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domingo, 8 de setembro de 2019

Escrita em dia

Prova nº 116 - Troféu Corrida das Colectividades do Concelho de Loures - Corrida Freguesia de Loures / Infantado - 5km - 00:25:31
Prova nº 117 - Corrida das Fogueiras - 15km - 01:20:22

Prova nº 118 - Légua Noturna – Cidade De Odivelas - 5km - 00:23:30

domingo, 18 de novembro de 2018

Pódio

Começar o texto logo com este título estraga um bocado o suspense, não é? Mas, mais uma vez, a coisa já se soltou por essas redes sociais fora, portanto...

Andei um ano com esta prova secretamente debaixo de olho, depois de no ano passado ter visto as classificações e a vitória do meu amigo Zatopek no seu (e meu) escalão. Olhei, olhei, vi os resultados no geral e meti na cabeça que ia tentar uma brincadeira em 2018. Ele nem sequer está em Portugal, portanto... A certa altura o meu maior receio era que a prova coincidisse com a Maratona do Porto, mas rapidamente percebi que não havia esse risco. Passei, portanto, um ano a pensar nisto quase tanto como pensava no Porto.

Ah e tal, o gajo é modesto e diz que gosta de correr porque é fixe e pelo convívio e mais-não-sei-o-quê, mas afinal é fanático por isto das medalhas e não dizia nada a ninguém. Ora bem, antes de hoje, em 95 provas eu apenas tinha ficado na primeira metade da classificação em 24 delas. E em provas de 10km de média dimensão fiquei duas vezes dentro dos primeiros 200 classificados. Bem bom. Isso e um terceiro lugar - por erro da organização - numa das edições da extinta MEO Urban Trail. Nunca na vida irei ganhar nada mais sério, portanto no dia em que percebi um pequeno vislumbre de poder fazer uma gracinha, tentei. Garantidamente que para o ano isso já não acontece.

A única vez que falei na prova foi quando um colega de equipa se tentou inscrever e eu lá estava como responsável pela equipa porque já o tinha feito antes. E mesmo assim, nem lhe disse que "só" ia fazer os 5km. Comentei isso mais tarde, mas sem fazer grande alarido. Ele também nem achou estranho eu optar pela prova curta num evento que tem prova de 10km, mas como o percurso não é sequer muito plano e eu vinha da Maratona... Hoje, depois de aquecermos, ele e o resto dos amigos que foram connosco seguiram para o pórtico da partida dos 10km e eu pedi para fazer a foto de grupo naquele momento porque ia para o pórtico dos 5km que era noutra rua. Todos acharam estranho, perguntaram se eu estava bem, se estava lesionado, se eu estava a brincar, se... se... 

"Não, venho da Maratona e tenho duas Meias de seguida, hoje venho só para relaxar um pouco. Fiquem tranquilos."

Na partida confirmei que estava pouca gente. Tentei ler os rostos, o físico e os dorsais de quem por ali estava para perceber se teria muita gente do escalão. Já tinha encontrado vários amigos antes da prova, um dos quais "subiu" este ano para o meu escalão e também ia para os 5km. Pronto, ele faz 40' aos 10km, portanto...  Tentava também esquecer o péssimo treino que fiz na 5a feira com a equipa. Respiração não acalmava, pernas não reagiam, cabeça não funcionava. Aproveitei a "desculpa" de ficar com o grupo mais lento para conseguir sentir-me minimamente útil naquele dia e num treino de 10km só ao fim do sexto é que a coisa lá estabilizou. Enfim, não foi uma semana fácil, portanto...

Hoje a ideia era simples: correr o mais depressa possível, aguentar-me nas subidas e voar nas descidas. A chuva parou antes da prova, havia apenas que tentar evitar as imensas poças de água no chão. Relógio pronto e, de repente, deu-se a partida. O speaker estava mais próximo do pórtico dos 10km e na nossa zona, numa rua uns 300 metros mais à frente, não se ouvia nada. Não sei se ter aquecido ajudou, mas o que é certo é que disparei rápido e, sendo poucos, longe de atropelos. Obviamente que os verdadeiros craques voaram bem mais depressa atrás do carro-relógio e eu foquei-me em seguir a Luzia Dias, anfitriã do evento, que no ano passado tinha feito 24 minutos. Hoje fez abaixo dos 22, daí que a meio da prova eu tenha deixado de a ver por perto.

As partidas em separado foram, disseram-me, uma novidade em relação aos anos anteriores. Isto fez com que ainda antes do primeiro quilómetro estivesse a malta dos 10 a passar por nós. Ou, pelo menos, pelos não-tão-rápidos, tipo eu. O que foi porreiro para mim foi que tanto a minha malta, como outras caras conhecidas me iam desejando força quando me ultrapassavam. Eu agradecia e naqueles breves metros tentava ir na peugada deles, algo que só consegui fazer mais ou menos na altura em que deixei de ver a Luzia. Foi bom porque foquei precisamente no meu colega de equipa que ao passar por mim me disse que era só mais esta subida dura e depois era tranquilo.

Devo ter olhado umas duas ou três vezes para o relógio. Independentemente do que ele dissesse, a única opção era ser rápido e manter o ritmo até à meta. Naquela altura já era quase impossível perceber quem estava para os 5 ou para os 10. Como a partida tinha sido quase inesperada e este relógio tem uma contagem decrescente (que me irrita um pouco e não dá para tirar) quando se inicia um treino, só começou a contar uns 50 metros após o início e como não havia placas de distância não valia a pena fazer grandes contas.

Ia conseguindo visualizar na estrada aquilo que tinha visto no mapa em relação ao percurso e quando percebi que estava perto de entrar no último quilómetro ouço uma voz conhecida. Mais um amigo (e conterrâneo) que vinha para os 10km e se colou a mim. Houve aquele momento sempre estranho, como acontece quando, por exemplo, nos despedimos de alguém à saída do escritório e depois vamos ambos para o mesmo lado. Ambos desejámos bom resto de prova um ao outro. Dissemos até já. Ele diz-me que a minha está quase a terminar e... vamos lado a lado o resto do tempo. Só na separação para a minha meta é que deixámos de ir juntos. Foi porreiro para ter ali companhia para a parte final.

Desvio para a meta e está feito. Abaixo dos 24 minutos, vejo por alto. Ok, nem sequer é o meu melhor tempo aos 5km, mas o percurso é sinuoso e os outros dois registos que tenho de prova são em provas que foram maioritariamente planas e/ou a descer. O speaker vai dando força a quem chega e diz que já há resultados online em tempo real no site. Não tenho telemóvel comigo, ficou no carro. Não tenho as chaves do carro. Eu espero. Encontro o vencedor da prova - outro amigo - e fico à conversa com ele. Começo a dar umas voltas à zona da chegada em ritmo de descompressão enquanto espero pelo resto da malta, até que vejo outro amigo que me diz que falhei o pódio por um segundo. Fosga-se, para não dizer pior. Foi o atleta que chegou à minha frente. Paciência, tento novamente para o ano.

Vai chegando a malta dos 10km, uns mais rebentados que outros e vamos até aos carros para mudar de roupa enquanto esperamos pelas cerimónias do pódio. Encontro o tal rapaz que agora me faz concorrência de escalão e ficamos imenso tempo à conversa sobre esta e outras provas. Conhecemo-nos há uns dois anos na B2Run porque ambos ganhámos um passatempo para ir correr pela equipa da Rádio Comercial e ficámos amigos deste então. Coisas boas disto do running e tal. Ele até me pediu desculpa por me ter "tirado" um lugar no pódio.

Regressamos à zona da chegada, eu já com o telemóvel na mão a ver as restantes classificações. Temos mais dois elementos às portas do pódio na prova de 10km: um 6º e um 7º. Bom esforço malta. Até que chamam o meu nome! O quê? Estava mesmo ao lado do organizador do evento que ia chamando os atletas e pergunto-lhe se chamou o meu nome. Confirma. Mas no site não estou no top-3, digo-lhe. Mas essas são classificações provisórias, as que eu tenho são certas, portanto...

Subi ao pódio com um ar quase incrédulo, mas muito bem acompanhado. Só quando fomos mudar de roupa aos carros é que tinha confessado ao pessoal a minha secreta esperança e o meu objectivo escondido por trás de uma inscrição para fazer "apenas" 5km. Malandro, dizem-me! 

E pronto. Adorei estar lá em cima. Foram 30 segundos, talvez um pouco mais. A mim pareceram-me passar demasiado depressa, mas tentei aproveitá-los ao máximo porque tão depressa - ou nunca mais - não tenho esta oportunidade. Fotos e mais fotos. Consegui, venho com o pescoço um pouco mais dorido que o habitual por causa do esforço extra, mas esta medalha já ninguém me tira!



Melhor ainda a seguir. Afinal aquele 6º de escalão também era 3º. O 7º é que era mesmo 7º.
Regresso a casa e pronto. Nada mais há a fazer.

Como já aqui disse antes: hoje foi bom, mas amanhã começa tudo de novo.



Prova nº 96 - Corrida Luzia Dias 2018 - 5km - 00:23:38

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Estafeta Cascais-Lisboa

Desde que comecei a participar de forma regular em provas que fazer uma estafeta era um objectivo. Quando o concluí no ano passado fiquei com a certeza que era algo que queria repetir e esta era a prova que tinha em mente. Infelizmente nunca tinha tido oportunidade de a fazer antes, sobretudo por dificuldades de calendário, mas este ano foi o ano!

Tudo começou comigo com algumas dificuldades em encontrar outros três colegas disponíveis para fazermos equipa e acabou com uma comitiva de doze atletas que rumaram a Algés de manhã cedinho para apanhar o comboio para os diversos pontos de transmissão - ou no nosso caso, para ir a pé até à Cruz Quebrada. E pelo meio, uma equipa inteira que teve que ser gradualmente substituída por indisponibilidades que surgiram desde a data da inscrição, o que significa que para o ano se tudo correr bem até podemos levar mais gente para a prova. É que quem foi, quer repetir! (Embora nem todos pretendam o mesmo trajecto, mas sobre isso falo mais tarde.)

Não quero deixar passar a oportunidade de agradecer ao João Lima pelas imensas dicas de logística que me deu quando lhe pedi alguma ajuda, precisamente por saber que ele já tinha marcado presença na estafeta por várias vezes. Não segui todas a 100%, mas foram excelentes indicações para quem ia pela primeira vez e estava um pouco receoso de organizar tudo e depois lixar a prova a toda a gente ainda antes da partida por causa de algum percalço não calculado.

É claro que houve contratempos. Para além de ter andado a trocar elementos e a convidar outros para ocupar os lugares de quem não podia ir, o problema maior ainda aconteceu no próprio dia. Partida combinada para as 7:30 e às 7:45 ainda faltava uma pessoa - por acaso das mais certinhas e que nunca se atrasa. Tinha o telemóvel desligado. Ainda por cima era ele que ia iniciar a estafeta de uma das equipas. Tivemos que tomar a decisão de partir sem ele e de "aldrabar" um pouco a coisa, fazendo com que o segundo atleta fizesse os primeiros 10km. Mesmo que no final houvesse uma (justa) desclassificação daquela equipa, pelo menos toda a gente corria a sua parte do percurso. Felizmente não foi preciso e quando íamos a caminho ele ligou de volta depois de ter ido a casa buscar o telemóvel. Tinha ido para o ponto de encontro errado e pegou no carro, virou o boné ao contrário (é a sua marca registada a correr) e chegou a Algés dois minutos antes do último comboio partir. Ufa! 

Lá metemos três quartos da equipa no comboio e fui com as minhas duas parceiras de final de percurso a pé até à Cruz Quebrada, numa caminhada animada e pautada por alguma chuva constante. Fomos num misto de desejar estar no comboio com o resto da malta (e secos) com aproveitar os três para estar também na galhofa a fazer umas fotos pelo caminho. Tínhamos imenso tempo para queimar, mas como chegámos cedo ficámos logo abrigados debaixo dos toldos da organização e fomos metendo conversa com outros atletas, alguns até nossos conhecidos. A meio caminho, no entanto, uma chamada telefónica deixou alguma preocupação no ar. Onde estava a pulseira/testemunho do nosso colega que chegou atrasado? Com a confusão tinha ficado dentro do envelope, no carro. Seria possível a organização na partida no Estoril facultar outra?

Agora era aguardar. Num momento de pura telepatia perguntam-me ali se a malta do Estoril teria conseguido ir buscar uma pulseira nova. Exactamente ao mesmo tempo recebo um SMS a confirmar-me que sim. Perfeito.
Ainda recebemos um rápido esclarecimento da organização sobre a maneira como se deveria processar a transmissão para não ser demasiado confuso e passado alguns largos minutos - passados à conversa e a fazer mais fotos - começam a chegar os primeiros classificados dos 20km em linha. Quando passou o 3º classificado soltei um "Força Vítor!" Depois lancei vários outros "força" ao Joaquim, ao Rúben, ao Fernando, ao João, ao Nuno e a vários outros nomes que me possa estar a escapar, ao ponto das minhas colegas ficarem cansadas de me ouvir e terem dito "bolas, mas tu conheces toda a gente que passa?!?"  "Quase...!"

Fazíamos contas a qual de nós seria o primeiro a partir e para mim era óbvio que era a colega que por acaso até é a menos rápida dos três. Ela não acreditava, até porque foi ela que teve a equipa toda refeita depois da inscrição, mas tínhamos razão. O trio antes dela era rápido e muito homogéneo e o terceiro elemento chegou dentro do tempo de prova que eu lhe tinha dito. Ficou preocupada por ser a tartaruga da equipa, disse que ia fazer os 5km a um ritmo de 6:30m/km e ia demorar imenso. Nós dissemos-lhe que não se preocupasse, o importante sempre foi o espírito, mas eu ainda atirei que ela ia fazer 30 minutos de prova na boa. Fez 30:12. Excelente!

Eu parti pouco depois. Estava prontinho, mas foi tudo tão rápido que só meti o relógio a contar durante a descida. E arranquei a toda a velocidade por ali abaixo num sprint contante. Custou-me mais a controlar a respiração mas meti na cabeça que eram só 5km portanto era para deixar tudo ali. O colega que me passou o testemunho é uma das flechas que temos (fez abaixo dos 18:00) e eu já tinha dito que ele ainda fazia os últimos 5km mais depressa que eu. Ele disse-me que ia descansar um pouco enquanto bebia água e já me apanhava e assim foi. Fez o resto do percurso comigo não necessariamente para me marcar o ritmo mas para me ir dando ânimo. Com companhia a coisa faz-se melhor, eu é que mal falava porque estava a tentar ir no limite. "Então não digas nada e poupa o oxigénio para correr" - dizia-me ele. "Bora lá, bora lá!"

Passámos pela nossa colega do quarto percurso (e pelo colega do terceiro que lhe deu o testemunho) e continuámos em ritmo constante a rondar os 4:50m/km, excepto no primeiro quilómetro onde a descida foi claramente mais rápida. Para quem faz os restantes percursos não sei se sente o mesmo, mas fazendo o último fiquei com uma sensação bipolar de estar fresco e pronto para fazer uns quilómetros rápidos ao mesmo tempo que passava ao lado de atletas já cansados por estarem a terminar a prova de 20km e querer dar-lhes a eles umas palavras de força e ânimo. Ainda o fiz a um ou dois que há alguns minutos atrás tinham passado por mim.

Na aproximação à meta, o meu companheiro de percurso disse-lhe que ia voltar para trás para ir buscar a última participante que lá tinha ficado aos 15km à espera da sua vez. Agradeci-lhe a companhia e o espírito de solidariedade. Ninguém fica para trás. Fantástico como esta questão da estafeta reforça ainda mais os laços de companheirismo que já existem. Eu terminei a minha parte da prova sem bater o meu record aos 5km, embora tivesse pensado que se calhar o tinha feito. Só em casa percebi que estava a pensar no minuto errado, mas isso não era o mais importante.

Recolhi as medalhas do meu quarteto, mas não voltei para trás e acabei por ficar a tirar fotos e a conversar com quem ia chegando à meta. Muitos dos colegas tinham optado por regressar a correr fazendo o resto do percurso em ritmo de treino. Foi assim, aliás, que consegui convencer um colega a vir connosco. Ele queria fazer um treino longo, portanto ofereci-lhe a possibilidade de fazer os 5km do segundo percurso em competição e os restantes 10km em treino. Outros voltaram de comboio e aos poucos a equipa ia ficando completa em Belém, onde também tinha ido ter um outro colega. A festa fez-se no final quando a nossa terceira equipa completou o percurso. Desafio concluído.

Pensei várias vezes no stress que foi organizar a nossa ida à prova. Quase que jurei a mim mesmo que não voltava a passar pelo mesmo. Nada contra as pessoas que não puderam ir, atenção! Lesões, motivos profissionais e até um rapaz que tinha uma prova no mesmo dia foram tudo motivos mais do que válidos para não poder ir, mas procurar atletas disponíveis quase em cima da data não foi fácil. Felizmente houve malta receptiva. O feedback foi tão bom que já sei que para o ano assim que abrirem inscrições estou novamente a melgar a malta para fazermos equipas. E até já recebi pedidos para fazer percursos diferentes porque eu tinha sido mauzinho e lhes tinha dado o pior percurso. Confesso que a única coisa que fiz questão foi de ser eu a terminar numa das equipas. Para o ano logo vemos!

E para o ano também vemos melhor a ordenação das equipas. É certo que isto foi para brincar (e ainda aguardo os resultados individuais oficiais) mas também é verdade que podemos apostar todas as fichas numa equipa muito forte para tentar uma gracinha, eventualmente com uma equipa mista. Como a malta disse em tom de brincadeira, este ano fomos apalpar terreno e ver como funcionam as coisas, para o ano vamos lá a sério!

Próxima paragem: Santarém!

Prova nº 82 - Estafeta Cascais-Lisboa (percurso 4) - 5km - 23:19

P.S: Agora com os resultados oficiais vejo que a minha colega fez 29:55 de chip! Nunca correu tão rápido, disse-me. E sim, entrando por um patamar mais competitivo, sem a alteração forçada podíamos ter entrado na luta pelo top5 das equipas mistas, talvez até top3!

domingo, 7 de maio de 2017

Estafeta

Cumpri hoje o meu objectivo de fazer uma prova por estafetas. Recebi um convite que muito me honrou, sobretudo porque havia uma lista infindável de elementos da equipa que podiam ter participado, mas eu acabei por ser a primeira escolha. Gosto quando o carinho que damos é retribuído com gestos destes. É assim que gosto de andar pelo mundo das corridas.

Na altura nem me fez click que a prova era organizada pela Associação pela qual corre o Vítor Oliveira, cujos excelentes resultados tenho andado a acompanhar.

Por uma ou outra razão, não fiz qualquer treino esta semana pelo que a última vez que corri foi no 1º de Maio e isso deixava-me nervoso. Já tive uma fase em que durante umas poucas semanas só corria em provas e isso não me agrada. Faz-me falta pelo menos um treino a meio da semana, nem que sejam só 5km para descontrair a cabeça e as pernas.

Para ficar a conhecer melhor os elementos da equipa, fui ontem à Pista Municipal Professor Moniz Pereira onde acabei por assistir à segunda prova do Circuito dos Parques de Lisboa e passar uma tarde muito agradável tendo confraternizado com bastantes atletas conhecidos. A pergunta da praxe era em relação às calças de ganga e pólo que tinha vestido que não era equipamento adequado para correr. Acabei a tirar fotos e deixei-me envolver completamente pelo ambiente. No final, tudo combinado para hoje.

Ponto de encontro em Odivelas às 8:30, uma breve conversa e eu até algo tímido por não estar a 100% no meu ambiente. Depressa passou que nisto de correr estamos 99% do tempo entre amigos, mesmo que sejam recentes. A prova consistia num percurso de 10km que era feito por duas vezes. A mim calhou-me o percurso que era maioritariamente a descer. Obrigado por isso que nos últimos tempos - apesar de provas com algum desnível como os Sinos ou o 1º de Maio - não tenho incluído muitas subidas nos treinos.

Percebemos que eram 23 equipas e embora não tivéssemos qualquer ambição na classificação final era notório que estavam ali elementos muito fortes e não havia ninguém que fosse só para descontrair um pouco como normalmente acontece em algumas provas. Isso preocupou um dos elementos da equipa que embora tenha conseguido fazer o seu melhor tempo aos 5km, não evitou chegar à primeira transmissão no último 23º lugar. (Só soube disso quando acabei a minha parte) Sem stress, quem estava preocupado com a classificação eram outras equipas. Enquanto esperava pela minha vez cheguei a ouvir um dos outros atletas que iam fazer o terceiro percurso dizer que "sabia que ia ganhar, mas que era inadmissível a organização deixar participar atletas federados porque assim há sempre o risco de 4 gajos do Benfica ou do Sporting fazerem uma equipa e ganharem eles." Juro! Só não percebi se ele estava a falar de algum atleta em particular que estivesse a correr. Enfim.

Foi após 52 minutos de espera que chegou a minha vez. Quem me passou o testemunho é um craque. Se no primeiro trajecto fizemos cerca de 31 minutos (a descer) ele no regresso fez cerca de 21 (a subir!) e parti em 16º com um minuto e pouco de atraso em relação à atleta da equipa que ia à nossa frente. Uma coisa que me preocupou a certa altura foi tentar não me perder! Isto quando vamos em pelotão é mais fácil, mas agora as referências que íamos ter eram as marcas no chão para além do trânsito cortado. Haveria polícia e membros da organização suficientes? Havia, mas percebi em conversa com mais gente que isso era preocupação geral.

Como tinha a tal atleta à frente meti na cabeça que o objectivo era tentar não a perder de vista - nem que fosse para saber sempre o caminho! Sendo a descer, arranquei muito rápido e tentei ao máximo manter o ritmo elevado nas partes planas. Também tinha umas subidas mais curtas, atenção. Corri que me fartei - porque descer muito também cansa - e sabia que tinha que deixar tudo naquelas estradas. Cheguei finalmente a Odivelas e no quilómetro final aproveitei a última subida até à última transmissão e ultrapassei-a. Quando acabei estava morto porque foram 5km de sprint quase contínuo, no entanto estava numa fase em que já tinha um ritmo estável e se tivesse que fazer mais 5km faria uma gestão do esforço até ao fim.

Até tinha pensado em regressar pelo mesmo caminho em ritmo de descompressão, mas como havia um autocarro para nos levar até à meta não hesitei, porque o regresso era duro e porque tinha a companhia do primeiro elemento da equipa e não a ia deixar sozinha.

Não sei a classificação final, mas penso termos terminado em 16º na mesma. O último atleta da equipa que eu tinha ultrapassado era muito forte e recuperaram o lugar perdido. Sem stress. Valeu muito pela experiência da estafeta, pelo convívio com o pessoal com quem estive, tanto hoje como ontem. Vou ficar a aguardar novas provas semelhantes para desafiar a malta da equipa. A estafeta para a qual olho todos os anos tem calhado num dia que não é ideal, portanto ainda não a fiz.

As quebras de ritmo são sobretudo as rotundas e as viragens de direcção do percurso.
Ainda não tinha feito nenhuma prova de exactamente 5km e mesmo nos registos intermédios noutras provas maiores nunca tinha feito um tempo destes. É claro que a altimetria ajudou, mas a título pessoal fica mais uma marca que é record pessoal da distância.

Prova 61 - GP Estafetas Vale Grande - Subida às Colinas de Odivelas - 5km - 00:22:16