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sábado, 28 de dezembro de 2019

Diz que...

... aos vinte e cinco dias do mês de novembro de dois mil e dezanove, voltei a abrir este blog e a escrever umas linhas.

O que é que aconteceu desde as Lampas?


Uma noite de bifanas em Tagarro:

Prova nº 120 - 10km de Tagarro - 10km - 00:54:25



Um trail. Sim, o meu trail anual! Sem quedas!

Prova nº 121 - Trail da Base Aérea da Ota - 15km - 02:06:48


Uma Maratona, que merecia bem mais que uma simples linha.

Prova nº 122 - Maratona de Lisboa - 42km - 04:40:04


Outro trail, onde estava inscrito nos 15km e acabei por optar por fazer a caminhada.

Prova nº 123 - Alverca SkyRace - 9km - 01:50:07


A única prova onde me lembro que sou totalista, mas não de forma oficial porque a fiz com um dorsal emprestado num ano.

Prova nº 124 - Meia Maratona de Évora - 21km - 02:09:48


E assim se completaram 1740 quilómetros, divididos por 43 provas de 10 quilómetros, 16 provas de 15 quilómetros, 25 meias maratonas, 5 maratonas e 35 outras provas em distâncias menos convencionais. Se não falar sobre as cinco provas deste post em mais detalhe, pelo menos já posso fechar 2019 de forma tranquila.

E sim, comecei a escrever este post na ressaca da Meia de Évora, com a voz ainda trémula e a saborear o sal das lágrimas que me começaram a correr pela cara nos metros finais e que se prolongaram por largos minutos após cruzar a meta e termino-o mais de um mês depois, ainda sem saber muito bem como absorver todas as sensações de ter estado do lado de fora das grades durante a São Silvestre de Lisboa neste fim de tarde solarengo.

Se não nos virmos antes, bom 2020!

terça-feira, 18 de junho de 2019

Não estou morto, mas quase...

Não escrevo desde Madrid. Já nem vos contei a parte de turismo. Paciência...
Não tenho acompanhado os vossos blogs, portanto também não posso esperar que venham agora aqui todos a correr para me dizer alguma coisa. Eventualmente tenho visto umas coisas nas redes sociais.

O que tenho feito são provas, intercaladas com poucos treinos. Enfim, mesmo assim não me posso queixar dos resultados.

Fica aqui um resumo de onde tenho andado nestes últimos tempos, mas sem relatos daqueles que vocês acham bons, desculpem. Esses voltarão, um dia, eventualmente.

Até lá, bons treinos, boas provas! Desfrutem de cada corrida, de cada vez que calçam uns ténis.


Prova nº 110 - Troféu Corrida das Colectividades do Concelho de Loures - Corrida "Rota do Queijo" - 8km - 00:46:46

Prova nº 111 - Corrida Cidade de Alverca - 10km - 00:53:23

Prova nº 112 - Marvila Run - 10km - 00:50:38

Prova nº 113 - Corrida Nocturna Odivelas - 6,2km - 00:31:11

Prova nº 114 - Corrida Solidária Hovione - 10km - 00:50:32

Prova nº 115 - Troféu Corrida das Colectividades do Concelho de Loures - Rampa do Moinho - 4km - 00:20:14

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Antes só vinho que mal acompanhado

"Cesto!!!" - gritaram os 5 ou 6 miúdos que estavam a aplaudir junto ao caixote do lixo após o habitual abastecimento de vinho tinto durante a prova. Pois que este ano o copo até estava muito cheio e eu parei e bebi-o todo de penalty antes de o atirar com convicção lá para dentro sem ter noção que tinha público a observar-me. Arrependi-me logo a seguir porque até me custou a respirar quando voltei a correr. Não faz mal, ir à Scalabis e não beber vinho é como ir a Roma e não ver o Papa. Festejei com eles e com aquela família toda e segui viagem pelas ruas de Santarém, onde me sinto sempre muito bem a correr.

Dou um salto rápido até à meta: foi a minha pior Scalabis das quatro que já fiz, mas se alguém me tivesse dito antes da prova que eu ia fazer abaixo dos 52 minutos eu assinava logo por baixo e ia beber copos para a Taberna do Quinzena em vez de correr.

E agora volto atrás, que isto é um recurso de estilo muito usado na literatura e fica sempre bem. Este ano éramos seis atletas presentes em Santarém. O dobro do ano passado, mas metade dos que já fomos noutros anos. Esta contabilidade, no fundo, apenas serve para encher mais um parágrafo do texto e para parecer que escrevi muito.

Fomos cedo, como bem gostamos, para sentir a cidade, o espírito da prova, para levantar os dorsais nas calmas, passear um pouco, comer e beber e apoiar a malta da caminhada antes de nos equiparmos para a nossa epopeia. E foi isto.






Infelizmente o lanche ajantarado caiu mal a uma das nossas colegas e a prova dela acabou por não correr de forma tão agradável como esperado. Um pequeno contratempo que espero não lhe retire a vontade de voltar porque tudo o resto correu às mil maravilhas, entre convívio e fotos e mais convívio. É que para além do abafadinho na TasCá (nome mais original de sempre para uma tasca) havia sobremesa e mais umas coisinhas para encher o copo na mala de um dos carros. Como no caminho nos juntámos a outra equipa de amigos, a festa foi a dobrar. Já nem era preciso correr, realmente.

Se há coisa que eu não gosto de fazer é aquecer antes das provas. Um misto de preguiça com uma desculpa esfarrapada que me vou cansar ainda antes de começar a correr... Mesmo assim ainda fui puxado para um aquecimento e uma corridinha ligeira até ter parado num banco junto da ET. Lá ao fundo vejo duas figuras a acenar na nossa direcção. Pitosga como sou - e ainda por cima à noite - não tinha a certeza se era para mim. Pareceu-me reconhecer a Agridoce, mas quem raio estava ao lado dela? Era a Fabiana, descobri eu quando elas vieram ter connosco, provavelmente por terem achado que estavam a acenar para o boneco. Gostei imenso de vos ver e de falar um pouco das nossas aventuras deste fim de semana. Obrigado por todas as dicas sobre Madrid!

E sim, depois houve mesmo uma corrida. Lá fui eu para um bloco de sub-50 que já sabia que não ia conseguir atingir no final, mas não estava preocupado com isso. Queria era chegar bem e pronto. O percurso foi aquele que já conhecíamos, com uma ligeira alteração porque passámos na rua ao lado da meta em vez de passar por baixo do pórtico após completar uma pequena volta inicial. Depois foi o normal com a passagem por vários sítios emblemáticos da cidade - para além do abastecimento de vinho, o tal aos 3,5km.

Até essa altura estava a conseguir manter um ritmo a rondar os 5:00/km e decidi continuar para ver até onde aguentava. Foi até ao vinho. Depois disso acabei por baixar o ritmo e penei ali um pouco até meio da prova e só após os 5km consegui voltar a sentir-me bem. Ter tomado um gel nessa altura pode ter ajudado, nem que seja psicologicamente. O que sei é que raras foram as vezes em que olhei para o relógio e lembro-me de o fazer exactamente a meio porque dois atletas atrás de mim estavam a questionar-se quanto tempo estariam a fazer à passagem pela placa. 26 minutos, disse-lhes eu.

Na segunda metade senti-me verdadeiramente tranquilo e bem. As subidas não me incomodaram propriamente, não senti cansaço e mantive-me sempre satisfeito com aquilo que estava a fazer. Entrei em modo cruzeiro até ao final enquanto ia olhando em redor à procura de caras conhecidas tanto do meu lado como do outro lado da estrada nos retornos. Entrando no último quilómetro aumentei novamente a velocidade, sobretudo ao chegar à meta e apanhar novo banho de gente e algum apoio de colegas que já tinham terminado. Ter olhado para o cronómetro também ajudou, para ficar abaixo do minuto 52.

A prova estava longe de estar concluída. Voltei atrás, mas antes disso perdi-me em (mais que) dois dedos de conversa com um grupo de amigos de outra equipa. Um deles pegou no filho e ia também regressar para trás para ir buscar a mulher que estava a completar os seus primeiros 10km. No meio da distracção, esqueci-me de meter o relógio novamente a contar mas percebi que fiz mais 5km de descompressão neste momento de "ninguém fica para trás". Enquanto ainda não tinha encontrado a ET - que na altura já estava acompanhada pelo gajo e por outro colega nosso - uma atleta ainda em prova meteu-se com a amiga do lado que tinha parado para alongar, mas a falar sobre mim:

"- Olha este filho da mãe já acabou! E aposto que já comeu a bifana também!"
"- Já acabei sim, mas ainda não comi nada! A prova só termina quando a equipa toda passar a meta!"
"- Maravilha, é isso mesmo! Então vai até lá atrás e pergunta pela Luciana que nós estamos à espera dela!"
"- Oh LUCIAAAAAAAAAAAAAAAAAAANA!!!"

E foi isto. Aparentemente ela estava mesmo ali ao pé. E logo a seguir vinha a ET e a sua guarda de honra à qual eu me juntei. Aproveitei para comentar com a tal atleta: "Olha, estes dois também já acabaram!" Ela continuou a chamar-nos filhos da mãe, mas sem malícia, sempre com boa onda e seguimos mais ou menos em grupo até perto do final.

Era um momento importante para a nossa extra-terrestre - que ainda não escreveu o seu relato da prova! - e já dentro do quilómetro final estávamos os seis a correr juntos até ao final. Descobri entretanto que eu fui o único a passar a meta com ela porque o resto da malta encostou às grades e saiu antes. Foi (mais) uma chegada simbólica, das muitas que já temos tido ao longo destes anos. Outra para ficar guardada no baú das memórias!

Bifaaaana! Imperial, pampilho! Vamos a isso!
Na verdade, nunca tenho muita fome depois das provas, mas soube mesmo bem! Inventámos uma mesa e ficámos a reviver a prova que tínhamos acabado de fazer até se levantar um vento muito frio que nos fez querer regressar depressa aos carros. O rescaldo era bom, com o Gajo a ter batido o seu record aos 10km com uma marca que ele já andava a perseguir há algum tempo. Agora temos ambos o nosso melhor tempo na distância em Santarém!

Pelo caminho, nova prova que eu não posso sair de casa em dias de corridas...
"N.!"
"N. sou eu e vou-te cumprimentar mesmo sem te conhecer!"

Era uma escalabitana que me reconheceu de um grupo em que ambos estamos ali na rede social onde já tinha perguntado se alguém ia marcar presença. Eu acusei-me e no meio de tanta gente ela conseguiu descobrir-me naquela altura.

E pronto, tudo actualizado, finalmente. Só falta meter aqui o meu histórico da prova.



Agora venha de lá Madrid...!

Prova nº 108 - Scalabis Night Race - 10km - 00:51:57


sábado, 5 de janeiro de 2019

Cem Silvestre de Lisboa

A minha centésima prova! E um trocadilho à maneira para celebrar, que tal?

Vocês sabem lá o que isto custou! As 100 provas? Não, conseguir que a centésima fosse a São Silvestre só para poder fazer este trocadilho! Foram meses de treino, caramba!

Não é habitual demorar tanto tempo para escrever o relato de uma prova. Aliás, se não fosse a minha actual debilidade respiratória que mencionei no post anterior, teria hoje feito em Marvila a prova 101. Fica para a semana, espero eu.

A São Silvestre de Lisboa tem sido nos últimos anos uma prova obrigatória, mas sempre para o convívio. Desta vez não foi diferente. Éramos 26 no total e, fruto disso, enquanto responsável pela equipa, fui contactado pela HMS e tivemos o privilégio de receber os nossos kits mais de uma semana antes de serem distribuídos aos atletas em geral. Quando fizemos o treino de Natal da equipa no dia 22 de Dezembro deu para entregar quase todos os kits ao pessoal. A única recomendação era não partilharmos fotos da camisola nas redes sociais antes do dia 27. Fica aqui um agradecimento à organização pela atitude pro-activa e por este gesto para as equipas mais representativas na prova.

O ponto de encontro antes da prova foi na Fábrica dos Pastéis de Nata. E no final também, para manter a tradição iniciada no ano passado. Foi por lá que começou a festa que durou bem mais que os 10km da prova. Fotos e fotos antes de rumarmos até aos respectivos blocos de partida e, antes disso, fiz um pequeno discurso de agradecimento a todos os que estavam ali e que contribuíram para eu chegar às 100. Muitos mais deveriam estar ali, muitos mais estiveram comigo neste percurso que começou de forma oficial a 7 de Junho de 2012 na Corrida de Santo António, mas que só se desenvolveu a sério a partir de 2015. Fica a curiosidade de ter completado esta marca praticamente no mesmo sítio onde comecei.

Em termos de prova, num mundo ideal seria o palco para eu fazer um brilharete do caraças e bater o meu record pessoal. Sabia que isso era irreal, mas ia tentar começar forte nos primeiros quilómetros e ver o que aquilo dava. Deu para três e percebi logo que até ia ser difícil honrar o dorsal sub-50 que tinha. Reparei agora que já não fazia provas de 10km desde Agosto, em Tagarro, e até essa já foi na reentrada pós-verão numa altura em que o foco já estava todo na Maratona.

Comecei bem, sim, mas sempre acima dos 4:45 que era o ritmo sonhado até chegar ao Terreiro do Paço para depois ter folga na subida. Ao fazer o retorno tirei da cabeça quaisquer ambições fantásticas e fui a curtir a prova e a ver quem tinha em redor. Algumas caras conhecidas, obviamente! (Aliás, antes e depois da prova eu tive bastante dificuldade em andar sem me cruzar com amigos. Gosto tanto quando assim é!)

Fui sempre próximo do mesmo grupo de atletas e reduzi o ritmo. A certa altura fui em conversa com algum pessoal e vejo, de forma inesperada, o Duarte que foi um dos meus companheiros de pódio em Novembro nos 5km da Luzia Dias. Percebi que ele estava a fazer a prova em ritmo de treino porque o objectivo dele era a São Silvestre da Amadora. Fomos na conversa largos quilómetros e foi bom para ir tranquilo, sobretudo ao passar o empedrado após o Cais do Sodré. 


Nessa zona - e pelo Rossio acima até à Avenida da Liberdade - muitos eram os espectadores do lado de fora da estrada a ver os atletas a passar. Como habitual pedi palmas e barulho. Uns quantos "Toca a bater palmas, Lisboa!" e outros gritos semelhantes foram retribuídos com alguns "Animo, venga!". Foi um bom treino para Madrid, claramente! Salvam-se as crianças, sempre prontas a esticar a mão a quem passa!

A ideia ali era subir sempre abaixo de 6:00, objectivo que foi cumprido quase na íntegra. O Duarte ainda estava por ali, agora na companhia de um colega de equipa. Ele estava a guardar-se para o quilómetro final. Eu também estava à espera desse momento para me soltar e tentar recuperar alguns segundos perdidos. Comecei a descer a todo o gás por ali abaixo, mas nunca consegui manter um ritmo elevado. Também já tinha olhado para o relógio e sabia que o tempo ia ficar longe dos 50 minutos, portanto a única ambição que me restava era fazer o meu melhor tempo na prova, algo que consegui por larga margem. Valha a verdade, sempre tive marcas muito dispares na São Silvestre. No ano passado, por exemplo, fui a acompanhar uma colega a ritmo de 6:00 até ao Marquês e depois deixei-a sozinha no último quilómetro e voltei para trás.

O sprint final permitiu-me, pelo menos, fazer abaixo do minuto 52 e fiquei tranquilo com esse tempo. Na meta tinha alguns colegas à espera, o que permitiu logo fazer uma série de fotos, até porque naquele momento foram chegando outros que vinham no meu encalce. Depois fomos para lados diferentes. Um dos meus colegas teve, infelizmente, que ir embora; outros foram até aos carros e novamente até ao ponto de encontro no final e eu... voltei para trás. Fui praticamente até ao Terreiro do Paço ter com um trio de colegas que estava a fazer a prova a "corrinhar".

Ficaram surpreendidas por me verem ali, uma delas até me perguntou onde é que eu tinha arranjado a maça que levava na mão porque não tinha percebido que eu já tinha acabado. Só acreditou mesmo quando lhe mostrei a medalha! Fomos em amena cavaqueira até ao final, com umas pausas para fotos pelo caminho. Nesta brincadeira, acabei por fazer mais 4,5km depois de terminar. E foram fantásticos! Lembrei-me imensas vezes da minha chegada à meta em 2017, em óptima companhia. Queria muito ter repetido esse momento em 2018, mas ficará para uma próxima oportunidade!




No final, ainda fomos a tempo de chegar aos pastéis de nata, embora outro grupo de amigos me tenha tentado desviar para a ginjinha. Para o ano vou a ambos os lados, pronto!

Ficou assim acabado mais um ano de corridas. Com a centésima no bolso! Estou muito orgulhoso e em breve farei um ligeiro resumo do que foram estas cem corridas. Em relação à São Silvestre de Lisboa, fica aqui o meu histórico de participação na prova.



Prova nº 100 - São Silvestre de Lisboa - 10km - 00:51:54

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Tagarro 2018

Voltei a Tagarro e abri a época 2018/2019. Ou, visto por outro prisma, abri o semestre das provas longas. E comecei logo com... uma prova de 10km! Grande maluco!

Depois de 2016 e 2015, foi a minha terceira ida a esta prova. E já nem vale a pena falar do ambiente da prova, da festa no final, das ofertas da inscrição, etc e tal. Basta ler o post do ano passado - ou qualquer outra pessoa que fale sobre a prova - para se ver o espanto que é o conteúdo do saco da prova e a alegria na localidade em torno da prova. Quando somos bem acolhidos a vontade de voltar aumenta e, assim sendo, se a prova se mantiver no calendário em 2019 lá estarei.

Parti sem qualquer ambição de tempo. Cheguei ao fim da prova sem me lembrar dos tempos lá feitos anteriormente, portanto nem sabia se tinha feito melhor ou pior. E não estava preocupado. Tal como em 2016 esta prova marca o regresso depois das férias e a partir daqui o foco é novamente nas provas longas, com o objectivo maior de tentar completar o tri na Maratona do Porto, sem esquecer a Meia Maratona dos Descobrimentos que me toca ao coração e onde quero chegar em boa forma. Veremos se há pernas até lá.

Ora, como não tinha objectivo de tempo para sábado acabei por arrancar a um ritmo confortável e claramente acima do que seria o meu melhor na distância. No início da prova, por dentro das ruas da aldeia estava mais preocupado em olhar para o público, receber o apoio que vinha de fora e, acima de tudo, divertir-me no que estava a fazer. Mesmo assim, vi depois que estava a correr na casa dos 5:10m/km, embora a sensação fosse que ia bem mais devagar. 

Foi, curiosamente, ao chegar à longa recta na zona da estrada nacional, na parte mais plana do trajecto, que acabei mesmo por abrandar o ritmo. 5:20, 5:30 e na subida que leva à primeira passagem pela meta 5:40. Percebi que estava na ronha quando deixei de ver colegas que têm um ritmo semelhante ao meu e depois quando fui ultrapassado por uma outra atleta minha amiga que eu sei que tem um ritmo habitual mais lento que eu. Continuava sem estar preocupado, mas começava a achar que a manter-me assim nem sequer ia conseguir acabar a prova a tempo de ver a segunda parte do derby que estava prestes a começar.

Depois veio o processo inverso. Entre os 6 e os 7 quilómetros voltei a acelerar e nessa altura tirei do bolso o gel que levava para experimentar e que tinha planeado tomar a meio da prova. Mais uma vez, não para me dar um rendimento por aí além, mas para testar em termos de sabor, eventuais efeitos secundários, etc. É da Prozis, já agora, e acabei resolver mesmo mudar de marca, agora que acabaram os da MyProtein que andava a usar antes.



Terá sido o gel a fazer efeito? De forma real ou apenas psicológica? Terei sido eu a cansar-me de andar àquele ritmo? Terá sido uma outra questão qualquer de "brio"? O que quer que tenha sido, resultou. Acelerei a partir dessa altura e, mais importante, senti-me bem. O meu quilómetro mais rápido foi o 9º. Num ápice "fui buscar" a minha amiga e acabei por ultrapassá-la entre os 8 e os 9 quilómetros e fiquei a poucos segundos da tal malta que tem um ritmo semelhante ao meu e que eu tinha perdido de vista há alguns quilómetros atrás. Deu para perceber que podia ter dado mais e acabei claramente com muita energia ainda no tanque. Podia ter feito melhor, mas não era importante. Pensando agora, se tivesse ido mais rápido a meio da prova, até tinha dado para ter acompanhado e até tentado puxar um pouco por um dos elementos da equipa. Paciência.

No final, depois de todos terem passado a meta em grande estilo e com um sorriso na cara, veio a festa que valeu por cada segundo. Excepto a meia hora de stress que tive a tentar acompanhar o final do jogo, pronto. Desculpem-me o vício...! Mas com futebol ou sem futebol, houve pódios e medalhas para tentar aplaudir, que isto de bater palmas ao mesmo tempo que se conforta o estômago com umas valentes sandes de porco no espeto e vinhaça da boa não é fácil. Esta segunda parte da prova não é para meninos, atenção!

E depois do jogo ainda houve mais animação, mais amigos a cruzaram-se no meio das tasquinhas. Houve Licor Beirão para aquecer porque o sol já tinha desaparecido há muito e o vento que estava durante a tarde manteve-se à noite. Houve prémios cómicos nas rifas - porque uma pessoa já sabe que lhe vai sempre sair uma prémio meio inútil mas diverte-se sempre a desenrolar os papelinhos e sabe que aqueles poucos euros que gasta vão ajudar. No final houve, acima de tudo, a promessa de voltar e de fazer novamente a festa no meio da festa. Porque isto da corrida é muito mais do que apenas correr.

Próxima paragem: Meia Maratona das Lampas!

Prova nº 90 - 10km de Tagarro 2018 - 10km - 00:53:21

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Corrida Volkswagen

Se há uma palavra que pode definir o que tenho sentido desde o Douro Vinhateiro, essa palavra é "ressaca". Desde então até ontem, apenas tinha corrido uma vez, num evento que fizemos em Lisboa e apesar de ter sido um treino com alguma altimetria, foi sobretudo uma brincadeira para o convívio com bastantes paragens para fotos de grupo.

Conheço perfeitamente este processo de ressaca, já tinha passado por ele logo a seguir à primeira maratona. Uma pessoa está muito focada num objectivo e quando ele está concluído (e felizmente com muito sucesso) rebenta aquela bolha de excitação que andou a crescer gradualmente até ao dia 27 de Maio. Já reconheço os sintomas e sei lidar com eles melhor, o que não invalida que não pudesse ter feito mais para lutar contra esta inércia consciente que se gerou.

Mas não foi tudo, não senhores. Neste fim de semana em particular houve outra "ressaca", aquela causada pelas jolas (a minha nova palavra favorita) no sábado à tarde e pelo vinho branco no jantar de aniversário de sábado à noite. Juntemos a isto algum desleixo durante estes últimos dias (hei-de fazer um post sobre as "actividades extra-curriculares" que tenho feito) e lá fui eu em bonitas condições correr no domingo a Palmela. As provas do crime:




Ora, era suposto em Junho a minha única prova ser a das Fogueiras, mas para além da questão do Challenge 3000 que já aqui abordei, também tive o privilégio de receber um convite para participar na Corrida Volkswagen através de uma empresa que é cliente de um colega de equipa. E lá fomos nós fazer uma prova que é daquelas que sempre esteve nos meus planos mas na qual nunca tinha participado.

A Autoeuropa é um mundo lá dentro. Não tinha noção da dimensão das instalações e mesmo tendo visto o percurso na página da prova, ainda me intrigava como é que íamos fazer 10km lá dentro. E após ver e rever o mapa, nunca consegui também meter na cabeça o caminho que íamos fazer. Como eu sou uma pessoa muito visual em termos de aprendizagem (obrigado às formações na empresa que me ajudaram a descobrir isto ao longo dos anos) preciso de analisar bem os percursos para me conseguir situar durante as provas e isso ontem nunca aconteceu. Não é grave, pensei, isto nem estava na agenda, é só ir atrás dos outros até à meta.

Fomos 7 elementos da equipa até Palmela, encontrámos lá um oitavo para além de alguns outros amigos. A grande curiosidade era mesmo as passagens pelos corredores junto às linhas de montagem da fábrica e nessa zona éramos brindados também com bastantes aplausos dos funcionários presentes. O tempo estava encoberto e a malta dividia-se entre os que tinham frio e os que não tinham. Eu levei a nossa camisola e vesti por cima a do nosso patrocinador de ocasião, ambas de manga curta, e se havia quem me dissesse que eu ia ter calor, também havia quem achasse boa ideia ter uma segunda camada de roupa. Como ambas as camisolas até têm o mesmo padrão de cor, não estranhei e ambas de acabaram por fundir numa só. Uma coisa certa era que o boné ia servir mais para proteger da chuva do que do sol.

À medida que se aproximava a hora de início da prova, o espírito ia entrando e após os votos finais de boa sorte não foi surpresa que eu tenha começado logo em bom ritmo a tentar fugir à confusão inicial da partida. Apesar do espaço ser largo, havia imensa gente e muitos zigue-zagues. Não tinha nenhuma estratégia definida, para além de dizer ao corpo que aqueles 10km eram a minha punição pelo que tinha andado a fazer nos últimos tempos, portanto era para os fazer até ao fim sem me queixar. Aguenta e não chora, rapaz!
Tentei ir atrás da dupla de colegas mais rápidos e durante os primeiros 3km ainda os fui acompanhando primeiro ali perto e depois cada vez mais longe até deixar de os ver no meio do pelotão. Foi mais ou menos quando percebi que estava a ficar sem pernas para o ritmo a que ia e moderei o esforço. Achei que tinha, pelo menos, ganho margem suficiente para gerir o resto da prova por forma a terminar abaixo dos 50 minutos e honrar não só a nossa camisola mas também a camisola extra que tinha vestida. E lá fui sem pensar em muito mais.

As passagens pelas linhas de montagem foram, de facto, interessantes. Tentando não perder o ritmo ia espreitando em volta para conseguir capturar alguns detalhes do interior e de todas aquelas peças do puzzle que acabam por formar os carros que dali vão saindo. E lá dentro não chovia, ao contrário do que ia acontecendo cá fora. Uma chuva não muito intensa, mas constante que se fez sentir durante um terço da prova, talvez. 
Outro ponto de interesse foi a pista de testes cá fora. Suponho que é o local dos testes dos travões e afins. Mais ou menos como aquilo que encontramos quando vamos com o carro à inspecção, mas ali estendia-se por quase um quilómetro de distância. Foi aqui também que havia um retorno que me permitiu ver praticamente todo o resto da equipa e fazer a festa quando nos cruzámos todos.

Depois deste ponto faltavam 2,5km e era altura de focar na meta que nunca mais chegava. Ao entrar nos pavilhões das linhas de montagem o sinal de GPS tinha sido perdido, portanto era impossível contar com as médias do relógio para saber a quantas andava. Acabou por me marcar 9kms no final da prova. Olhando para o tempo decorrido mantinha a convicção que abaixo dos 50 minutos era garantido e tive essa garantia quando tinha 44 minutos ao passar a placa dos 9kms. Só um infortúnio me faria fazer 6 minutos no quilómetro final e fiz um último esforço para terminar o melhor possível. E consegui.

Depois da prova veio um momento de maior tristeza ao saber que um amigo tinha caído a cerca de 300 metros da meta e veio a confirmar-se depois que fracturou duas costelas. E aqui veio um daqueles momentos de entre-ajuda que me faz orgulhar de estar neste mundo. Quem ia mesmo atrás do nosso amigo era o meu mentor que ia a acompanhar uma colega nossa rumo a um bom tempo, mas pararam imediatamente para o ajudar e foram chamar ajuda da organização (para além de entrarem logo em contacto com a mulher dele que aguardava na meta) e só o deixaram quando já estava na companhia dos bombeiros. Provas há muitas e foi mais uma confirmação de que aprendi tudo o que sei com a pessoa certa.

Aprendi - ou recordei - também outra lição. Logo na meta percebi que a nossa enfermeira bateu o seu record aos 10km e vendo os resultados mais a frio percebi que o mesmo aconteceu com um dos colegas mais rápidos que eu (ou com ambos até, não tenho a certeza). Para além da muita felicidade pelos resultados deles fica no ar a ideia que eu poderia ter conseguido o mesmo se não tivesse andado mais na balda nos últimos tempos. É que olhando para o meu próprio resultado final acabei por não ficar nada longe. Obviamente que não tenho nenhuma obsessão com os tempos e esta prova nem fazia parte do calendário, mas é a prova de que não podemos/devemos baixar a guarda em nenhum momento porque há oportunidades que aparecem que podem ser únicas e temos que estar preparados para as agarrar com ambas as mãos ambos os pés. Por outro lado, há mais da vida para além das corridas, portanto não me arrependo de nenhum dos momentos de lazer e de nenhuma das jolas. Mal seria se assim fosse. Venham mais: corridas e jolas! Já disse que jolas é a minha nova palavra preferida?

Prova nº 88 - Corrida Volkswagen 2018 - 10km - 00:48:42


terça-feira, 22 de maio de 2018

Alverca

"Eh pá, tanto tempo de preparação e isto acaba tão depressa...!"

Foram as minhas palavras para o Gajo da ET à entrada para o sétimo quilómetro, já na zona da pista de aviação, numa altura em que íamos lado a lado. Ele acabou 3 ou 4 segundos à minha frente e à hora de almoço jurou-me a pés juntos não se lembrar do grande abraço que demos depois da cruzar a meta. Na verdade - e já escrevi isto antes - é demasiado redutor resumir a prova ao tempo que demorei a concluí-la. Podia fazer aqui uma descrição ao pormenor de todos os quilómetros desta prova, mas poupo-vos a seca.

Se há provas que ficam no coração, esta é uma delas e a deste ano em particular. Quem já teve o privilégio de estar na organização de uma prova - ou de qualquer outro evento - sabe bem que existe uma linha ténue entre o prazer que dá trabalhar em prol dos atletas que tem sempre que superar o cansaço físico acumulado ao longo dos dias, das semanas, dos meses. E sim, acaba tudo demasiado depressa.

Fui convidado pelo segundo ano consecutivo a fazer parte do staff da prova. Este ano com funções mais alargadas - algumas por minha culpa porque quis fazer mais do que me foi pedido - que me trouxeram mais dores de cabeça que o que eu gostaria, mas que me deram um prazer enorme a organizar. Eu, que prefiro sempre ficar no meu cantinho e passar despercebido, dei a cara de forma mais activa e a partir de certa altura, semana após semana, recebia o retorno em dobro. Fiquei de coração cheio.

Na semana anterior fiz zeroooooo treinos!
Na véspera da prova houve jantar de aniversário no restaurante mexicano, com jalapeños e margaritas.
Às 7:15 de domingo já estava ao telefone a ser informado que um dos meus projectos para a prova iria falhar, por culpas alheias. 
No resto da manhã ainda estive a entregar e a coordenar a equipa que entregou os últimos dorsais e kits. Dez minutos antes da partida, já depois de despir a camisola de staff e de vestir a de atleta participante, ainda estava ao telemóvel a dar umas informações e indicações finais.

Quando dei por isso já estava a correr e uns 7 ou 8 minutos depois - 49:28 para ser mais rigoroso - estava a cruzar o pórtico da meta. Passou demasiado rápido, mas não tinha acabado. A cada passo que dava encontrava caras conhecidas, caras amigas, abraço, beijinho, feedback positivo, feedback de áreas onde houve falhas (porque as houve, obviamente!), telefonemas para aqui e para ali, entregas de prémios, pódios, sorrisos, muitos sorrisos, conhecer ao vivo e a cores malta com quem até ali só tinha falado por telefone/e-mail/mensagem. Enfim, uma sucessão infindável de acontecimentos que, infelizmente, passaram demasiado depressa. Ainda agora estou demasiado eufórico a falar e a pensar em tudo isto.

No fim, uma certeza: repetia tudo novamente já a partir de amanhã!
Se me quiserem, regressarei com todo o gosto em 2019! 

E a prova? Fiz sub-50 pela primeira vez, aproveitando a boa onda do mês de Maio que não foi quebrada pela semana mais cansativa e aproveitando também o percurso linear com altimetria negativa por não fazermos a subida final que nos levaria à zona da partida e onde estava também situada a meta nos dois anos anteriores. Numa prova que teve sempre percursos diferentes em todas as edições o meu histórico é:

2015 - 00:59:54
2016 - 00:50:14
2017 - 00:51:17
2018 - 00:49:28

Agora vamos ao Douro Vinhateiro para desempatar o jogo a meu favor!

Prova nº 86 - Corrida Cidade de Alverca 2018 - 10km - 49:28

domingo, 13 de maio de 2018

Um avião na Hovione

Segundo fim de semana da Maio, segunda prova. Desta vez rumei a Loures para participar na segunda edição da Corrida da Hovione. Uma viagem não muito longa e um preço convidativo são bons cartões de visita. A isto junta-se uma caminhada gratuita (e solidária) e uma organização me pareceu e qualidade e que se mostrou atenta, nomeadamente na decisão de atrasar a corrida em alguns minutos (primeiro dez, mas depois foram só sete) por causa de um atraso no início da caminhada e que faria com que os atletas de ambas as vertentes fossem colidir a certo ponto. É claro que poderiam ter pensado nisto de antemão e dar logo tempo suficiente para eventuais atrasos, mas também podiam não ter tido este cuidado.

Do que não gostei - digo já - foi da distância marcada pela generalidade dos relógios na prova, todos a rondar os 9,8km. Por outro lado passámos num túnel que pode sempre fazer mossa no GPS e foi-me garantido por quem treina por ali que na zona do LoureShopping por onde passámos o GPS também costuma falhar. Mas, e há aqui um bom mas, também encontrei já registos de 10km medidos certinhos. Também não gostei do pacer dos 5:00/km e aparentemente a pacer dos 6:00/km também não foi certinha como se pedia. Senti que o pacer dos 5:00/km foi irregular no andamento. Passou-me algumas vezes - e eu a ele de volta - e em algumas zonas quase que parecia parar. Já vi esta questão ser abordada ali na rede social e reconheço que deve ser um papel complicado, mas super interessante.

E porque reparei eu tanto no pacer? Porque a partir do momento em que vi que havia pacers que o objectivo de fazer sub-50 ganhou mais força e a ideia era sempre chegar antes dele. E consegui, apesar de nos termos ultrapassado mutuamente algumas vezes.
Nesta fase fazer sub-50 é, felizmente, o objectivo normal para uma prova de 10km, no entanto já me tinham deixado algo apreensivo por causa do percurso e da altimetria, nomeadamente a subida que rumava precisamente à Hovione e que estava colocada a meio do percurso. Ainda hoje assim que cheguei a Loures foi logo a primeira coisa comentada pela amiga com quem me cruzei. Eu rematava que depois havia retorno e teríamos oportunidade de descer, caso houvesse pernas para isso. Havia também outra subida aos 8km... mas depois era sempre a descer até à meta.

O dia prometia sol, apesar de estar um vento fresco de manhã, que foi desaparecendo à medida que se aproximava a hora da partida. Chegámos bastante cedo, fruto de termos uma boa parte de participantes que fariam a caminhada e teriam que apanhar os autocarros disponibilizados para se deslocarem para a zona da sua partida. Depois disso, o tempo foi passando rapidamente entre aquecimento e convívio entre nós e com malta amiga com quem nos íamos cruzando. Tendo em conta que um dos colegas de equipa presente é funcionário da Hovione ele ia falando com muitos colegas que estavam a tratar dos últimos preparativos.

Ao começar a corrida partilhei que ia experimentar uma estratégia que é adoptada por um amigo: tomar um gel logo de início para fazer os 10km. Acho que a única vez que tomei um gel numa prova desta distância foi aos 5km da São Silvestre dos Olivais por ter rebentado na primeira metade. Como a partida adiou optei por aguardar e tomar à passagem do primeiro ou segundo quilómetro quando já estivesse num ritmo certo. O início foi confuso, até porque parti muito atrás, mas consegui ir ziguezagueando até chegarmos a uma zona onde a estrada era larga. Comecei a pensar então em tomar o gel que tinha colocado no plástico do dorsal e que já me ia a irritar por estar a abanar tanto. Quando fui pegar nele... tinha rompido o plástico e caído algures naquele primeiro quilómetro sem que eu tenha dado por isso. Paciência, testo esta estratégia noutro dia.

Fui mantendo um ritmo controlado com o tempo geral sempre abaixo dos 5:00/km até chegar à tal subida onde o ritmo piorou e onde o pacer me passou pela primeira vez. Fui atrás dele e assim que se deu o retorno deixei-o largamente para trás. E como sempre nos retornos: olhos do outro lado da estrada porque há amigos (muito) mais rápidos e outros menos velozes a quem eu faço sempre questão de dar uma palavra de força e apoio.

Mantinha-me confiante à medida que os quilómetros iam passando. Música nos ouvidos, sol a bater na cara, amigos espalhados algures pela estrada fora, poucos sinais de cansaço. Tudo ok, preparado para deixar tudo no alcatrão na última fase da prova. E, de repente, assusto-me ao ver... o pacer dos 5km ultrapassar-me e eu a não conseguir encostar a ele. Já agora, nem eu, nem ninguém. Estávamos na zona da Igreja de Santa Maria onde havia um largo para darmos a volta e muito empedrado. Foi no final desse largo que apanhei novamente o pacer que me confirmou estar um pouco mais rápido que o ritmo esperado. Eu segui - mais caras amigas do outro lado ainda a tentar chegar ao retorno.

Era hora da outra subidinha mais complicada, mas... nem correu mal. E no final ouvi que agora era sempre a descer até à meta. Meti o turbo e levantei voo. Olhei para o relógio e vi que o sub-50 estava mais do que garantido portanto agora era só fazer o melhor possível. E esse melhor ficou a poucos segundos do meu record pessoal! Quando entrei na reta da meta vi o que marcava o relógio oficial e acelerei ainda mais até passar o pórtico. Se a prova não tem os 10km certos, paciência, a culpa não é minha. O tempo final há-de ficar registado e o objectivo de mais um sub-50 estava no papo. Festejo ao cortar a meta e encaminho-me para receber as ofertas finais: medalha, água, maçã e um sandes de carne assada que foi uma surpresa agradável. Só falou estar uma banca de imperiais no jardim junto com todas as restantes actividades programadas para a tarde.

Logo a seguir chegou outro colega de equipa a quem eu rapidamente pedi que ficasse com as minhas coisas. Ele acedeu e eu voltei atrás para ir buscar uma amiga. Ao entrar em sentido contrário na prova vi que o resto da malta da equipa estava bem e que não precisavam de reboque, mas ela precisava de um estímulo extra e ele apareceu. Aliás, eu apareci. E viemos juntos a voar também até à meta. Missão cumprida!

Seguiram-se algumas fotos, uma ida ao pódio ver a entrega de troféu a um amigo e estava na hora de regressar, embora o tempo e o ambiente convidasse a um piquenique no parque da cidade. Fica para a próxima. Em resumo: convívio, bom tempo e boa marca num percurso com altos e baixos. E falando no percurso, achei-o nem sempre agradável à vista com passagens por zonas nem sempre interessantes e por algumas vias meio secundárias. Seria o percurso possível ou era mesmo tudo o que Loures tem para oferecer?

Próxima paragem: Alverca

P.S: Tendo ou não os 10km, fica registado como a minha terceira melhor marca na distância. E caramba, sempre é melhor ter uns metros a menos do que ter 12,5km como outra prova - de 10km - que se realizou hoje em Lisboa...!

Prova nº 85 - Corrida Hovione 2018 - 10km - 48:31

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Scalabis

"Olha lá, tu percebeste que era eu quando te cruzaste comigo no primeiro retorno? É que ias a dar high-5 a toda a gente que nem deves ter visto quem eu era!" - perguntava-me a minha colega de equipa depois do final da prova. É que eu falei com tanta gente, antes, durante e depois da prova que já podia estar em modo de piloto automático e nem reparar com quem estava a interagir. Mas sabia, claro que sabia!

A Scalabis Night Race tem sido um turbilhão de emoções para mim. Da primeira vez que fui acabei a prova e senti um vazio tremendo causado pelo meu estado de espírito na altura, apesar de ter ido com imensa companhia. No ano passado fui lá vingar-me e bater o meu record pessoal aos 10km (48:18) que ainda é o actual. A comitiva presente foi novamente muita, mas muito diferente para melhor. Isso notou-se no resultado final. Este ano fomos poucos, mas novamente bons. Ia com ideia de atacar o record, mas com a noção que a minha forma em Abril do ano passado era melhor que a actual.

O dia acordou chuvoso mas acabou por melhorar gradualmente e à hora da chegada a Santarém estava uma temperatura até bastante agradável. Dorsais levantados, jantar e primeiros encontros com amigos e conhecidos. O ambiente pela cidade era de festa, como sempre. As ruas estavam cheias de gente e havia imensa animação. Tudo isto ajuda a entrar no espírito da prova e torna o ambiente muito mais convidativo. É nisto que a Scalabis se torna uma prova de referência do calendário nacional. O facto da prova se realizar num sábado à noite (com a prova dos mais novos a meio da tarde e a caminhada ao lusco-fusco) ajuda a que haja sempre festa durante o dia todo e faz com que quem vem de mais longe acabe por passar o dia pelas ruas da cidade. E claro que se fala muito da prova por causa do abastecimento de vinho tinto, mas confesso que só no primeiro ano é que abasteci nessa zona.

Antes de irmos até ao carro equipar ainda ficámos um pouco a assistir e a aplaudir quem chegada da Mini Race (o termo oficial da caminhada). Ao equipar a minha dúvida era levar ou não a camisola de manga comprida por baixo ou ir só de manga curta. Acabou por ganhar a primeira opção porque podia sempre arregaçar as mangas. Como a temperatura se manteve sempre estável podia perfeitamente ter dispensado a manga comprida. Até me bastou um curto aquecimento para começar a suar em bica! E lá fui, juntamente com o Gajo da ET, até à nossa zona sub-50. Ela ficou na parte fixe do pelotão, aquela onde a malta se diverte à brava.

O Benfica estava a jogar à hora da prova, tal como no ano passado. Já se tinha ouvido falar num golo, mas eu nem sequer ia preocupado com isso. Mal imaginava eu que a corrida me iria poupar a uns ataques de nervos.

O início ali é sempre difícil. Há imensa gente e mesmo com a divisão por blocos de partida temos que fazer uns ziguezagues por ruas relativamente estreitas. Ou, pelo menos, estreitas para tanta gente. Quando fazemos nova passagem pela meta já com um quilómetro nas pernas já é mais fácil transitar e sentir novamente o apoio do público. É outro factor importante e constante, há sempre público e animação durante o percurso para dar força aos atletas. Foquei-me em tentar apanhar uma lebre que fosse em bom ritmo e isso resultou durante um bom bocado, até ao momento em que eu a ultrapassei e fui atrás de outra lebre mas que era demasiado rápida para mim. Acabei por encontrar o ritmo que queria e no primeiro retorno lá ia concentrado na estrada e na malta que passava do outro lado. Aqueles high-5 não me fizeram perder tempo nenhum e deram-me ânimo para continuar.

Cheguei a meio da prova com pouco menos de 24:30, o que significava que teria que fazer um segundo parcial melhor para ter hipótese de chegar ao tempo do ano passado. A partir deste momento só voltei a olhar para o relógio antes da meta. Independentemente do tempo, ia bem disposto e sempre a corresponder às palmas que vinham de fora ou a pedi-las caso fosse preciso. Foi nos quilómetros seguintes que percebi que tinha de redefinir o objectivo final. Comecei a ver o meu colega ao longe. Depois estava mais perto e tentei apanhá-lo para ver como é que ele estava (fez a prova após uma lesão recente) e eventualmente irmos juntos. Tentei, mas o melhor que consegui foi ir ao mesmo ritmo dele sem nunca me aproximar mais.

Foi ao sétimo quilómetro que abandonei de vez a ideia do record pessoal. Já tinha dado tudo o que podia. Curiosamente nesta altura passou em sentido contrário uma das muitas caras conhecidas com quem me cruzei que me grita em plenos pulmões: "Já vais todo roto!!!"  E por mais ruim que esta frase possa parecer, ele tinha toda a razão... Eu já estava rebentado e isso notava-se a léguas! Foi aí que entrei em modo "faca nos dentes e coração na boca" como tínhamos ouvido horas antes durante o dia. Nos dois quilómetros seguintes perdi quase 20 segundos em cada, comparando com o ritmo a que ia antes. Passei de 5:00/km para 5:20/km, mais coisa, menos coisa. Estes 40 segundos tinham dado jeito no final.

No último quilómetro voltaram as forças e recuperei algum tempo perdido, sobretudo na aproximação à recta da meta quando vi que ia conseguir fazer sub-50. Quando me coloquei numa posição favorável para ser apanhado por um fotógrafo (uma pessoa tem sempre que pensar nestas coisas, pá!) fui ultrapassado por uma atleta que fez um sprint vigoroso e se foi colocar mesmo à minha frente. Não podia ser e respondi também eu com um sprint final antes de cortar a meta agarrado ao símbolo da camisola onde cabem sempre todos os elementos da equipa que não estão presentes pessoalmente. Fim de prova e logo ali à frente estava o meu colega juntamente com outro amigo nosso que terminara praticamente ao mesmo tempo. Acabei por ficar a 30 segundos dele. Aqueles segundos perdidos davam para termos feito a parte final da prova juntos.

Depois de respirarmos e de bebermos água viemos em sentido contrário à procura da ET, mas ainda fomos interpelados duas vezes por pessoal que já tinha terminado e tivemos que ainda tratar da vertente social das corridas. Foi agradável porque num dos casos consegui falar pessoalmente com malta com quem tenho estado a tratar de convites apenas através das redes sociais. Encontrá-mo-la à saída da Escola de Armas, bem disposta e com pouco mais de um quilómetro para terminar. Fomos juntos até ao final como estava previsto e tivemos o privilégio de ver nessa fase o fogo de artifício que tinha começado entretanto. Chegar à meta enquanto um bonito espectáculo de pirotecnia explode nos céus não é para todos. Estão a ver como a malta que não corre tão depressa está na parte fixe do pelotão?

E por falar em partes fixes, agora faltava comer enquanto tocava a banda de tributo aos Queen. Valha a verdade, não gostei assim muito do que ouvi, mas era Queen, pronto. A cerveja soube-me bem melhor que a bifana e se pudesse tinha comido outro pampilho. Com o passar das horas já não fomos a tempo de ir à pastelaria que ficou aberta até mais tarde. Isso é sinal que temos que lá voltar novamente. Ainda em Fevereiro tinha tido um almoço de aniversário em Almeirim com uma curta passagem por Santarém e aguardo já pelo regresso àquela zona que espero que seja bem antes dos 20km de Almeirim.

Deixo só uma nota negativa e estranha. No ano passado o relógio marcou-me exactamente 10km, mas este ano ficou-se pelos 9,7km e os registos que vi no Strava apontam todos para uma distância de 9,8km. É pena. Houve uma pequena alteração de percurso, será que justifica estes metros a menos?

Fim de festa. No dia seguinte alguns loucos ainda iriam para a segunda parte de um fim de semana passado a correr enquanto eu teria uma Maratona para acompanhar, para além de seguir com o máximo de atenção o desempenho de uma colega que fazia a estreia na Meia Maratona também em Madrid. Sofrer à distância custa tanto, mas ver o esforço recompensado com bons resultados é muito gratificante.

Agora seguem-se algumas provas do troféu das localidades. Tenho que ver a quais consigo ir nas próximas semanas.

Prova nº 83 - Scalabis Night Race 2018 - 10km - 49:36

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

São Silvestre de Lisboa 2017

Há várias semanas que um colega de equipa me andava a tentar desencaminhar para ir fazer a São Silvestre dos Olivais (como se fosse difícil convencer-me a ir fazer uma prova) mas por um motivo ou outro eu não estava 100% seguro que a queria fazer. Em boa hora decidi que não queria mesmo, o que se veio a revelar uma boa decisão porque no dia antes o nosso treino das 5as feiras foi temático e, de repente, havia 50 pessoas para levar a correr pelas ruas da cidade num percurso que foi traçado por mim. Daquilo que mais me lembro é de dizer no briefing que estava cheio de medo de me enganar no caminho mas felizmente nada disso aconteceu e a coisa foi, sem falsas modéstias, um pequeno sucesso. Como já se falou o suficiente do assunto ali na rede social - com direito a reportagem na imprensa local e tudo - vamos lá ao assunto que nos trouxe aqui: a São Silvestre de Lisboa.

Este meu colega acabou por se convencer a fazer a prova porque era onde já estavam inscritos muitos dos elementos da equipa. Mesmo assim ainda foram dois aos Olivais. Azar dos azares, ele teve um impedimento pessoal que o forçou a não estar em Lisboa no sábado e na véspera cedeu-me o dorsal dele. Foi daquelas situações chatas porque podia na mesma ter feito os Olivais como pretendia originalmente, mas ele também não pareceu muito chateado com isso. Até calhava bem porque ele - tal como eu se me tivesse inscrito - tinha um dorsal sub-50.

A questão é que eu já há muito tempo que andava a dizer que queria estar na prova com o pessoal mas sem competir. Queria estar ali pela Rua da Arsenal à espera de os ver passar, correr ao lado de quem precisasse, fazer umas palhaçadas e dar apoio moral, empurrá-los pela Avenida da Liberdade acima um passinho de cada vez e depois do Marquês sair de cena antes da meta para não a cruzar ilegalmente sem dorsal. Assim sendo a coisa já era diferente. A única ilegalidade era mesmo ter um dorsal com outro nome, algo que também não gosto como já aqui referi mas onde o risco é exclusivamente meu.

Lá me juntei com o pessoal à hora marcada, mas a partida para Lisboa foi um pouco confusa e com atrasos, ao que se somou muito trânsito já dentro da cidade. Comentei por sms que se estivesse ali para competir "a sério" estaria a ficar nervoso. Como é normal nestas situações tudo acabou por se resolver, carros todos estacionados algures e todos juntos no ponto de encontro para tirar fotos, tentar um grito de guerra que ainda não está bem ensaiado, acima de tudo, rir. Pelo meio ia vendo uma ou outra cara conhecida e trocando alguns cumprimentos. A caminho dos blocos de partida ignorei a porta dos sub-50 e fui com a malta foi ficando para o último dos blocos. Disse-lhes repetidamente, tal como tinha comentado na semana antes, que estaria ali para me divertir e que nos grupos de trás é que se corre com tempo e calma suficiente para se desfrutar de todos os momentos.


A Avenida estava lindíssima àquela hora da tarde. Muito mais bonita ao vivo do que alguma das fotos que eu tirei. E acreditem que tirámos imensas enquanto aguardámos pelo início da prova. Pelo início da nossa prova que foi uns 10 minutos depois do arranque oficial das Elites. E lá fomos. Confesso que fui sem qualquer plano. Estava só ali por perto a correr ao ritmo das minhas colegas de equipa. Nem sabia muito bem quem iria acompanhar ou se iria andar a fazer piscinas entre elas. Foi com alguma naturalidade que duas foram mais para a frente com bom andamento e uma ficou um pouco para trás portanto fiquei num ponto intermédio junto de outras duas colegas. Ao mesmo tempo pensava que podia estar a tentar fazer de lebre ao meu colega que queria fazer 45 minutos (mas isso é mais rápido do que eu corro) ou estar com o outro colega que ia tentar chegar aos 52 minutos ou estar com... Enfim, tanta gente a quem eu queria fazer companhia.

Lá fomos os três num ziguezague constante para tentar ultrapassar outros atletas enquanto nos mantínhamos unidos e sem perder ritmo. Íamos a 6:15m/km o que era um ritmo interessante para elas, ao mesmo tempo que eu já ia tentando ver quem vinha em sentido contrário para ver se percebia onde ia o resto da malta. Encontrei alguns, mas não todos. Encontrei também mais pessoal amigo o que é algo que muito me agrada. E de vez em quando ouvia também o meu nome, embora nem sempre fosse para mim. E quando era demorei imenso tempo a reagir para retribuir a mensagem de força. O nosso trio manteve-se quase sempre coeso, mas aos 4km uma delas fez-me sinal que tinha que abrandar um pouco mas que nós fossemos em frente que ela já nos apanhava. Cumpriu a promessa e logo a seguir ao abastecimento já estava junto a nós novamente, no entanto teve que abrandar pouco depois. Ficámos só os dois e eu sempre a tentar perceber se o ritmo era tranquilo para ela. Disse-me que também queria abrandar mas que não o ia fazer. Não sei se a minha presença ali lhe deu ânimo ou se se sentiu pressionada para não dar parte de fraca, mas gabei-lhe a força de vontade e a excelente prova que estava a fazer. Com isto já estávamos de regresso ao Cais do Sodré e havia cada vez mais gente na rua a assistir - em silêncio - à prova.

Ora se eu já puxo pelo público quando vou a correr no limite com os dentes cerrados em busca de um bom tempo, então agora que ia a um ritmo tranquilo para mim ainda mais energia tinha para animar os espectadores. Assim fiz e várias foram as vezes em que gritei a pedir palmas e a pedir barulho, mas infelizmente nem sempre fui correspondido. A minha colega devia estar a chamar-me louco, pensava eu... mas como ia eu à frente a servir de lebre nem sempre via a reacção dela. Entretanto percebi que ela estava a achar interessante o meu esforço. No meio do pessoal que estava à beira da estrada lá havia, como sempre, elementos do Correr Lisboa a dar um apoio constante. Por falar neles, foi a caminho do Rossio que encontrei a minha amiga Inês que me disse que até no meio de 10 mil pessoas nos conseguimos encontrar sem ser preciso combinar e que me "confidenciou" também que afinal não era só na Avenida da Liberdade que se começava a subir porque ali também já não era fácil. Ainda lhe tentei dizer que era pura ilusão, mas as pernas sentem logo quando o terreno começa a inclinar. Ao mesmo tempo perguntava à minha colega se ela tinha energia para enfrentar o que faltava e disse-me que tinha que ser. Sugeri-lhe não ter a  tentação de querer aumentar o ritmo para compensar a subida mas para ir tranquila, um passo de cada vez, lá está.

Aguentou-se muito bem, só teve necessidade de caminhar no último cruzamento da Avenida já com o Marquês à vista. Mandou-me seguir, que não esperasse por ela. Já o tinha feito no abastecimento quando teve que parar para beber água sem se engasgar. Seguir? Sem ti? Então mas eu estou aqui é para te ajudar, não tenho pressa em chegar à meta que ela espera por mim. E assim foi até dar quase meia volta ao Marquês. Disse-lhe que o mais difícil estava feito e que agora era só gerir a descida até à meta. Vou voltar para trás - acrescentei - à procura da nossa colega. Não tive que descer muito porque ela não vinha longe e fiz o mesmo. Deixei-a no mesmo sítio e fui pela Avenida abaixo "em contra-mão" à procura da última colega da equipa que eu imaginava viria com mais dificuldades, mas o último é o mais importante e ninguém fica para trás!

Vinha efectivamente cansada e ainda a começar a subir. O marido já a vinha a ajudar (fez 47 minutos em vez dos 45 que queria) e fomos os três por ali acima. Eu e ele mais na conversa para não a pressionar, ela a lutar com todas as forças contra aquela inclinação tramada. Fomos subindo, mais depressa ou mais devagar e ele dizia-me que a certa altura nos deviam barrar a passagem, até porque já lá atrás não o queriam deixar passar para a acompanhar quando o viram de medalha posta e com o resguardo prateado que foi dado no final da prova. Ok, disse-lhe eu, não te preocupes que se não te deixarem seguir eu acompanho-a até à meta. Valha a verdade eu gostava de terminar a minha prova, pá! Ficou incrédulo porque achou que eu já tinha passado a meta e tinha regressado ao percurso como ele. Nada disso, nada disso.

Ele foi efectivamente connosco até próximo das barreiras. Ao darmos a volta completa ao Marquês - e enquanto tentávamos convidar uma outra atleta do Correr Lisboa a seguir na nossa boleia e combinar onde era o ponto de encontro com a malta da nossa equipa após a meta - eis que vemos um foguete a passar sorridente pela Avenida abaixo! Ela ganhou forças vindas não sabemos de onde e estava com energias renovadas. Deu para ir quase sempre sem parar até à meta que foi cruzada de mãos dadas, seguindo-se um forte abraço!

(Gostava de encontrar uma foto da chegada, mas ainda não fui à página da prova na Running & Medals ver os álbuns que já estão disponibilizados e catalogados.)

Melhor ainda, todo o resto do pessoal que partiu connosco tinha aguardado por nós após a meta antes de ir receber a medalha. Esta amizade que nos une e este espírito que temos é completamente indescritível. Saber os bons resultados do resto do pessoal foi um bom complemento. A colega que eu acompanhei durante o percurso todo até ao Marquês já me tinha dito que a prova estava a passar muito depressa e veio a comprovar que fez o seu melhor tempo aos 10km. Maravilha!

Quanto a mim, passei a meta com o meu pior tempo de sempre numa prova de 10km - e no meio do vai-vem acabei obviamente por fazer mais que isso - mas foi das metas que mais alegria me deu a passar. Daqui a uns largos anos hei-de olhar para este tempo e por uns segundos hesitar se não me enganei a registar a prova no meu arquivo mas rapidamente me lembrarei de todos os momentos daquele final de tarde. Não podia ter tido uma meta melhor para terminar o ano. Adorei cada quilómetro, cada momento, cada passada dada pelo prazer de correr, pelo prazer da companhia, pelas gargalhadas, por tudo! Achei mesmo que ia sentir falta da adrenalina de estar a lutar contra o relógio para fazer "aquele" tempo mas isso nunca aconteceu. Em 2018 vou querer continuar a trabalhar para atingir alguns objectivos, eventualmente bater algumas das minhas melhores marcas actuais mas também vou querer voltar a ter dias assim em que o coração está tão cheio de carinho acumulado ao longo dos tempos que começa a transbordar e a retribuir tudo na mesma moeda e em todas as direcções.



Agora é voltar a respirar fundo e recomeçar tudo novamente. Nova semana com treinos, nova prova no domingo.

Para todos, votos de um 2018 em grande e que possam atingir a felicidade e o sucesso que procuram e que merecem!

Prova nº 74 - São Silvestre de Lisboa 2017 - "10km" - 01:21:40
    

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

GP Natal 2017

Tentei não ler o post do ano passado, mas falhei redondamente e foi o que acabei de fazer antes de começar a escrever este. Não sei se há mais semelhanças ou diferenças.
Desta vez não me caiu um dorsal na véspera, já me tinha inscrito com a devida antecedência e sabia ao que ia. E ia com esperança de melhorar o tempo do ano passado. É que eu continuo com um problema: o meu record pessoal aos 10km foi no GP Natal 2016 com 48:16 mas com um dorsal que cedido por um amigo. O meu record pessoal em nome próprio é 48:18 feito na Scalabis 2017. É este que eu uso quando me perguntam e quero de uma vez por todas poder deixar de ter que explicar que tenho "dois recordes pessoais".

Spoiler alert: não foi hoje que isso aconteceu! Serei um dos 7 atletas num universo de 4356 finishers que não o fizeram hoje. Vamos já colocar de lado esta questão. Quem estava à espera de um relato épico de um record pode ficar por aqui. Temos "apenas" um relato épico de uma excelente prova, culminada com uma aproximação à meta onde beijo o símbolo da equipa na camisola e depois de terminar ergo os braços, danço ao som da música que saía dos altifalantes terminando com um soco no ar. Tudo isto com um sorriso na cara, imagine-se. Descobri no carro na viagem que regresso a casa que parte disto foi também filmado em directo pelo canal que fez a transmissão da prova e prontamente colocado a circular na rede social. Bonito!

Não fiz grandes análises à prova. Sabia o ritmo final que tinha que atingir, sabia as dificuldades pelo caminho, sabia que é aquele final que (quase) toda a gente gosta. O que não estava nos planos era a jantarada de Natal até às tantas na 6a feira, não pelo jantar em si mas pelo frio que apanhei. Ontem acordei meio constipado e isso manteve-se hoje, apesar de ter atacado com medicação. O nariz entupido era o maior inimigo, mas descobri antes dos 3kms que a respiração estava também a ficar afectada, daí que tenha ido ao bolso dos calções agarrar a bomba para a asma na esperança que fosse ajudar a acalmar. Resultou por uns quilómetros ou pelo menos enquanto o psicológico deixou.

Ao contrário do ano passado comecei forte nas subidas iniciais. Tinha que chegar ao fim com média de 4:49m/km e comecei dentro desse registo mesmo sabendo que podia pagar a factura mais tarde, mas queria chegar a Telheiras abaixo do ritmo desejado sem pensar que podia recuperar alguma perda na descida final. Disse isto no ano passado: estava a correr em ruas que me são familiares mas mantinha a concentração e podia ter as 7 maravilhas do mundo ao lado do passeio naqueles quilómetros que não as teria visto.


Escolhi até levar o relógio "antigo" por ser mais rigoroso a mostrar o ritmo instantâneo e mais fácil para começar/terminar o treino. O novo tem um ligeiro delay no ritmo, embora mostre depois com exactidão o ritmo por quilómetro no final dos mesmos. Mas eu queria saber sempre a quantas andava e fazia eu as contas da média por quilómetro. Era importante chegar a meio da prova com 24 minutos e chegar aos 8km abaixo dos 39 minutos. Foi por isso que fiquei muito contente quando atravessei o tapete de controlo dos 5km com 24:03.

Pequena pausa para dizer que não me vou alargar nos comentários às questões da organização que já foram muito debatidas pela rede social. A camisola é feia, a animação durante a prova foi bastante pior que no ano passado, mas por outro lado a existência de caixas de tempos facilitou no arranque. Aquilo que me vou queixar é da falta de apoio popular nas ruas de Lisboa. Excepto na Avenida da Liberdade onde havia muitas pessoas também por estarem à espera de amigos e familiares, o restante percurso foi uma pasmaceira em termos de apoio. Se ouvi 5 pessoas a bater palmas foi muito. Eu sei que ia focado, mas parece-me que não estou a ser injusto. 

Agora vinha a fase dos túneis. Três quilómetros até ao Saldanha, três túneis. Se no primeiro a coisa não correu mal, no segundo já me senti a fraquejar, não tanto por falta de pernas mas porque a respiração estava a ficar descontrolada. Fiquei até na dúvida se ainda haveria um terceiro túnel de tão desorientado que me sentia. Claro que havia e quando saí dele já tinha a mira apontada ao Saldanha, mas ali a estrada sobe um pouco. Uma pessoa nem nota muito, mas sobe. Mesmo antes de começarmos a descer um amigo apanha-me e mete conversa rápida. Basicamente só me disse para respirar melhor. Eu ia ofegante ao ponto de se notar para quem estava nas redondezas. Já tinha pensado se esse seria o caso e tive ali a confirmação. Como sei que - em estrada - desço melhor que ele arranquei. A chegada ao quilómetro 8 deu-se já bem acima dos 39 minutos. Não consigo precisar exactamente com que tempo foi, mas já era o suficiente para colocar de lado a hipótese de recorde.
Teria que fazer dois quilómetros finais loucos e embora o coração me tivesse dito para partir tudo até aos Restauradores, a razão mandou-me descer a um ritmo forte mas que eu conseguisse manter de forma regular até ao final e foi isso que fiz.

Terminei da forma que já relatei no início. E muito feliz, diga-se! Uma frase feita que aparece de vez em quando no mundo da corrida é "Celebrate finish lines, not finish times!" Nesta prova celebrei ambos porque a chegada à meta marcava um tempo excelente para mim. Trata-se da 5a vez que baixo dos 50 minutos e é o meu quarto melhor tempo aos 10km. Está óptimo! Queria bater o recorde, sim... mas não preciso disso para me sentir feliz numa chegada à meta.

Para juntar à festa, antes da partida e depois da chegada estive com imensos amigos e vi caras conhecidas em catadupa. Tirei fotos, conversei com malta amiga com quem não me cruzava há algum tempo, falei imenso com outros atletas. Assim que me despedia de alguém tinha logo outra cara conhecida a chamar-me ou a cruzar-se comigo. E percebo pelas fotos que já vi que ainda houve muitos outros que não encontrei, mas que também estavam por lá a correr. Ficará para uma próxima oportunidade.

Agora para terminar o ano resta uma prova do troféu das localidades, a primeira onde vou marcar presença nesta nova época. Tive que ir ali ao Excel ver que é na Cruz Quebrada, porque nem tinha ainda visto muito bem onde era. Vou passar a semana a dizer que estas provas são só para o convívio - o que é verdade - mas quando lá chegar vou cerrar os dentes e dar o meu máximo naqueles percursos sempre muito sinuosos.

Prova nº 72 - Grande Prémio de Natal 2017 - 10km - 00:48:53

domingo, 17 de setembro de 2017

Amizade

Uma das coisas que ganhei quando entrei no mundo das corridas foi um número infindável de novos amigos. Ok, algumas pessoas serão sempre "conhecidos" mas outros são mesmo amigos verdadeiros.

No treino de equipa a seguir ao meu dia de anos fui brindado com uma festa "meio-surpresa" onde estiveram presentes muitos dos habituais colegas das 5as feiras mas também alguns que apareceram "à civil" para me darem um abraço. Foi meio-surpresa e não surpresa completa porque eu fui apanhando alguns dicas que deixaram com a pulga atrás da orelha. Obviamente que adorei e senti-me tremendamente acarinhado por todos!

Neste grupo de amigos que apareceram sem ser para correr estavam elementos da equipa tagarela, nossos amigos e vizinhos e com quem tenho feito as provas do troféu das localidades. No meio de beijinhos e abraços, o mentor da equipa comentou comigo que tinha dorsais extra para a Corrida do Aqueduto e perguntou-me se eu tinha disponibilidade e vontade de ir. Aceitei quase sem hesitar, apenas porque não sabia como seria este fim de semana e passado uns dias confirmei que aceitava a oferta, mesmo não sendo possível alterar os dados da inscrição.

(Na verdade, o que eu gostava era de ter ganho o passatempo a que concorri para fazer a Meia Maratona do Porto mesmo sabendo que isso era logística e financeiramente complicado!)

Faço aqui um parêntesis para dizer algo importante: não gosto de correr com dorsais que não estejam em meu nome. Não que me faça confusão ter outro nome ao peito, mas (vamos todos bater 3 vezes na madeira) se acontece um problema físico pode ser uma complicação do caraças por causa de accionar o seguro. Aliás, em bom rigor será impossível fazê-lo! Atenção a este tipo de coisas porque a nossa saúde está sempre acima de tudo! Por outro lado isto também pode causar situações difíceis e injustas em termos de atribuição de medalhas. Fica então aqui o repto para tentarmos sempre correr com um dorsal que seja nosso e se for, por exemplo, comprado a outro atleta que seja dentro do prazo permitido para mudar dados de participante. 

Em relação à prova, ia com a ideia de fazer um tempo a rondar os 50 minutos, mas sem qualquer stress porque nesta altura não estou a apostar minimamente em provas curtas. Ao ver a altimetria da prova mudei de objectivo e quis apenas dar o meu melhor sem olhar muito para o relógio. E a verdade é que fiz tanto uma coisa como outra. A partida até foi tão rápida e sem aviso prévio que só meti o relógio a contar com uns 150 metros de atraso portanto sabia que havia uma ligeira discrepância em relação aos quilómetros e ao ritmo médio. O facto de irmos subir mais do que descer também ajudou a esquecer qualquer prognóstico de tempo final.


Durante a prova não houve muitos momentos de interacção, ao contrário de Castelo Branco. Algumas pessoas na rua mas apenas vi duas (DUAS) a bater palmas na altura em que a minha parte do pelotão passou. Retribui-lhes a gentileza a aplaudi de volta. Na estrada, ainda antes dos 2kms tinha um outro atleta a dizer-me que não conhecia a prova mas que sentia que isto era um percurso para nos deixar KO. Eu também nunca a tinha feito mas disse-lhe que pelo que tinha visto do percurso ainda ia piorar até ao km5. Ele ficou meio preocupado. Eu cá sou picuinhas com isso e não gosto de ser surpreendido durante a prova. Isso até aconteceu hoje porque na conversa antes da partida sobre a volta que íamos dar faltou dizer que havia ali um km - o oitavo - em terra batida. Foi pena só porque já tinha passado o pior da prova e estava a rolar num ritmo estável na casa dos 5m/km e tive que me resguardar um pouco. Nada que me tivesse deixado muito chateado, obviamente. Vejo agora que estou a actualizar o meu ficheiro de Excel que até foi o meu pior registo do ano em provas de 10kms. Estou preocupado? Nada.

Foi com tranquilidade que passei a meta, ainda com um sprint final e com o extra de ter tido o speaker de serviço a dizer o nome da equipa que leu na minha camisola. Depois disto foi esperar pelo chegar do resto da malta. Ainda pensei em voltar atrás para ir buscar alguns dos restantes companheiros de viagem mas cruzei-me com algumas caras familiares com quem estive à conversa e quem faltava foi chegando a conta-gotas mas em bom ritmo.

Como é normal, tivemos direito a abastecimento extra porque toda a gente leva qualquer coisa para partilhar e comer no final num picnic improvisado. Eu já estava claramente desabituado e como não houve menção a isso na convocatória não levei nada. Falha minha. E foi já no final de festa quando estávamos a caminho dos carros que recebi uma notícia fantástica e pude festejar a passagem pela meta que eu aguardava com muita confiança mas com aquele nervoso miudinho de quem está a ouvir um relato de futebol e espera que se grite golo a nosso favor! O golo da amizade!

Parabéns!
Prova nº 68 - Corrida do Aqueduto 2017 - 10km - 00:52:42

domingo, 4 de junho de 2017

Cheira bem, cheira a Lisboa!

Em primeiro lugar, o meu agradecimento à Europcar que me permitiu fazer esta prova por causa do passatempo que ganhei. Agora vamos falar a sério: podem parar de apanhar o elevador para subir para o segundo andar lá no edifício onde trabalhamos? Pior, podem parar de o fazer quando querem descer? É só um andar, caramba! (Curiosamente eu - que trabalho uns quantos andares acima - ia sempre pelas escadas quando só andava nas caminhadas e não corria.)

Para quem não sabe - vão lá ler o primeiro post do blog, vá... ou esperem pelo texto que já está escrito e programado para ser publicado na 4a feira - a Corrida de Santo António foi a primeira prova que fiz. A partir daí esta tornou-se numa prova com um grande simbolismo, mas nunca a fiz quando passou a ser parte integrante do já extinto BES Run Challenge. Anos mais tarde vim a descobrir que o meu mentor também lá esteve, não terminou a prova por problemas de saúde e a partir daí ganhou-lhe uma raiva que nunca lá meteu os pés. Daí que lhe tenha dedicado - de forma privada que ele não gosta deste tipo de agradecimentos públicos - o meu tempo na prova do ano passado, a primeira vez que baixei dos 50 minutos aos 10km. Não meto aqui o link desse post porque contém uma asneira e apesar do adiantado da hora vamos manter alguma integridade.

Tinha esta prova no calendário porque é daquelas que transita sempre de um ano para o outro, mas já a tinha marcado a vermelho para não ir. Hoje também foi dia de milha no Troféu das Localidades que se disputou no estádio do "meu" Real de Massamá e estava fisgado a ir a essa prova. A vida trocou-me as voltas e acabei aqui, depois de um dia a passear por Lisboa. Isso levou logo a um dilema: deixar o carro onde estava e ir de metro ou levar o carro até mais próximo da zona da prova? 

Optei pela segunda opção e até estacionei junto ao edifício onde estavam antigamente sediados os escritórios da minha empresa. Estacionei com relativa facilidade e mude de roupa dentro do carro. Pois claro, não ande a passear equipado durante o dia! Foi só quando saí que percebi que tinha o carro em frente a um hotel - que não existia ali "no meu tempo" e que é quase paredes meias com outro hotel bem antigo e conceituado. E no sítio onde tinha o carro estava um sinal de estacionamento proibido, excepto para serviço do hotel. Saí, dei uma volta ao quarteirão na esperança de encontrar uma panóplia de lugares livres que me permitissem mudar o carro. Não encontrei e quando voltei vi outro carro estacionar ao lado, também com malta a preparar-se para a prova. Que se lixe, se fosse multado não era o único. Não que isso me tenha deixado mais tranquilo, mas já sabemos como funciona a mente humana nestas coisas.

Fui o único elemento da equipa a fazer a prova, embora soubesse que iria encontrar bastantes amigos sendo que alguns até treinam connosco com frequência. Confesso que estava chateado. Não por ser o único, isso já aconteceu antes comigo e com outros colegas e há-de voltar a acontecer e onde estiver o nosso símbolo numa camisola estamos todos representados, mas não houve aquele ritual de encontro, deslocação e convívio pré-prova que ajuda a entrar no espírito. Nessa onda, até me consegui picar num dedo com um alfinete de dama a meter o dorsal. Toma lá para aprenderes a não teres experimentado nesta prova os fixadores Go Grip que me foram enviados para experimentar. Isto ficará para outra oportunidade e outro post.

A caminho do Rossio tudo me irritava. O vento, sentir os ténis a apertarem-me muito os dedos dos pés, a bexiga cheia meia hora depois de a ter supostamente esvaziado, o tamanho das unhas das mãos (sim, a sério), a picada de melga que tenho no joelho e que me dá uma comichão do caraças... Enfim, cheguei a pensar em dar meia volta mas para além de ter sentido a força da equipa na camisola que tinha vestida lembrei-me também que uma das nossas colegas trabalha na Europcar - noutro departamento, noutro edifício - portanto ela que não conseguiu dorsal era pessoa para me matar se eu lhe fosse dizer que não tinha feito a prova. Entretanto fui ao wc - obrigado Padaria Portuguesa - e senti-me parcialmente... aliviado.

(Tanto palavreado e ainda não comecei a correr. Começa a ser hábito.)

Ao chegar à zona da partida dei umas voltas pelo recinto, vi uma ou duas caras conhecidas e como estava sem grande cabeça para conversas entrei para a minha zona de tempo assim que pude. Tinha 3 ideias diferentes para esta prova: honrar o meu dorsal de sub-50, baixar os 49:22 do ano passado e, dependendo de como me estivesse a sentir, talvez atacar o record dos 48:18.

Foi com relativa facilidade que ao fim do primeiro quilómetro passei o atleta responsável por levar a bandeira de ritmo dos 50 minutos - os marcadores de ritmo partiram todos na frente e foram acertando o ritmo entretanto - e nunca mais pensei na hipótese de fazer mais que 50:00. Venha o próximo. 

No ano passado tive uma lebre que me marcou o ritmo nos primeiros 4km e depois abrandou para acompanhar outro colega. Quando pensei nisso passa por mim um atleta de boné vermelho e camisola vermelha - diferente da camisola da prova - com o símbolo da CM Lisboa nas costas. Fui atrás dele e quando dei por mim estava a rondar os 4:45/km. Parecia-me bem e segui, sem ele saber que me estava a ajudar. A ideia era tentar ir em ritmo mais elevado até onde fosse possível. Depois passa por nós o campeoníssimo Fernando Andrade e eu achei que era a lebre perfeita. Ambição não me faltava. O que é certo é que agora tinha duas lebres em ponto de mira e estava a conseguir seguir aguentar o ritmo, pelo menos até meio da prova. Após os 5km continuava a vê-los mas um pouco mais longe. Tinha noção que estava ligeiramente mais lento - e os parciais confirmam. Queria ter passado a meio da prova abaixo dos 24 minutos para ter hipóteses de bater o meu record. Passei com... 24:00 certinhos. Tinha que manter o mesmo andamento na segunda metade e sabia que isso era complicado, pelo cansaço e pelo último quilómetro onde iríamos subir o que descemos no primeiro.

Como habitual, nas provas em que há retorno, ia sempre olhando para quem estava do outro lado à procura de rostos familiares, de camisolas conhecidas, de formas de manter o alento e a concentração. Foi assim que já ali pelos 6 ou 7 kms encontrei a Paula, que vinha em sentido contrário - uma amiga de uma equipa vizinha e que nos meus tempos iniciais foi uma fonte de inspiração por ter perdido tantos quilos quanto eu e pela sua evolução. Infelizmente uma longa paragem por lesão tirou-lhe todo o ritmo, mas nenhuma da força de vontade nem do companheirismo. Desviei-me um bocado do percurso a direito para lhe dar um "high five". Perdi uns dois segundos? Não me arrependo de nada.

No Cais do Sodré tive uma surpresa no percurso: não fomos até ao Terreiro do Paço por baixo junto ao rio e voltámos pela Rua do Arsenal exactamente como tínhamos ido. Isso significava que a subida da Rua da Prata não ia ser tão longa como habitualmente. Ajustei a estratégia para o último km e fui buscar as últimas forças para atacar, daí que o meu segundo quilómetro mais rápido tenha sido exactamente esse, mesmo com a subida. Por acaso foi por volta dessa altura que o João Lima me apanhou e eu só me lembro de lhe dizer que estava quase e arranquei. Desculpa João, como tinha os phones nem sei ao certo o que me disseste na altura mas fica só a nota que não estava a fugir de ti e muito satisfeito fiquei quando me ultrapassaste e me disseste no final o que te tinha acontecido. Vão lá ler o relato que prometo que vale a pena, como sempre!

Já perto da meta percebi que não ia dar para record - por pouco - mas que estava garantido o objectivo de melhorar o tempo de 2016. Missão cumprida com o meu 3º melhor resultado de sempre aos 10km, atrás dos 48:16 no GP Natal 2016 (que eu considero "oficioso" por ter sido com um dorsal que me foi cedido e por ser naquela prova que termina sempre a descer) e dos 48:18 na Scalabis Night Race 2017! 

Entretanto as queixas pré-prova ficaram na linha de partida. Aos 200 metros já não me lembrava delas! 

No final da prova tive nova conversa agradável com a mesma amiga que me tinha chamado estúpido à partida para o Douro Vinhateiro. Foi uma nova conversa agradável com ela, nova troca de elogios mútuos, imensa simpatia que eu considero ser sincera. Força para essa operação!

Não devo estar presente na próxima prova do Troféu das Localidades, no Jamor, pelo que a prova seguinte no meu calendário é o Challenge 3000, dia 13 de Junho na Pista de Atletismo Prof. Moniz Pereira.

Prova nº 64 - Corrida de Santo António 2017 - 10km - 00:48:39

O meu histórico nesta prova: