terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

2017, take 2

Não há volta a dar: estes dois primeiros meses de 2017 são, muito provavelmente, os mais frustrantes desde que comecei a correr de forma mais regular. Apenas tinha estado assim lesionado uma vez há dois anos tendo parado 3 semanas fruto de um tornozelo torcido em Mafra. Voltei em Alverca com apenas um treino feito e senti-me como se nunca tivesse parado, numa das provas mais complicadas desse ano, não pelo percurso mas pelo calor abrasador que se fez sentir naquele fim de tarde de Maio. Toda a gente passou mal, menos eu.

Este interregno num ano em que queria tentar consolidar e melhorar as marcas que tenho feito deixou-me desolado mas felizmente tenho conseguido manter-me ocupado com outros projectos e actividades e à medida que tenho voltado aos treinos - um pouco mais cedo do que devia, volto a confessar mas sem qualquer tipo de abusos - tenho-me sentido mais confiante e a perna tem dado sinais de estar quase a 100%. Se assim for, é uma questão de recuperar a forma e o ritmo aos poucos. O sorriso já vai aparecendo também.

Domingo é um bom teste, numa prova obrigatória do calendário. Se os duros 17kms do Fim da Europa mostraram que - como eu bem sabia e ainda não queria admitir - eu não estava em condições de correr, espero agora que os 15,5kms das Lezírias me permitam confirmar que tudo está a regressar à normalidade.

Já aqui disse que 2017 era um ano para olhar em frente e esquecer o passado. E como o nome do blog indica, eu preciso de traçar objectivos, de ter metas definidas. É com isso em mente que já tenho um plano de treinos que quero meter em prática a partir de 2a feira. Um plano simples de 12 semanas para provas de 21kms e que curiosamente tem 3 treinos por semana: 3as, 5as e um ao fim de semana. Parece-me perfeito tendo em conta que são precisamente os dias dos treinos da equipa e ao fim de semana ou há provas ou se encaixa um treino também. Estou a estudar outros mais complexos e mais técnicos que se calhar vou deixar para o segundo semestre.

E qual é o objectivo no qual me vou focar na primeira metade do ano? É a Meia Maratona do Douro Vinhateiro! Nem poderia ser de outra forma!

Vamos a isso!

Caminhada

É já no sábado o evento que o nosso grupo está a organizar.
Reuniões para aqui, reconhecimento de percurso para ali, inscrições e mais inscrições...! Estamos com 500 pessoas! Acho que nunca ninguém pensou que tivéssemos tanta gente, resta saber quantas aparecem no próprio dia.
Tenho passado grande parte dos serões destes últimos 30 dias em recolhas de dados de formulários de inscrições, folhas de excel, e-mails, e-mails, e-mails, promoção e divulgação no Facebook, etc e tal.

Nervoso miudinho por estarmos dependentes de terceiros e de outras entidades em algumas coisas mais burocráticas, mas confiante que quem nos apoia vai querer fazer boa figura e que tudo vai correr bem. O que é certo é que estou a adorar esta interactividade com as pessoas inscritas - por e-mail ou pelo Facebook - e da parte que me toca tudo está em ordem e as pequenas dúvidas e questões mais complicadas que foram aparecendo estão resolvidas sem grande stress. A minha contribuição no evento de Maio é menos intensa - e nem poderia ser de outra forma nesta fase - mas, tal como desconfiava que ia acontecer, estou a ganhar um gostinho especial por estar do outro lado da barricada.

Depois de sábado, quando a poeira assentar depois do evento... vou ter saudades. Muitas saudades mesmo! Vou ganhar um pouco mais de tempo livre mas ao mesmo tempo vou sentir um vazio muito grande. Aconteça o que acontecer, vamos ficar com a sensação de dever cumprido! E fica aqui escrito - deixem-me aproveitar que ninguém me lê - que trabalhar nisto com vocês os 3 tem sido fantástico. Somos diferentes, temos os nossos defeitos e teimosias, mas dificilmente podia escolher melhores parceiros de aventura! Depois desta, vamos pensar na próxima?

Ah sim, e domingo? Domingo volto às provas! Isso fica para outro texto.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Regresso ao Passado

E aquele momento em que descubro que estou apaixonado pela Sia desde 2001?

Uma das bandas que mais me marcou no início do século - e sinto-me velho ao escrever desta maneira - foram os Zero 7. Sempre adorei o estilo zen e chill-out da banda que não tinha vocalista permanente e que ia convidando vários vocalistas para serem a voz das suas músicas. E esta semana, quase por acidente, descobri que a Sia - de quem tanto gosto - foi uma dessas vozes.

Mais ainda, acabou por ser a voz dos Zero 7 durante tanto tempo que se tornou "vocalista não oficial" da banda. E como é que eu só percebi isso estes anos todos depois? Enfim! E neste trabalho de investigação fui procurar, por exemplo, crónicas do concerto que deram no Coliseu dos Recreios naquela fria noite de 4 de Abril de 2004 e onde estive presente horas depois de ter estado num casamento. (As coisas que eu me lembro... It's all coming back to me now.) Naquele dia, depois de um fim de semana brutalmente cansativo, a última coisa que me apetecia era ainda ir ao concerto e pensei seriamente em perder o amor ao dinheiro gasto e baldar-me, mas em boa hora fui.

No dia seguinte, naquele ano de 2004, alguém escrevia isto:

A noite propriamente dita começou morna (...) Parecem-me acima de tudo uns tipos bem dispostos que procuram sons suaves ao ouvido, com uma simplicidade acima de tudo enganadora.
(...)
 
E se as dúvidas ainda poderiam persistir, primeiro Sophie Barker e depois a avassaladora Sia Furler colocaram-lhe um ponto final. Sia é perfeita demais para ser verdade. Com ela tudo mudou. A banda encontrou claramente a liderança vocal feminina que o conjunto teclas/guitarra/baixo/electrónica necessitava para a sua brilhante (e nunca é demais referir, enganadoramente simples) componente "melódica". Os sons de ambiente e luminosidade azul no fundo do palco encontravam no amarelo brilhante da voz de Sia o ingrediente decisivo para que esta não fosse apenas uma banda/noite interessante. 
 



"Destiny"
Zero 7 feat. Sia Furler and Sophie Barker
 
I lie awake
I've gone to ground
I'm watching porn
In my hotel dressing gown
Now I dream of you
But I still believe
There's only enough for one in this

Lonely hotel suite
The journey's long
And it feels so bad
I'm thinking back to the last day we had
Old moon fades into the new
Soon I know I'll be back with you
I'm nearly with you
I'm nearly with you

When I'm weak I draw strength from you
And when you're lost I know how to change your mood
And when I'm down you breathe life over me
Even though we're miles apart we are each other's destiny

On a clear day
I'll fly home to you
I 'm bending time getting back to you
Old moon fades into the new
Soon I know I'll be back with you
I'm nearly with you
I'm nearly with you

When I'm weak I draw strength from you
And when you're lost I know how to change your mood
And when I'm down you breathe life over me
Even though we're miles apart we are each other's destiny

When I'm weak I draw strength from you
And when you're lost I know how to change your mood
And when I'm down you breathe life over me
Even though we're miles apart we are each other's destiny

I'll fly, I'll fly home
I'll fly home and I'll fly home




sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Até sempre, Analice!

Cheguei a casa vindo do treino, animado por ter corrido bem (amanhã é que vou perceber se a perna achou piada) e entusiasmado com a curta reportagem (mais uma) que nos fizeram e que sairá online na próxima 3a feira.

E, de repente, 2 minutos de Facebook e várias publicações sobre o assunto fizeram chegar-me aos olhos a triste notícia da noite: a Analice perdeu a luta  que estava a travar na "pior e mais longa Ultra Maratona da vida dela".

Penso que a grande maioria dos atletas amadores a conhecem, pessoalmente ou não, e muitos de nós já tivemos o prazer de partilhar a sua companhia em provas tanto de estrada como de trail. Confesso que demorei algum tempo desde que comecei a correr até ouvir falar dela e quando há uns anos atrás ela foi a atleta em destaque num episódio do SIC Notícias Running até nem prestei grande atenção nem tive muito interesse mas rapidamente mudei de atitude ao ouvir mais detalhes e pesquisar um pouco mais sobre a sua incrível história de vida.

Passado uns tempos comecei a cruzar-me com ela em algumas provas e pude verificar a sua simpatia, simplicidade e puro prazer e amor pela corrida. Toda a gente a cumprimentava e ela sempre respondia com um sorriso de quem estava plenamente feliz com o ambiente onde estava inserida. Todo o carinho que os atletas tinham por ela era retribuído na mesma moeda.

Por esta altura já quase toda a gente tem uma foto ou uma história com ela. Eu não tenho fotografia, mas tenho um pequeno relato que guardarei na memória e que aqui partilho:

São Silvestre dos Olivais, Dezembro de 2015: tive o privilégio de correr por algum tempo ao lado dela. Um bom quilómetro, talvez. Não me lembro do que falámos. Da chuva, talvez. A certa altura segui caminho, passado um bocado ela passou-me. Desejei-lhe uma boa prova e felicidades para os próximos desafios. No final da prova estava no exterior do Go Fit (onde a prova terminou) com os meus colegas de equipa que foram à prova e ela passou por nós. Estava sozinha, algo desorientada e perdida. Quando percebemos isso fomos em seu auxílio. Ela tinha ido à prova sozinha e sabia que tinha deixado o carro numa rua que ficava mesmo junto ao ginásio, mas não sabia qual era nem em que direcção ir. Com a aglomeração de pessoas e a chuva que tinha caído perdeu a noção do espaço. Saímos dali e começámos a percorrer as ruas que circundavam o edifício até ela encontrar o carro. Agradeceu-nos a ajuda e seguiu viagem. É uma história simples, como ela era.

Há dias foi colocado um vídeo na página de fâs da Analice no Facebook onde já se notava que a doença estava a fazer mossa. A certa altura falham-lhe as palavras e ela diz que está a ficar com preguiça de falar. E sorriu, naquele jeito meio inocente dela. Eu também sorri quando vi. E arrepiei-me ao mesmo tempo porque caiu-me a ficha naquele momento. Nunca esperei que o desfecho fosse tão rápido. Ela partiu e terá agora toda uma nova panóplia de estradas e trilhos onde correr. Esta geração de atletas amadores nunca a esquecerá.


sábado, 18 de fevereiro de 2017

"O" treino

Hoje fui treinar.

20 dias depois do Fim da Europa.

18 dias depois da médica me ter recomendado vivamente parar durante um mês para recuperar a 100% da lesão.

7 dias antes da data que eu tinha planeado voltar a fazê-lo.



Foi o melhor e mais simbólico treino da minha vida. Venham mais destes!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

YouTube

Sentar-me ao pc a tratar de e-mails, inscrições, confirmações, folhas de Excel, nomes, datas, números e afins.

Abrir o YouTube e meter Linkin Park a tocar. Deixar a reprodução automática escolher as músicas seguintes. Acabar a ouvir "aquela música que tenho ouvido na rádio e não sei de quem é".

Descobrir que é Lady Gaga.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Metáfora

Há uns meses atrás no caminho rotineiro do trabalho até casa apanhei o autocarro habitual que me levou à estação de comboios do costume. Para conseguir chegar ao comboio que apanho todos os dias tive que ir a correr porque estava mesmo em cima da hora.

Nesse dia, quando saí do autocarro e olhei para baixo para não tropeçar no passeio em obras, vi uma moeda de 5 cêntimos. Decidi não a apanhar para ganhar segundos preciosos para apanhar o comboio.

No dia seguinte, ao sair do autocarro, olhei novamente. A moeda não estava lá. E no dia a seguir olhei e continuava a não estar. E todos os dias desde então lembro-me sempre dela e continuo a espreitar para o local onde ela pousava naquele dia tão rotineiro.

"São só 5 cêntimos" - pensei eu na altura.

Procuro-a todos os dias. Nunca mais a vi.