quarta-feira, 18 de abril de 2018

Braga

Caros leitores, escrevo em directo do Alfa Pendular de regresso a Lisboa. E pergunto: o que é que faz uma pessoa tirar um dia de férias para acordar às 5:30, enfiar-se num Alfa pelas 7:00 rumo ao Norte e regressar no mesmo dia para chegar a casa depois da meia-noite? A resposta é: amizade!

É claro que a viagem tinha um propósito que foi cumprido com sucesso, mas nada teria acontecido sem a amizade que une pessoas, independentemente da distância geográfica que as separa. 

Em resumo, parte do dia foi passado aqui.




E depois dos compromissos oficiais houve tempo para conhecer uma minúscula parte da cidade.




Soube a pouco. A muito pouco mesmo. Resta cumprir a promessa de voltar e visitar devidamente uma das cidades portuguesas que me envergonho de não conhecer. E se eventualmente meter uma corrida pelo meio ainda melhor.

Corridas, encontro corridas em todo o lado!

Amanhã é dia de trabalho. Agora há que dormir na viagem. À nossa!


segunda-feira, 16 de abril de 2018

Estafeta Cascais-Lisboa

Desde que comecei a participar de forma regular em provas que fazer uma estafeta era um objectivo. Quando o concluí no ano passado fiquei com a certeza que era algo que queria repetir e esta era a prova que tinha em mente. Infelizmente nunca tinha tido oportunidade de a fazer antes, sobretudo por dificuldades de calendário, mas este ano foi o ano!

Tudo começou comigo com algumas dificuldades em encontrar outros três colegas disponíveis para fazermos equipa e acabou com uma comitiva de doze atletas que rumaram a Algés de manhã cedinho para apanhar o comboio para os diversos pontos de transmissão - ou no nosso caso, para ir a pé até à Cruz Quebrada. E pelo meio, uma equipa inteira que teve que ser gradualmente substituída por indisponibilidades que surgiram desde a data da inscrição, o que significa que para o ano se tudo correr bem até podemos levar mais gente para a prova. É que quem foi, quer repetir! (Embora nem todos pretendam o mesmo trajecto, mas sobre isso falo mais tarde.)

Não quero deixar passar a oportunidade de agradecer ao João Lima pelas imensas dicas de logística que me deu quando lhe pedi alguma ajuda, precisamente por saber que ele já tinha marcado presença na estafeta por várias vezes. Não segui todas a 100%, mas foram excelentes indicações para quem ia pela primeira vez e estava um pouco receoso de organizar tudo e depois lixar a prova a toda a gente ainda antes da partida por causa de algum percalço não calculado.

É claro que houve contratempos. Para além de ter andado a trocar elementos e a convidar outros para ocupar os lugares de quem não podia ir, o problema maior ainda aconteceu no próprio dia. Partida combinada para as 7:30 e às 7:45 ainda faltava uma pessoa - por acaso das mais certinhas e que nunca se atrasa. Tinha o telemóvel desligado. Ainda por cima era ele que ia iniciar a estafeta de uma das equipas. Tivemos que tomar a decisão de partir sem ele e de "aldrabar" um pouco a coisa, fazendo com que o segundo atleta fizesse os primeiros 10km. Mesmo que no final houvesse uma (justa) desclassificação daquela equipa, pelo menos toda a gente corria a sua parte do percurso. Felizmente não foi preciso e quando íamos a caminho ele ligou de volta depois de ter ido a casa buscar o telemóvel. Tinha ido para o ponto de encontro errado e pegou no carro, virou o boné ao contrário (é a sua marca registada a correr) e chegou a Algés dois minutos antes do último comboio partir. Ufa! 

Lá metemos três quartos da equipa no comboio e fui com as minhas duas parceiras de final de percurso a pé até à Cruz Quebrada, numa caminhada animada e pautada por alguma chuva constante. Fomos num misto de desejar estar no comboio com o resto da malta (e secos) com aproveitar os três para estar também na galhofa a fazer umas fotos pelo caminho. Tínhamos imenso tempo para queimar, mas como chegámos cedo ficámos logo abrigados debaixo dos toldos da organização e fomos metendo conversa com outros atletas, alguns até nossos conhecidos. A meio caminho, no entanto, uma chamada telefónica deixou alguma preocupação no ar. Onde estava a pulseira/testemunho do nosso colega que chegou atrasado? Com a confusão tinha ficado dentro do envelope, no carro. Seria possível a organização na partida no Estoril facultar outra?

Agora era aguardar. Num momento de pura telepatia perguntam-me ali se a malta do Estoril teria conseguido ir buscar uma pulseira nova. Exactamente ao mesmo tempo recebo um SMS a confirmar-me que sim. Perfeito.
Ainda recebemos um rápido esclarecimento da organização sobre a maneira como se deveria processar a transmissão para não ser demasiado confuso e passado alguns largos minutos - passados à conversa e a fazer mais fotos - começam a chegar os primeiros classificados dos 20km em linha. Quando passou o 3º classificado soltei um "Força Vítor!" Depois lancei vários outros "força" ao Joaquim, ao Rúben, ao Fernando, ao João, ao Nuno e a vários outros nomes que me possa estar a escapar, ao ponto das minhas colegas ficarem cansadas de me ouvir e terem dito "bolas, mas tu conheces toda a gente que passa?!?"  "Quase...!"

Fazíamos contas a qual de nós seria o primeiro a partir e para mim era óbvio que era a colega que por acaso até é a menos rápida dos três. Ela não acreditava, até porque foi ela que teve a equipa toda refeita depois da inscrição, mas tínhamos razão. O trio antes dela era rápido e muito homogéneo e o terceiro elemento chegou dentro do tempo de prova que eu lhe tinha dito. Ficou preocupada por ser a tartaruga da equipa, disse que ia fazer os 5km a um ritmo de 6:30m/km e ia demorar imenso. Nós dissemos-lhe que não se preocupasse, o importante sempre foi o espírito, mas eu ainda atirei que ela ia fazer 30 minutos de prova na boa. Fez 30:12. Excelente!

Eu parti pouco depois. Estava prontinho, mas foi tudo tão rápido que só meti o relógio a contar durante a descida. E arranquei a toda a velocidade por ali abaixo num sprint contante. Custou-me mais a controlar a respiração mas meti na cabeça que eram só 5km portanto era para deixar tudo ali. O colega que me passou o testemunho é uma das flechas que temos (fez abaixo dos 18:00) e eu já tinha dito que ele ainda fazia os últimos 5km mais depressa que eu. Ele disse-me que ia descansar um pouco enquanto bebia água e já me apanhava e assim foi. Fez o resto do percurso comigo não necessariamente para me marcar o ritmo mas para me ir dando ânimo. Com companhia a coisa faz-se melhor, eu é que mal falava porque estava a tentar ir no limite. "Então não digas nada e poupa o oxigénio para correr" - dizia-me ele. "Bora lá, bora lá!"

Passámos pela nossa colega do quarto percurso (e pelo colega do terceiro que lhe deu o testemunho) e continuámos em ritmo constante a rondar os 4:50m/km, excepto no primeiro quilómetro onde a descida foi claramente mais rápida. Para quem faz os restantes percursos não sei se sente o mesmo, mas fazendo o último fiquei com uma sensação bipolar de estar fresco e pronto para fazer uns quilómetros rápidos ao mesmo tempo que passava ao lado de atletas já cansados por estarem a terminar a prova de 20km e querer dar-lhes a eles umas palavras de força e ânimo. Ainda o fiz a um ou dois que há alguns minutos atrás tinham passado por mim.

Na aproximação à meta, o meu companheiro de percurso disse-lhe que ia voltar para trás para ir buscar a última participante que lá tinha ficado aos 15km à espera da sua vez. Agradeci-lhe a companhia e o espírito de solidariedade. Ninguém fica para trás. Fantástico como esta questão da estafeta reforça ainda mais os laços de companheirismo que já existem. Eu terminei a minha parte da prova sem bater o meu record aos 5km, embora tivesse pensado que se calhar o tinha feito. Só em casa percebi que estava a pensar no minuto errado, mas isso não era o mais importante.

Recolhi as medalhas do meu quarteto, mas não voltei para trás e acabei por ficar a tirar fotos e a conversar com quem ia chegando à meta. Muitos dos colegas tinham optado por regressar a correr fazendo o resto do percurso em ritmo de treino. Foi assim, aliás, que consegui convencer um colega a vir connosco. Ele queria fazer um treino longo, portanto ofereci-lhe a possibilidade de fazer os 5km do segundo percurso em competição e os restantes 10km em treino. Outros voltaram de comboio e aos poucos a equipa ia ficando completa em Belém, onde também tinha ido ter um outro colega. A festa fez-se no final quando a nossa terceira equipa completou o percurso. Desafio concluído.

Pensei várias vezes no stress que foi organizar a nossa ida à prova. Quase que jurei a mim mesmo que não voltava a passar pelo mesmo. Nada contra as pessoas que não puderam ir, atenção! Lesões, motivos profissionais e até um rapaz que tinha uma prova no mesmo dia foram tudo motivos mais do que válidos para não poder ir, mas procurar atletas disponíveis quase em cima da data não foi fácil. Felizmente houve malta receptiva. O feedback foi tão bom que já sei que para o ano assim que abrirem inscrições estou novamente a melgar a malta para fazermos equipas. E até já recebi pedidos para fazer percursos diferentes porque eu tinha sido mauzinho e lhes tinha dado o pior percurso. Confesso que a única coisa que fiz questão foi de ser eu a terminar numa das equipas. Para o ano logo vemos!

E para o ano também vemos melhor a ordenação das equipas. É certo que isto foi para brincar (e ainda aguardo os resultados individuais oficiais) mas também é verdade que podemos apostar todas as fichas numa equipa muito forte para tentar uma gracinha, eventualmente com uma equipa mista. Como a malta disse em tom de brincadeira, este ano fomos apalpar terreno e ver como funcionam as coisas, para o ano vamos lá a sério!

Próxima paragem: Santarém!

Prova nº 82 - Estafeta Cascais-Lisboa (percurso 4) - 5km - 23:19

P.S: Agora com os resultados oficiais vejo que a minha colega fez 29:55 de chip! Nunca correu tão rápido, disse-me. E sim, entrando por um patamar mais competitivo, sem a alteração forçada podíamos ter entrado na luta pelo top5 das equipas mistas, talvez até top3!

domingo, 8 de abril de 2018

Leceia

" - Não dás dois nós nos atacadores dos ténis?"
" - Normalmente não, nem penso nisso."
" - E nunca se desapertam enquanto corres?"
" - Não, é raro"

Foi esta a conversa com um colega da equipa na qual faço as provas do Troféu das Localidades, um minuto antes de começar a prova. Na verdade, houve uma altura em que a cada treino que fazia tinha que parar ao fim do primeiro quilómetro para apertar melhor os ténis. Já estão a ver o que aconteceu, não já? A meio da prova tive que parar 10 segundos para tratar disso.

Não tenho sido tremendamente assíduo nestas provas. Apesar de gratuitas mantêm-se como uma alternativa e nunca como primeira opção. Mesmo assim, a prova de hoje ganhou à Corrida do Benfica onde já participei duas vezes e estive no ano passado na bancada a dar apoio e a fazer fotos. Já não é novidade que aqui as provas são curtas e exigentes, com uma altimetria interessante e um carrossel jeitoso. O gráfico no regulamento deixava-me um pouco de pé atrás, mas na verdade lá dentro a prova fez-se com mais facilidade do que eu achava. Ou isso ou o corpo reage melhor do que a cabeça acha. O ritmo final foi do melhor que tenho feito neste troféu.


A coisa até não começou bem com os escalões mais jovens. Um erro no percurso (da organização, dos miúdos, enfim) fez com que se tivesse gerado alguma confusão e se tivesse perdido um pouco o foco nas provas. Um grupo de atletas seguiu atrás da mota e do carro da polícia (que iam a abrir caminho à frente do carro da organização) pela rua errada e ultrapassou os primeiros. Não posso falar do que não vi, mas quando fiz a prova masculina percebi claramente onde tinha acontecido o engano e nessa altura já lá estava bem colocado um elemento a indicar qual era a rua pela qual deveríamos ir. Agora aquilo que vi foi uma falta de tacto tremenda por parte de duas pessoas perante um miúdo de 12 anos. Uma foi o condutor do carro da organização (seria o director da prova?) que ao chegar à meta disse alto e a bom som pelo megafone que "este miúdo está enganado e não faz parte da prova". Mais à frente quando ele segue pelo gradeamento até à carrinha da organização assim que lá chega dizem-lhe que "não vale a pena dar-te os parabéns porque vais ser desclassificado". Malta, estamos a falar com um miúdo que acabou uma prova, está super surpreendido por não ver ninguém na meta antes dele e nem tem noção do que aconteceu. Eu sei que a competitividade nestas provas é enorme, mas não é assim que ajudamos a formar crianças que pretendem ser o futuro do atletismo, nem que seja de forma amadora. Não é assim que se fomenta o gosto pelo atletismo. Resultado: um miúdo lavado em lágrimas, super nervoso e com imensa raiva e frustração.
Menos mal, pelo que percebi depois a coisa resolveu-se com esta mesma pessoa a falar directamente com todos os atletas que chegaram a acordo em relação à classificação final que foi determinada pelo lugar em que estavam antes da bifurcação demoníaca. Ainda cheguei a ouvir outros miúdos dizerem que fizeram uma volta a mais naquela zona, portanto a confusão foi mesmo geral.

Afastei-me ainda a tempo de fazer umas fotos à prova feminina, tanto na partida como depois na chegada. Com tudo isto quase que nos esquecíamos delas e quando chegaram estavam com um ar muito mais exausto do que o habitual. Era assim tão mau? A dica que nos traziam era para levarmos menos roupa. Eu ia com camisola de manga comprida por baixo e todas insistiram para eu a tirar porque estava muito abafado durante o percurso. Era mesmo isso ou estavam as meninas a flirtar connosco? Convenci-me com um "Se não fizeres o que eu te digo quando acabares a prova vais-me dizer que eu tinha razão." E eu fiz. E ela tinha. Apesar da chuva que começou a cair e se fez sentir durante o primeiro quilómetro e meio, quando ela desapareceu estava mesmo muito quente na zona mais afastada da meta e ir só de manga curta soube bem.

Tentei olhar o menor número de vezes possível para o relógio mas sempre que o fazia estava contente com o que via. A certa altura passou por mim um atleta em bom ritmo e fiz tudo o que pude para me agarrar a esta lebre. Aguentei-me bem a subir e acelerei a descer, mas sem abusar porque já sabia que lá à frente havia mais. E mais ou menos a meio da prova comecei em "picardia" com outro atleta. Passei por ele numa subida - ele ia a andar - e nessa altura ele volta a correr e ultrapassa-me. Depois volta a andar até eu, que mantive a mesma passada certinha, o passei. E ele... voltou a correr.
Ai o caraças! Confesso que estava a ficar incomodado e assim que pude acelerei para sair deste ping-pong. Até que tive que atar os atacadores e ele foi-se embora.


E apanhei-o no fim, no último quilómetro. Estava ele já exausto e eu ainda fresquinho e com pernas para dar uma segunda volta ao trajecto. E sim, com a moral em alta. Aquele sétimo quilómetro sempre a descer deu-me essa moral e o último, mesmo com algumas rampas, foi feito com a corda toda. A recta, perdão, rampa da meta foi feita a sprintar. Vá, e não tenho nada contra o rapaz com quem "embirrei" hoje, nem sequer é esse o meu espírito.

Tudo feito, fotos finais e só faltou sair a classificação do meu escalão em tempo útil. Desta vez não fiquei para o convívio habitual pós-prova. E fui obviamente agradecer a dica de ter ido de manga curta.

A parte chata veio depois, à hora de almoço. Então não é que o Monção que eu abri era tinto quando eu achava que era branco? Tragédia! Felizmente sendo Alvarinho uma pessoa nunca fica mal, qualquer que seja a cor.

Para a semana: Estafeta Cascais-Lisboa.

Prova nº 81 - Troféu das Localidades (Sintra, Oeiras e Cascais) - Grande Prémio de Atletismo de Leceia - 7,850km - 41:01

sábado, 7 de abril de 2018

Noiserv

Estava apalavrado assim que se soube do concerto, depois a coisa foi ficando meio esquecida e de repente voltou à baila e rapidamente se confirmou a ida e se compraram os bilhetes. Gosto quando as coisas são assim simples e espontâneas. 

E o dia, que era de férias tal como os restantes da semana, tornou-se também assim meio espontâneo e ao sabor do vento pelas ruas de Lisboa. Da zona do El Corte Inglés até ao Saldanha e vice-versa, com curta passagem em jeito de corta-mato pelos jardins da Gulbenkian.
E-Turista
Oops, não sei como é que isto me apareceu nas mãos. Era de Snickers, by the way.

 Até deu para dar um breve salto ao meu local de trabalho. Sim, num dia de férias entrei alegremente no escritório e senti-me com uma leveza brutal. É claro que só lá fui porque estava nas imediações e porque tinha acabado de lá chegar uma encomenda que, já agora, não ia lá dormir durante o fim de semana. Uma pessoa habitua-se a comprar coisas vindas da China que demoram duas ou mais semanas a chegar e estranha quando algo vindo de Espanha demora um dia e meio. Também deu para a minha chefe me confirmar o descalabro que foi a tentativa de comprar bilhetes para a final da Eurovisão (tenho um feeling que ainda hei-de ser convidado a ir assistir na Praça do Comércio ou algo do género) e para me dar a notícia que uma das pessoas da minha equipa vai rumar a prados mais verdejantes, algo que me acontece muito quando vou de férias. O que ela não sabia é que mesmo de férias eu estava a par do assunto. Preocupo-me com isso na 2a feira.
Encomenda nas mãos, vamos lá apanhar mais um pouco de vitamina D, agora em plena Avenida da Liberdade, Rossio, Praça do Comércio. Enfim, mini-turista em plena Lisboa. Jantar no sítio do costume nestas ocasiões e vamos lá a isso que está na hora da partida do concerto. Após alguma insistência ("Isso foi no São Luiz.") lá consegui somar 2+2 e confirmar que nunca tinha ido ao Tivoli numa troca de argumentos que culminou com a frase cliché "Certo, mas isso não foi comigo." 

Na partida, à espera do início
E o concerto? Foi tudo aquilo a que uma pessoa que tem ido a concertos do David está à espera. Quer seja com 10 ou 1000 pessoas ele está ali como se estivesse na garagem a ensaiar ou a tocar para um pequeno grupo de amigos. "Obrigado por terem vindo. Uma pessoa espera que esteja sempre muita gente mas tem sempre medo que não apareça ninguém."
A simplicidade com que ele comunica já é imagem de marca, mesmo quando começa a divagar e quase se perde nos pensamentos. Ou quando já lançou os primeiros acordes da música e pára para completar a ideia sobre a qual estava a falar. Ou quando confessa ter-se distraído com o assobio vindo do público. Ou quando se esqueceu de carregar no pedal e não gravou o sampler, portanto tem que recomeçar a música desde o início. Ou quando está com cãibras a meio da música.

Música atrás de música, história atrás de história, o tempo foi voando num serão muito agradável, onde não faltou a "música para vocês os dois, os maratonistas". Fica só a ressalva que a história até não tem um final feliz.


Venha de lá o próximo concerto, de preferência com a mesma companhia. Deste ficam pérolas de sabedoria - e não há qualquer ponta de ironia aqui, isto fez mesmo tudo sentido - como:
"Tu só te borras quando não te estás a cagar."
"Uma pessoa tem que aproveitar tudo ao máximo: a vida e as pilhas!"
Galeria fotográfica: http://infocul.pt/cultura/galeria-fotografica-noiserv-no-teatro-tivoli-bbva-celebrando-13-anos-carreira/

"E pronto. Foi mais ou menos isto."
 

(E nem digo quem é que cá vem dar um concerto em Setembro mesmo na altura dos meus anos...)

terça-feira, 27 de março de 2018

Corrida dos Sinos 2018

Começo já por dizer que não consegui pensar num título mais original para esta publicação. 
Resumo também já o que digo sempre que falo de Mafra: gosto de lá ir e de correr e passear por lá, portanto a Corrida dos Sinos é sempre um ponto de paragem obrigatório no calendário anual de corridas, não só para fazer a prova mas também para o belo do picnic no final.

Juntou-se um grupinho simpático de elementos da equipa e lá partimos domingo de manhã com a vantagem de já termos os dorsais levantados por um casal de colegas no dia anterior, mas sempre com a preocupação de chegar cedo na mesma por causa do estacionamento e dos cortes de estrada. Com mais ou menos mudanças de planos de última hora - questões de saúde fizeram com que nem toda a gente pudesse ir - chegámos a Mafra bem antes das 9:00, ainda a tempo de sentir umas gotas de chuva mas que foi prontamente desviada de lá pelo vento forte que se fazia sentir. Caros leitores: que ventania medonha que estava! Nem dava para aquecer devidamente e estivemos abrigados ora dentro dos carros, ora no café dentro do parque desportivo, ora no restaurante em frente à partida e que é um dos principais patrocinadores da prova. E conseguimos não fazer uma foto de grupo com toda a gente tanto antes como depois da prova. Malta, temos que afinar isto melhor...

Ainda houve tempo para uma rápida ida ao secretariado por questões burocráticas e isso permitiu-me trocar umas rápidas palavras com uma série de amigos e conhecidos. Aliás, este foi o mote para a prova toda.

Às 10:00 tocou o tradicional sino que dá o "tiro de partida" para a prova. Enquanto estávamos naquele impasse de chegar ao pórtico um colega diz-me que tocou o sino para assinalar que estamos a entrar na última volta. Uma volta de 15 quilómetros em que os primeiros são sempre uma luta para ganhar uma posição onde se possa correr tranquilamente sem atropelar ninguém e sem ser atropelado. Quando já vinha a subir após o retorno vi em sentido contrário um atleta com uma ferida e algum sangue na testa e na cara. Percebi depois quando vi as primeiras fotos da prova na Running and Medals que à passagem do primeiro quilómetro esse atleta já estava assim, pelo que terá provavelmente caído nos metros iniciais.

Ao chegar à zona da Escola de Armas já era possível correr sem slalom e de forma mais tranquila. Foi lá dentro que vi a Aurora Cunha a parar para umas fotos depois de ter começado a um ritmo elevado. No final ainda deu para tirar umas fotos com ela e conversar bastante. Já a tinha visto a apoiar atletas noutras provas, mas foi a primeira vez que tive oportunidade de privar com ela e digo que ela é de uma simpatia impressionante e nota-se que tem gosto e prazer no apoio e no contacto com os atletas.

Não parti para a prova com qualquer objectivo. A ideia é sempre fazer melhor que no ano anterior, mas confesso que nem sequer me lembrava ao certo do meu tempo. Só sabia que era no minuto 18 ou 19. Foi sem qualquer pressão que fui correndo. Sem pressão e sem música que optei por deixar em casa. Já devia ter um feeling que ia passar a prova sempre a cumprimentar atletas. Poucas também foram as vezes em que olhei para o relógio. Numa delas, já a descer depois da zona do Sobreiro, ia a sentir-me tão tranquilo que achei que podia forçar um pouco mais. Quando vi, ia a 4:24m/km! 

Assim que os primeiros classificados passaram começou o rol de caras conhecidas. Uns no grupo da frente, outros dentro do ritmo habitual bem superior ao meu. E umas rápidas trocas de "Força!" e uns quantos high-five a quem vinha em sentido inverso. Da mesma forma, no mesmo sentido que eu ainda passaram por mim alguns amigos cujo ritmo ainda tentei, mas não consegui, acompanhar. Quando cheguei ao retorno no fim da descida deu eu um high-five ao Sino que tínhamos que contornar e comecei novamente à procura de malta que agora vinha mais atrás para dar eu o apoio possível e necessário. E que grande festa foi sempre que me cruzava com alguém, sobretudo malta da equipa mas não só.

Foi nesta altura que ouvi alguém a gritar por mim e quando olhei de repente vi que era a Vonita! Voltei a vê-la quando ela cruzou a meta e consegui - FINALMENTE - conhecê-la pessoalmente. Depois de tanto tempo a estarmos em provas em simultâneo e nunca nos encontrarmos, foi desta! Deu para trocarmos uns dedos de conversa e fazermos umas fotos da praxe. Só por estes pequenos extras de convívio já vale a pena!

Voltando à estrada, quando dei por mim já tinha terminado a subida, já tinha pedido palmas e barulho ao pessoal que estava a assistir ao longo do percurso e já tinha percebido que estava quase sempre a acompanhar um atleta que estava ali a ser uma espécie de lebre improvisada e que andou sempre próximo de mim tanto a descer como a subir. Nunca falámos durante a prova, mas depois de passar a meta agradeci-lhe por ter sido minha lebre sem saber durante um bom bocado. Ele ainda estava cansado e acho que nem percebeu bem.

Tão distraído e tranquilo que ia que quando olhei para o relógio novamente para ver o tempo que ia fazer aos 10km... ele já marcava 12! Ah, já só falta isso? Vi que o ritmo até ao momento andava pelos 5:15m/km e fiquei satisfeito, sobretudo pelo facto de nunca ter tido necessidade de abrandar e caminhar, ao contrário do que tinha acontecido em 2017. Mentalizei-me para a última subida na aproximação ao último quilómetro. É aquela que me chateia sempre, mas domingo passei por ela com relativa tranquilidade. E assim que pude acelerei no final e fui quase em sprint até entrar no estádio. Ainda ouvi chamarem por mim mesmo ao passar o portão do parque desportivo - já percebi quem foi, obrigado! - e naquela fase já era a parte mais fácil com a emoção de entrar na pista de tartan. Ao ouvir gritar por mim e perceber onde estava a nossa malta dos Sininhos na bancada a tirar fotos virei-me para lá sorridente e de braços bem abertos. Missão cumprida.

Não há tempo de chip porque não havia tapete na partida, pelo que vou confiar no tempo do relógio para ser o registo oficial. Curiosamente terminei 2018 exactamente com o tempo final de 2017. No relógio a diferença é mínima. No corpo a diferença foi enorme! Não acabei exausto e tinha energia no tanque para fazer mais uns quantos quilómetros. Olhando para trás, penso que podia ter arriscado mais um pouco a descer, mas também sei que isso me poderia ter causado mossa a subir. Foi bom assim, muito bom mesmo.

Era altura de ver quem já tinha terminado e esperar por quem faltava. Mais umas fotos, a tal conversa com a Aurora Cunha, e não resisti à ansiedade e fui também procurar a nossa ET que já tinha companhia mas que nunca mais chegava... Felizmente não tive que correr muito para trás e lá vinha ela já quase a entrar no estádio. Agora sim, com toda a gente a cruzar a meta estava a missão cumprida, mesmo que tenha havido ainda uma... "descarga de emoção" que nos deixou ainda um pouc
o apreensivos.

Vamos ao picnic? Vamos! Mas onde? Em Mafra, como sempre. Mas está uma ventania desgraçada... Então vamos a outro lado. Fazemos o picnic "em casa"? Vamos para onde? E fomos. Para mais perto de casa onde estava... uma ventania desgraçada também! E isso interessa? Havia calor humano, havia amizade, havia minis, havia convívio e havia sopinha quente. Havia tudo o que nos move para continuarmos a repetir estas aventuras sempre que possível.




Histórico da prova:
2015 - 1:30:31
2016 - 1:22:49
2017 - 1:18:49
2018 - 1:19:00

P.S: Já me ia esquecendo e voltei cá para editar o post! No meio disto tudo, também deu para conhecer pessoalmente e falar um pouco com o Vítor Oliveira a quem agradeço desde já por aquilo que ele sabe (mas vocês ainda não).

Prova nº 80 - Corrida dos Sinos 2018 - 15km - 01:19:00

terça-feira, 13 de março de 2018

Meia Maratona de Lisboa 2018 - uma prova única

Vamos partir do pressuposto que dificilmente se vão repetir as condições climatéricas recentes nos próximos anos e que obrigaram a organização a accionar o Plano B e mudar o ponto de partida da Meia Maratona de Lisboa. Isto fará com que daqui a largos anos muitos de nós nos possamos sentir privilegiados com a possibilidade de termos feito uma prova única e de termos tido a sensação de fazer este novo percurso. É certo que choveram críticas à organização e que fazer a "Meia da Ponte" sem passar pela ponte tira parte do brilho da prova. Muitos são os que querem participar pela experiência de atravessar a ponte a pé e a Ponte 25 de Abril é atravessada na totalidade, o que não acontece, por exemplo, na Meia Maratona da Ponte Vasco da Gama. Também é verdade que bastava um atleta sofrer uma fatalidade em cima da ponte por causa do vento forte para choverem ainda mais críticas e se julgar a falta de responsabilidade por não se ter alterado o percurso. 

Qualquer decisão que uma organização tome é sempre sujeita a descontentamento, mas neste caso parece claro que foi a opção certa. E para quem reclamou outras opções, há que perder um pouco de tempo a ler o regulamento. Para mim e para a minha malta a grande diferença foi termos dormido mais um pouco e apanhado o comboio uma hora depois da ideia inicial. Só tive pena de alguma desorganização à chegada a Lisboa que me fez não ter conseguido encontrar a Nádia e a Inês que foram, já agora, responsáveis por eu ter estado naquela linha de partida. Antes de eu ganhar um passatempo já elas me tinham colocado um dorsal nas mãos, fruto de outro passatempo. Fica também o convite para seguir as respectivas páginas

Agora chega a altura das minhas críticas. Se não fosse com passatempo nunca teria voltado a fazer esta prova. O preço de inscrição esteve demasiado caro desde o início e a discussão sobre a camisola já vai longa em tantos sítios que nem sequer vou abordar esse assunto. Na prova em si o que mais me queixo é uma coisa tão banal como a inexistência de pórtico de partida. Eu sei que estava vento, mas nem que fossem dois membros da organização a levantar uma cartolina. E, já agora, o speaker que estava a tecer largas críticas - justas, pareceu-me - ao facto de haver atletas a atirar peças de roupa que não iam usar pela ponte abaixo também podia ter anunciado o início da prova. Eu e o colega que partiu ao meu lado só percebemos que era ali a partida por termos tropeçado nos sensores no chão. Relógio a contar e vamos a isso antes que chova.

E choveu logo ao fim de 10 minutos, mas foi coisa passageira. Eu que tinha deixado o impermeável junto da malta da caminhada não me arrependi da decisão. Ia bem disposto, sem pressão, rumo à marca das duas horas que tinha prometido, mesmo que ainda tivesse ouvido que "ah e tal, este gajo quando faz estes comentários é quando depois acaba melhor e com tempos record e mais-não-sei-o-quê." Confirma-se... a certa altura pensei em record. Devia ter chovido mais.

Encontrei a Inês, dei-lhe um abraço e desejei-lhe boa prova. Disse-me que a Nádia tinha saído dali agora mesmo, portanto fui à procura dela. À minha frente já tinha desaparecido o meu colega, outro que ah e tal, vou nas calmas. Foi tanto nas calmas que só o voltei a ver hoje à noite. Para trás ficaram outros colegas e amigos, um dos quais tinha dito que ia comigo mas acabámos por nos perder na confusão da partida e do arranque no início da prova. Curiosamente já falei com ele, mas ainda não o voltei a ver. E foi num ápice que saímos do Eixo Norte-Sul rumo a Alcântara.

Brilhava o sol, ia em bom ritmo e nem dava pelos quilómetros passarem. Porque raramente olhava para o relógio e porque raramente os encontrava marcados no percurso. Meia crítica aqui, porque não ter essa referência estava a ajudar-me a ir tranquilo. E quando vi um placa, ela estava virada para o lado errado e eu julgava já ter feito 9km e até disse à Isa e ao Vítor que os 10km e a metade da prova estavam já ali. O balde de água fria veio a seguir quando se deu a viragem no Cais do Sodré e ainda só íamos com 7km. Mais água fria chegaria volvidos mais 7kms.

Como era natural fui-me cruzando com várias caras conhecidas pelo caminho, fui metendo conversa, fui cumprimentando pessoal aqui e ali. Tudo coisas que ajudam a passar os quilómetros sem se dar por eles. Antes de chegar ao retorno lá estava a Nádia do outro lado. Uma rápida mensagem de força foi o que conseguimos desejar um ao outro. E depois do retorno um dos momentos pelos quais eu esperava: reencontrar ao vivo e a cores o João Lima a correr. Já tinha visto umas fotos e lido uns relatos, mas aquele curto abraço e troca de palavras foi essencial. Rumo aos 10kms onde passei com 55:30 aproximadamente. Foi aqui que fiz as contas habituais: faço o resto numa horinha e é sucesso garantido. Esqueci-me é que para isso funcionar tenho que fazer os primeiros 11kms em 55 minutos e depois sim os restantes 10 numa hora. Não faz mal, ia dentro do tempo previsto.

Ainda antes de chegar a Belém o percurso da Meia juntou-se ao da Mini, separados pelo gradeamento. Desviei o olhar para o lado de lá e encontrei imediatamente quem queria ver. "Então boa tarde e tal e até já que eu vou ali até Algés e já venho!" Pronto, o reencontro só se deu quase uma hora depois de eu ter terminado. Parecia um dia pródigo para perder pessoas de vista. Felizmente tinha outra repórter na meta à procura das nossas camisolas para fotografar.

Em 2015, da única vez que tinha feito a prova, o meu maior problema foi ter passado em Belém junto à meta e depois ter ido e ido e ido e ido e cada vez que me afastava mais cansado me sentia. Psicologicamente afectou-me, mas na altura era apenas a minha segunda Meia Maratona e eu não sabia fazer bem este tipo de gestão psicológica da prova. No domingo ia tentar inverter esse sentimento e estava a conseguir. E depois o céu escureceu e eu arrependi-me de ter dito algures lá atrás que durante a prova já não chovia mais. E não choveu, granizou!

Chuva forte, granizo, tocada a vento que soprava de frente. O mesmo vento que nos estava a impedir de correr e nos empurrava para trás. Baixei a cabeça, cerrei os dentes e fiz o meu quilómetro mais rápido da segunda metade da prova. Devo ter ultrapassado uns 20 ou 30 atletas nesta fase e a única coisa que tentava era ver por onde ia para não tropeçar em ninguém. Que chuvada! Meteu a um canto o dilúvio da Meia Maratona dos Descobrimentos de 2016. Ainda vi um amigo a passar já em sentido inverso. Confessou-me ele horas mais tarde que levar com o granizo por trás tinha sido como ter agulhas a espetarem-se nas costas. Eu continuava a não sentir saudades do impermeável. Foi um quilómetro, uns 5 minutos brutais. Senti-me a correr contra o mundo, contra todas as adversidades. E não neguei o desafio. A roupa ficou colada ao corpo e os ténis encharcados de forma instantânea e aquilo foi tudo mágico e surreal ao mesmo tempo. Agora que olho para trás ainda nem consigo ter a noção exacta do que foi correr debaixo daquele temporal. Só queria ter uma fotografia para guardar. E digo isto sem desejar nenhuma pneumonia a nenhum dos fotógrafos - amadores ou profissionais - que lá estiveram naquela manhã.

Passada a intempérie e já com dois terços da prova feita aguardava o retorno em Algés. Mas ele nunca mais chegava. E Algés não era ali atrás? Já estava todo baralhado e a trocar as provas. Tinha dito ao pessoal que íamos até Santa Apolónia, mas isso é nos Descobrimentos. E depois pensei que se não tínhamos ido tanto para aquele lado, então estávamos a compensar agora neste retorno. Tudo errado, o percurso era exactamente aquele com retorno na zona do Dafundo/Cruz Quebrada. Enfim, meia crítica a mim que devia ter olhado devidamente para o percurso em vez de achar que ainda me lembrava dele de cor e salteado. Chegado ao tão desejado retorno comecei a fazer contas ao que faltava até à meta. Próximo objectivo o abastecimento de água, depois o da fruta. Ou era ao contrário? Não interessa, há dois abastecimentos e primeiro quero chegar a um e depois a outro. E há malta para ver do outro lado da estrada para me fazer pensar noutra coisa sem ser o cansaço acumulado. E deixa cá espreitar para o relógio que continua a marcar a média dentro do que quero.

Agora era só rolar até ao fim sem precisar de acelerar, mas ali aos 19km entrou-me nos ouvidos uma das músicas da playlist que me dá pica e aqui o vosso amigo começou a abanar o capacete. Literalmente. E a fazer "air guitar" e "air drums" e cenas assim. Felizmente que os fotógrafos estavam abrigados porque a chuva tinha voltado ou estavam já concentrados na meta.

E a meta chegou rapidamente, não sem antes fazer um sprint final para ultrapassar alguns atletas e garantir que não ficava escondido atrás de um dinamarquês alto e espadaúdo que me fosse tapar ao cruzar a chegada. Uma pessoa tem que ter objectivos definidos, independentemente da zona da classificação onde termina. E consegui. Não fiquei tapado por ninguém e acabei 13 segundos abaixo do objectivo. Não podia pedir muito mais. Na verdade, a razão principal pela qual me inscrevi - e repito que nunca o faria se tivesse que pagar a inscrição - foi para melhorar o meu tempo nesta prova. Foi aqui que fiz a minha pior Meia Maratona de sempre (a desistência no Douro Vinhateiro não entra nestas contas) e jurei a mim mesmo que havia de voltar apenas para melhorar essa bela marca de 2:20:39 feita em 2015. E atenção: não tenho nada contra quem faz estes tempos! Na altura foi uma prova mal calculada e muito mal gerida da minha parte e com mais maturidade e experiência corrigi esses erros. Três anos depois tirei aproximadamente 21 minutos a essa marca. Um por quilómetro. (Mas tendo em conta que foi neste percurso único, será que conta na mesma ou tenho que voltar em 2019?)

No fim veio a medalha, o gelado, ainda mais fotos e uma curta caminhada até ao carro com direito a uma chuvada e a vestir o impermeável - afinal ainda o usei! - enquanto estávamos todos abrigados numa paragem de autocarro a 200 metros dos carros e onde tínhamos quase todos uma muda de roupa. Caramba que até aqui foi preciso lutar contra o Félix que me deu mais problemas que o temporal da Meia Maratona dos Descobrimentos, prova que me correu mal e que foi feita em modo de birra com o impermeável vestido.

Foi a minha 15ª Meia Maratona e foi a 5ª que terminei abaixo das duas horas. E se a ideia é apagar resultados menos conseguidos do passado, então alguém avise a Meia das Lampas que em Setembro conversamos.

O meu colega que partiu comigo disse-me antes de desaparecer por entre a multidão de atletas que começava aqui a preparação rumo ao Porto. Ainda faltam demasiados meses para pensar nisso, mas como dizia o Prof. Moniz Pereira: "Há treino todos os dias!" 

Próxima paragem: Corrida dos Sinos, Mafra.     


Prova nº 79 - Meia Maratona de Lisboa (Ponte 25 de Abril) 2018 - 21km - 1:59:47