apagaram grande parte das luzes do recinto. O que se ouviu de seguida foi um coro brutal de gritos histéricos! Malta, para quê tanto pânico? Tudo com medo do escuro, a sério? Vá-se lá perceber...! Para lhes dar um conforto maior, a maioria dos presentes optou imediatamente por pegar nos telemóveis e levantá-los no ar para terem alguma luz. O dilema veio a seguir. Os últimos acordes do trecho clássico deram início a uma introdução a fazer lembrar Muse e, após nova escuridão e mais gritos de histeria medo rebentava o Radioactive. Podem ver parte disso aqui:


E agora? Já há luz, já podemos baixar os telemóveis, bater palmas ao som da música e curtir o som? Para muitos ainda ficava esse dilema. Eu, que estou aqui a ironizar com esse flagelo, também estou a ser completamente incoerente porque escrevo ao mesmo tempo que vejo registos do concerto de ontem no YouTube e nas redes sociais. E até já partilhei um neste tópico. 

O que ficava bem agora era eu dar uma de super culto e dizer exactamente que trechos clássicos é que foram escutados no intervalo entre os The Vaccines e os Imagine Dragons. Não sei, nem encontro, mas o que é certo é que foi um toque interessante. A partir da primeira música foi um chorrilho de singles e êxitos que nunca deram descanso ao público presente, não sem antes o Dan Reynolds deixar uma mensagem importante: "Hoje deixem tudo lá fora: política, religião, stress, trabalho (...) aqui dentro só existe paz!"

Percebe-se a mensagem, mas o que é certo é que cada música também tem uma mensagem própria muito forte, muito pessoal e há ali letras ou momentos de músicas em que somos confrontados com questões do nosso foro íntimo. 

Foi também em modo mais íntimo que tocaram três músicas em formato acústico num mini-palco no meio do recinto com o vocalista a interagir bem de perto com o público, tal como já tinha feito no palco principal. Não vou comentar cada música e cada bocadinho do concerto - deixo isso para as publicações da especialidade. No meio de todas, a que me toca é o Next to Me. (Incrível, ainda não há registos desta ontem no YouTube!)

"Oh, I always let you down
You're shattered on the ground
But still I find you there
Next to me
And oh, stupid things I do
I'm far from good, it's true
But still I find you
Next to me (next to me)"
 
Sim, bota lamechas nisso, mas não faz mal que isto é post para mostrar todo um lado mais sensível e cenas. Só não vale a pena chorar. Para isso temos este pequeno apontamento no meio desta música.
 
 
Outra música chamada Demons é, curiosamente, uma das músicas emblemáticas da minha playlist de corrid. Adiante.
 
A festa prolongou-se por pouco mais de duas horas de concerto. Houve direito a canhões de confetis e a balões gigantes caídos do tecto da Altice Arena.
 
 
 
A malta queria mais, talvez por não ter percebido que as mudanças entre o palco principal e o mini-palco já eram os encores. Ter lido, de forma inadvertida, qual era a setlist também me ajudou a perceber que o final estava próximo. Preferia ter ficado na ignorância que eu gosto que o alinhamento seja surpresa. Neste caso, tem sido exactamente igual em todos os concertos da tour, portanto a todos os italianos, espanhóis ou alemães que me estejam a ler, ficam já a saber que os concertos desta semana vão ser iguais ao de Lisboa, está bem? Isso também significa que o Dan vai continuar a fazer os concertos sem ter o cuidado de vestir uma t-shirt a meio do espectáculo ou sempre que faz uma pausa fora do palco. O rapaz assim transpirado ainda apanha uma corrente de ar e fica constipado...

Fotos: Rita Carmo (Blitz)

E agora, se não fosse a Meia Maratona das Lampas, o que eu ia fazer era ir ali ver se ainda havia bilhetes para o concerto de Madrid e qual a melhor forma de lá chegar para assistir ao concerto de sábado.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Tagarro 2018

Voltei a Tagarro e abri a época 2018/2019. Ou, visto por outro prisma, abri o semestre das provas longas. E comecei logo com... uma prova de 10km! Grande maluco!

Depois de 2016 e 2015, foi a minha terceira ida a esta prova. E já nem vale a pena falar do ambiente da prova, da festa no final, das ofertas da inscrição, etc e tal. Basta ler o post do ano passado - ou qualquer outra pessoa que fale sobre a prova - para se ver o espanto que é o conteúdo do saco da prova e a alegria na localidade em torno da prova. Quando somos bem acolhidos a vontade de voltar aumenta e, assim sendo, se a prova se mantiver no calendário em 2019 lá estarei.

Parti sem qualquer ambição de tempo. Cheguei ao fim da prova sem me lembrar dos tempos lá feitos anteriormente, portanto nem sabia se tinha feito melhor ou pior. E não estava preocupado. Tal como em 2016 esta prova marca o regresso depois das férias e a partir daqui o foco é novamente nas provas longas, com o objectivo maior de tentar completar o tri na Maratona do Porto, sem esquecer a Meia Maratona dos Descobrimentos que me toca ao coração e onde quero chegar em boa forma. Veremos se há pernas até lá.

Ora, como não tinha objectivo de tempo para sábado acabei por arrancar a um ritmo confortável e claramente acima do que seria o meu melhor na distância. No início da prova, por dentro das ruas da aldeia estava mais preocupado em olhar para o público, receber o apoio que vinha de fora e, acima de tudo, divertir-me no que estava a fazer. Mesmo assim, vi depois que estava a correr na casa dos 5:10m/km, embora a sensação fosse que ia bem mais devagar. 

Foi, curiosamente, ao chegar à longa recta na zona da estrada nacional, na parte mais plana do trajecto, que acabei mesmo por abrandar o ritmo. 5:20, 5:30 e na subida que leva à primeira passagem pela meta 5:40. Percebi que estava na ronha quando deixei de ver colegas que têm um ritmo semelhante ao meu e depois quando fui ultrapassado por uma outra atleta minha amiga que eu sei que tem um ritmo habitual mais lento que eu. Continuava sem estar preocupado, mas começava a achar que a manter-me assim nem sequer ia conseguir acabar a prova a tempo de ver a segunda parte do derby que estava prestes a começar.

Depois veio o processo inverso. Entre os 6 e os 7 quilómetros voltei a acelerar e nessa altura tirei do bolso o gel que levava para experimentar e que tinha planeado tomar a meio da prova. Mais uma vez, não para me dar um rendimento por aí além, mas para testar em termos de sabor, eventuais efeitos secundários, etc. É da Prozis, já agora, e acabei resolver mesmo mudar de marca, agora que acabaram os da MyProtein que andava a usar antes.



Terá sido o gel a fazer efeito? De forma real ou apenas psicológica? Terei sido eu a cansar-me de andar àquele ritmo? Terá sido uma outra questão qualquer de "brio"? O que quer que tenha sido, resultou. Acelerei a partir dessa altura e, mais importante, senti-me bem. O meu quilómetro mais rápido foi o 9º. Num ápice "fui buscar" a minha amiga e acabei por ultrapassá-la entre os 8 e os 9 quilómetros e fiquei a poucos segundos da tal malta que tem um ritmo semelhante ao meu e que eu tinha perdido de vista há alguns quilómetros atrás. Deu para perceber que podia ter dado mais e acabei claramente com muita energia ainda no tanque. Podia ter feito melhor, mas não era importante. Pensando agora, se tivesse ido mais rápido a meio da prova, até tinha dado para ter acompanhado e até tentado puxar um pouco por um dos elementos da equipa. Paciência.

No final, depois de todos terem passado a meta em grande estilo e com um sorriso na cara, veio a festa que valeu por cada segundo. Excepto a meia hora de stress que tive a tentar acompanhar o final do jogo, pronto. Desculpem-me o vício...! Mas com futebol ou sem futebol, houve pódios e medalhas para tentar aplaudir, que isto de bater palmas ao mesmo tempo que se conforta o estômago com umas valentes sandes de porco no espeto e vinhaça da boa não é fácil. Esta segunda parte da prova não é para meninos, atenção!

E depois do jogo ainda houve mais animação, mais amigos a cruzaram-se no meio das tasquinhas. Houve Licor Beirão para aquecer porque o sol já tinha desaparecido há muito e o vento que estava durante a tarde manteve-se à noite. Houve prémios cómicos nas rifas - porque uma pessoa já sabe que lhe vai sempre sair uma prémio meio inútil mas diverte-se sempre a desenrolar os papelinhos e sabe que aqueles poucos euros que gasta vão ajudar. No final houve, acima de tudo, a promessa de voltar e de fazer novamente a festa no meio da festa. Porque isto da corrida é muito mais do que apenas correr.

Próxima paragem: Meia Maratona das Lampas!

Prova nº 90 - 10km de Tagarro 2018 - 10km - 00:53:21