sábado, 31 de dezembro de 2016

Música do ano - 2016

Podia muito ser esta.
Podia ser esta.
Podia tanto, mas tanto ser esta.

Não, a música que mais me marcou este ano é:

video 

"Desavindos"
Deolinda feat.Manel Cruz (Ornatos Violeta)

Quase nem reparo em ti
Ocupada como eu ando
Com as minhas coisas
Que vou adiando

E eu mal reparo em mim
Dou-me por certo e logo vejo
E se é mesmo o que quero
Eu vou adiando

Já ninguém espera por nós
Adiámos o que é urgente
E o nosso futuro
Já não está presente

Vamos tentar outra vez
Dar a mão à palmatória
E contar aos nossos filhos
Uma outra história

E contar aos nossos filhos
Uma outra história

Momentos do ano - 2016

Vou resumir este ano em dois momentos fantásticos:

- a vitória de Portugal no Euro 2016
- a minha vitória na Maratona do Porto

Podia falar de muitos outros, quer pessoais quer desportivos, mas fiquemos com estes. De Lisboa ao Porto, de Campo de Ourique à Praia da Vieira, 2016 deu-me imensos motivos para festejar! E são esses os momentos que vale a pena recordar!

Praia da Vieira: a refrescar a garganta, depois de garantir o apuramento para a final do Euro!


Lisboa: A caminho do Marquês depois vitória na final do Euro!
Porto: metros finais da Maratona. Agarrado ao símbolo da equipa como forma de agradecimento por todo o apoio!



Podia incluir também o próprio vídeo da chegada no Porto e falta aqui outra fotografia logo após ter cruzado a meta que ainda não me foi enviada.

Que o meu e o vosso 2017 tenha muitos motivos para celebrar!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Resumo da matéria dada

Estive a fazer balanços. De 2016 no geral, dos treinos e corridas de 2016, dos treinos e corridas de 2015 e de tudo o que aconteceu antes desde a minha primeira prova no dia 7 de Junho de 2012.


2012-2014:

O início. As caminhadas frequentes do trabalho até ao comboio. As primeiras provas. Fazer 10km em 1:13 na primeira prova e fazer 1:18 nas restantes três! A formação do grupo. Os primeiros treinos regulares. A primeira tentativa a sério de baixar da hora aos 10km. A primeira Meia Maratona.

2015:

A continuidade. O início do hábito de treinar duas vezes por semana. A participação frequente em provas. O começar a reconhecer algumas caras no pelotão nacional. Diz o Strava que corri 76 vezes durante 81 horas e 40 minutos tendo percorrido 784.7 quilómetros - caminhadas não incluídas. Diz o meu ficheiro de Excel que participei em 17 provas e gastei 130€ em inscrições. Dá uma média de 7,65€ por prova visto que participei em algumas gratuitas ou com dorsal oferecido. Os resultados foram promissores. As 7 corridas de 10km foram todas abaixo da hora e já me desafiavam a baixar dos 50 minutos. As provas de 15kms foram todas abaixo dos 6:00/km e fui sempre melhorando os tempos nas Meias Maratonas. A última de 2015 ainda marca o meu record na distância com 1:57:47 - média de 5:34/km. Inscrevo-me numa Maratona.

2016:

A confirmação. Dois e às vezes três treinos por semana. O convívio cada vez mais frequente com outros colegas de aventuras. A confusão, os desacatos, as separações temporárias e definitivas, as dúvidas e as incertezas. A Maratona. Diz o Strava que corri 88 vezes durante 100 horas e 45 minutos tendo percorrido 982.8 quilómetros - caminhadas não incluídas. Não vou passar por pouco a barreira dos 1000kms e tenho quase a certeza que não volto a correr este ano. Fica como meta para 2017. Diz o meu ficheiro de Excel que participei em 25 provas e gastei 203,45€ em inscrições. Dá uma média de 8,14€ por prova visto que participei em algumas gratuitas ou com dorsal oferecido. E os resultados? A cada prova de 10km que fazia retirava um minuto ao meu record pessoal. Comecei o ano com 54:50 e fui baixando: 53:06 (Janeiro), 52:36 (Abril), 51:02 (Abril), 50:14 (Maio) e finalmente 49:22 em Junho! E ainda acabei com chave de ouro com 48:16 em Dezembro. Perfeito!
Nas provas de 15km, andei sempre com médias de 5:30/km mas no fatídico mês de Maio consigo terminar uma prova com 1:18:27 (média de 5:18/km) que foi exactamente o mesmo tempo que fiz numa prova de 10km em 2014. Nas Meias Maratonas fica uma sensação agridoce de ter tido uma desistência (em Maio, pois claro) e de ter atinado com a distância quando comecei a preparar a Maratona, mas sem nunca ter voltado a baixar das duas horas como pretendia. E a Maratona, pois claro! 42,195kms mágicos que hei-de repetir no mesmo palco em 2017!
E o blog, que começou a ser planeado... em Maio. Ganhou vida e vai sendo um bom companheiro de desabafos.

2017:

Como será? Não sei. Cá estarei para contar, suponho. Diz o meu ficheiro de Excel que já tenho um calendário bastante bem preenchido durante o ano com 26 provas em que já estou inscrito ou estou em vias de me inscrever. Felizmente muitas são do Troféu das Localidades, portanto são a custo zero. Este fim de ano tem sido um corropio de confirmação de datas de provas e de inscrições: Lezírias, Sinos, Alverca, Santarém, o passaporte das Running Wonders, a Maratona do Porto. Entro em 2017 com 90% do calendário definido e com as inscrições quase todas pagas!

Haja sáude e pernas para correr e amigos e família com quem partilhar as conquistas!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Uma corrida por mês...*

2017 promete ser quase tirado a papel químico de 2016.
Fora um ou outro ajuste no calendário, a verdade é que ao longo dos anos já tenho uma série de corridas nas quais gosto de participar e desde que possa lá estarei. Curiosamente consigo estar a marcar uma corrida de referência por mês - e nem estou a contar com as provas do troféu das localidades.

Já tinha uma em Janeiro, já tinha outra em Fevereiro. Entretanto inscrevi-me aqui e soube há pouco que no inicio do ano abrem as inscrições para aqui:
 

Para Maio há Douro Vinhateiro e já há rumores data da "nossa" corrida. Em Junho temos as Fogueiras e rapidamente chego a meio do ano com uma corrida importante no calendário por mês, mas para a segunda metade do ano também já há várias datas confirmadas. E estou cada vez mais certo da decisão a tomar em relação à Maratona.

Venha de lá 2017, cheio de quilómetros nas pernas e sorrisos no rosto!


* era suposto terminar a frase com uma rima tipo provérbio popular, mas não consegui pensar em nada de jeito.

Pecinhas

Uma das razões pelas quais tenho que passar a deitar-me mais cedo é que ultimamente encontro sempre tarde e a más horas coisas que me fazem reflectir, coisas que me fazem ponderar sobre a minha existência neste planeta, coisas que me fazem vir até aqui e atirar cá para fora ideias que me vão na alma. Hoje foi este texto:


Ponto prévio: não sigam a página do Ruim - nem a de outros quantos humoristas que eu sigo - porque isto é tudo humor negro e depois se forem sensíveis ainda ficam incomodados e é uma chatice para toda a gente.
Desta vez o texto foi até bastante profundo. E tocou-me porque me parece um resumo perfeito do meu ano de 2016. Há peças indispensáveis na minha vida, há peças das quais eu não gosto propriamente mas que fazem falta para ajudar a que outras pecinhas que me são importantes funcionem melhor. E depois há as outras.

Passei metade deste ano a rodear-me de peças que eu achei serem fantásticas e que me ajudavam a funcionar melhor. Coloquei-as em zonas cruciais da engrenagem, no lugar das que lá estavam e que até nem estavam a funcionar assim tão mal como eu achava. De repente apareceu um grão de areia e avariou tudo. Percebi então que com as peças anteriores podia vir uma tempestade de areia que as coisas não avariavam. As peças novas eram defeituosas, de má qualidade e só as adquiri devido a muita publicidade enganosa. Esqueçam a garantia, foram directamente para o caixote do lixo. 
Passei a segunda metade do ano a (tentar) corrigir tudo o que tinha feito na primeira metade. A repor as peças certas nos lugares certos com todo o cuidado do mundo para garantir que ficavam novamente bem colocadas; a adicionar peças novas e - estas sim - verdadeiramente úteis. Não sinto falta das que atirei fora. Nenhuma. Às vezes ainda olho para o livro de instruções e para outras opiniões na esperança que ainda houvesse alguma maneira de serem parte da engrenagem mas não há volta a dar. Da mesma maneira, deixei de ser uma peça importante noutras engrenagens. Agora que olho para trás tenho quase a certeza que nunca fui, que apenas era um peão sem qualquer valor. Não faz mal, cada vez me custa menos olhar para trás. Ainda ontem descobri por acaso que nestes dias deixei de ser parte integrante de mais um circuito, passei a ser menos uma peça e, sinceramente, não me aquece nem me arrefece. Descobri por acaso, mas até podia ter estado um ou dois meses sem reparar nisso. É sinal que também não me fazia falta. Até sinto que foi uma prenda de Natal.

Para o futuro: se calhar um dia não me vão querer mais nas vossas engrenagens. Eu hei-de perceber isso e terei que aceitar esse desfecho com toda a naturalidade. O importante é que tudo funcione da melhor forma para toda a gente. Eu não quero ter uma máquina encravada e muito menos quero andar a encravar máquinas alheias!

Da parte que me toca, 2017 não vai ter posts destes. É assunto que morre aqui. E valha a verdade, os relatos das provas são muito mais interessantes! Por falar nisso, a próxima publicação já fala sobre corridas!

(Escrever ao mesmo tempo que dou liberdade do YouTube para me escolher a playlist é tramado. Mas acabo o texto ao som de:

I'm still breathing, I'm still breathing
I'm still breathing, I'm still breathing
I'm alive
I'm alive
I'm alive
I'm alive

E é assim que me sinto ao terminar 2016!)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Maratona número 2

Ok, falemos de coisas bem melhores!

Está na hora de tomar decisões em relação à próxima Maratona e as opções em cima da mesa são várias:


Madrid, 23 de Abril, 70€

A data não é a melhor, mas um dos meus objectivos é fazer uma prova no estrangeiro. O preço também não é convidativo (e acrescem depois os custos de deslocação e estadia) pelo que resta aguardar pelos passatempos da Comunidade EDP caso voltem a fazê-lo, No ano passado uns colegas de equipa foram através do passatempo e adoraram a experiência. Aliás, o feedback das provas em Espanha é sempre fantástico em termos de condições e de apoio do público. 

Lisboa, 15 de Outubro, 25€ (até ao final de 2016, salvo erro)

A data também não é a melhor. (Mas será que isto foi tudo combinado?)
Sinto que não faz sentido não fazer esta prova um dia. No papel o percurso é interessante, sempre na companhia do rio, mas diz quem fez (mais que uma vez até) que é um percurso chato e repetitivo. O apoio na rua é escasso, o que já é típico da maioria das provas em Lisboa portanto já não me incomoda. A promoção é simpática, mas desconfio que em termos de equipa não terá muita popularidade e isso também tem influência na decisão.

Porto, 5 de Novembro, 28€ (até ao final de 2016)

Repetir o Porto é uma forte possibilidade. O hotel até já está pré-reservado e tudo. Independentemente do número de maratonas que fizer durante o resto da vida, a primeira vai sempre ter um cantinho especial no coração. Nem sou grande conhecedor da cidade, mas depois de Novembro vou sentir-me sempre em casa ao passar nas ruas que percorri. É certo que numa prova tão longa é muito difícil fazer previsões, mas gostava de lá voltar com mais experiência acumulada para tentar fazer melhor do que na estreia. A promoção é simpática - mais 3€ que no ano passado - e aposto que na equipa esta prova será sempre mais popular do que a de Lisboa.

Valência, 19 de Novembro, 47€ (até 9 de Janeiro)

Repito quase tudo o que disse em relação a Madrid. Excelente feedback, não de membros da equipa, mas de outros amigos do mundo da corrida. O preço é mais agradável, mas a validade é curta. Depois sobe para 50€.


Para além destas também há Sevilha e Barcelona, mas ir lá em 2017 já está fora de questão portanto fica em mente para 2018.

Parece-me que o Porto está na pole position. Tenho até ao final do ano para decidir.

Madness

Quem tiver boa memória poderá lembrar-se que o meu telemóvel faleceu há uns tempos atrás. O novo já está em Lisboa, mas a agência que lhe marcou a viagem ofereceu-lhe também uma estadia potencialmente prolongada na Alfândega (isto é um pedido de socorro!) e sabe-se lá quando é que me vem parar às mãos. Entretanto ando com um antigo que andava guardado cá por casa. Tão antigo  - saiu para o mercado em Março de 2013 - que:

- não é dual-sim (a tragédia!) portanto estou incontactável num dos meus números;
- é lento quando ligo o Wi-Fi ou os dados, portanto o uso que dou à net e às redes sociais é curto e limitado (o drama!!)
- tem pouca memória RAM, portanto mesmo tendo só duas ou três aplicações essenciais, não consigo jogar Candy Crush (o horror!!!)

Vai dando para me manter em contacto com o mundo, para trocar umas palavras durante o dia com quem preciso e para ver as novidades principais. E o rádio funciona perfeitamente para me entreter nas intermináveis viagens nos transportes públicos.

Do telemóvel antigo resta um ecrã partido. Se eu lhe meter a bateria, o alarme continua activo a despertar às 6:30 de segunda a sexta. Para o desligar é só tirar a bateria completamente ensonado, mas sem problemas de consciência se ele voltar a cair no chão. Pior do que está não fica.

Contra todas as expectativas consegui fazer uma cópia de segurança de todo o conteúdo que lá tinha, sendo que o mais importante são os contactos e as fotos. Neste momento estão todas numa pasta algures no computador sendo lá para dia 30 de Fevereiro hei-de arrumar esse conteúdo em pastas com os nomes dos almoços, jantares, eventos, etc em que foram tiradas.

Por masoquismo fui rever algumas dessas fotos. Muitas nunca deveriam ter sido tiradas e já deveriam ter sido apagadas, do telemóvel, do computador, da minha cabeça. Reflectem momentos e fases recentes da minha vida onde eu estava claramente cego, confuso, louco, perdido... (a lista de adjectivos é interminável).

E tudo isto começou porque estava a olhar para o calendário de provas do próximo ano e a actualizar a minha lista ao mesmo tempo que este vídeo me passou pelos olhos. Estive neste concerto e é fascinante que não me recorde de absolutamente nada do que se passou lá. Nada de bom, pelo menos.


"Madness"
Muse


(Ma-ma-ma-ma-ma-ma-ma...)

I, I can't get these memories out of my mind,
And some kind of madness has started to evolve.
(Ma-ma-ma-ma-ma-ma-ma...)
And I, I tried so hard to let you go,
But some kind of madness is swallowing me whole, yeah
(Ma-ma-ma-ma-ma-ma-ma...)

I have finally seen the light,
And I have finally realized
What you mean.

Ooh oh oh

And now I need to know is this real love,
Or is it just madness keeping us afloat?
(Ma-ma-ma-ma-ma-ma-ma...)
And when I look back at all the crazy fights we had,
Like some kind of madness was taking control, yeah
(Ma-ma-ma-ma-ma-ma-ma...)

And now I have finally seen the light,
And I have finally realized
What you need.

Mmmm...

(Ma-ma-ma-ma-ma-ma-ma...)

But now I have finally seen the end (finally seen the end)
And I'm not expecting you to care (expecting you to care)
But I have finally seen the light (finally seen the light)
I have finally realized (realized)
I need your love
I need your love

Come to me
Just in a dream.
Come on and rescue me.
Yes I know, I can't be wrong,
And baby, you're too headstrong.
Our love is
(Ma-ma-ma-ma-ma-ma-ma...)
Madness 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

BASTA!

Estou cada vez mais farto do mundo em que vivemos. Ver as notícias ultimamente é do mais deprimente que existe. Hoje então atingiu um limite que me fez saltar a tampa...

Estou a escrever este texto com um monte de asneiras que hei-de limpar antes de publicar, mas atiro-as cá para fora na mesma. Sempre ajuda um pouco a passar a neura de quem está a escrever com os nervos à flor da pele e sem filtro...!

Fogo, é Natal, caramba!!! (Estas asneiras foram só substituídas por outras palavras parecidas em vez de serem removidas por completo...) E nesta altura do ano, que eu tanto adoro, as coisas se calhar têm ainda um impacto maior no meu estado de espírito.

Deixem-me então partilhar algo melhor, algo que não vi passar em nenhuma televisão - eventualmente passou no canal desportivo pago que temos por cá mas mesmo assim tenho dúvidas. Sendo eu um ávido consumidor de desporto - sobretudo de futebol, apesar da manifesta falta de tempo que tinha antes para acompanhar tudo o que se passava - foi com alguma estranheza que soube apenas por acaso que a FIFA tinha criado este ano um novo prémio anual: o FIFA Fan Award. A explicação oficial segue em baixo.

The final shortlist for the FIFA Fan Award has been revealed. The new award, recognising an outstanding fan moment or gesture from the calendar year 2016, can be awarded to any fan or fan group regardless of league level, gender or nationality.

Fui imediatamente ver os candidatos: 
- os adeptos da Islândia e a sua coreografia em conjunto com a selecção que marcou o Euro 2016;
- os adeptos do Liverpool e Borussia Dortmund que cantaram em unissono o mítico "You'll Never Walk Alone" quando se defrontaram na véspera do 27º aniversário da tragédia de Hillsborough;


e... os adeptos do Den Haag. De quem? ADO Den Haag, clube centenário e modesto do futebol holandês.

No dia 11 de Setembro na deslocação a Roterdão, ao terreno do Feyenord, os adeptos do Den Haag atiraram objectos para a bancada adversária. Tochas? Moedas? Bolas de golf? Não, nada disso, obviamente!




Os adeptos do Den Haag bombardearam a bancada por baixo deles com todo o tipo de peluches. Quem se encontrava nessa bancada inferior eram crianças pacientes do Hospital Pediátrico de Roterdão que tinham sido convidados a assistir ao jogo, juntamente com o respectivo staff médico. Nota: houve inclusive o cuidado de escolherem peluches sem peças - olhos e botões de material duro -  que pudessem potencialmente magoar ao serem atirados.

Agora façam como eu diz quando ouvi falar disto: peguem num pacote de lenços de papel e vão pesquisar mais informação, mais fotos e mais vídeos sobre esta história para poderem restaurar alguma fé na Humanidade. Fiquei maravilhado. Isto foi dos gestos mais emblemáticos e mais simples que eu já vi num estádio de futebol. E é assim que a vida pode e deve ser: simples, porra!

(Podem votar aqui, já agora...)

domingo, 18 de dezembro de 2016

Hey Barcarena!

"Dale a tu cuerpo alegria Barcarena
Que tu cuerpo es pa' darle alegria cosa buena
Dale a tu cuerpo alegria, Barcarena
Hey Barcarena!"

Quando os Los del Rio lançaram o êxito Macarena, eu morava em Massamá e a estação de comboios o apeadeiro que servia a localidade era o de Barcarena. Não demorou muito até alterarmos a letra da música e cantarmos à nossa maneira. Era a altura também em que eu esperava lá muitas 6as feiras à tarde pelos meus avós e perguntava sempre aos meus pais afinal de que lado é que vinha o comboio deles. Entretanto surgiu a estação de Queluz-Massamá que era um luxo e anos depois - já eu tinha mudado de ares - a de Barcarena foi finalmente remodelada e renomeada para também incluir o nome de Massamá, porque a linha de comboio separa ambas as localidades.

De Barcarena não conhecia muito mais - só mesmo a Fábrica da Pólvora por fora por onde passava nas viagens a caminho do Oeiras Parque para ir beber café à noite. Até hoje.

Fui novamente com uns amigos de outra equipa. Da nossa éramos só dois, sobretudo por ter havido uma prova nocturna ontem aqui ao lado e porque hoje havia um trail de Natal bastante famoso aqui nas redondezas. Muita animação e boa disposição. É o habitual com esta malta e isso também é uma das razões para eu ter adicionado o Troféu das Localidades ao meu calendário. 

O dia acordou frio. Com um sol a brilhar simpático no céu, mas muito frio. Ontem ainda fiz planos para ver como ia tentar atacar a prova. Já tinha visto a altimetria - porque neste troféu é sempre de desconfiar - e achava que até dava para fazer uma gracinha.



O gráfico final foi este. Aquela subida aos 2km tinha quase um quilómetro de distância e uma inclinação média de 10%. É claro que a descida também era longa e ajudava a compensar, mas ver imensa a gente - eu incluído - a caminhar pouco depois de começar era chato. E não se deixem enganar com o resto do percurso aparentemente mais plano porque aquelas inclinações são belas rampas curtas, mas duras. Querem uma prova plana e calma? Não venham a este troféu. Mas, sejamos sinceros, é isto que dá estaleca. Falávamos entre nós que são treinos excelentes para provas de 10km porque depois de um carrossel destes as provas planas são uma maravilha.

Tinha ficado meio apalavrado/prometido que ia fazer a prova feminina antes da minha, mas devido a um desencontro no meio de tanta gente durante as provas dos atletas mais pequenos tal não foi possível. Foi pena, mas fica para a próxima. Algum do nosso pessoal que foi comigo fez mesmo a prova a acompanhar as caras-metades, enquanto que eu e o meu colega acabámos por partir na cauda do grupo e fazer um aquecimento de cerca de 1,6kms e isso ajudou a perceber que estaríamos perante esse tal sobe e desce. Pouco depois partíamos para a nossa prova.

Por acaso do destino partimos mesmo na frente - algo que eu até nem gosto - e sobrevivemos aos empurrões iniciais de quem faz estas provas para ganhar preciosos pontos para as suas equipas. Atrás de mim nos primeiros metros um atleta corria e gritava "Cuidado com os pés, cuidado com os pés!".
A certa altura sou eu que grito que há garrafas de água no fim e que eu quero ir buscá-las antes de toda a gente. Embalado por estar com a malta rápida comecei também rápido mas percebi que tinha que tentar gerir melhor o esforço porque a cada curva apareciam rampas novas. Compensava sempre nas descidas. Ao contrário do trail, desço bem em estrada.

Chegamos então à malvada subida da estrada militar. A malta que fez a prova no ano passado já tinha avisado que era dura e cumpriu o que prometeu. Compensei novamente a descer. Chegado cá abaixo era "só" fazer a ponta final que coincidia na maioria com o percurso que tínhamos feito durante o aquecimento, portanto já não havia grandes surpresas. E foi assim, a receber muito apoio dos elementos femininos que foram no grupo e de outras caras conhecidas que estavam a assistir por já terem terminado a sua prova, que cheguei também eu ao fim. A prova prometia 7,170km mas o relógio marcou 6,8km, também fruto do facto de ter sido parado - para efeitos de classificação final - a uns bons metros da meta. Já estive a ver outras pessoas no Strava e todas que vi têm 6,8 ou 6,9km.

Foi a segunda prova deste troféu que fiz e prometo voltar sempre que possível. Na prova anterior fui 35º do meu escalão (sim, em 35 participantes) e hoje já fui 52º em 66 participantes. Acabei com uma média de 5:20/km e estou satisfeito com a minha prestação.

Em princípio fechei hoje o ano em termos de provas. Foram 25 - serão 26 se porventura ainda fizer a São Silvestre de Lisboa, mas se isso acontecer será apenas em ritmo de passeio. Antes de 2016 tinha participado em 27 provas, portanto este ano quase que dupliquei o meu currículo neste aspecto. Farei certamente um balanço lá para o final do ano.

E agora é descansar. E treinar! O meu último treino com o grupo fez ontem um mês! Que vergonha... Ainda por cima tenho um par de ténis novos para estrear! Dois, se contarmos com o par que está embrulhado ao pé da árvore de Natal e que eu tenho que me esquecer que lá está. Ainda não partilhei aqui a minha ida ao Outlet da Adidas do Freeport.

Prova nº 52 - Troféu das Localidades (Sintra, Oeiras e Cascais) - Grande Prémio de Atletismo de Barcarena - 6,8km - 36:55

sábado, 17 de dezembro de 2016

Bons dias e bom fim de semana!





"Bons Dias"
Deolinda
 
Fazes no dia que nasce
A manhã mais bonita
A brisa fresca da tarde
A noite menos fria
Eu não sei se tu sabes
Mas fizeste o meu dia também

Esse bom dia que dás é outro dia que nasce
É acordar mais bonita
Trabalhar com vontade
É estar no dia com pica
É passar com a vida e desejar-te um bom dia também
Um bom dia para ti
Não que apenas passa não que pesa e castiga
Não que esqueças mais tarde
Mas o dia em que me digas
Ao ouvido baixinho ai tu fizeste o meu dia também tão bom também

Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém

Fazes no dia que nasce
A manhã mais bonita
A brisa fresca da tarde
A noite menos fria
Eu não sei se tu sabes
Mas fizeste o meu dia também

Um bom dia para ti
E para o estranho que passa
Para aquele que se esquiva
Para quem se embaraça e se cala na vida
Mesmo que não o diga
Ai tu fizeste o meu dia também tão bom também

Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

GP de Natal 2016

Em primeiro lugar, GP significa Grande Prémio, mas no caso de hoje significa Grande Prenda.

Depois da última semana mais conturbada, um resumo das minhas conversas recentes com várias pessoas amigas diz que:

- tenho vários objectivos para os próximos tempos, mas ainda não me decidi em qual focar. Isso prejudica-me a concentração porque estou a fazer uma coisa e a pensar noutra.
- tenho andado num círculo vicioso em que sinto falta dos treinos para repor as energias, mas quando é dia de treinar não tenho energia para o fazer.

Tinha prometido a mim mesmo fazer um treino este fim de semana. Foi-me sugerido convocar o pessoal para um treino no sábado ao fim da tarde, mas como tinha vários planos disse logo que não me ia comprometer. E neste altura precisava de correr sozinho. Confirmou-se que sábado não me despachei em horário útil, portanto meti na cabeça que ia treinar domingo. Era dia de almoçarada mas era só às 14h, portanto dava tempo para acordar cedo, fazer uns 10kms e estar despachado a meio da manhã para o pequeno-almoço tardio que tinha sido adiado na 5a feira e que ficou prometido para hoje. (Desculpa, eu compenso depois. Mas a ideia originalmente foi minha e na 5a feira foste tu que adiaste...)

Sábado à noite - por alguma razão sórdida a minha cabeça começou agora a cantar Whigfield - recebo uma mensagem: "Tu amanhã vais ao GP de Natal?" Vindo de quem vinha, fiz o filme todo na minha cabeça. Respondi que não tinha dorsal. Reparem que eu não disse que não ia... E meia hora depois tinha um dorsal na mão. O dorsal do LS, só para ser mais simbólico e acrescentar mais um grau de responsabilidade à coisa. Estudei o percurso rapidamente, confirmei a altimetria (os dois últimos kms a descer do Saldanha até aos Restauradores e nada de muito relevante nos outros oito) e organizei a roupa. Vamos lá a isso.

Não sei se já repararam que eu sou um bocado supersticioso. Ou tenho manias, como preferirem. A camisola da equipa é preta e nos dias mais frios levo outra preta de manga comprida por baixo. Desta vez quando estava de roda do material peguei numa camisola de manga comprida... branca. A da Meia Maratona dos Descobrimentos da semana passada. Macacos me mordam, vens comigo e hás-de ficar mais encharcada do que eu fiquei no domingo! Vais pagar a factura daquele resultado menos bom! E ainda te digo mais, fica muito porreiro o contraste entre as mangas compridas brancas e a camisola preta!

O colega que me desafiou a ir está a recuperar de lesão e se eu não tivesse ido ele também tinha acabado por ficar em casa. Felizmente fomos. Ele não sabia a que ritmo iria fazer a prova, chegámos a pensar em ir juntos para eu o ir sempre a acompanhar. Depois disse-lhe que ia ver como me sentia nos primeiros kms e se não aguentasse o ritmo que queria impor que esperava por ele. Por fim combinámos que na pior das hipóteses nos encontrávamos depois da meta. E assim foi, mais ou menos. A história do pós-meta dava assunto para um post inteiro.

Hora de começar com alguns atropelos. Não por causa do percurso que era bastante largo, mas por causa do volume de atletas na partida - eram 7500 inscrições que estavam esgotadas mas "apenas" houve 4683 classificados. (E eu que dizia que tinha que fazer um treino sozinho para limpar a cabeça, hein?) Bom, por causa disso os primeiros quilómetros foram num ziguezague constante, para além de termos apanhado uma ligeira subida em direcção do Largo da Luz. Foram os únicos que corri acima de 5:00/km. A partir daqui estava convencido que podia ter um bom dia, até porque tinha a vantagem de estar a correr em estradas que conheço perfeitamente. Benfica, Largo da Luz, Telheiras, o eixo Campo Grande-Saldanha e daí em diante até ao Marquês e Restauradores. É uma Lisboa de que eu gosto e onde cada cantinho me diz algo muito pessoal.

Decidi dividir a prova em três partes. A primeira era desde a partida - jura? - até passar Telheiras e dar a volta ao estádio para o Campo Grande. (Fait divers: até me ri com a malta a cantar o "Só eu sei porque não fico em casa")
Depois do arranque, comecei a puxar por mim para os 4:40/km sempre na esperança de conseguir fazer 4:30/km e estava a sentir-me bem, sem receio de quebrar, e entrei confiante na segunda fase que seria toda a zona entre o Campo Grande e o Saldanha onde o objectivo era manter o ritmo abaixo dos 5:00/km ou próximo disso. A passagem a meio da prova com 24:20 era um bom presságio.

A "surpresa" veio depois com a passagem pelos três túneis da Avenida da República. Então não é que eu tinha metido na cabeça que íamos passar sempre por cima? Até deu para tolices destas! Não faz mal, um gajo embala nas descidas e não quebra nas subidas mesmo quando via a ouvir malta ao lado a dizer que "esta subida é a pior delas" ou "agora vai custar mais a subir". Isso é que é motivação, pessoal! E eu que não levei playlist, por opção e por ainda não ter afinado uma coisa para os 10km.

Com o Saldanha à vista tudo batia certo. Estava dentro do ritmo, ia entrar na parte final que era sempre a descer e estava a receita para o sucesso. Passou-me só pela cabeça que tinha que fazer menos de 49 minutos, porque o meu record é era 49 e qualquer-coisa segundos e eu não me lembrava do qualquer-coisa. Não me podia dar ao luxo de fazer 49 minutos hoje e depois ficar na dúvida se tinha dado para record. As coisas parvas em que uma pessoa pensa quando tudo corre bem... 

 

Apesar do piso estar em mau estado na Fontes Pereira de Melo, a descida fez-se dentro do esperado e depois do Marquês foi quase um sprint constante já com os olhos postos na meta. Dorsal do LS ao peito, camisola da Meia dos Descobrimentos a sofrer no tecido aquilo que eu tinha sofrido na pele. Um pórtico, outro pórtico, mais um pórtico, afinal qual é mesmo a meta, ah, é aquele, ok. Corto a meta e festejo - nem me lembro bem como - mas pouco depois de olhar para o relógio tive uma epifania: o João Lima deve tem que estar a chegar! Viro-me para trás e lá estava ele. Não havia dúvidas, novo record batido! Dei-lhe um grande abraço ali mesmo. 

Restava esperar pelo meu colega de equipa - que fez uns excelentes 55 minutos e pouco - mas tivemos um desencontro tal que eu fui a pé até quase ao Marquês a ver se o via a descer e acabei por regressar e acompanhar até à meta uma amiga - também ela a recuperar de lesão - que fez perto de 1:20. Disse-lhe que havia de chegar lá abaixo e ter o meu colega à espera e assim foi. Levei novo discurso sobre o facto de não levar telemóvel, apesar de andar actualmente com um mais velhinho e que cabe bem no bolso dos calções ou no Flipbelt. Pronto, isto era o assunto que dava para um post inteiro.

E agora? Um dos objectivos que falei lá no cimo do texto era voltar a dedicar-me aos 10km porque me andava a sentir bastante bem nesta distância antes da preparação para a Maratona. Sem esperar, melhorei hoje o meu tempo. É certo que a prova ajuda, mas também é certo que ainda antes do Saldanha eu já estava com ritmo para baixar dos 50 minutos com boa margem.

E agora? Fazer a prova de Barcarena do Troféu das Localidades de forma séria mas sem querer perturbar as classificações das equipas da zona. E pensar se faço a São Silvestre de Lisboa em modo treino para acompanhar a malta da equipa.

E agora? Dormir que amanhã é dia de trabalho e à noite é dia de treino. Hoje foi fantástico, mas amanhã começa tudo novamente.

Prova nº 51 - Grande Prémio de Natal 2016 - 10km - 00:48:16

sábado, 10 de dezembro de 2016

Cliché é vir a Belém e...

... voltar ao local da meta da Meia dos Descobrimentos

... ver o sr Presidente Marcelo a almoçar numa esplanada

... passar por aqui


Bom fim de semana!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Reset

Na 2a feira fui-me deitar às 22:17. Memorizei por ser uma hora estranha mas fantástica para ir descansar, perante o espanto do mundo em geral. Números redondos, foi cerca de 3 horas mais cedo que o habitual...

Na 3a feira antes das 8:00 já estava no escritório - perante o espanto da malta da minha equipa que entra às 8:00, mas chega sempre às 8:10, 8:15 na esperança que eu não fique a saber do atraso - mas nem meia hora depois já estava a falar com a minha chefe que imediatamente percebeu que eu não estava bem. (E não estava...) 

Resumindo: voltei para casa - felizmente tive boleia, o que facilitou muito - e... dormi. Acordei à hora de almoço, bebi um chá e... dormi. E assim sucessivamente até ser hora de ir... dormir. Na verdade, devo ter dormido mais naquele dia do que na última semana inteira. Dormi tanto que os meus sonhos pesadelos já tinham continuação, como se fossem episódios de um Chicago PD ou talvez a sequela de um qualquer filme de acção. Até certo ponto foi assustador acordar e perceber o quanto senti aquilo tudo como se fosse real. (Vocês não estão a imaginar o enredo de espionagem, corrupção e - seriously - assassinatos que a minha mente sórdida criou.)

4a voltei ao trabalho, mas a meio gás. Fugi o mais que pude do computador, mas não consegui evitar as habituais dores de cabeça que me atormentam por lá no dia a dia. E 5a não vou - pela primeira vez em não-sei-quantos-anos - trabalhar num dia feriado. E possivelmente dormir mais.

Estou a duas semanas de entrar de férias e sinto que nunca precisei tanto delas com este ano. Tem sido o mais cansativo da minha vida: a nível profissional, pessoal e "atlético". Cheio de coisas boas e coisas más. Momentos que nunca esquecerei, erros que não voltarei a repetir. Até já estou a preparar um daqueles chavões que são os momentos do ano de 2016 para passar em revista mais perto de dia 31.

Curiosamente, na 3a feira acabei por faltar a uma reunião em que um dos tópicos que eu ia abordar era a facilidade com que as pessoas ultimamente metem baixa e o quanto isso tem prejudicado o nosso desempenho no trabalho. Porque há baixas por tudo e por nada que se misturam com outras que são totalmente justificadas e necessárias; porque são sempre os mesmos que dia-sim, dia-não estão a meter mais uma semaninha de baixa; porque o excesso de absentismo de uns causa uma sobrecarga de trabalho em todos os outros que são cumpridores e estão lá a aguentar o barco. E quando é preciso resolver um berbicacho complicado, a quem é que se pede? E o berbicacho seguinte? E o próximo...? Pois é. 

Plano para combater isto? Descansar mais e melhor. Treinar de forma mais consistente. Deixar as preocupações numa pastinha no computador do trabalho e não trazer a pasta para casa.

Estou a dar em maluquinho? É uma possibilidade. Isto talvez explique a luta mental que foi terminar Évora e a quebra no terço final dos Descobrimentos. Muito se tem falado em "burn out" no escritório, muitos de nós estamos presos por arames à espera das férias de fim de ano para tentar carregar baterias. Acho que a minha bateria descarregou por completo antes de tempo. Resta saber se estará a ficar viciada.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Desleixo

Ponto prévio: o meu relógio marcou o seguinte resultado hoje.

Dizia o Strava que vim da China até Lisboa.

Posto isto, estamos conversados em relação à minha sorte com o material de apoio... O que aconteceu - percebi entretanto - foi que eu tinha posto o relógio a contar em Évora, mesmo sabendo que estava sem bateria. Ele desligou-se rapidamente e hoje quando o liguei foi buscar o tempo que tinha contado nesse dia e juntou-lhe uns dados estranhos de GPS. Ao fim do 1º km percebi que ele hoje só me ia ajudar a medir o ritmo instantâneo e que não teria dados certos da média da prova. Seja como for, com a chuvada que nos acompanhou esta manhã sempre que eu olhava para ele só via gotas de água - ou no visor ou nos óculos. 

Voltemos agora atrás no tempo. Em Fevereiro um ex-colega de treino completou os 111kms de Sicó e na semana seguinte conseguimos arranjar uma pequena sala para juntar quem quisesse ouvi-lo a partilhar as suas aventuras. Acho que éramos uns 30 membros da equipa a ouvir a sua história e a fazer perguntas de todo o género. A minha pergunta foi simples: "E agora?" No fundo, perguntei-lhe como é que se geria o pós-prova, sabendo eu que ele tinha andado a preparar-se à séria para esse grande objectivo. A ideia seria fazer ainda mais quilómetros? Fazer provas diferentes, mesmo que não tão longas? Etc, etc, etc...

A pergunta não foi inocente, eu já estava inscrito na Maratona do Porto e ia começar em breve a gerir as provas e treinos com base nessa meta e já me perguntava na altura como seria o pós-Maratona. Quando se esvaziasse o balão, quando a prova estivesse feita, quando a euforia tivesse passado. O que fazer a seguir? Como gerir? Que metas definir?

A verdade é que tenho alguns objectivos - que giram quase todos à volta de melhorar os meus tempos, dentro do possível - mas a verdade é que estou numa fase de autêntico desleixo. E isso nota-se. Na terça-feira faz um mês desde a Maratona e neste período de tempo tive uma semana de descanso, depois fiz dois treinos e fiz 3 provas (aquele trilho do troféu das localidades e duas Meias). Sim: dois treinos e três provas! Não preciso dizer mais nada...

A Meia Maratona dos Descobrimentos é uma prova que me diz muito. Foi onde me estreei na distância em 2014 e onde fiz em 2015 o meu record. Era onde tinha apontado tentar melhorar o meu tempo. Nesse sentido, falhei redondamente.

A manhã foi tranquila, a chegada a Belém também e estava tudo bem disposto, apesar da desconfiança em relação à chuva. Do percurso, nada de especial a apontar: era sempre em frente para um lado e para o outro, com uma pequena passagem pelo Rossio. Agora que já consegui corrigir o gpx da prova - obrigado Strava!! - consigo perceber que aquilo que estava a sentir durante o percurso batia certo: até perto dos 15km estava em ritmo perfeito para conseguir o que queria. Apesar da imensa chuva, estava a fazer entre os 5:25 e os 5:35 por km quando eu apontei para uma média de 5:30. Aos 10kms ia um grupo ao meu lado que dizia que ia com 56 minutos de prova - confirmo - e isso era ouro sobre azul. Tudo perfeito até passar o Cais do Sodré. A partir do momento em que entrámos no piso empedrado comecei a hesitar e a perder a embalagem, mas ainda me fui aguentando até Santa Apolónia e respectivo retorno. Afinal era só uma breve hesitação, vamos lá até ao Rossio para entrar no terço final da prova.

Ao subir a Rua da Prata baixei o ritmo e pensei obviamente em compensar na descida na Rua do Ouro. E foi aí que percebi que hoje não era dia. Desci à mesma velocidade que subi, sem ter poder de explosão para regressar ao andamento desejado. Simbolicamente a prova terminava ali. O corpo não reagiu e levou a cabeça com ele. Quando eu precisava de ter forças, foi quando elas falharam. Curiosamente foi nesta altura que me senti muito bem em Évora na semana passada. Nesse dia reagi bem ao empedrado e às subidas, hoje não reagi bem ao empedrado e à chuva. Não há provas iguais.

Dos 15km até à meta foi um pequeno suplício na tentativa de encontrar um ritmo estável, mesmo que lento. Fui vendo passar algumas caras conhecidas sem as conseguir acompanhar. Lembrei-me que, apesar de tudo, ainda não tinha sido ultrapassado pela bandeira das 2 horas, o que ainda me dava alguma esperança de fazer um tempo interessante, mas pouco depois lá estava ela. Apesar do esforço do portador da bandeira em levar com ele toda a gente que via em dificuldades eu também não consegui acompanhar e foi o desânimo final.

Num esforço final lá cheguei à meta a ouvir apoio do lado de fora do percurso. Olhei para cima para ver o tempo mas nem liguei. Estava com algumas dores - físicas - que foram aliviadas por uma massagem ali mesmo (obrigado!). As outras dores - na alma - hão-de passar com o tempo.

Podia estar aqui a culpar exclusivamente o empedrado, a chuva, ter corrido com o impermeável (não gosto e até simulei uma birrinha por isso numa das fotos de grupo antes da partida), não ter levado música (decidi isso por causa da chuva), os ténis em fim de vida (tema para outro post durante a semana), etc. A verdade é que todas estas questões seriam minimizadas se eu não me andasse a desleixar nos treinos.

Tal como na semana passada pensei em não escrever nada hoje, mas o que é certo é que vir aqui desabafar e obrigar-me a partilhar os meus erros faz com que me sinta mais aliviado e com que me mentalize a fazer tudo para corrigir o que não faço bem.

Prova nº 50 - Meia Maratona dos Descobrimentos - 21km - 02:06:50 

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

I Got My Mind Set On You

Não sou uma gajo vingativo. Tento não guardar rancores. Gosto de ser o mais boa-onda possível. A vida é curta. Carpe Diem. Etc, e tal.

Mas tenho um objectivo muito específico em 2017. Ser feliz aqui!
Apagar de vez todos os fantasmas que provocaram este desfecho. Devolver a medalha que tenho e que não é minha. Completar aquilo que deixei inacabado naquele dia.

A data já está marcada, as inscrições já abriram, mas o que eu gostei mesmo de fazer para dar o pontapé de saída para este desafio foi na semana passada ter entrado no booking.com, ter procurado alojamento na zona e ter feito reserva de quarto em dois (sim, dois) hotéis diferentes tendo apenas visto por alto as condições e focando o critério no preço e na proximidade para o local onde se faz o transporte da Régua até à barragem onde a prova começa. Depois com calma escolhe-se melhor o hotel, que isto dá para cancelar a reserva sem custos até um ou dois dias antes e até pode ser que alguém do grupo aproveite uma das reservas porque as vagas vão acabar num instante para esse fim de semana. No ano passado ficámos relativamente longe, em Amarante, onde a noite de sábado com a malta foi fabulosa. Aliás, corrida à parte foi um fim de semana simpático e despreocupado. Mas não o quero repetir naqueles moldes. Eu estava incompleto.

Faltam 6 meses para o Douro Vinhateiro 2017, mas já estou focado no que quero.

I got my mind set on you
Set on you
I got my mind set on you
Set on you


(...)

 It's gonna take time
A whole lot of precious time
It's gonna take patience and time, ummm
To do it, to do it, to do it, to do it, to do it
To do it right


(O login que uso no booking não é meu, portanto vinte horas depois de ter feito as reservas tive feedback a perguntar-me - de forma meio retórica - o que eram aqueles e-mails de reservas em hotéis na Régua. A conversa acabou com uma pergunta chave: "Então e não é melhor marcar também já o mesmo hotel para o Porto para o ano que vem?")

(Reservei lá quarto enquanto escrevia este post.)

texto escrito no dia 21/11

O que raio aconteceu aqui?

12 horas depois de ter terminado a Meia Maratona de Évora, ainda não consigo muito bem explicar o que aconteceu. Vinha de regresso no autocarro da equipa a pensar que viria aqui apenas partilhar o tempo final e guardar tudo o resto para mim. Aliás, admito já que vou mesmo guardar coisas que são só minhas.

Sair de casa às 6:30 da manhã depois de só ter ido dormir por volta das 2:00 se calhar é um bom tópico de partida para as parvoíces que se vão seguir.

Corria tudo dentro do previsto: ponto de encontro, viagem, levantamento dos dorsais. E depois da prova também correu tudo às mil maravilhas: almoço (a fabulosa sopa de cação!), viagem de regresso, etc.

O primeiro sinal menos bom ocorreu a 15 minutos do início da prova. Liguei o relógio e... bateria fraca. Mesmo fraca. Com o símbolo de bateria completamente vazio. Picuinhas como sou - e o relógio fica "esquecido" ligado ao pc depois de descarregar treinos - não sei como é que isto foi acontecer. Terá sido sinal do destino o facto de ter sido a última coisa que me lembrei de arrumar? Enfim, entrei um bocado em parafuso. A última vez que fiz uma prova sem relógio foi nos - agora - extintos 20kms de Cascais e correu malzinho, vá.

Tentei esquecer isso, não havia nada a fazer. Fui andando para a meta a mentalizar-me que tinha que gerir o esforço "às cegas" sem ter noção dos tempos que iria fazer. E mesmo quando tive oportunidade para isso, acabei por nunca perguntar a atletas com quem me cruzava com quanto tempo de prova íamos.

Apesar do percurso ter sido alterado em relação ao ano passado, o início da prova era exactamente igual: mau! Atletas da Meia, dos 10kms e até - como??? - da caminhada juntos a tentar avançar pelas ruas e ruelas estreias do centro de Évora, num sempre complicado empedrado. O mais importante era não tropeçar nos outros atletas, nos carros, em todos os obstáculos naturais, num slalom constante e desgastante. Se a ideia é permitir que os atletas aproveitem para ver os monumentos e a beleza da cidade numa altura em que ainda estão frescos, não resulta. Seria bem mais viável fazer um começo diferente e passar à Praça do Giraldo (onde é efectivamente a partida) com uns 3 ou 4 kms nas pernas já com alguma divisão no pelotão e ainda com a frescura suficiente para nos deliciarmos com a cidade. Seria mais monumental do que é, na minha modesta opinião. No fim da prova quase que jurei a pés juntos a quem fez a caminhada que o nosso percurso não passava ao Templo de Diana,

Estou por ali. Não, não sou um dos coelhos cor-de-rosa.
Continuando.

Ao sairmos de Évora, ali à entrada do terceiro quilómetro pensei em desistir. Não estava a entrar no espírito da coisa, o corpo não estava a reagir, foram quilómetros penosos. Depois achei que não tinha feito quase 150kms para desistir ao fim de dois. Segui, vi o LS passar com outro colega nosso e fui atrás deles sempre a uns 100 metros de distância. Pouco depois encontrei esta amiga que tinha ido no autocarro connosco e que estava em bom ritmo. Segui ao lado dela, apanhei o duo da frente aos 7kms e passei-os. Pouco depois seguia-se a separação das provas e meti na cabeça desviar-me para os 10km e ficar por ali. Ideia parva, por várias razões. Virei para o lado da Meia e meti pernas à obra!

Parei uns bons 30 segundos no abastecimento dos 10kms a beber um copo de isotónico - faria o mesmo aos 15kms - e nessa altura o meu colega apanhou-me, sem o LS que tinha ficado para trás com dificuldades fruto de uma lesão que o incomoda de vez em quando. Na altura nem percebi se tinha seguido logo para a meta dos 10kms ou se ainda lá vinha. Percebi mais tarde que lá vinha.

Sou o primeiro a querer ajudar em treinos e a "prescindir" de um treino e andar na cauda do grupo para dar apoio a alguém que precise. Por outro lado, não gosto muito de correr acompanhado em provas, a não ser que seja algo previamente combinado. Chamem-lhe egoísmo, mas isto tanto é válido para ir a rebocar alguém como para ser rebocado. A não ser que seja um caso daqueles óbvios em que a entreajuda é a única forma de prosseguir. O meu colega seguiu comigo até aos 13kms e começou a fraquejar na altura em que apanhámos subidas em empedrado. Por outro lado eu estava a sentir-me melhor a cada km que passava e segui. Tenho mesmo pena de não ter os meus tempos por km, tenho a certeza que estes terão sido os meus melhores e ia ultrapassando imensos atletas. 

Sabia que ainda me esperava a subida mais complicada que terminava aos 19kms, mas nesta altura já ia mais ou menos lançado e - acho eu - rápido. Por outro lado estava farto da prova e só queria mesmo acabar. Em diversas alturas do percurso meti na cabeça ceder o meu dorsal para a Meia dos Descobrimentos por falta de pachorra para passar por outros 21kms novamente para a semana.

Lá ultrapassei a subida dos 19kms, já com a mente na descida seguinte e na aproximação à meta - outra subida curta e dura, mas onde me esperava o melhor momento da prova e aquele que me fez sempre querer continuar.

Meta à vista e nem percebi bem quanto tempo tinha feito. Só sabia que tinha passado na partida com 1:30 de atraso em relação ao tempo total. Pronto, venham de lá as medalhas e no próximo domingo há mais.

Ouvi várias vezes durante a semana que isto em Évora era "só" uma meia maratona e que depois do Porto tudo iria parecer quase irrisório. Eu sei que foi dito sempre na brincadeira, mas é certo que não há duas provas iguais e nenhuma distância deve ser menosprezada porque todas são um desafio. Esta prova custou-me e desgastou-me mais que a Maratona. É tudo uma questão de mentalização.

Em termos globais foi a minha 8ª Meia Maratona e obtive a minha 3ª melhor marca na distância, tendo melhorado em relação à prova do ano passado que era o objectivo que me tinha proposta a atingir. E entre os dois abastecimentos com isotónico, ainda estive cerca de um minuto parado. Posto isto, para quê tanta complicação mental durante a prova?

P.S: Tenho um post agendado, escrito há uma semana, para ser publicado na 2a feira. Foi curioso voltar a lê-lo enquanto escrevia este.

Prova nº 49 - Meia Maratona de Évora - 21km - 02:02:10 

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Qual é o melhor dia para...

Quem estiver agora a cantar Quim Barreiros que meta o dedo no ar.

Neste caso a pergunta é: qual é o melhor dia para o telemóvel falecer de vez? É em dia de Black Friday, que por acaso coincide com o dia em que recebi o ordenado e o subsídio de Natal.

É claro que ao bom estilo português a Black Friday é um bocado Grey - sem qualquer conotação com o filme - e as promoções são muito modestas, portanto o telemóvel vem lá de longe da Ásia e deve chegar algures até ao fim do ano. Espero eu.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Da série "Livros que tenho que reler"

“...So please, be tolerant of those who describe a sporting moment as their best ever. We do not lack imagination, nor have we had sad and barren lives; it is just that real life is paler, duller, and contains less potential for unexpected delirium.” ― Nick Hornby, Fever Pitch 

terça-feira, 22 de novembro de 2016

À Boleia pela Galáxia

Quem sabe do que eu estou a falar só pelo título do post que levante o braço. Quem não sabe, que procure. Posso já garantir que é daquelas coisas que ou se adora ou se detesta.

Eu, obviamente, adoro. Coisa de geekzinho. Humor inglês no seu melhor.
O Marvin, the Paranoid Android é das minhas personagens preferidas de todos os tempos, tem tiradas brilhantes. Caramba, tenho que rever o filme e/ou pegar nos livros.

Deixo aqui um excerto do filme. Resumidamente, trata-se da parte onde se fala do super computador construído para calcular a resposta à derradeira questão, da vida, do universo, de tudo.


Tive uma verdadeira epifania no início do ano quando estava a começar a mentalizar-me nisto da Maratona. Percebi porque sempre gostei deste universo surreal, percebi que esta resposta sempre esteve certa. Eu é que ainda não tinha feito a pergunta de forma correcta. 

Obviamente que a resposta só podia ser 42!

E aproveito para confirmar que está aventura dos 42 vai mesmo continuar. Tenho duas datas em mente, mas ambas calham em dias especiais para mim: 23/04 e 15/10, pelo que tenho que olhar com atenção para o calendário.

E é claro, we will always have Porto. 

domingo, 20 de novembro de 2016

Lanterna Vermelha

Tenho uma amiga que desde sempre me chama carinhosamente de Lanterna Vermelha. Nos primeiros treinos do grupo eu era (quase) sempre o último e a alcunha nasceu. Entretanto, por questões geográficas, ela já não treina connosco mas sempre que nos cruzamos em provas ela tece-me rasgados elogios com a minha evolução desde então. Continua a chamar-me lanterna vermelha. A alcunha ficou e eu continuo a achar-lhe piada.

Estava na hora de fazer jus à alcunha, caramba! Foi hoje!

Estou inscrito no Troféu das Localidades que é uma série de provas gratuitas nos concelhos de Sintra, Oeiras e Cascais e estas provas vão acabar por funcionar como uma espécie de plano B como alternativa às provas principais onde estou inscrito. Como hoje não tinha nenhuma prova, fiz a minha estreia nesta competição, que tem um sistema muito próprio de classificação e de pontuação individual e de equipa que eu ainda estou a tentar perceber na íntegra. Diferentes escalões fazem distâncias diferentes, partem em horários diferentes também e não há tempos na classificação geral, sendo esta organizada por ordem de chegada dentro dos diferentes escalões. Depois há pontos de acordo com a classificação, um bocado como nas provas de Fórmula 1.

Hoje fui o único da equipa a estar presente - foi toda a gente encher-se de lama no Trail de Arruda - e eu fui na companhia de amigos que fazem parte de outra equipa. Fui um bocado à aventura, mas quando vi o percurso no regulamento já tinha percebido que isto não ia ser uma prova ao meu estilo. Mas fui, porque - como disse a uma das elementas que estava connosco - sempre que passamos a meta no fim chegamos antes de todos os que ficaram no sofá ou na cama.

A prova era curta, mas 80% do percurso era por trilhos. E com a chuva que antes e durante a prova, isso significa lama. (Ah e tal, então não foi só a malta que foi para Arruda que apanhou com isso, pá!)
Assim que a prova começou aproveitei ao máximo o primeiro quilómetro (a 4:30/km) e estava muito animado com este início algo explosivo. Obviamente que tudo mudou nos restantes 5 onde o que acontecia era eu passar muita gente nas subidas e ser ultrapassado por muita gente nas descidas, sempre com medo de derrapar na lama. Lembram-se disto do treino de segunda feira? Bate certo.

Foi um bom momento para me lembrar as poucas saudades que tenho de fazer trails, sobretudo à noite. Não é que desgoste - e se fosse de dia teria certamente gostado mais - mas não me anda a cativar nada. Foi só um quilómetro e meio, dois no máximo. Não me imagino a fazer 15km ou 20km nos próximos tempos.

No último quilómetro, que foi praticamente o percurso inverso do primeiro, ainda consegui ultrapassar algum pessoal e acabar a prova com relativa tranquilidade. Percebi pouco depois quando saíram os resultados oficiais que... fui o último do meu escalão! Lanterna Vermelha, yeahhhh! Sem stress, diverti-me e, pelo menos por enquanto, o pé não me dói como andava a acontecer depois de cada treino desde a Maratona! Veremos se assim continua. 

Aguardo agora pelas próximas provas deste troféu em que eu possa participar, mas o objectivo principal até ao final do ano passa pelas próximas duas Meias Maratonas (em fins de semana consecutivos): Évora e Descobrimentos. Tenho objectivos bem definidos para ambas as provas!

Prova nº 48 - Troféu das Localidades (Sintra, Oeiras e Cascais) - I Trilho Saloio, Covas de Ferro - 6,3km - 37:50 

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Ainda o Porto

Como era de esperar já li e reli o meu próprio relato. Faço-o quase sempre que venho ao blog ou que tenho um comentário novo no post. Eu sei, chega de narcisismo, pá!

Mas foi por ler o post na totalidade há pouco - e como o escrevi por fases tinha sempre que ver o que já tinha escrito antes para não perder o fio à meada - que percebi que me esqueci de relatar um fait-divers importante. Ou pelo menos curioso.

Naquela fase complicada pelos 35km cada quilómetro parecia ser uma maratona e olhei para o relógio mais vezes que nunca na esperança que ele já marcasse mais do que aquilo que eu já tinha corrido. Numa dessas vezes o relógio tinha uma mensagem. Não era de motivação, não era de alento, não era de força. Era uma mensagem que dizia: LOW MEMORY!

O quêêêêê?!? No dia da Maratona?!?!?

Então fui alegremente durante uns bons 10 quilómetros - pensava eu - a correr e a procurar nas opções do bicho o menú certo para apagar treinos. E quando dei por isso e resolvi o problema já ia a chegar aos 37kms - afinal aqueles 10 quilómetros na minha cabeça foram no máximo dois.

Há uma boa explicação para isto ter acontecido. Eu descarrego religiosamente todos os treinos para o Strava, mas não os tenho apagado do relógio. Da última vez que tinha o relógio cheio de actividades apaguei-as todas. No dia seguinte fui fazer os 20km de Cascais e ele nunca apanhou GPS. Nem nesse dia nem nunca mais. Felizmente estava na garantia e deram-me um novo à troca. Com o relógio novo nas mãos disse que só voltava a apagar treinos depois do Porto, não fosse dar-lhe outra travadinha. Felizmente não foi o caso. Nem sei se o problema do GPS esteve relacionado com o facto de ter limpo os treinos todos ou se foi apenas coincidência. O que é certo é que toda esta longa história me ajudou a fazer dez dois quilómetros da Maratona de forma mais descontraída e numa altura crítica.

Isto continua a ser aquela coisa do destino?

(Tenho uma epifania - sobre a Maratona, imaginem só! - mais antiga para partilhar, mas isso fica para outro post. É da maneira como já tenho assunto para escrever amanhã ou depois.)

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Bohemian Rapsody

Não, não vou fazer um post sobre a melhor música de todos os tempos.
Este foi o nome que dei ao meu treino de ontem. Basicamente, tal como a música tem um mix de vários géneros musicais, o treino de ontem também teve um pouco de tudo: corrida, trail e caminhada.

Corrida
Voltei aos treinos depois da Maratona do Porto. Estava ansioso por me voltar a equipar, por voltar a correr. Senti-me preso de movimentos no primeiro km mas depois o corpo lembrou-se como é que isto se fazia. É como andar de bicicleta, não se esquece. Mesmo tendo em conta que eu - hahahaha - não sei andar de bicicleta! Como andei os últimos meses mais preocupado em resistência e não velocidade, tinha verdadeiramente saudades de acelerar um pouco, portanto em duas zonas propícias a isso - e a aproveitar o "picanço" de outros colegas - meti prego a fundo e tenho um segmento de 500 metros a correr a 3:30/km e outro de quase 1km a 4:00/km. Agora é fazer isto um dia durante 10kms seguidos, boa?

Trail
A meio caminho tínhamos duas opções: subir pelo caminho normal pela estrada ou fazer o percurso pelo monte. A ideia era chegar ao miradouro para vermos a tal super lua lá de cima. Íamos todos com frontal e como já sabia que havia essa possibilidade até tinha levado os ténis de trail. Ofereci-me para levar a malta pela estrada, mas acabámos por ir todos juntos pelo mato. Foi um bom momento para me lembrar as poucas saudades que tenho de fazer trails, sobretudo à noite. Não é que desgoste - e se fosse de dia teria certamente gostado mais - mas não me anda a cativar nada. Foi só um quilómetro e meio, dois no máximo. Não me imagino a fazer 15km ou 20km nos próximos tempos. A parte boa foi que quando chegámos ao miradouro havia abastecimento providenciado por quem não chegou a tempo do treino. Gosto tanto destes mimos espontâneos que existem na equipa.
No regresso, parte do grupo voltou pelo caminho de trail e outro grupo desceu comigo pela estrada. Não me importo de subir zonas com inclinação de 25%, mas descê-las - e de noite - não é para mim, obrigado.

Caminhada
Quando tudo estava previsto para que fosse um regresso calmo, umas das minhas colegas deu um trambolhão e esfolou o joelho. Acabei por fazer o resto do percurso a caminhar com ela para garantir que chegava minimamente bem. Ela bem me mandou embora, mas o mais importante era o estado dela. Treinos há muitos.

E pronto, i'm back in business. E prometo não escrever um romance sempre que for treinar. Guardo só isso para as provas.

(E o pé voltou-me a doer. Bolas.)

domingo, 13 de novembro de 2016

Ressaca

Há precisamente uma semana atrás estava a cortar a meta no Porto.
O que aconteceu desde então foi uma semana de completa e total descompressão. Não corri por causa de uma dor na planta do pé direito que me incomodou durante toda a semana - estavas à espera de fazer a primeira maratona e escapar completamente ileso, não? - e uma formação deveras desgastante no trabalho fez-me passar estes dias a compensar todos os chocolates que eu não comi durante os últimos meses... A juntar a isso, tive poucos cuidados alimentares no geral e até abusei na cerveja e no vinho. Eu podia mentir e dizer que foi só água pé para acompanhar as castanhas, mas não foi...O que vale é que era o vinho branco da Wine Run de Alenquer e aquilo é bom, mas mesmo bom. (Nota mental: tenho que ir comprar mais para renovar o stock.)
E a juntar a tudo isto, o frio trouxe com ele umas dificuldades respiratórias adicionais. De vez em quando tenho que me lembrar que sou asmático.

Pronto, já me queixei de todas as minhas maleitas, ao bom estilo de muito bom idoso na sala de espera do centro de saúde. Agora é altura de voltar a entrar nos eixos! As dores no pé já mal se sentem, o stress no trabalho lá fica (e como me dizia uma colega esta semana "Deixa estar, não fiques assim. É só trabalho.") e na 2a feira já é dia de treino e promete ser bem durinho. É disso que estou a precisar, já estou com saudades de calças os ténis e ir correr com a malta!

Saudades sobretudo de começar a pensar na próxima meta, porque como diz a música, eu vivo para esses momentos!



Kaiser Chiefs - On The Run

Who got hit and who hit first?
Who was bad and who got worse?
Who got caught up in the life? (ooh-ooh-ooh-ooh)
Who went down and who got higher?
Who ran back into the fire?
Who was really hypnotised? (ooh-ooh-ooh-ooh)

And if I didn't believe you then
Then I won't believe you now
And if I didn't believe you then
Then I don't believe you now

I'm on the run
I'm on the run
I'm on the run
We'll ride into the sun
Oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh

Who was them and who was us?
Who stood up and robbed the bus?
Who is wrong and who decides? (ooh-ooh-ooh-ooh)
Who went left and who was right?
Who went out on a mischief night?
Who was really hypnotised? (ooh-ooh-ooh-ooh)

And if I didn't believe you then
Then I won't believe you now
And if I didn't believe you then
Then I don't believe you now

I'm on the run
I'm on the run
I'm on the run
We'll ride into the sun
Oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh
I'm on the run
We'll ride into the sun
Oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh

Oh, I live for these moments, just like this one
Oh, I live for these moments, just like this one
Oh, I live for these moments
Oh, I live for these moments, just like this one
Oh, I live for these moments, just like this one
Oh, I live for these moments, just like this one
Oh, I live for these moments, just like this one

(I'm on the run) [oh, I live for]
(I'm on the run) [these moments, just like this one]
(I'm on the run) [oh, I live for]
(I'm on the run) [these moments, just like this one]

 

domingo, 6 de novembro de 2016

Maratona do Porto

(Yeahhhhhhhhh!!!
Vou demorar algum tempo a passar todas as emoções que sinto da cabeça para a escrita. Aguardem, por favor.)

POST CONCLUÍDO!
DEMOREI MAIS TEMPO A ESCREVER DO QUE A CORRER!

Já li e reli muito daquilo que eu escrevi em relação à preparação para a Maratona do Porto. Já li e reli muitas das palavras de ânimo e de motivação que fui recebendo ao longo destes meses, desde o abençoado dia 23 de Dezembro de 2015, dia em que me inscrevi para a prova. Foi a minha prenda de Natal para mim mesmo, inscrevi-me no dia em que recebi e fi-lo sem partilhar com ninguém. (Mentira: partilhei no Facebook em jeito de mistério e a coisa correu mal e ia dando para o torto, mas adiante!) Já escutei novamente na minha cabeça todas as recomendações e conselhos que amigos e família me deram ao vivo e a cores, desde as excelentes dicas até aos receios de que eu fosse parar ao Hospital mais próximo. Tudo me ajudou a chegar à meta. Tudo contribuiu para o meu sucesso nesta primeira maratona. Tudo, desde a conversa "secreta" entre duas pessoas que levou à concretização desta inscrição (e só uma foi ao Porto) até à conversa segundos antes da partida onde o meu amigo e mentor (daqui em diante conhecido por LS) me dizia que eu não tinha nada que provar a ninguém, nem a mim mesmo e que não ia correr com ninguém às cavalitas porque isso era peso indesejado sobretudo numa prova tão extensa. Foi incrível a tranquilidade que ele me transmitiu, não só ali mas também em toda a prova.

Vamos então por partes.

Capítulo 0 - Antes da prova

Tudo arranjado na 6a feira à noite para sair de casa pelas 8h rumo ao Porto. Material visto, revisto, trivisto, sei lá quantas vezes foi visto para garantir que nada faltava. Equipamento, gel, relógio, comprovativo de inscrição, da reserva do hotel, etc. Com alguns atrasos, várias paragens obrigatórias pelo caminho e, sobretudo, sem pressa nem horários, chegámos ao Porto pouco antes das 13h. Primeira paragem: estádio do Dragão. (Sim, teve que ser...) No exterior muitos grupos pareciam já preparar "algo" relacionado com o jogo de domingo. Dali fomos até à Alfândega e agora sim começava a sentir o bichinho da Maratona, começava a entrar no espírito, começava a sentir a pressão da prova. Mas era uma pressão boa, era o sentir cada vez mais perto o momento e a responsabilidade do momento. Dorsal na mão - o primeiro arrepio na espinha. Nessa altura também nos cruzámos com outros companheiros de aventura, os nossos vizinhos e amigos daqui do lado chegavam também e foi no meio de muitos cumprimentos e abraços que estava dado este passo. Pelo meio fiz na feira da Maratona algo que já tinha visto no Facebook da prova: adquiri por 5€ o serviço de gravação do nome e tempo no verso da medalha no final da prova. Recebi uma pulseira em troca para apresentar no stand depois de concluir. Foi um compromisso, um investimento a fundo perdido. Se o quisesse fazer no domingo, pagava 10€. Se não concluísse a Maratona, não ia recuperar os 5€. Meio forreta como sou, era mais uma motivação para chegar ao fim! 

Rumámos ao Hotel, a residencial Senhor de Matosinhos,um espaço modesto mas com excelentes condições, bons preços e onde fomos muito bem acolhidos tendo inclusive sido facilitada a questão do late check-out para conseguirmos tomar banho no hotel depois da prova. Outra vantagem era estarmos afastados do centro do Porto e estarmos a 1,5km da zona da partida. Perfeito!
Tinha que haver francesinhas no fim de semana e o almoço de sábado era a melhor altura para isso - porque ao jantar era loucura e porque no domingo queríamos regressar a Lisboa o mais cedo possível. Uns momentos de descanso, um passeio pelas redondezas com direito a vermos o mar e com passagem pela zona da partida. As conversas iam, inevitavelmente, parar ao assunto principal do fim de semana. E não, não estou a falar do Porto vs Benfica. Foi um fim de tarde super tranquilo e agradável, muito descontraído, o que contrastou com o resto do serão que não foi tão sereno como se desejava (mas adiante). Antes do fim da noite afinámos horários para a manhã seguinte e fomos todos descansar. 

A noite passou num ápice e acordei bem disposto. Já tínhamos percebido que havia mais malta ali hospedada que também ia participar na Maratona (e também na Family Race) e ao pequeno-almoço o stress chegava devagarinho. Estava na hora de sair e levámos connosco parte da nossa "claque" que nos acompanharam até à partida. Assim que chegámos perto da Anémona já estava um mar de gente, num misto de fotografias e aquecimento. Segundo grande - enorme - arrepio! Este não foi na espinha, foi no corpo todo. E não era de frio, era de excitação! Não estava nervoso, até final da prova só por uma altura estive verdadeiramente nervoso. Fotos finais, despedidas finais, um abraço "que até parece que vais para a guerra!"

Ficámos os dois, a avançar o mais possível dentro da nossa caixa. Ele a transmitir-me toda a calma do mundo e eu à procura de mais caras conhecidas para me ir distraindo e para ir absorvendo toda aquela energia. Nunca me senti preocupado com a distância, mas isso não significa que estivesse demasiado confiante. Estava tranquilo, como se fosse partir aqui do jardim rumo a mais um treino de equipa. Tranquilo como desejava, como precisava. Dei-lhe um abraço e um high-5 com votos de boa prova. Foi ritual que implementei sempre que vamos correr em equipa - e sinceramente não me lembro da última vez que fui a uma prova sozinho - e enquanto caminhávamos até passar debaixo do pórtico da partida quis agradecer-lhe por tudo, desde o primeiro treino até àquele momento, mas não quis armar-me em lamechas. No fundo, a amizade é algo que não se agradece, retribui-se!

Começou a Maratona!

Capítulo 1 - dos 0 aos 12kms

(viram como ainda agora começou a prova e eu já escrevi quilómetros de texto? Sejam pacientes, eu prometo acabar antes de fazer a próxima)

A prova começou de forma surreal, comigo ainda a tentar colocar correctamente os phones. O LS que vai sempre a ouvir música desta vez não tinha phones - ou pelo menos não aparentava ter - e como íamos os dois também não liguei o mp3 com a minha playlist. Mais ainda, o mp3 diz ter autonomia para 4h e apesar de eu ter confiança em mim mesmo, sabia que ia demorar mais que isso para concluir a Maratona - que fique já registado que naquele dia nunca me passou pela cabeça outro desfecho! - portanto até isso tinha que gerir não fosse necessário ter esse apoio extra mais tarde.
Ao começar a subir a Avenida da Boavista íamos comentando o facto dos atletas da Family Race terem partido depois de nós e terem um ritmo diferente, pelo que teriam potencialmente mais dificuldades por terem que nos ultrapassar. Como os primeiros quilómetros foram em direcção a Matosinhos sentia-me muito confortável porque ainda no fim da tarde de sábado tínhamos andado a passear naquela zona. Olhando com alguma distância, até isso deve ter ajudado a esquecer algum eventual nervosismo. Sentia-me a correr "em casa", como se conhecesse bem aquelas ruas. Começam os primeiros retornos e isso permitia ver quem estava atrás de nós e ir cumprimentando colegas e amigos. Ao mesmo tempo também ia passando malta conhecida por nós e havia energia mais que suficiente para trocar algumas palavras. Aos 5km ele pergunta-me pelas primeiras impressões. Eu digo-lhe que vou perfeitamente, que se me sentir assim a 5km do final estarei muito feliz. 

Tinha metido na cabeça que não queria fazer nenhum km abaixo dos 6:00 e sempre que ia olhando para controlar o ritmo estava a cumprir. Vá, mais ou menos. Mas sentia-me bem e isso era o mais importante. Aos poucos o LS foi-me dizendo que ia comigo até à Meia Maratona e ao vermos quem estava atrás de nós ia também vendo que companhia é que eu poderia ter para a segunda metade da prova. Deixei-o sempre à vontade para seguir quando quisesse porque eu nunca ficaria sozinho no pelotão e encontraria companhia ao meu ritmo caso necessário. Foi também nesta altura que passámos pela primeira vez pela nossa claque que estava do lado esquerdo da estrada numa altura em que íamos do lado direito. Foi um breve encontro que iríamos repetir aos 12km, na rotunda da Anémona, do lado certo da estrada. Até aos 12km ainda houve mais alguns retornos e eu sempre de olho no outro lado para ver quem lá vinha. Gosto muito de percursos que proporcionam este tipo de encontros imediatos porque são uma boa distracção e permitem que os kms passem quase sem darmos por ele. A certa altura até me encostei ao lado esquerdo para ver melhor e ele, mais contido, ficou do lado direito. Íamos afastados, mas paralelos um ao outro. Foi aos 8km que tomei o primeiro gel, dentro da estratégia que tinha planeada. Falando em estratégia, quando estudei o percurso dividi-o em quatro etapas distintas que se vieram a concretizar. Ao mesmo tempo, pensava sempre em olhar para o próximo abastecimento como meta e recebia o conselho de trocar sempre de garrafa de água e, naqueles onde havia, trazer um gel. Eu já levava quatro no Flipbelt, mas não fazia mal ir renovando o stock. E assim, de forma descontraída, chegámos aos 12km, à rotunda da Anémona, onde ele aproveitou para deixar os "manguitos" que levava porque o frio da manhã já tinha sido substituído pelo calor do sol que brilhou durante toda a manhã. Eu optei por manter a camisola de manga comprida debaixo da camisola da equipa e ir arregaçando as mangas sempre que necessário. E ainda tinha muito que as arregaçar até ao final! Foi também na rotunda que passámos por amigos de outra equipa amiga que, por lesão, ficaram a ver a prova de fora a dar apoio e a tirar fotografias. E eu não sou eu se não fizer uma palhaçada qualquer para a objectiva. Para terminar este capítulo, era ali que se fazia a divisão entre a Family Race e a Maratona. Seguimos pelo caminho certo, já não havia volta a dar. "Olha, 25% da prova já estão feitos!" - disse, radiante.

Capítulo 2 - dos 12kms aos 21kms

Passada esta fase de maior adrenalina era altura de acalmar e estabilizar o andamento. Olhava para o relógio e via que o ritmo total estava ligeiramente abaixo do planeado e a continuar assim iria pagar a factura mais tarde. Era altura de gerir a energia e de abrandar o LS sempre que ele se entusiasmava e ia quase naturalmente para os 5:30/km. Já nos treinos longos era a mesma coisa, ele a dizer que é para irmos com calma a "5:60/km" mas a tendência era sempre para acelerar um pouco mais e irmos todos na onda, até alguém recordar o grupo do ritmo estipulado. No domingo não foi preciso muito. O ímpeto inicial estava ultrapassado, tínhamos muito que percorrer até ao fim e, como dissemos vezes sem conta um ao outro, não tínhamos pressa. Por aqui havia menos público na estrada mas também havia mais animação e música ao vivo - nem sempre com um estilo musical que eu achasse apropriado, mas pode ser só embirração minha. Atrasei o segundo gel o mais que pude e tomei-o cerca dos 18km em vez dos 15km que era o que andava a testar nas meias. O que fiz aos 15km foi ter agarrado numa esponja molhada no abastecimento. Usei-a para molhar a cara e limpar o suor mas não gostei da sensação de ficar com a cara tão fria. Para além da cara, sentia os braços e parte do corpo encharcados com a água algo gelada da esponja. Estando numa zona de sombras e com um vento que soprava, tive tremores de frio. Não voltei a pegar em esponjas até ao fim.
Fora isto, continuava a sentir-me bem, solto, descontraído, sem sentir o peso da prova nos ombros. Longe parecem ir os tempos em que as pernas soluçavam ali entre os 15/17kms. No domingo terminei a Meia Maratona com 2:08, perfeitamente dentro do ritmo que queria e com a leveza de que estava a começar. Foi uma frase e uma ideia repetida várias vezes nos treinos e consegui - conseguimos - cumprir. Antes de chegarmos a essa fase, várias curiosidades, a começar pelo facto de nos termos cruzado com os primeiros classificados e termos percebido a enorme vantagem que o eventual vencedor já tinha em relação à concorrência. Alguns sorrisos por vermos um atleta asiático no meio dos africanos, embora fosse em 6º ou 7º e muitas palmas para o atleta português que passou na peugada dos primeiros. Foi com surpresa que vimos que ambos acabaram por recuperar bastantes lugares nos kms finais e completaram os lugares do pódio. Como fait-divert pessoal, ficou o momento ali pelo quilómetro 17 em que não havia banda ao vivo mas havia música a sair pelas colunas, com umas meninas da EDP a dançarem. Assim que eu passei tocou esta música. Tanto tempo a escolher uma playlist para quê? Obrigado, destino.

Não sei se ia absorto nos meus pensamentos, mas o LS toca-me no ombro e de forma assertiva diz-me para curtir a paisagem da Ribeira e para desfrutar do momento. Do lado esquerdo o Porto, do lado direito o Rio Douro e na outra margem o Cais de Gaia onde já corria um enorme número de atletas. Rapidamente passámos a Ponte Dom Luiz, entrámos em Gaia e chegámos a meio da prova. Em cima da ponte novo momento de contemplação de tudo o que nos rodeava, mas também uma chamada de atenção para não repetirmos a paragem num abastecimento como aconteceu no km 20. "Ok, combinado."

Abri os braços ao passar o pórtico da Meia Maratona e disse-lhe que a Meia do Porto estava feita, agora estava na altura de fazer a Meia de Gaia.   

Capítulo 3 - dos 21km aos 32kms

Na verdade, sabia que estava mesmo a começar outra prova completamente diferente a partir daquele pórtico. Não era só o cenário que mudava, a partir daqui era a tentação de começar a contar os quilómetros "ao contrário", olhando erradamente para quantos faltavam em vez de contar aqueles que já estão feitos. Consegui escapar a isso e como se tratava de nova zona de retorno foi altura de espreitar novamente para quem já vinha em sentido contrário e novamente muitas foram as caras amigas que passavam. A prova também mudava a partir deste ponto porque eu sabia que a qualquer altura o LS ia seguir a sua prova e eu já não podia pedir mais dele, mas nem ele dava mostras de querer ir embora nem eu o mandava ir. Eu não queria fazer a prova toda ao lado dele. Não me levem a mal, estamos a falar de um grande amigo, de uma pessoa que me deu uma ajuda fundamental, não só no Porto mas também durante estes anos todos! No meu subconsciente eu ia começar a atrasá-lo e embora ele não estivesse minimamente ralado com o tempo final - ele nunca, mas nunca se preocupa com isso, mas sim com acabar bem e correr puramente por prazer - era desnecessário ele fazer um tempo muito inferior ao habitual dele. Para além disso, eu não queria terminar com a sensação de ter tido uma muleta a amparar-me durante o percurso todo. Recordam-se do que ele me disse antes da partida? Aquilo de eu não ter que provar nada a ninguém, nem a mim mesmo. Pois o psicológico começava a dizer-me o contrário. Mais sobre este assunto mais à frente. Como se pode ver pelos ritmos, comecei a fraquejar e a reduzir o andamento em Gaia. Até aos 28kms ainda não se notou muito, ele meteu conversa com pessoal e eu, que vinha uns metros atrás, percebi que eles eram do Cacém e como morei lá ao lado durante anos acabei por acelerar para os apanhar e participar da conversa também. Pequenos nadas que nos ajudam a passar mais uns metros, mais um quilómetro. A zona de Gaia também foi complicada por causa do piso e era constante a fuga para o passeio para tentar apanhar zonas mais planas e sem aquele empedrado chato.

Instantes antes de sairmos de Gaia novamente rumo ao Porto tive necessidade de me queixar pela primeira vez. Começava a sentir algum desconforto e algum cansaço nas pernas e verbalizei. Ele continuou tranquilo e aconselhou-me a levantar mais as pernas em cada passada. Acrescentou: 
"Já percebeste que agora não te largo mais até ao fim?"
"Acho que sim, mas podes ir descansado. Macacos me mordam se não acabo esta m....!"
"Mas tens dúvidas? É garantido que acabas, mas com algumas dicas para minimizar o sofrimento!" 

Já disse algures lá para trás: no domingo nunca tive dúvidas!

E para confirmar que ainda precisava de ir acompanhado, aos 29kms ele foi novamente assertivo e pergunta-me porque raio não estou a ouvir música! "Não vais demorar 4h daqui até à meta, mete lá isso a bombar e relaxa!" Como ele também não estava e fomos sempre na conversa um com o outro, nunca mais me lembrei e até me parecia mal se de repente o deixasse a falar sozinho. "Mete é só um dos phones, senão deixas de me ouvir."

Até à próxima, Gaia! Regresso ao Porto, viragem à direita até ao ponto mais distante da prova e retorno. Os 30km já ficavam para trás. O subconsciente lembrava-me que não tinha feito nenhum treino longo de 30km na preparação para a Maratona. O LS lembrava-me que eu tinha andado a tomar magnésio neste último mês para evitar câimbras a partir daqui, ao contrário da malta que eu ia começar a ver a parar pelo caminho e a fazer alongamentos à beira da estrada. Curiosamente, não vi tanta gente em más condições como tinha visto em Lisboa a partir do momento em que o percurso da Meia se juntou ao da Maratona. Ele também me lembrava que a partir dos 30km não se pára, caso contrário fica mais difícil recomeçar. Eu estava a ouvir e a tentar assimilar tudo, mas era cada vez mais difícil aguentar o desconforto. Comecei a andar pela primeira vez aos 32kms. E agora?


Capítulo 4 - dos 32kms aos 42km

Tinha tomado um gel antes dos 25km, salvo erro. Tenho a ideia que tomei outro aos 30km, mas já não consigo precisar. Mesmo que tivesse escrito este texto logo a seguir à meta, já não me lembrava bem. Ele bem me tentava motivar, mas já não funcionava. Não por culpa dele, mas porque a luta agora era outra. Acompanhou-me meio a andar, meio a correr, até ao túnel. Nem o Rocky Balboa me conseguiu dar forças, caramba! Ia correndo mas pouco e já andava mais do que corria. Aqui deu-se um momento chave: ele seguiu e eu fiquei "sozinho". Antes de seguir disse-me que a prova estava feita. Fomos uns metros abraçados, novo high-5 bem sonoro e ele seguiu. Pedi-lhe para que assim que chegasse transmitisse a mensagem que eu estava bem. Mesmo ele já ia chegar à meta com algum atraso em relação ao tempo que costuma fazer (acabou uns segundos abaixo das 4:30 quando em condições normais faria entre as 4:10 e as 4:15) o que também provocou alguma ligeira preocupação.

Última fase da corrida: eu contra a estrada! Faltavam uns 8kms até ao fim e eu disse para mim mesmo que depois de ter passado pelo retorno mais longínquo da meta eu tinha agora três hipóteses para acabar a prova: a correr, a andar ou de ambulância. E obviamente que a última estava fora de questão!

Eu disse que só por uma vez estive verdadeiramente nervoso: foi pelos 32kms quando tudo o que ele me dizia me passava completamente ao lado. Tentava assimilar e não conseguia reter informação nenhuma. Preocupei-me a sério, não sabia se estava bem. Naquela fase só queria ouvir uma voz: a minha. Percebi no final da prova, quando conversámos, que ele já tinha estado na mesma situação que eu quando fez a primeira maratona e a melhor coisa que lhe aconteceu foi ter ficado sozinho. Foi o melhor que me aconteceu a mim também. Lutei contra mim mesmo até chegar ao abastecimento dos 35kms. Comecei a cruzar-me com amigos e conhecidos, mas agora já não era altura de retorno, agora estávamos todos no mesmo barco a fazer a gestão do esforço até ao final, como o João me disse quando se cruzou comigo.

Quando recomecei a correr senti outro arrepio! Uma dor constante acima do joelho direito. Durou uma, duas, três, quatro passadas e depois... passou. Continuei a medo, mas a dor não voltou. Aqui a ideia era chegar ao abastecimento dos 40km. Dos 40km em diante já era tranquilo, pensava eu. Fui correndo de forma lenta, depois aumentei o ritmo e estava novamente confortável - acho que meti um último gel algures por aqui. Quando cheguei ao tal abastecimento já ia bem. Ajudou ter metido conversa com outros atletas e até ter ouvido uma senhora à beira da estrada dizer que "o menino está a fazer esta prova com demasiada roupa vestida." Calma, não era nenhuma sugestão mais ousada, era apenas porque com as mangas compridas para baixo novamente. Arregacei-as, literal e figuradamente!
Por mim também passou por duas vezes um rapaz, chamado Luís, a quem eu também ultrapassei duas vezes neste vaivém de "agora corro eu um pouco mais, agora corres tu". À terceira vez que eu o ia passar ele quase me parou e disse que era proibido! Fomos na conversa um bocado, ele - que até tinha dorsal de sub 3:45 - estava a fazer de lebre e a dar apoio a uma amiga que ia em silêncio para poupar as energias. Disse-me que era a boa acção do ano. Eu sorri e respondi-lhe que boas acções dessas são muito importantes. Entretanto "vou seguir" - disse-lhe eu - "porque ainda vou bater o meu record pessoal hoje!"
"Boa, achas que ainda consegues?"
"Consigo de certeza, é a minha primeira maratona!" - rematei assim com um grande sorriso nos lábios. Já tinha feito a mesma espécie de piada com o João e fiquei muito satisfeito quando ele me respondeu que também estava a ir para record (algo que acabou mesmo por acontecer!)

Com isto, vieram os 40kms! Parei um pouco no abastecimento, bebi mais powerade, agarrei numa garrafa de água, respirei fundo e parti sem parar para o fim da prova!

#dontstopmenow dizia a hashtag do tal post que meti no Facebook a 23 de Dezembro de 2015 quando fiz a inscrição. Era isso que sentia naquela altura. E a playlist, embora tardia, ajudava.

A adrenalina agora era brutal. Eu passava a correr por toda a gente, tinha ganho força extra para terminar em grande. Atirava palavras de ânimo para todos os que sentia em dificuldades, passava de mão estendida para toda a gente que no passeio aplaudia os atletas, enfim, as coisas habituais quando estou a ficar eufórico numa prova!

Placa dos 41km - o momento que quase me fez chorar. Quase! Contive as lágrimas, ao contrário do que tinha acontecido na estreia na Meia Maratona quando, na altura, vi a placa dos 20km e entrava na recta da meta. Quero lá saber se a entrada para o Parque da Cidade é feita numa subida! Eu só vejo gente dos dois lados do gradeamento, gente que já terminou a prova, gente que espera por quem termina. Puxo eu pelo público, eufórico como nunca, corro aos saltos e peço palmas. 42km, última curva! Já só faltam aqueles 195 metros. Sempre disse que iam ser os mais fáceis! Difícil era chegar até eles. Já vejo a meta, já vejo as meninas dos pompons a fazerem uma espécie de mini-corredor para passarmos no meio delas. Ouço gritar o meu nome - percebo entretanto que tinha mais homónimos naquela prova do que nunca. Ouço vozes familiares, viro-me para elas e ergo os braços em festejo! Yeahhhhhhhhhhh! Um som capturado - percebi hoje - por uma das câmaras que recolheu os vídeos da chegada. Ergo as mão ao alto, vou conseguir, vou cruzar a meta! Um último momento antes disso - também capturado em foto - em que olho para o símbolo que trago na camisola, agarro-o com uma mão e aponto para ele com a outra. Naquele símbolo estão todos aqueles que me ajudaram, não só os membros da equipa, mas também pessoas fora dela. Foram todos comigo, passaram todos aquela meta comigo! Está feito, está feito, terminei a Maratona!

Não me lembro de metade das coisas que fiz depois de acabar. Felizmente há vídeos da organização que me refrescam a memória. Levei as mãos à cara, quase incrédulo, estiquei a mão para alguém (da organização, talvez) que estava mesmo ali ao meu lado e fui até às barreiras onde sou recebido com um abraço, um forte abraço e lágrimas. Tinha saído para a guerra há umas horas atrás, mas voltei são e salvo! Outro e outro abraço! Do outro lado das barreiras quase que se desfalecia. Correr a Maratona daquele lado da barricada é, aparentemente, mais desgastante e cansativo. O LS aparece-me à frente, radiante e até surpreendido porque tinha a certeza que eu ia acabar mas desde que tinha seguido sem mim presumiu que eu fosse demorar mais tempo. Ah, e mete-me uma cerveja na mão. Ainda agora tinha acabado e já estava a festejar como deve ser!

Agora só queria a medalha. Pegar nela e ir ao stand para gravar o meu nome e o meu tempo! Nem sabia quanto tinha feito, lembro-me de desligar o relógio já durante os festejos. Fiquei a saber o tempo de chip precisamente quando agarrei na medalha depois da gravação. Até foi mais saboroso e algo épico assim.

Regresso ao hotel para um merecido banho e para arrumar tudo para regressar a Lisboa. Fui o último a despachar-me portanto quando chego aos carros sou recebido quase como um herói. E venho com um sorriso rasgado, sorriso que ainda mantenho hoje ao olhar para todas as fotos e vídeos disponíveis, mas também ao fechar os olhos e ao imaginar cada quilómetro, cada passada, cada metro percorrido. No regresso a casa dissecou-se muito sobre a prova, vista por dentro e por fora. A entreajuda, os momentos chave, o suplantar das dificuldades, tudo. 

O último ponto: o tempo final da prova. Sempre disse - e fui aconselhado a pensar assim - que o mais importante era terminar. Sendo a primeira e sendo a prova rainha era impossível de pensar de outra forma. Mas eu sou ambicioso e, modéstia à parte, tenho alguma noção do meu razoável valor dentro das minhas capacidades, se estiver num dia bom. Tinha apontado a um tempo a rondar as 4 horas e 30 minutos, mas sempre disse que até às 5 horas ficava muito satisfeito com o resultado. Balizei estes tempos também para quem está de fora poder ter alguma noção . Felizmente acertei, fiquei mais perto do tempo mais baixo e, se não tivesse tido necessidade de andar alguns kms até teria ficado em boas condições para o atingir. 

Pronto, fim do texto.
Obrigado a todos por lerem. Escreveria sempre este texto, mesmo que fosse só para mim. Sei que de vez em quando hei-de cá vir recordar e reler.

E prometo que para a próxima Maratona não vou escrever tanto.
Sim, porque vai haver próxima!


Prova nº 47 - Maratona do Porto - 42km - 4:40:54