sexta-feira, 24 de março de 2017

Assim se começa o dia...

No trabalho, um colega chega e diz:

"É assim pessoal, eu não quero assustar ninguém mas não sei se já repararam que nos escritórios do piso 0 tem havido alguns problemas de saúde e temos tido aqui ambulâncias à porta quase todos os dias. Parece que há qualquer coisa nos ares condicionados e detectaram um cheiro a amoníaco e há pessoas com problemas respiratórios e com alergias de pele. O mais provável é ser legionella mas ainda não está nada confirmado, nem pelos seguranças nem pela administração do prédio, nem por nenhumas autoridades de saúde. Os próprios funcionários do escritório não parecem estar muito alarmados e dizem que são só casos pontuais, mas eu vou hoje falar com a nossa manager e com os recursos humanos sobre este assunto. Tenham atenção e cuidado que isto pode ser algo de grave."

Tendo em conta que este é o colega de quem eu - e não só - desconfio que passa informações das nossas reuniões de supervisores para o staff antes de serem oficiais e que acabam por gerar rumores infundados e desnecessários, cheira-me que ainda hoje teremos um ALERTA CM e reportagem em directo!

quarta-feira, 22 de março de 2017

Yeahhhhhhh

Plano para hoje: sair do trabalho, tentar não perder nenhum transporte, chegar a casa, mudar de roupa e ir fazer um treino longo.

A coisa começou a complicar-se quando uma reunião me atrasou a hora de saída, mas consegui recuperar esse tempo perdido. Queria começar a correr às 18:00, estava pronto às 18:10 e ainda apanhei um susto quando o relógio demorou uns longos minutos para apanhar GPS. Com o imenso vento que estava também não ajudou ter-me esquecido da bomba da asma que tomo em caso de SOS. Obviamente que passei uns bons 5kms a lutar contra esse factor psicológico. Depois passou. A música ajudou.

A ideia era estar em casa às 20:00 e fazer entre 15 a 20km. Com sorte chegava à meia maratona. O percurso estava definido. Longe vão os tempos em que eu me perdia por estas ruas e detestava ser eu a escolher os caminhos dos treinos. A estratégia passou por meter 1:30 de música no MP3. A um ritmo tranquilo (6m/km) fazia os 15km nessa altura e quando a playlist voltasse ao início logo via o melhor caminho de regresso a casa.

Cumpri o percurso até aos 13km onde hesitei se entrava no passeio ribeirinho. Eram cerca de 3kms para cada lado e com o que faltava até casa depois ficava feita a meia. Aos ouvidos a playlist dizia-me "there is no turning back now", mas a pouca luz e a chuva que começou a cair fez-me voltar para trás no primeiro ponto em que isso era possível. Reinventei o percurso e quando a música voltou ao início já ia quase com 16km. Entrei no dilema de fazer mais uns 5km vs voltar para casa na hora que tinha estipulado. Optei por regressar. Às 20:00 em ponto tocou o sino da torre do mercado aqui à porta. Andei rumo ao jardim para não parar de repente e para alongar. Missão cumprida!


Feliz pela distância, pelo ritmo, por ter metido na cabeça que ia fazer este treino hoje e não ter mudado de ideias. Não fazia um treino tão longo desde a lesão e estava a precisar disto para me testar.

Mas há mais! Resguardei-me na primeira metade para depois aumentar o ritmo na segunda parte. De início até nem foi propositado, mas à medida que os quilómetros iam passando percebi que ainda podia dar mais - e dei!

Curiosamente percebi isso com a ajuda da banda sonora. Na altura que acelerei foi ao ritmo da música e depois mantive o andamento.

Agora segue-se um treino bastante importante amanhã para abrir as hostilidades em relação à corrida cá da terra. E depois volto ao Troféu das Localidades, em Tercena. Ainda não vi bem a altimetria dos 8,5km para estudar como quero fazer a prova.

O que sei é que estou muito tentado a apostar numa gracinha nos Sinos. A ver vamos.

Despeço-me com... felicidade, ao som da chuva forte que entretanto caiu enquanto escrevia este texto. Escapei-me de boa só com umas pingas modestas.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Family


Dedicado à minha equipa e à camisola que eu visto. Sem vocês nada fazia sentido.


Dengaz - De Onde Eu Vim (Ahya Family)

 (...)

Nós fazemos isto bem
Eu sei que eles tomam notas (bro)
Então eu sei que tou no sítio certo (bro)
Isto é o meu people
Isto é o meu gang
Isto é o meu team, bro
Isto é a minha fam
É carinho e power como eu nunca vi
Coração e palco cheio da família que eu escolhi
(...)
E sei que eles não entendem
Como é que eu estou aqui
É que eu faço isto pela fam' fam' fam' (my family)






sexta-feira, 17 de março de 2017

5as feiras mágicas

Nota-se muito que eu estava com saudades de correr à séria? Neste momento cada treino que faço é passado com a emoção de quem está numa prova olímpica.

Já por aqui disse que gosto muito do treino das 5as feiras. O grupo é diferente do treino das 3as, embora o núcleo duro seja o mesmo. O próprio facto do ponto de encontro ser noutro local de cidade faz com que haja esta diferença, mas o espírito é o mesmo, a união é igual.

Hoje, tal como na 3a, todo o grupo foi impecável com a nova colega e com toda a gente que precisou de uma força extra. 

Deu para voltar a brincar aos segmentos do Strava. Deu para eu pulverizar o meu record num deles e depois quase bater o tempo que fiz na semana passada no outro. Gosto de me sentir assim, não necessariamente pelos tempos mas porque me divirto no processo e porque vejo todos animados à minha volta. Independentemente de irem a correr ou a caminhar, se for preciso. O que interessa é ir.

Esta 5a feira também foi mágica porque antes do treino de equipa (foram 7,5km) tive outro treino (de 5,2km) onde continuei a dar apoio individual a uma pessoa que achou ser o momento ideal para experimentar começar a correr. A minha função é escolher o percurso e ir dando motivação - ou seja, ao meu estilo é ir conversando e ser um bocado palhacinho a dizer/fazer disparates. Parece adequado para mim. Tem resultado e é para continuar. Gosto disso.

Fazer dois treinos no mesmo dia - sobretudo só com uma hora de descanso entre eles - não é habitual em mim. A única fez que o fiz foi em Setembro do ano passado quando fiz uns 13km por aqui antes de ir fazer os 12,5km da Wine Run. Agora que penso nisso, o percurso dos últimos abastecimentos não foi difícil por causa do vinho como eu desconfiava, eu é que estava cansado do duplo treino.

Agora toca a descansar. Ainda falta para o objectivo MMDV e antes disso quero estar bem nos Sinos.
E antes, durante e depois disso quero continuar a correr feliz. Nothing else matters.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Equipa, com E maiúsculo.

Quando eu comecei a correr, corria sozinho. Corria de forma esporádica, quando tinha tempo, sem grande plano e sempre a direito. Metia os phones nos ouvidos e ia. Pensava em tudo e não pensava em nada.

Uns tempos depois comecei a usar uma aplicação no telemóvel para controlar o que fazia e achava piada ver se ia melhorando. Até que vi o primeiro treino do que é actualmente o nosso grupo e fui. Sem hesitar, mas sem saber ao que ia. Passado o primeiro quilómetro já estava sozinho na cauda do grupo e a ficar longe de todos. Tinha entrado noutro mundo, aquilo era tudo gente cheia de experiência e com um andamento brutal para mim. Felizmente tive apoio e já disse e repito que sem essa ajuda não teria voltado para o treino seguinte.

Ontem éramos 12 pessoas no treino, uma delas a fazer a sua estreia e cheia de medo de não conseguir aguentar o andamento. Tentei tranquilizá-la, como fazemos com toda a gente que vai pela primeira vez. Ninguém fica para trás, o último é sempre o mais importante. Assim foi durante todo o treino.

Sem combinarmos entre nós - os mais "séniores" - ela esteve sempre acompanhada por duas ou três pessoas que nunca a deixaram sozinha e sempre lhe foram dando dicas para a ajudar e força para continuar. Um simples olhar para trás e levantar de polegar era o suficiente para os da frente saberem que estava tudo ok. Um sentido de consciência e de responsabilidade fazia com que de vez em quando alguém da frente viesse ter com ela para trocarmos e para dar a possibilidade de também podermos acelerar um pouco. E quando o percurso permitia quem ia à frente dava mais uma volta ao quarteirão para deixar o grupo da nova companheira passar para a frente durante uns bons metros até reagruparmos todos novamente.

Ontem também tivemos um outro amigo que nos fez uma visita. Ficou agradado com a nossa forma de agir e partilhou comigo que ainda no fim de semana tinha ido correr noutras paragens e que tinha levado um colega. Disse que acabaram por fazer um treino de 10km a 5:30m/km e que ficaram sozinhos porque todos os restantes cerca de 20 elementos que estavam presentes voaram por ali fora e foram todos a um ritmo elevado deixando para trás quem não conseguia acompanhar. Dizia-me ele também que era fantástico conseguirmos manter esta nossa identidade. Já no domingo os nossos amigos tagarelas elogiavam a nossa facilidade de integrar novos elementos no grupo, de ter um espaço aberto a todos independentemente do ritmo, do andamento, da capacidade física. 

Ontem a nossa nova colega - já a posso tratar assim, que ela tem um objectivo definido em mente e vai voltar amanhã - a certa altura perguntou que distância já tínhamos feito. Que achava que eram uns 2km e que estava contente porque pensava que ia cair para o lado ao fim de 500 metros. Já íamos com 3,5km. Ela acabou com 7kms feitos - sempre acompanhada e radiante com o que tinha conseguido alcançar - e alguns de nós fizemos uma volta maior para fazer 10km.

Com isto tudo fui para casa com um sentimento de dever cumprido e hoje acordei feliz também e a precisar de atirar cá para fora esta alegria. Eu sei que este texto é um auto-elogio, mas acima de tudo é sincero. No dia 23-05-2014 fiz 9km nestas condições. Deram-me a mão quando precisei. Acabei exausto e feliz - e já tinha feito 10kms antes algumas vezes. Quase 3 anos depois continuamos a fazer o mesmo por outra pessoa. 

Venha quem vier, ninguém nos retira a identidade. Nunca!

segunda-feira, 13 de março de 2017

Quando é que adiciono esta palavra do dicionário do telemóvel?

Passei a semana inteira a dizer disparates de forma involuntária sempre que falava da prova de hoje.

"Leão", "Leitão" e até "Lesão" eram algumas das palavras que apareciam sugeridas e para as quais o dicionário do telemóvel corrigia sempre que eu dizia que ia fazer a prova de Leião do Troféu das Localidades.

Regressei à companhia dos meus amigos tagarelas que tenho acompanhado nestas provas. Eles sempre com carradas de gente, eu quase sempre como intruso convidado. Ficou hoje o desafio de correr em nome deles para o ano, caso haja novamente poucos ou nenhuns participantes da minha equipa. Sempre ajudo com uns pontinhos e de certeza que ninguém com bom senso me vai criticar, até porque não há dúvidas em relação à minha fidelidade pelo símbolo pelo qual corro.

Desta vez pouco vi em relação ao percurso. Pelas conversas confirmava-se que a prova da Outurela foi a mais dura de todas até ao momento mas diziam que esta prometia ser pior. Vi a altimetria e parecia-me perfeitamente na mesma linha das provas que já fiz no troféu das localidades. Uma longa subida de quase um km à passagem dos 2km em direcção ao Tagus Park e um carrossel de sobe/desce até ao último km que era uma grande subida antes da aproximação à meta.

O tempo não ajudava com mudanças bruscas de sol quente e vento frio. Os relatos vindos do sector feminino após acabaram também diziam que se tratava de um percurso muito difícil - e elas só faziam 5km. Mau...

Tudo pronto para a nossa partida. Hoje levei música - banda sonora nova e tudo - e concentrei-me no que ia ouvindo e que tenho ouvido em loop durante toda a semana. Rapidamente via os kms a passarem sempre a um ritmo vivo que quebrou um pouco - mas dentro do esperado - na longa subida. Como tudo o que sobe tem que descer, disparei na descida e mantive-me forte e concentrado ultrapassando vários atletas que me tinham passado a subir. Sentia-me bem e ia quase sempre rodeado por atletas da casa, alguns em dificuldades a subir. Pensei que se esta malta treina naquelas ruas e mesmo assim tem dificuldades então eu estaria tramado no fim. Só que não.

Nem a última subida me parou. Nunca caminhei - ao contrário do que aconteceu em Barcarena na última prova do troféu que tinha feito. Quando dei por mim tinha a meta à vista. Sem dores, sem stress, sem sofrer. Cansado qb. E pronto para o lanche partilhado que a malta faz sempre no fim antes de ver as classificações gerais finais. (Fui 48º em 55 participantes do meu escalão. Dificilmente posso almejar a melhor dada a competitividade do troféu).

Não achei a prova assim tão dura. Não que seja fácil, mas não me custou por aí além. Melhor preparação? Expectativas demasiado pessimistas dos restantes colegas? O meu ritmo médio final foi de 5.30min/km, perfeitamente dentro do esperado para o tipo de carrossel da prova e o tipo de preparação que tenho depois da paragem. Venha a próxima.

Faltam 77 dias para a Meia Maratona do Douro Vinhateiro, mas até lá ainda há muitos quilómetros e algumas provas importantes para fazer.

Prova nº 55 - Troféu das Localidades (Sintra, Oeiras e Cascais) - Grande Prémio de Atletismo de Leião - 7,750km - 41:55