domingo, 10 de fevereiro de 2019

Corta-mato - ou Crossrun para parecer mais fino

Nota prévia: um mês e qualquer coisa é provavelmente o maior hiato de tempo que estive sem escrever aqui no blog. Coisas da vida, no fundo. Não gosto de estar tanto tempo ausente, mas também não gosto de tanta coisa que acontece. Enfim. The show must go on!


Esta época tem sido deplorável em termos de participação no Troféu das Localidades de Sintra, Cascais e Oeiras. Ou não tenho estado em condições de ir ou há outra prova no mesmo dia ou acontece "a vida" e não dá para marcar presença. Por outro lado, uma colega lançou o desafio de irmos ao Troféu das Colectividades do Concelho de Loures e, de repente, já éramos uns 25 inscritos. Talvez até já sejamos mais nesta altura. Nada mau!

A primeira prova foi este Crossrun Santa Iria da Azóia, uma prova de corta-mato onde nos lançámos de corpo e alma para dar o nosso melhor! E no corpo levámos com uma chuvada em cima, bem ao estilo de "prova molhada, prova abençoada"!

Conseguimos ter atletas na maioria dos escalões, incluindo os mais pequenos. Embora nem todos tenham participado nesta primeira prova, estarão presentes nas seguintes dentro das possibilidades. A participação da primeira mini-atleta até foi... tímida. Ela tem potencial, portanto esperemos que amadureça as ideias, sem nunca esquecer o fundamental que é divertir-se!

Enquanto a vimos correr iam chegando mais colegas, alguns mais prevenidos e munidos de chapéus de chuva que muito ajudaram. Eu mantinha-me com uma série de camadas de roupa para me proteger do frio e à medida que a chova piorava a vontade de dar meia volta e regressar a casa também aumentava. Ainda bem que tinha ido de boleia!

Vieram os escalões femininos e alguns bons resultados na classificação final, mas mais do que isso recebemos também algumas indicações importantes em relação ao percurso. E eu não sabia que duas voltas a um percurso de 2kms podia ter tanta coisa para dizer: "atenção naquela curva porque há imensa lama; lá ao fundo sente-se imenso o vento; naquela zona ainda levam com os ramos das árvores na cabeça; esta subida aqui é tramada"; etc... E no meio disto o sol também aparecia, de forma tímida, até que lá se decidiu a ficar a assistir à prova masculina.

Lá fui para a zona da partida completamente tranquilo. Fora da minha zona de conforto, mas também eram só 4kms. Dada a partida fiquei naturalmente para trás. A minha única ambição era mesmo não ser o último! E mesmo que fosse, paciência. Rapidamente perdi o contacto com os primeiros... e com os segundos... e... fiquei na cauda do grupo, sempre a controlar que tinha pelo menos mais dois ou três atletas atrás de mim. A partir deste momento fui nas calmas, sobretudo nas zonas com mais lama. Se, por um lado, o relógio ainda marcou ritmos de 4:00/km na parte mais rápida do percurso, por outro lado houve zonas em que andei a saltitar delicadamente por cima da lama.

Do lado de fora vinham muitas palavras de apoio, bem como outras que me confirmavam que isto não é mesmo a minha praia. Quando terminei estava visivelmente cansado, mas feliz da vida. Aquele pequeno carrossel de sobe e desce constante deu cabo de mim, mas também deixou exaustos os meus colegas, incluindo os mais habituados a fazer trails. Da minha parte, isto do corta-mato foi engraçado. Não é alcatrão, mas dá para correr depressa de forma constante; teve lama mas não é um trail com descidas loucas que me deixam arrepiado até à ponta dos cabelos dos pés!

Foi assim que saí da minha tal zona de conforto e gostei. Depois da tempestade veio a bonança que nos trouxe dois pódios individuais e uma boa classificação de equipa. Infelizmente já tive que falhar as duas provas seguintes do troféu: uma por ter marcado presença na Corrida Fim da Europa (o relato dessa prova já está escrito na minha cabeça, só falta passar para o papel) e a outra por doença. Seja como for, aquele início do ano marcado por problemas de asma parece estar ultrapassado!


Prova nº 101 - Troféu Corrida das Colectividades do Concelho de Loures - Crossrun Santa Iria da Azóia - 4km - 00:22:03

7 comentários:

  1. Bolas! És mauzinho...
    Sabes bem que estava a meter a leitura em dia depois de uma ausência atribulada... e vens para aqui postar textos às tantas. Venenoso.

    Queres falar de tempo sem publicar, escrever, ler, viver ?! Mudei para o ano 2019 quase sem me aperceber.

    Quanto à tua prova, ainda bem que foste de boleia e que não deu para dares meia volta. Aliás 4km de corta-mato dá-me imensa vontade de fazer, sinto que é completamente fazível.

    A minha parte preferida foi claramente quando andaste a saltitar delicadamente por cima de lama ^^

    Quanto à asma, já falámos, sabes precisamente o que fazer com ela!

    Prova nº 101! Agora vais trabalhar para a prova nº 200! ihihih

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  2. Corridas curtas são terríveis pois tem que se ir a matar o tempo todo!
    A vez que acabei mais ofegante, foi na corrida mais curta que já fiz (3.000)

    Venha o relato da bela corrida do Fim da Europa!

    Um abraço

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  3. "andei a saltitar delicadamente por cima da lama" - minha bailarina! :P

    Parabéns pela prova e por saíres da tua zona de conforto! Não sei porque nos custa tanto fazer coisas diferentes se, por norma, quando acabamos somos sempre felizes!

    Beijinhos

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  4. Ia fazer uma comparação entre "andei a saltitar delicadamente por cima da lama" e um determinado paquiderme a saltitar delicadamente de nenúfar em nenúfar mas não aplica, aahaha.

    E acho que deve ter sido com sapatilhas, perdão, calçado :) de estrada pelo que acredito que não tenha sido nada fácil.

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  5. Primeiro que tudo, é bom saber que estás de volta!

    Depois, parabéns pela prova! Não é fácil fazermos coisas novas, e com esse mau tempo todo, percebo a tua vontade de fugir dali para fora, mas ainda bem que ficaste :)

    No final, só importa mesmo que tenhas gostado (e que não tenhas caído, vá!).

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  6. Meti-me num corta mato logo no meu inicio da minha vida de corredor na começo da década de 80 foi a minha segunda ou terceira prova. E aquilo não era um corta mato mas um corta lama, um terreno baldio cheio de lama pois tinha chovido imenso na noite anterior. E eu a ver atletas a "serio" a colocar sapatos de bicos! Escusado será dizer que foi a única prova onde também pratiquei "patinagem artística" isto para não falar da altura em que enterrei uma perna quase até ao joelho! No final o "banho" era num enorme charco onde o atletas tentavam, minimamente, tirar a lama das pernas! :) Parabéns pela vossa excelente prestação.

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