Mostrar mensagens com a etiqueta 10km. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 10km. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Tagarro 2018

Voltei a Tagarro e abri a época 2018/2019. Ou, visto por outro prisma, abri o semestre das provas longas. E comecei logo com... uma prova de 10km! Grande maluco!

Depois de 2016 e 2015, foi a minha terceira ida a esta prova. E já nem vale a pena falar do ambiente da prova, da festa no final, das ofertas da inscrição, etc e tal. Basta ler o post do ano passado - ou qualquer outra pessoa que fale sobre a prova - para se ver o espanto que é o conteúdo do saco da prova e a alegria na localidade em torno da prova. Quando somos bem acolhidos a vontade de voltar aumenta e, assim sendo, se a prova se mantiver no calendário em 2019 lá estarei.

Parti sem qualquer ambição de tempo. Cheguei ao fim da prova sem me lembrar dos tempos lá feitos anteriormente, portanto nem sabia se tinha feito melhor ou pior. E não estava preocupado. Tal como em 2016 esta prova marca o regresso depois das férias e a partir daqui o foco é novamente nas provas longas, com o objectivo maior de tentar completar o tri na Maratona do Porto, sem esquecer a Meia Maratona dos Descobrimentos que me toca ao coração e onde quero chegar em boa forma. Veremos se há pernas até lá.

Ora, como não tinha objectivo de tempo para sábado acabei por arrancar a um ritmo confortável e claramente acima do que seria o meu melhor na distância. No início da prova, por dentro das ruas da aldeia estava mais preocupado em olhar para o público, receber o apoio que vinha de fora e, acima de tudo, divertir-me no que estava a fazer. Mesmo assim, vi depois que estava a correr na casa dos 5:10m/km, embora a sensação fosse que ia bem mais devagar. 

Foi, curiosamente, ao chegar à longa recta na zona da estrada nacional, na parte mais plana do trajecto, que acabei mesmo por abrandar o ritmo. 5:20, 5:30 e na subida que leva à primeira passagem pela meta 5:40. Percebi que estava na ronha quando deixei de ver colegas que têm um ritmo semelhante ao meu e depois quando fui ultrapassado por uma outra atleta minha amiga que eu sei que tem um ritmo habitual mais lento que eu. Continuava sem estar preocupado, mas começava a achar que a manter-me assim nem sequer ia conseguir acabar a prova a tempo de ver a segunda parte do derby que estava prestes a começar.

Depois veio o processo inverso. Entre os 6 e os 7 quilómetros voltei a acelerar e nessa altura tirei do bolso o gel que levava para experimentar e que tinha planeado tomar a meio da prova. Mais uma vez, não para me dar um rendimento por aí além, mas para testar em termos de sabor, eventuais efeitos secundários, etc. É da Prozis, já agora, e acabei resolver mesmo mudar de marca, agora que acabaram os da MyProtein que andava a usar antes.



Terá sido o gel a fazer efeito? De forma real ou apenas psicológica? Terei sido eu a cansar-me de andar àquele ritmo? Terá sido uma outra questão qualquer de "brio"? O que quer que tenha sido, resultou. Acelerei a partir dessa altura e, mais importante, senti-me bem. O meu quilómetro mais rápido foi o 9º. Num ápice "fui buscar" a minha amiga e acabei por ultrapassá-la entre os 8 e os 9 quilómetros e fiquei a poucos segundos da tal malta que tem um ritmo semelhante ao meu e que eu tinha perdido de vista há alguns quilómetros atrás. Deu para perceber que podia ter dado mais e acabei claramente com muita energia ainda no tanque. Podia ter feito melhor, mas não era importante. Pensando agora, se tivesse ido mais rápido a meio da prova, até tinha dado para ter acompanhado e até tentado puxar um pouco por um dos elementos da equipa. Paciência.

No final, depois de todos terem passado a meta em grande estilo e com um sorriso na cara, veio a festa que valeu por cada segundo. Excepto a meia hora de stress que tive a tentar acompanhar o final do jogo, pronto. Desculpem-me o vício...! Mas com futebol ou sem futebol, houve pódios e medalhas para tentar aplaudir, que isto de bater palmas ao mesmo tempo que se conforta o estômago com umas valentes sandes de porco no espeto e vinhaça da boa não é fácil. Esta segunda parte da prova não é para meninos, atenção!

E depois do jogo ainda houve mais animação, mais amigos a cruzaram-se no meio das tasquinhas. Houve Licor Beirão para aquecer porque o sol já tinha desaparecido há muito e o vento que estava durante a tarde manteve-se à noite. Houve prémios cómicos nas rifas - porque uma pessoa já sabe que lhe vai sempre sair uma prémio meio inútil mas diverte-se sempre a desenrolar os papelinhos e sabe que aqueles poucos euros que gasta vão ajudar. No final houve, acima de tudo, a promessa de voltar e de fazer novamente a festa no meio da festa. Porque isto da corrida é muito mais do que apenas correr.

Próxima paragem: Meia Maratona das Lampas!

Prova nº 90 - 10km de Tagarro 2018 - 10km - 00:53:21

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Corrida Volkswagen

Se há uma palavra que pode definir o que tenho sentido desde o Douro Vinhateiro, essa palavra é "ressaca". Desde então até ontem, apenas tinha corrido uma vez, num evento que fizemos em Lisboa e apesar de ter sido um treino com alguma altimetria, foi sobretudo uma brincadeira para o convívio com bastantes paragens para fotos de grupo.

Conheço perfeitamente este processo de ressaca, já tinha passado por ele logo a seguir à primeira maratona. Uma pessoa está muito focada num objectivo e quando ele está concluído (e felizmente com muito sucesso) rebenta aquela bolha de excitação que andou a crescer gradualmente até ao dia 27 de Maio. Já reconheço os sintomas e sei lidar com eles melhor, o que não invalida que não pudesse ter feito mais para lutar contra esta inércia consciente que se gerou.

Mas não foi tudo, não senhores. Neste fim de semana em particular houve outra "ressaca", aquela causada pelas jolas (a minha nova palavra favorita) no sábado à tarde e pelo vinho branco no jantar de aniversário de sábado à noite. Juntemos a isto algum desleixo durante estes últimos dias (hei-de fazer um post sobre as "actividades extra-curriculares" que tenho feito) e lá fui eu em bonitas condições correr no domingo a Palmela. As provas do crime:




Ora, era suposto em Junho a minha única prova ser a das Fogueiras, mas para além da questão do Challenge 3000 que já aqui abordei, também tive o privilégio de receber um convite para participar na Corrida Volkswagen através de uma empresa que é cliente de um colega de equipa. E lá fomos nós fazer uma prova que é daquelas que sempre esteve nos meus planos mas na qual nunca tinha participado.

A Autoeuropa é um mundo lá dentro. Não tinha noção da dimensão das instalações e mesmo tendo visto o percurso na página da prova, ainda me intrigava como é que íamos fazer 10km lá dentro. E após ver e rever o mapa, nunca consegui também meter na cabeça o caminho que íamos fazer. Como eu sou uma pessoa muito visual em termos de aprendizagem (obrigado às formações na empresa que me ajudaram a descobrir isto ao longo dos anos) preciso de analisar bem os percursos para me conseguir situar durante as provas e isso ontem nunca aconteceu. Não é grave, pensei, isto nem estava na agenda, é só ir atrás dos outros até à meta.

Fomos 7 elementos da equipa até Palmela, encontrámos lá um oitavo para além de alguns outros amigos. A grande curiosidade era mesmo as passagens pelos corredores junto às linhas de montagem da fábrica e nessa zona éramos brindados também com bastantes aplausos dos funcionários presentes. O tempo estava encoberto e a malta dividia-se entre os que tinham frio e os que não tinham. Eu levei a nossa camisola e vesti por cima a do nosso patrocinador de ocasião, ambas de manga curta, e se havia quem me dissesse que eu ia ter calor, também havia quem achasse boa ideia ter uma segunda camada de roupa. Como ambas as camisolas até têm o mesmo padrão de cor, não estranhei e ambas de acabaram por fundir numa só. Uma coisa certa era que o boné ia servir mais para proteger da chuva do que do sol.

À medida que se aproximava a hora de início da prova, o espírito ia entrando e após os votos finais de boa sorte não foi surpresa que eu tenha começado logo em bom ritmo a tentar fugir à confusão inicial da partida. Apesar do espaço ser largo, havia imensa gente e muitos zigue-zagues. Não tinha nenhuma estratégia definida, para além de dizer ao corpo que aqueles 10km eram a minha punição pelo que tinha andado a fazer nos últimos tempos, portanto era para os fazer até ao fim sem me queixar. Aguenta e não chora, rapaz!
Tentei ir atrás da dupla de colegas mais rápidos e durante os primeiros 3km ainda os fui acompanhando primeiro ali perto e depois cada vez mais longe até deixar de os ver no meio do pelotão. Foi mais ou menos quando percebi que estava a ficar sem pernas para o ritmo a que ia e moderei o esforço. Achei que tinha, pelo menos, ganho margem suficiente para gerir o resto da prova por forma a terminar abaixo dos 50 minutos e honrar não só a nossa camisola mas também a camisola extra que tinha vestida. E lá fui sem pensar em muito mais.

As passagens pelas linhas de montagem foram, de facto, interessantes. Tentando não perder o ritmo ia espreitando em volta para conseguir capturar alguns detalhes do interior e de todas aquelas peças do puzzle que acabam por formar os carros que dali vão saindo. E lá dentro não chovia, ao contrário do que ia acontecendo cá fora. Uma chuva não muito intensa, mas constante que se fez sentir durante um terço da prova, talvez. 
Outro ponto de interesse foi a pista de testes cá fora. Suponho que é o local dos testes dos travões e afins. Mais ou menos como aquilo que encontramos quando vamos com o carro à inspecção, mas ali estendia-se por quase um quilómetro de distância. Foi aqui também que havia um retorno que me permitiu ver praticamente todo o resto da equipa e fazer a festa quando nos cruzámos todos.

Depois deste ponto faltavam 2,5km e era altura de focar na meta que nunca mais chegava. Ao entrar nos pavilhões das linhas de montagem o sinal de GPS tinha sido perdido, portanto era impossível contar com as médias do relógio para saber a quantas andava. Acabou por me marcar 9kms no final da prova. Olhando para o tempo decorrido mantinha a convicção que abaixo dos 50 minutos era garantido e tive essa garantia quando tinha 44 minutos ao passar a placa dos 9kms. Só um infortúnio me faria fazer 6 minutos no quilómetro final e fiz um último esforço para terminar o melhor possível. E consegui.

Depois da prova veio um momento de maior tristeza ao saber que um amigo tinha caído a cerca de 300 metros da meta e veio a confirmar-se depois que fracturou duas costelas. E aqui veio um daqueles momentos de entre-ajuda que me faz orgulhar de estar neste mundo. Quem ia mesmo atrás do nosso amigo era o meu mentor que ia a acompanhar uma colega nossa rumo a um bom tempo, mas pararam imediatamente para o ajudar e foram chamar ajuda da organização (para além de entrarem logo em contacto com a mulher dele que aguardava na meta) e só o deixaram quando já estava na companhia dos bombeiros. Provas há muitas e foi mais uma confirmação de que aprendi tudo o que sei com a pessoa certa.

Aprendi - ou recordei - também outra lição. Logo na meta percebi que a nossa enfermeira bateu o seu record aos 10km e vendo os resultados mais a frio percebi que o mesmo aconteceu com um dos colegas mais rápidos que eu (ou com ambos até, não tenho a certeza). Para além da muita felicidade pelos resultados deles fica no ar a ideia que eu poderia ter conseguido o mesmo se não tivesse andado mais na balda nos últimos tempos. É que olhando para o meu próprio resultado final acabei por não ficar nada longe. Obviamente que não tenho nenhuma obsessão com os tempos e esta prova nem fazia parte do calendário, mas é a prova de que não podemos/devemos baixar a guarda em nenhum momento porque há oportunidades que aparecem que podem ser únicas e temos que estar preparados para as agarrar com ambas as mãos ambos os pés. Por outro lado, há mais da vida para além das corridas, portanto não me arrependo de nenhum dos momentos de lazer e de nenhuma das jolas. Mal seria se assim fosse. Venham mais: corridas e jolas! Já disse que jolas é a minha nova palavra preferida?

Prova nº 88 - Corrida Volkswagen 2018 - 10km - 00:48:42


terça-feira, 22 de maio de 2018

Alverca

"Eh pá, tanto tempo de preparação e isto acaba tão depressa...!"

Foram as minhas palavras para o Gajo da ET à entrada para o sétimo quilómetro, já na zona da pista de aviação, numa altura em que íamos lado a lado. Ele acabou 3 ou 4 segundos à minha frente e à hora de almoço jurou-me a pés juntos não se lembrar do grande abraço que demos depois da cruzar a meta. Na verdade - e já escrevi isto antes - é demasiado redutor resumir a prova ao tempo que demorei a concluí-la. Podia fazer aqui uma descrição ao pormenor de todos os quilómetros desta prova, mas poupo-vos a seca.

Se há provas que ficam no coração, esta é uma delas e a deste ano em particular. Quem já teve o privilégio de estar na organização de uma prova - ou de qualquer outro evento - sabe bem que existe uma linha ténue entre o prazer que dá trabalhar em prol dos atletas que tem sempre que superar o cansaço físico acumulado ao longo dos dias, das semanas, dos meses. E sim, acaba tudo demasiado depressa.

Fui convidado pelo segundo ano consecutivo a fazer parte do staff da prova. Este ano com funções mais alargadas - algumas por minha culpa porque quis fazer mais do que me foi pedido - que me trouxeram mais dores de cabeça que o que eu gostaria, mas que me deram um prazer enorme a organizar. Eu, que prefiro sempre ficar no meu cantinho e passar despercebido, dei a cara de forma mais activa e a partir de certa altura, semana após semana, recebia o retorno em dobro. Fiquei de coração cheio.

Na semana anterior fiz zeroooooo treinos!
Na véspera da prova houve jantar de aniversário no restaurante mexicano, com jalapeños e margaritas.
Às 7:15 de domingo já estava ao telefone a ser informado que um dos meus projectos para a prova iria falhar, por culpas alheias. 
No resto da manhã ainda estive a entregar e a coordenar a equipa que entregou os últimos dorsais e kits. Dez minutos antes da partida, já depois de despir a camisola de staff e de vestir a de atleta participante, ainda estava ao telemóvel a dar umas informações e indicações finais.

Quando dei por isso já estava a correr e uns 7 ou 8 minutos depois - 49:28 para ser mais rigoroso - estava a cruzar o pórtico da meta. Passou demasiado rápido, mas não tinha acabado. A cada passo que dava encontrava caras conhecidas, caras amigas, abraço, beijinho, feedback positivo, feedback de áreas onde houve falhas (porque as houve, obviamente!), telefonemas para aqui e para ali, entregas de prémios, pódios, sorrisos, muitos sorrisos, conhecer ao vivo e a cores malta com quem até ali só tinha falado por telefone/e-mail/mensagem. Enfim, uma sucessão infindável de acontecimentos que, infelizmente, passaram demasiado depressa. Ainda agora estou demasiado eufórico a falar e a pensar em tudo isto.

No fim, uma certeza: repetia tudo novamente já a partir de amanhã!
Se me quiserem, regressarei com todo o gosto em 2019! 

E a prova? Fiz sub-50 pela primeira vez, aproveitando a boa onda do mês de Maio que não foi quebrada pela semana mais cansativa e aproveitando também o percurso linear com altimetria negativa por não fazermos a subida final que nos levaria à zona da partida e onde estava também situada a meta nos dois anos anteriores. Numa prova que teve sempre percursos diferentes em todas as edições o meu histórico é:

2015 - 00:59:54
2016 - 00:50:14
2017 - 00:51:17
2018 - 00:49:28

Agora vamos ao Douro Vinhateiro para desempatar o jogo a meu favor!

Prova nº 86 - Corrida Cidade de Alverca 2018 - 10km - 49:28

domingo, 13 de maio de 2018

Um avião na Hovione

Segundo fim de semana da Maio, segunda prova. Desta vez rumei a Loures para participar na segunda edição da Corrida da Hovione. Uma viagem não muito longa e um preço convidativo são bons cartões de visita. A isto junta-se uma caminhada gratuita (e solidária) e uma organização me pareceu e qualidade e que se mostrou atenta, nomeadamente na decisão de atrasar a corrida em alguns minutos (primeiro dez, mas depois foram só sete) por causa de um atraso no início da caminhada e que faria com que os atletas de ambas as vertentes fossem colidir a certo ponto. É claro que poderiam ter pensado nisto de antemão e dar logo tempo suficiente para eventuais atrasos, mas também podiam não ter tido este cuidado.

Do que não gostei - digo já - foi da distância marcada pela generalidade dos relógios na prova, todos a rondar os 9,8km. Por outro lado passámos num túnel que pode sempre fazer mossa no GPS e foi-me garantido por quem treina por ali que na zona do LoureShopping por onde passámos o GPS também costuma falhar. Mas, e há aqui um bom mas, também encontrei já registos de 10km medidos certinhos. Também não gostei do pacer dos 5:00/km e aparentemente a pacer dos 6:00/km também não foi certinha como se pedia. Senti que o pacer dos 5:00/km foi irregular no andamento. Passou-me algumas vezes - e eu a ele de volta - e em algumas zonas quase que parecia parar. Já vi esta questão ser abordada ali na rede social e reconheço que deve ser um papel complicado, mas super interessante.

E porque reparei eu tanto no pacer? Porque a partir do momento em que vi que havia pacers que o objectivo de fazer sub-50 ganhou mais força e a ideia era sempre chegar antes dele. E consegui, apesar de nos termos ultrapassado mutuamente algumas vezes.
Nesta fase fazer sub-50 é, felizmente, o objectivo normal para uma prova de 10km, no entanto já me tinham deixado algo apreensivo por causa do percurso e da altimetria, nomeadamente a subida que rumava precisamente à Hovione e que estava colocada a meio do percurso. Ainda hoje assim que cheguei a Loures foi logo a primeira coisa comentada pela amiga com quem me cruzei. Eu rematava que depois havia retorno e teríamos oportunidade de descer, caso houvesse pernas para isso. Havia também outra subida aos 8km... mas depois era sempre a descer até à meta.

O dia prometia sol, apesar de estar um vento fresco de manhã, que foi desaparecendo à medida que se aproximava a hora da partida. Chegámos bastante cedo, fruto de termos uma boa parte de participantes que fariam a caminhada e teriam que apanhar os autocarros disponibilizados para se deslocarem para a zona da sua partida. Depois disso, o tempo foi passando rapidamente entre aquecimento e convívio entre nós e com malta amiga com quem nos íamos cruzando. Tendo em conta que um dos colegas de equipa presente é funcionário da Hovione ele ia falando com muitos colegas que estavam a tratar dos últimos preparativos.

Ao começar a corrida partilhei que ia experimentar uma estratégia que é adoptada por um amigo: tomar um gel logo de início para fazer os 10km. Acho que a única vez que tomei um gel numa prova desta distância foi aos 5km da São Silvestre dos Olivais por ter rebentado na primeira metade. Como a partida adiou optei por aguardar e tomar à passagem do primeiro ou segundo quilómetro quando já estivesse num ritmo certo. O início foi confuso, até porque parti muito atrás, mas consegui ir ziguezagueando até chegarmos a uma zona onde a estrada era larga. Comecei a pensar então em tomar o gel que tinha colocado no plástico do dorsal e que já me ia a irritar por estar a abanar tanto. Quando fui pegar nele... tinha rompido o plástico e caído algures naquele primeiro quilómetro sem que eu tenha dado por isso. Paciência, testo esta estratégia noutro dia.

Fui mantendo um ritmo controlado com o tempo geral sempre abaixo dos 5:00/km até chegar à tal subida onde o ritmo piorou e onde o pacer me passou pela primeira vez. Fui atrás dele e assim que se deu o retorno deixei-o largamente para trás. E como sempre nos retornos: olhos do outro lado da estrada porque há amigos (muito) mais rápidos e outros menos velozes a quem eu faço sempre questão de dar uma palavra de força e apoio.

Mantinha-me confiante à medida que os quilómetros iam passando. Música nos ouvidos, sol a bater na cara, amigos espalhados algures pela estrada fora, poucos sinais de cansaço. Tudo ok, preparado para deixar tudo no alcatrão na última fase da prova. E, de repente, assusto-me ao ver... o pacer dos 5km ultrapassar-me e eu a não conseguir encostar a ele. Já agora, nem eu, nem ninguém. Estávamos na zona da Igreja de Santa Maria onde havia um largo para darmos a volta e muito empedrado. Foi no final desse largo que apanhei novamente o pacer que me confirmou estar um pouco mais rápido que o ritmo esperado. Eu segui - mais caras amigas do outro lado ainda a tentar chegar ao retorno.

Era hora da outra subidinha mais complicada, mas... nem correu mal. E no final ouvi que agora era sempre a descer até à meta. Meti o turbo e levantei voo. Olhei para o relógio e vi que o sub-50 estava mais do que garantido portanto agora era só fazer o melhor possível. E esse melhor ficou a poucos segundos do meu record pessoal! Quando entrei na reta da meta vi o que marcava o relógio oficial e acelerei ainda mais até passar o pórtico. Se a prova não tem os 10km certos, paciência, a culpa não é minha. O tempo final há-de ficar registado e o objectivo de mais um sub-50 estava no papo. Festejo ao cortar a meta e encaminho-me para receber as ofertas finais: medalha, água, maçã e um sandes de carne assada que foi uma surpresa agradável. Só falou estar uma banca de imperiais no jardim junto com todas as restantes actividades programadas para a tarde.

Logo a seguir chegou outro colega de equipa a quem eu rapidamente pedi que ficasse com as minhas coisas. Ele acedeu e eu voltei atrás para ir buscar uma amiga. Ao entrar em sentido contrário na prova vi que o resto da malta da equipa estava bem e que não precisavam de reboque, mas ela precisava de um estímulo extra e ele apareceu. Aliás, eu apareci. E viemos juntos a voar também até à meta. Missão cumprida!

Seguiram-se algumas fotos, uma ida ao pódio ver a entrega de troféu a um amigo e estava na hora de regressar, embora o tempo e o ambiente convidasse a um piquenique no parque da cidade. Fica para a próxima. Em resumo: convívio, bom tempo e boa marca num percurso com altos e baixos. E falando no percurso, achei-o nem sempre agradável à vista com passagens por zonas nem sempre interessantes e por algumas vias meio secundárias. Seria o percurso possível ou era mesmo tudo o que Loures tem para oferecer?

Próxima paragem: Alverca

P.S: Tendo ou não os 10km, fica registado como a minha terceira melhor marca na distância. E caramba, sempre é melhor ter uns metros a menos do que ter 12,5km como outra prova - de 10km - que se realizou hoje em Lisboa...!

Prova nº 85 - Corrida Hovione 2018 - 10km - 48:31

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Scalabis

"Olha lá, tu percebeste que era eu quando te cruzaste comigo no primeiro retorno? É que ias a dar high-5 a toda a gente que nem deves ter visto quem eu era!" - perguntava-me a minha colega de equipa depois do final da prova. É que eu falei com tanta gente, antes, durante e depois da prova que já podia estar em modo de piloto automático e nem reparar com quem estava a interagir. Mas sabia, claro que sabia!

A Scalabis Night Race tem sido um turbilhão de emoções para mim. Da primeira vez que fui acabei a prova e senti um vazio tremendo causado pelo meu estado de espírito na altura, apesar de ter ido com imensa companhia. No ano passado fui lá vingar-me e bater o meu record pessoal aos 10km (48:18) que ainda é o actual. A comitiva presente foi novamente muita, mas muito diferente para melhor. Isso notou-se no resultado final. Este ano fomos poucos, mas novamente bons. Ia com ideia de atacar o record, mas com a noção que a minha forma em Abril do ano passado era melhor que a actual.

O dia acordou chuvoso mas acabou por melhorar gradualmente e à hora da chegada a Santarém estava uma temperatura até bastante agradável. Dorsais levantados, jantar e primeiros encontros com amigos e conhecidos. O ambiente pela cidade era de festa, como sempre. As ruas estavam cheias de gente e havia imensa animação. Tudo isto ajuda a entrar no espírito da prova e torna o ambiente muito mais convidativo. É nisto que a Scalabis se torna uma prova de referência do calendário nacional. O facto da prova se realizar num sábado à noite (com a prova dos mais novos a meio da tarde e a caminhada ao lusco-fusco) ajuda a que haja sempre festa durante o dia todo e faz com que quem vem de mais longe acabe por passar o dia pelas ruas da cidade. E claro que se fala muito da prova por causa do abastecimento de vinho tinto, mas confesso que só no primeiro ano é que abasteci nessa zona.

Antes de irmos até ao carro equipar ainda ficámos um pouco a assistir e a aplaudir quem chegada da Mini Race (o termo oficial da caminhada). Ao equipar a minha dúvida era levar ou não a camisola de manga comprida por baixo ou ir só de manga curta. Acabou por ganhar a primeira opção porque podia sempre arregaçar as mangas. Como a temperatura se manteve sempre estável podia perfeitamente ter dispensado a manga comprida. Até me bastou um curto aquecimento para começar a suar em bica! E lá fui, juntamente com o Gajo da ET, até à nossa zona sub-50. Ela ficou na parte fixe do pelotão, aquela onde a malta se diverte à brava.

O Benfica estava a jogar à hora da prova, tal como no ano passado. Já se tinha ouvido falar num golo, mas eu nem sequer ia preocupado com isso. Mal imaginava eu que a corrida me iria poupar a uns ataques de nervos.

O início ali é sempre difícil. Há imensa gente e mesmo com a divisão por blocos de partida temos que fazer uns ziguezagues por ruas relativamente estreitas. Ou, pelo menos, estreitas para tanta gente. Quando fazemos nova passagem pela meta já com um quilómetro nas pernas já é mais fácil transitar e sentir novamente o apoio do público. É outro factor importante e constante, há sempre público e animação durante o percurso para dar força aos atletas. Foquei-me em tentar apanhar uma lebre que fosse em bom ritmo e isso resultou durante um bom bocado, até ao momento em que eu a ultrapassei e fui atrás de outra lebre mas que era demasiado rápida para mim. Acabei por encontrar o ritmo que queria e no primeiro retorno lá ia concentrado na estrada e na malta que passava do outro lado. Aqueles high-5 não me fizeram perder tempo nenhum e deram-me ânimo para continuar.

Cheguei a meio da prova com pouco menos de 24:30, o que significava que teria que fazer um segundo parcial melhor para ter hipótese de chegar ao tempo do ano passado. A partir deste momento só voltei a olhar para o relógio antes da meta. Independentemente do tempo, ia bem disposto e sempre a corresponder às palmas que vinham de fora ou a pedi-las caso fosse preciso. Foi nos quilómetros seguintes que percebi que tinha de redefinir o objectivo final. Comecei a ver o meu colega ao longe. Depois estava mais perto e tentei apanhá-lo para ver como é que ele estava (fez a prova após uma lesão recente) e eventualmente irmos juntos. Tentei, mas o melhor que consegui foi ir ao mesmo ritmo dele sem nunca me aproximar mais.

Foi ao sétimo quilómetro que abandonei de vez a ideia do record pessoal. Já tinha dado tudo o que podia. Curiosamente nesta altura passou em sentido contrário uma das muitas caras conhecidas com quem me cruzei que me grita em plenos pulmões: "Já vais todo roto!!!"  E por mais ruim que esta frase possa parecer, ele tinha toda a razão... Eu já estava rebentado e isso notava-se a léguas! Foi aí que entrei em modo "faca nos dentes e coração na boca" como tínhamos ouvido horas antes durante o dia. Nos dois quilómetros seguintes perdi quase 20 segundos em cada, comparando com o ritmo a que ia antes. Passei de 5:00/km para 5:20/km, mais coisa, menos coisa. Estes 40 segundos tinham dado jeito no final.

No último quilómetro voltaram as forças e recuperei algum tempo perdido, sobretudo na aproximação à recta da meta quando vi que ia conseguir fazer sub-50. Quando me coloquei numa posição favorável para ser apanhado por um fotógrafo (uma pessoa tem sempre que pensar nestas coisas, pá!) fui ultrapassado por uma atleta que fez um sprint vigoroso e se foi colocar mesmo à minha frente. Não podia ser e respondi também eu com um sprint final antes de cortar a meta agarrado ao símbolo da camisola onde cabem sempre todos os elementos da equipa que não estão presentes pessoalmente. Fim de prova e logo ali à frente estava o meu colega juntamente com outro amigo nosso que terminara praticamente ao mesmo tempo. Acabei por ficar a 30 segundos dele. Aqueles segundos perdidos davam para termos feito a parte final da prova juntos.

Depois de respirarmos e de bebermos água viemos em sentido contrário à procura da ET, mas ainda fomos interpelados duas vezes por pessoal que já tinha terminado e tivemos que ainda tratar da vertente social das corridas. Foi agradável porque num dos casos consegui falar pessoalmente com malta com quem tenho estado a tratar de convites apenas através das redes sociais. Encontrá-mo-la à saída da Escola de Armas, bem disposta e com pouco mais de um quilómetro para terminar. Fomos juntos até ao final como estava previsto e tivemos o privilégio de ver nessa fase o fogo de artifício que tinha começado entretanto. Chegar à meta enquanto um bonito espectáculo de pirotecnia explode nos céus não é para todos. Estão a ver como a malta que não corre tão depressa está na parte fixe do pelotão?

E por falar em partes fixes, agora faltava comer enquanto tocava a banda de tributo aos Queen. Valha a verdade, não gostei assim muito do que ouvi, mas era Queen, pronto. A cerveja soube-me bem melhor que a bifana e se pudesse tinha comido outro pampilho. Com o passar das horas já não fomos a tempo de ir à pastelaria que ficou aberta até mais tarde. Isso é sinal que temos que lá voltar novamente. Ainda em Fevereiro tinha tido um almoço de aniversário em Almeirim com uma curta passagem por Santarém e aguardo já pelo regresso àquela zona que espero que seja bem antes dos 20km de Almeirim.

Deixo só uma nota negativa e estranha. No ano passado o relógio marcou-me exactamente 10km, mas este ano ficou-se pelos 9,7km e os registos que vi no Strava apontam todos para uma distância de 9,8km. É pena. Houve uma pequena alteração de percurso, será que justifica estes metros a menos?

Fim de festa. No dia seguinte alguns loucos ainda iriam para a segunda parte de um fim de semana passado a correr enquanto eu teria uma Maratona para acompanhar, para além de seguir com o máximo de atenção o desempenho de uma colega que fazia a estreia na Meia Maratona também em Madrid. Sofrer à distância custa tanto, mas ver o esforço recompensado com bons resultados é muito gratificante.

Agora seguem-se algumas provas do troféu das localidades. Tenho que ver a quais consigo ir nas próximas semanas.

Prova nº 83 - Scalabis Night Race 2018 - 10km - 49:36

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

São Silvestre de Lisboa 2017

Há várias semanas que um colega de equipa me andava a tentar desencaminhar para ir fazer a São Silvestre dos Olivais (como se fosse difícil convencer-me a ir fazer uma prova) mas por um motivo ou outro eu não estava 100% seguro que a queria fazer. Em boa hora decidi que não queria mesmo, o que se veio a revelar uma boa decisão porque no dia antes o nosso treino das 5as feiras foi temático e, de repente, havia 50 pessoas para levar a correr pelas ruas da cidade num percurso que foi traçado por mim. Daquilo que mais me lembro é de dizer no briefing que estava cheio de medo de me enganar no caminho mas felizmente nada disso aconteceu e a coisa foi, sem falsas modéstias, um pequeno sucesso. Como já se falou o suficiente do assunto ali na rede social - com direito a reportagem na imprensa local e tudo - vamos lá ao assunto que nos trouxe aqui: a São Silvestre de Lisboa.

Este meu colega acabou por se convencer a fazer a prova porque era onde já estavam inscritos muitos dos elementos da equipa. Mesmo assim ainda foram dois aos Olivais. Azar dos azares, ele teve um impedimento pessoal que o forçou a não estar em Lisboa no sábado e na véspera cedeu-me o dorsal dele. Foi daquelas situações chatas porque podia na mesma ter feito os Olivais como pretendia originalmente, mas ele também não pareceu muito chateado com isso. Até calhava bem porque ele - tal como eu se me tivesse inscrito - tinha um dorsal sub-50.

A questão é que eu já há muito tempo que andava a dizer que queria estar na prova com o pessoal mas sem competir. Queria estar ali pela Rua da Arsenal à espera de os ver passar, correr ao lado de quem precisasse, fazer umas palhaçadas e dar apoio moral, empurrá-los pela Avenida da Liberdade acima um passinho de cada vez e depois do Marquês sair de cena antes da meta para não a cruzar ilegalmente sem dorsal. Assim sendo a coisa já era diferente. A única ilegalidade era mesmo ter um dorsal com outro nome, algo que também não gosto como já aqui referi mas onde o risco é exclusivamente meu.

Lá me juntei com o pessoal à hora marcada, mas a partida para Lisboa foi um pouco confusa e com atrasos, ao que se somou muito trânsito já dentro da cidade. Comentei por sms que se estivesse ali para competir "a sério" estaria a ficar nervoso. Como é normal nestas situações tudo acabou por se resolver, carros todos estacionados algures e todos juntos no ponto de encontro para tirar fotos, tentar um grito de guerra que ainda não está bem ensaiado, acima de tudo, rir. Pelo meio ia vendo uma ou outra cara conhecida e trocando alguns cumprimentos. A caminho dos blocos de partida ignorei a porta dos sub-50 e fui com a malta foi ficando para o último dos blocos. Disse-lhes repetidamente, tal como tinha comentado na semana antes, que estaria ali para me divertir e que nos grupos de trás é que se corre com tempo e calma suficiente para se desfrutar de todos os momentos.


A Avenida estava lindíssima àquela hora da tarde. Muito mais bonita ao vivo do que alguma das fotos que eu tirei. E acreditem que tirámos imensas enquanto aguardámos pelo início da prova. Pelo início da nossa prova que foi uns 10 minutos depois do arranque oficial das Elites. E lá fomos. Confesso que fui sem qualquer plano. Estava só ali por perto a correr ao ritmo das minhas colegas de equipa. Nem sabia muito bem quem iria acompanhar ou se iria andar a fazer piscinas entre elas. Foi com alguma naturalidade que duas foram mais para a frente com bom andamento e uma ficou um pouco para trás portanto fiquei num ponto intermédio junto de outras duas colegas. Ao mesmo tempo pensava que podia estar a tentar fazer de lebre ao meu colega que queria fazer 45 minutos (mas isso é mais rápido do que eu corro) ou estar com o outro colega que ia tentar chegar aos 52 minutos ou estar com... Enfim, tanta gente a quem eu queria fazer companhia.

Lá fomos os três num ziguezague constante para tentar ultrapassar outros atletas enquanto nos mantínhamos unidos e sem perder ritmo. Íamos a 6:15m/km o que era um ritmo interessante para elas, ao mesmo tempo que eu já ia tentando ver quem vinha em sentido contrário para ver se percebia onde ia o resto da malta. Encontrei alguns, mas não todos. Encontrei também mais pessoal amigo o que é algo que muito me agrada. E de vez em quando ouvia também o meu nome, embora nem sempre fosse para mim. E quando era demorei imenso tempo a reagir para retribuir a mensagem de força. O nosso trio manteve-se quase sempre coeso, mas aos 4km uma delas fez-me sinal que tinha que abrandar um pouco mas que nós fossemos em frente que ela já nos apanhava. Cumpriu a promessa e logo a seguir ao abastecimento já estava junto a nós novamente, no entanto teve que abrandar pouco depois. Ficámos só os dois e eu sempre a tentar perceber se o ritmo era tranquilo para ela. Disse-me que também queria abrandar mas que não o ia fazer. Não sei se a minha presença ali lhe deu ânimo ou se se sentiu pressionada para não dar parte de fraca, mas gabei-lhe a força de vontade e a excelente prova que estava a fazer. Com isto já estávamos de regresso ao Cais do Sodré e havia cada vez mais gente na rua a assistir - em silêncio - à prova.

Ora se eu já puxo pelo público quando vou a correr no limite com os dentes cerrados em busca de um bom tempo, então agora que ia a um ritmo tranquilo para mim ainda mais energia tinha para animar os espectadores. Assim fiz e várias foram as vezes em que gritei a pedir palmas e a pedir barulho, mas infelizmente nem sempre fui correspondido. A minha colega devia estar a chamar-me louco, pensava eu... mas como ia eu à frente a servir de lebre nem sempre via a reacção dela. Entretanto percebi que ela estava a achar interessante o meu esforço. No meio do pessoal que estava à beira da estrada lá havia, como sempre, elementos do Correr Lisboa a dar um apoio constante. Por falar neles, foi a caminho do Rossio que encontrei a minha amiga Inês que me disse que até no meio de 10 mil pessoas nos conseguimos encontrar sem ser preciso combinar e que me "confidenciou" também que afinal não era só na Avenida da Liberdade que se começava a subir porque ali também já não era fácil. Ainda lhe tentei dizer que era pura ilusão, mas as pernas sentem logo quando o terreno começa a inclinar. Ao mesmo tempo perguntava à minha colega se ela tinha energia para enfrentar o que faltava e disse-me que tinha que ser. Sugeri-lhe não ter a  tentação de querer aumentar o ritmo para compensar a subida mas para ir tranquila, um passo de cada vez, lá está.

Aguentou-se muito bem, só teve necessidade de caminhar no último cruzamento da Avenida já com o Marquês à vista. Mandou-me seguir, que não esperasse por ela. Já o tinha feito no abastecimento quando teve que parar para beber água sem se engasgar. Seguir? Sem ti? Então mas eu estou aqui é para te ajudar, não tenho pressa em chegar à meta que ela espera por mim. E assim foi até dar quase meia volta ao Marquês. Disse-lhe que o mais difícil estava feito e que agora era só gerir a descida até à meta. Vou voltar para trás - acrescentei - à procura da nossa colega. Não tive que descer muito porque ela não vinha longe e fiz o mesmo. Deixei-a no mesmo sítio e fui pela Avenida abaixo "em contra-mão" à procura da última colega da equipa que eu imaginava viria com mais dificuldades, mas o último é o mais importante e ninguém fica para trás!

Vinha efectivamente cansada e ainda a começar a subir. O marido já a vinha a ajudar (fez 47 minutos em vez dos 45 que queria) e fomos os três por ali acima. Eu e ele mais na conversa para não a pressionar, ela a lutar com todas as forças contra aquela inclinação tramada. Fomos subindo, mais depressa ou mais devagar e ele dizia-me que a certa altura nos deviam barrar a passagem, até porque já lá atrás não o queriam deixar passar para a acompanhar quando o viram de medalha posta e com o resguardo prateado que foi dado no final da prova. Ok, disse-lhe eu, não te preocupes que se não te deixarem seguir eu acompanho-a até à meta. Valha a verdade eu gostava de terminar a minha prova, pá! Ficou incrédulo porque achou que eu já tinha passado a meta e tinha regressado ao percurso como ele. Nada disso, nada disso.

Ele foi efectivamente connosco até próximo das barreiras. Ao darmos a volta completa ao Marquês - e enquanto tentávamos convidar uma outra atleta do Correr Lisboa a seguir na nossa boleia e combinar onde era o ponto de encontro com a malta da nossa equipa após a meta - eis que vemos um foguete a passar sorridente pela Avenida abaixo! Ela ganhou forças vindas não sabemos de onde e estava com energias renovadas. Deu para ir quase sempre sem parar até à meta que foi cruzada de mãos dadas, seguindo-se um forte abraço!

(Gostava de encontrar uma foto da chegada, mas ainda não fui à página da prova na Running & Medals ver os álbuns que já estão disponibilizados e catalogados.)

Melhor ainda, todo o resto do pessoal que partiu connosco tinha aguardado por nós após a meta antes de ir receber a medalha. Esta amizade que nos une e este espírito que temos é completamente indescritível. Saber os bons resultados do resto do pessoal foi um bom complemento. A colega que eu acompanhei durante o percurso todo até ao Marquês já me tinha dito que a prova estava a passar muito depressa e veio a comprovar que fez o seu melhor tempo aos 10km. Maravilha!

Quanto a mim, passei a meta com o meu pior tempo de sempre numa prova de 10km - e no meio do vai-vem acabei obviamente por fazer mais que isso - mas foi das metas que mais alegria me deu a passar. Daqui a uns largos anos hei-de olhar para este tempo e por uns segundos hesitar se não me enganei a registar a prova no meu arquivo mas rapidamente me lembrarei de todos os momentos daquele final de tarde. Não podia ter tido uma meta melhor para terminar o ano. Adorei cada quilómetro, cada momento, cada passada dada pelo prazer de correr, pelo prazer da companhia, pelas gargalhadas, por tudo! Achei mesmo que ia sentir falta da adrenalina de estar a lutar contra o relógio para fazer "aquele" tempo mas isso nunca aconteceu. Em 2018 vou querer continuar a trabalhar para atingir alguns objectivos, eventualmente bater algumas das minhas melhores marcas actuais mas também vou querer voltar a ter dias assim em que o coração está tão cheio de carinho acumulado ao longo dos tempos que começa a transbordar e a retribuir tudo na mesma moeda e em todas as direcções.



Agora é voltar a respirar fundo e recomeçar tudo novamente. Nova semana com treinos, nova prova no domingo.

Para todos, votos de um 2018 em grande e que possam atingir a felicidade e o sucesso que procuram e que merecem!

Prova nº 74 - São Silvestre de Lisboa 2017 - "10km" - 01:21:40
    

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

GP Natal 2017

Tentei não ler o post do ano passado, mas falhei redondamente e foi o que acabei de fazer antes de começar a escrever este. Não sei se há mais semelhanças ou diferenças.
Desta vez não me caiu um dorsal na véspera, já me tinha inscrito com a devida antecedência e sabia ao que ia. E ia com esperança de melhorar o tempo do ano passado. É que eu continuo com um problema: o meu record pessoal aos 10km foi no GP Natal 2016 com 48:16 mas com um dorsal que cedido por um amigo. O meu record pessoal em nome próprio é 48:18 feito na Scalabis 2017. É este que eu uso quando me perguntam e quero de uma vez por todas poder deixar de ter que explicar que tenho "dois recordes pessoais".

Spoiler alert: não foi hoje que isso aconteceu! Serei um dos 7 atletas num universo de 4356 finishers que não o fizeram hoje. Vamos já colocar de lado esta questão. Quem estava à espera de um relato épico de um record pode ficar por aqui. Temos "apenas" um relato épico de uma excelente prova, culminada com uma aproximação à meta onde beijo o símbolo da equipa na camisola e depois de terminar ergo os braços, danço ao som da música que saía dos altifalantes terminando com um soco no ar. Tudo isto com um sorriso na cara, imagine-se. Descobri no carro na viagem que regresso a casa que parte disto foi também filmado em directo pelo canal que fez a transmissão da prova e prontamente colocado a circular na rede social. Bonito!

Não fiz grandes análises à prova. Sabia o ritmo final que tinha que atingir, sabia as dificuldades pelo caminho, sabia que é aquele final que (quase) toda a gente gosta. O que não estava nos planos era a jantarada de Natal até às tantas na 6a feira, não pelo jantar em si mas pelo frio que apanhei. Ontem acordei meio constipado e isso manteve-se hoje, apesar de ter atacado com medicação. O nariz entupido era o maior inimigo, mas descobri antes dos 3kms que a respiração estava também a ficar afectada, daí que tenha ido ao bolso dos calções agarrar a bomba para a asma na esperança que fosse ajudar a acalmar. Resultou por uns quilómetros ou pelo menos enquanto o psicológico deixou.

Ao contrário do ano passado comecei forte nas subidas iniciais. Tinha que chegar ao fim com média de 4:49m/km e comecei dentro desse registo mesmo sabendo que podia pagar a factura mais tarde, mas queria chegar a Telheiras abaixo do ritmo desejado sem pensar que podia recuperar alguma perda na descida final. Disse isto no ano passado: estava a correr em ruas que me são familiares mas mantinha a concentração e podia ter as 7 maravilhas do mundo ao lado do passeio naqueles quilómetros que não as teria visto.


Escolhi até levar o relógio "antigo" por ser mais rigoroso a mostrar o ritmo instantâneo e mais fácil para começar/terminar o treino. O novo tem um ligeiro delay no ritmo, embora mostre depois com exactidão o ritmo por quilómetro no final dos mesmos. Mas eu queria saber sempre a quantas andava e fazia eu as contas da média por quilómetro. Era importante chegar a meio da prova com 24 minutos e chegar aos 8km abaixo dos 39 minutos. Foi por isso que fiquei muito contente quando atravessei o tapete de controlo dos 5km com 24:03.

Pequena pausa para dizer que não me vou alargar nos comentários às questões da organização que já foram muito debatidas pela rede social. A camisola é feia, a animação durante a prova foi bastante pior que no ano passado, mas por outro lado a existência de caixas de tempos facilitou no arranque. Aquilo que me vou queixar é da falta de apoio popular nas ruas de Lisboa. Excepto na Avenida da Liberdade onde havia muitas pessoas também por estarem à espera de amigos e familiares, o restante percurso foi uma pasmaceira em termos de apoio. Se ouvi 5 pessoas a bater palmas foi muito. Eu sei que ia focado, mas parece-me que não estou a ser injusto. 

Agora vinha a fase dos túneis. Três quilómetros até ao Saldanha, três túneis. Se no primeiro a coisa não correu mal, no segundo já me senti a fraquejar, não tanto por falta de pernas mas porque a respiração estava a ficar descontrolada. Fiquei até na dúvida se ainda haveria um terceiro túnel de tão desorientado que me sentia. Claro que havia e quando saí dele já tinha a mira apontada ao Saldanha, mas ali a estrada sobe um pouco. Uma pessoa nem nota muito, mas sobe. Mesmo antes de começarmos a descer um amigo apanha-me e mete conversa rápida. Basicamente só me disse para respirar melhor. Eu ia ofegante ao ponto de se notar para quem estava nas redondezas. Já tinha pensado se esse seria o caso e tive ali a confirmação. Como sei que - em estrada - desço melhor que ele arranquei. A chegada ao quilómetro 8 deu-se já bem acima dos 39 minutos. Não consigo precisar exactamente com que tempo foi, mas já era o suficiente para colocar de lado a hipótese de recorde.
Teria que fazer dois quilómetros finais loucos e embora o coração me tivesse dito para partir tudo até aos Restauradores, a razão mandou-me descer a um ritmo forte mas que eu conseguisse manter de forma regular até ao final e foi isso que fiz.

Terminei da forma que já relatei no início. E muito feliz, diga-se! Uma frase feita que aparece de vez em quando no mundo da corrida é "Celebrate finish lines, not finish times!" Nesta prova celebrei ambos porque a chegada à meta marcava um tempo excelente para mim. Trata-se da 5a vez que baixo dos 50 minutos e é o meu quarto melhor tempo aos 10km. Está óptimo! Queria bater o recorde, sim... mas não preciso disso para me sentir feliz numa chegada à meta.

Para juntar à festa, antes da partida e depois da chegada estive com imensos amigos e vi caras conhecidas em catadupa. Tirei fotos, conversei com malta amiga com quem não me cruzava há algum tempo, falei imenso com outros atletas. Assim que me despedia de alguém tinha logo outra cara conhecida a chamar-me ou a cruzar-se comigo. E percebo pelas fotos que já vi que ainda houve muitos outros que não encontrei, mas que também estavam por lá a correr. Ficará para uma próxima oportunidade.

Agora para terminar o ano resta uma prova do troféu das localidades, a primeira onde vou marcar presença nesta nova época. Tive que ir ali ao Excel ver que é na Cruz Quebrada, porque nem tinha ainda visto muito bem onde era. Vou passar a semana a dizer que estas provas são só para o convívio - o que é verdade - mas quando lá chegar vou cerrar os dentes e dar o meu máximo naqueles percursos sempre muito sinuosos.

Prova nº 72 - Grande Prémio de Natal 2017 - 10km - 00:48:53

domingo, 17 de setembro de 2017

Amizade

Uma das coisas que ganhei quando entrei no mundo das corridas foi um número infindável de novos amigos. Ok, algumas pessoas serão sempre "conhecidos" mas outros são mesmo amigos verdadeiros.

No treino de equipa a seguir ao meu dia de anos fui brindado com uma festa "meio-surpresa" onde estiveram presentes muitos dos habituais colegas das 5as feiras mas também alguns que apareceram "à civil" para me darem um abraço. Foi meio-surpresa e não surpresa completa porque eu fui apanhando alguns dicas que deixaram com a pulga atrás da orelha. Obviamente que adorei e senti-me tremendamente acarinhado por todos!

Neste grupo de amigos que apareceram sem ser para correr estavam elementos da equipa tagarela, nossos amigos e vizinhos e com quem tenho feito as provas do troféu das localidades. No meio de beijinhos e abraços, o mentor da equipa comentou comigo que tinha dorsais extra para a Corrida do Aqueduto e perguntou-me se eu tinha disponibilidade e vontade de ir. Aceitei quase sem hesitar, apenas porque não sabia como seria este fim de semana e passado uns dias confirmei que aceitava a oferta, mesmo não sendo possível alterar os dados da inscrição.

(Na verdade, o que eu gostava era de ter ganho o passatempo a que concorri para fazer a Meia Maratona do Porto mesmo sabendo que isso era logística e financeiramente complicado!)

Faço aqui um parêntesis para dizer algo importante: não gosto de correr com dorsais que não estejam em meu nome. Não que me faça confusão ter outro nome ao peito, mas (vamos todos bater 3 vezes na madeira) se acontece um problema físico pode ser uma complicação do caraças por causa de accionar o seguro. Aliás, em bom rigor será impossível fazê-lo! Atenção a este tipo de coisas porque a nossa saúde está sempre acima de tudo! Por outro lado isto também pode causar situações difíceis e injustas em termos de atribuição de medalhas. Fica então aqui o repto para tentarmos sempre correr com um dorsal que seja nosso e se for, por exemplo, comprado a outro atleta que seja dentro do prazo permitido para mudar dados de participante. 

Em relação à prova, ia com a ideia de fazer um tempo a rondar os 50 minutos, mas sem qualquer stress porque nesta altura não estou a apostar minimamente em provas curtas. Ao ver a altimetria da prova mudei de objectivo e quis apenas dar o meu melhor sem olhar muito para o relógio. E a verdade é que fiz tanto uma coisa como outra. A partida até foi tão rápida e sem aviso prévio que só meti o relógio a contar com uns 150 metros de atraso portanto sabia que havia uma ligeira discrepância em relação aos quilómetros e ao ritmo médio. O facto de irmos subir mais do que descer também ajudou a esquecer qualquer prognóstico de tempo final.


Durante a prova não houve muitos momentos de interacção, ao contrário de Castelo Branco. Algumas pessoas na rua mas apenas vi duas (DUAS) a bater palmas na altura em que a minha parte do pelotão passou. Retribui-lhes a gentileza a aplaudi de volta. Na estrada, ainda antes dos 2kms tinha um outro atleta a dizer-me que não conhecia a prova mas que sentia que isto era um percurso para nos deixar KO. Eu também nunca a tinha feito mas disse-lhe que pelo que tinha visto do percurso ainda ia piorar até ao km5. Ele ficou meio preocupado. Eu cá sou picuinhas com isso e não gosto de ser surpreendido durante a prova. Isso até aconteceu hoje porque na conversa antes da partida sobre a volta que íamos dar faltou dizer que havia ali um km - o oitavo - em terra batida. Foi pena só porque já tinha passado o pior da prova e estava a rolar num ritmo estável na casa dos 5m/km e tive que me resguardar um pouco. Nada que me tivesse deixado muito chateado, obviamente. Vejo agora que estou a actualizar o meu ficheiro de Excel que até foi o meu pior registo do ano em provas de 10kms. Estou preocupado? Nada.

Foi com tranquilidade que passei a meta, ainda com um sprint final e com o extra de ter tido o speaker de serviço a dizer o nome da equipa que leu na minha camisola. Depois disto foi esperar pelo chegar do resto da malta. Ainda pensei em voltar atrás para ir buscar alguns dos restantes companheiros de viagem mas cruzei-me com algumas caras familiares com quem estive à conversa e quem faltava foi chegando a conta-gotas mas em bom ritmo.

Como é normal, tivemos direito a abastecimento extra porque toda a gente leva qualquer coisa para partilhar e comer no final num picnic improvisado. Eu já estava claramente desabituado e como não houve menção a isso na convocatória não levei nada. Falha minha. E foi já no final de festa quando estávamos a caminho dos carros que recebi uma notícia fantástica e pude festejar a passagem pela meta que eu aguardava com muita confiança mas com aquele nervoso miudinho de quem está a ouvir um relato de futebol e espera que se grite golo a nosso favor! O golo da amizade!

Parabéns!
Prova nº 68 - Corrida do Aqueduto 2017 - 10km - 00:52:42

domingo, 4 de junho de 2017

Cheira bem, cheira a Lisboa!

Em primeiro lugar, o meu agradecimento à Europcar que me permitiu fazer esta prova por causa do passatempo que ganhei. Agora vamos falar a sério: podem parar de apanhar o elevador para subir para o segundo andar lá no edifício onde trabalhamos? Pior, podem parar de o fazer quando querem descer? É só um andar, caramba! (Curiosamente eu - que trabalho uns quantos andares acima - ia sempre pelas escadas quando só andava nas caminhadas e não corria.)

Para quem não sabe - vão lá ler o primeiro post do blog, vá... ou esperem pelo texto que já está escrito e programado para ser publicado na 4a feira - a Corrida de Santo António foi a primeira prova que fiz. A partir daí esta tornou-se numa prova com um grande simbolismo, mas nunca a fiz quando passou a ser parte integrante do já extinto BES Run Challenge. Anos mais tarde vim a descobrir que o meu mentor também lá esteve, não terminou a prova por problemas de saúde e a partir daí ganhou-lhe uma raiva que nunca lá meteu os pés. Daí que lhe tenha dedicado - de forma privada que ele não gosta deste tipo de agradecimentos públicos - o meu tempo na prova do ano passado, a primeira vez que baixei dos 50 minutos aos 10km. Não meto aqui o link desse post porque contém uma asneira e apesar do adiantado da hora vamos manter alguma integridade.

Tinha esta prova no calendário porque é daquelas que transita sempre de um ano para o outro, mas já a tinha marcado a vermelho para não ir. Hoje também foi dia de milha no Troféu das Localidades que se disputou no estádio do "meu" Real de Massamá e estava fisgado a ir a essa prova. A vida trocou-me as voltas e acabei aqui, depois de um dia a passear por Lisboa. Isso levou logo a um dilema: deixar o carro onde estava e ir de metro ou levar o carro até mais próximo da zona da prova? 

Optei pela segunda opção e até estacionei junto ao edifício onde estavam antigamente sediados os escritórios da minha empresa. Estacionei com relativa facilidade e mude de roupa dentro do carro. Pois claro, não ande a passear equipado durante o dia! Foi só quando saí que percebi que tinha o carro em frente a um hotel - que não existia ali "no meu tempo" e que é quase paredes meias com outro hotel bem antigo e conceituado. E no sítio onde tinha o carro estava um sinal de estacionamento proibido, excepto para serviço do hotel. Saí, dei uma volta ao quarteirão na esperança de encontrar uma panóplia de lugares livres que me permitissem mudar o carro. Não encontrei e quando voltei vi outro carro estacionar ao lado, também com malta a preparar-se para a prova. Que se lixe, se fosse multado não era o único. Não que isso me tenha deixado mais tranquilo, mas já sabemos como funciona a mente humana nestas coisas.

Fui o único elemento da equipa a fazer a prova, embora soubesse que iria encontrar bastantes amigos sendo que alguns até treinam connosco com frequência. Confesso que estava chateado. Não por ser o único, isso já aconteceu antes comigo e com outros colegas e há-de voltar a acontecer e onde estiver o nosso símbolo numa camisola estamos todos representados, mas não houve aquele ritual de encontro, deslocação e convívio pré-prova que ajuda a entrar no espírito. Nessa onda, até me consegui picar num dedo com um alfinete de dama a meter o dorsal. Toma lá para aprenderes a não teres experimentado nesta prova os fixadores Go Grip que me foram enviados para experimentar. Isto ficará para outra oportunidade e outro post.

A caminho do Rossio tudo me irritava. O vento, sentir os ténis a apertarem-me muito os dedos dos pés, a bexiga cheia meia hora depois de a ter supostamente esvaziado, o tamanho das unhas das mãos (sim, a sério), a picada de melga que tenho no joelho e que me dá uma comichão do caraças... Enfim, cheguei a pensar em dar meia volta mas para além de ter sentido a força da equipa na camisola que tinha vestida lembrei-me também que uma das nossas colegas trabalha na Europcar - noutro departamento, noutro edifício - portanto ela que não conseguiu dorsal era pessoa para me matar se eu lhe fosse dizer que não tinha feito a prova. Entretanto fui ao wc - obrigado Padaria Portuguesa - e senti-me parcialmente... aliviado.

(Tanto palavreado e ainda não comecei a correr. Começa a ser hábito.)

Ao chegar à zona da partida dei umas voltas pelo recinto, vi uma ou duas caras conhecidas e como estava sem grande cabeça para conversas entrei para a minha zona de tempo assim que pude. Tinha 3 ideias diferentes para esta prova: honrar o meu dorsal de sub-50, baixar os 49:22 do ano passado e, dependendo de como me estivesse a sentir, talvez atacar o record dos 48:18.

Foi com relativa facilidade que ao fim do primeiro quilómetro passei o atleta responsável por levar a bandeira de ritmo dos 50 minutos - os marcadores de ritmo partiram todos na frente e foram acertando o ritmo entretanto - e nunca mais pensei na hipótese de fazer mais que 50:00. Venha o próximo. 

No ano passado tive uma lebre que me marcou o ritmo nos primeiros 4km e depois abrandou para acompanhar outro colega. Quando pensei nisso passa por mim um atleta de boné vermelho e camisola vermelha - diferente da camisola da prova - com o símbolo da CM Lisboa nas costas. Fui atrás dele e quando dei por mim estava a rondar os 4:45/km. Parecia-me bem e segui, sem ele saber que me estava a ajudar. A ideia era tentar ir em ritmo mais elevado até onde fosse possível. Depois passa por nós o campeoníssimo Fernando Andrade e eu achei que era a lebre perfeita. Ambição não me faltava. O que é certo é que agora tinha duas lebres em ponto de mira e estava a conseguir seguir aguentar o ritmo, pelo menos até meio da prova. Após os 5km continuava a vê-los mas um pouco mais longe. Tinha noção que estava ligeiramente mais lento - e os parciais confirmam. Queria ter passado a meio da prova abaixo dos 24 minutos para ter hipóteses de bater o meu record. Passei com... 24:00 certinhos. Tinha que manter o mesmo andamento na segunda metade e sabia que isso era complicado, pelo cansaço e pelo último quilómetro onde iríamos subir o que descemos no primeiro.

Como habitual, nas provas em que há retorno, ia sempre olhando para quem estava do outro lado à procura de rostos familiares, de camisolas conhecidas, de formas de manter o alento e a concentração. Foi assim que já ali pelos 6 ou 7 kms encontrei a Paula, que vinha em sentido contrário - uma amiga de uma equipa vizinha e que nos meus tempos iniciais foi uma fonte de inspiração por ter perdido tantos quilos quanto eu e pela sua evolução. Infelizmente uma longa paragem por lesão tirou-lhe todo o ritmo, mas nenhuma da força de vontade nem do companheirismo. Desviei-me um bocado do percurso a direito para lhe dar um "high five". Perdi uns dois segundos? Não me arrependo de nada.

No Cais do Sodré tive uma surpresa no percurso: não fomos até ao Terreiro do Paço por baixo junto ao rio e voltámos pela Rua do Arsenal exactamente como tínhamos ido. Isso significava que a subida da Rua da Prata não ia ser tão longa como habitualmente. Ajustei a estratégia para o último km e fui buscar as últimas forças para atacar, daí que o meu segundo quilómetro mais rápido tenha sido exactamente esse, mesmo com a subida. Por acaso foi por volta dessa altura que o João Lima me apanhou e eu só me lembro de lhe dizer que estava quase e arranquei. Desculpa João, como tinha os phones nem sei ao certo o que me disseste na altura mas fica só a nota que não estava a fugir de ti e muito satisfeito fiquei quando me ultrapassaste e me disseste no final o que te tinha acontecido. Vão lá ler o relato que prometo que vale a pena, como sempre!

Já perto da meta percebi que não ia dar para record - por pouco - mas que estava garantido o objectivo de melhorar o tempo de 2016. Missão cumprida com o meu 3º melhor resultado de sempre aos 10km, atrás dos 48:16 no GP Natal 2016 (que eu considero "oficioso" por ter sido com um dorsal que me foi cedido e por ser naquela prova que termina sempre a descer) e dos 48:18 na Scalabis Night Race 2017! 

Entretanto as queixas pré-prova ficaram na linha de partida. Aos 200 metros já não me lembrava delas! 

No final da prova tive nova conversa agradável com a mesma amiga que me tinha chamado estúpido à partida para o Douro Vinhateiro. Foi uma nova conversa agradável com ela, nova troca de elogios mútuos, imensa simpatia que eu considero ser sincera. Força para essa operação!

Não devo estar presente na próxima prova do Troféu das Localidades, no Jamor, pelo que a prova seguinte no meu calendário é o Challenge 3000, dia 13 de Junho na Pista de Atletismo Prof. Moniz Pereira.

Prova nº 64 - Corrida de Santo António 2017 - 10km - 00:48:39

O meu histórico nesta prova:


domingo, 21 de maio de 2017

Alverca



Prova nº 62 - Corrida Cidade de Alverca 2017 - 10km - 00:51:17
Prova nº 62 a) - Corrida Cidade de Alverca 2017 - 10km - 01:28:11

domingo, 23 de abril de 2017

Em Abril, tintos mil

Ao contrário do que costuma acontecer, este post está a começar a ser escrito vários dias antes da prova. Regressar a Santarém este ano marca um ponto de viragem e tenho pensado imenso nisto sem o partilhar com ninguém. Faço-o aqui na semana antes da prova sempre que me lembrar de juntar uns parágrafos à história.

Então vamos lá fazer um pequeno flashback... No ano passado por esta altura estava - sem falsas modéstias - na minha melhor forma física até então e andava a bater recordes pessoais a cada prova que fazia. Fui a Santarém bater o que era na altura o meu record dos 10km e saí de lá a esconder as lágrimas, a frustração e o caos no qual me deixei afundar. Era o início antecipado do terrível mês de Maio e do descalabro que levou à desistência no Douro Vinhateiro.

Um ano depois tudo mudou - para melhor - e é com este espírito que a prova está a ser preparada! (Nota: não sei de que forma devo usar os tempos verbais porque hoje ainda é 2a à noite mas isto só vai ser publicado depois da prova.)
Fisicamente estou de volta ao meu andamento ideal, mentalmente estou com as ideias no sítio e estarei rodeado de verdadeiros amigos. Não posso pedir mais.

A minha análise prévia à prova diz que há ali uns quilómetros em que posso melhorar uns quantos segundos para tentar baixar o tempo de 2016 e fazer abaixo dos 50 minutos, mas sinceramente não tenho qualquer expectativa. É ver como estão as pernas, meter o meu melhor sorriso e ir até à meta.
E pronto, tudo o que vier a seguir já foi escrito depois da prova.

---

E lá fomos para Santarém. Partimos cedo para termos tempo para estacionar com calma e levantar os dorsais antes das 19:00. Chegámos com alguma antecedência e deu mais que tempo para tudo, inclusivé comer e tirar fotos artísticas. E conversar bastante. No meu caso também foi bom para ver algumas caras conhecidas de outras equipas e foram várias as que encontrei, quase a cada esquina. Isto também é muito bom e ajuda a entrar no espírito antes da prova.

Minutos antes da partida fomos para o garrafão da meta. Já tinha percebido que - por alguma razão que sinceramente me ultrapassa - o meu dorsal tinha indicação de sub-50 por baixo do meu escalão de idade. Será que na altura da inscrição pediam comprovativos? Sinceramente só me lembro de enviar isso para as Fogueiras, mas se calhar nesta também. Por um lado isso foi óptimo porque me permitiu partir mais à frente - e nesta prova isso faz muita diferença nos primeiros kms - por outro lado eu era o único da equipa nessa caixa de atletas, pelo que depois dos cumprimentos habituais e dos votos de boa prova antes da partida estive uns 10 minutos "sozinho". Aproveitei para me isolar nos meus pensamentos e focar-me no que podia fazer.

O primeiro quilómetro foi o normal acertar de posição no meio do pelotão e ajustar o ritmo ideal. Nesta prova essa quilómetro inclui uma nova passagem pelo pórtico de partida para depois sermos lançados pelas ruas e ruelas de Santarém, passando a imensos pontos chave da cidade, incluindo as Portas do Sol e a Escola Prática de Cavalaria, de onde Salgueiro Maia partiu a 25 de Abril de 1974. Recordava-me de quase todos os cantinhos e pedras da calçada que estava a pisar. Estava a conseguir dois objectivos: meter um ritmo sempre constante abaixo dos 5m/km (4:45 era a média que o relógio marcava) e conseguir ter a música suficientemente alto nos phones para me manter imune a qualquer grito de golo que pudesse surgir. E descobri que os Starset da minha playlist são uma das bandas favoritas da filha adolescente de um colega meu quando antes da prova ele me mostrava a sua própria playlist. Isso será bom?

Prescindi do abastecimento de vinho na Taberna do Quinzena aos 3kms. Passei pela primeira mesa onde toda a gente se estava a aglomerar e quando dei por isso já não havia mais locais para agarrar um copo. Não sendo essencial, é icónico da prova e pareceu-me que este ano o abastecimento era mais contido. Segui, a pensar que um copinho me iria deixar mais descontraído para o resto, mas paciência.

Obviamente que a certa altura ia entrar no jogo psicológico de ter a cabeça a dizer-me que aquele ritmo era parvo. Ali aos 5/6kms ao dar a volta ao Jardim das Portas do Sol estava a quebrar um pouco mas reagi da melhor maneira que soube: meti um sorriso nos lábios e olhei à procura de quem vinha em sentido contrário. Tinha que passar um ar tranquilo ao pessoal da equipa com quem me cruzasse. E sorrir torna tudo muito mais fácil. E ver caras amigas também, mesmo que nem sempre tivessem reparado que eu estava ali do outro lado. Aos 7,5km já estava curado, fiz mentalmente o percurso que faltava até à meta e isso deixou-me calmo. A passagem pela Escola de Cavalaria também é um ponto alto da prova. No ano passado havia música alusiva à revolução - e televisões com imagens também? - e desta vez havia apenas silencio juntamente com a clássica fotografia que nos é tirada naquela zona. Já tinha havido música de intervenção antes, para além da sempre interessante presença de tunas e ranchos folclóricos durante o percurso, sempre dispostos a alegrar quem passa.

A partir dali estamos no último km até à meta. Olhei para o relógio e marcava média de 4:51/km. Ora isso é mesmo "resvés Campo de Ourique" do meu record, pá! Prego a fundo e um km final a 4:31 com um bónus de ainda ter puxado pelo público - há coisas que nunca mudam - a seguir à última rotunda antes da meta. E cheguei, feliz, eufórico, enfim... Qualquer adjectivo parece pouco para descrever o que me ia alma. Mas a prova não estava terminada.

Agarrei numa garrafa de água que bem precisava e comecei a fazer o percurso inverso por fora, sem nunca perturbar o trajecto de quem estava a chegar ao fim. Vi passar um, dois colegas que vinham bem. Passaram outras caras conhecidas, outras duas colegas que iam juntas - uma que podia fazer menos 3 ou 4 minutos, mas que vinha a fazer de lebre porque tem dos corações mais bondosos que eu já vi. Muita gente me dizia entretanto que eu estava a ir em sentido inverso, algumas por brincadeira e uma atleta com um verdadeiro ar de preocupação. Senti-me como uma pessoa a conduzir em contra-mão na auto-estrada. Quase não via uma outra colega de equipa que ia sozinha mas bem. É que o Benfica tinha acabado de marcar e naquela altura já podia estar stressado com o jogo. Passa por mim uma das atletas que eu estava à procura e uma rápida troca de palavras deu para perceber que ela ia bem - e para record pessoal. Pensei em seguir com ela para a ajudar, mas não foi preciso. Ela conseguiu e eu estava era mesmo a ver se via o pessoal da equipa que faltava porque sabia que uma colega - mesmo estando acompanhada - ia precisar de um incentivo extra. E quando apareceram fomos até à meta e ainda tivemos mais companhia que isto de vir ajudar quem precisa já está enraizado. Eu falo em colegas de equipa, mas na verdade o que somos é amigos e estamos lá sempre uns para os outros. Por isso é que a minha prova teve quase 1:20 porque só terminou quando toda a equipa passou a meta.    

Passei o resto da noite - enquanto me deliciava com a bifana, imperial (mais uma tinha calhado bem) e pampilho - a dizer que tinha novo record pessoal. Tecnicamente isso não é verdade, o RP aos 10km é 48:16, mas tendo em conta que até foi feito numa prova em que corri com dorsal alheio e tendo em conta que essa prova foi o Grande Prémio de Natal que é óptima para tempos por causa do percurso final do Saldanha até aos Restauradores, não tenho problemas em adoptar o tempo de hoje como RP oficial. Da próxima vez que tiver que enviar um comprovativo de tempo tem que ser este. Olhando para trás, então não é que tirei mesmo uns valentes segundos ao registo de 2016?
   
Próxima meta: Corrida 1º de Maio, onde vou novamente atacar o record dos 15km. Porque estando bem comigo mesmo a única coisa que faz sentido é dar 110% para melhorar os meus registos. Sempre entre amigos, sempre a sorrir.

Prova nº 59 - Scalabis Night Race 2017 - 10km - 00:48:18

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

GP de Natal 2016

Em primeiro lugar, GP significa Grande Prémio, mas no caso de hoje significa Grande Prenda.

Depois da última semana mais conturbada, um resumo das minhas conversas recentes com várias pessoas amigas diz que:

- tenho vários objectivos para os próximos tempos, mas ainda não me decidi em qual focar. Isso prejudica-me a concentração porque estou a fazer uma coisa e a pensar noutra.
- tenho andado num círculo vicioso em que sinto falta dos treinos para repor as energias, mas quando é dia de treinar não tenho energia para o fazer.

Tinha prometido a mim mesmo fazer um treino este fim de semana. Foi-me sugerido convocar o pessoal para um treino no sábado ao fim da tarde, mas como tinha vários planos disse logo que não me ia comprometer. E neste altura precisava de correr sozinho. Confirmou-se que sábado não me despachei em horário útil, portanto meti na cabeça que ia treinar domingo. Era dia de almoçarada mas era só às 14h, portanto dava tempo para acordar cedo, fazer uns 10kms e estar despachado a meio da manhã para o pequeno-almoço tardio que tinha sido adiado na 5a feira e que ficou prometido para hoje. (Desculpa, eu compenso depois. Mas a ideia originalmente foi minha e na 5a feira foste tu que adiaste...)

Sábado à noite - por alguma razão sórdida a minha cabeça começou agora a cantar Whigfield - recebo uma mensagem: "Tu amanhã vais ao GP de Natal?" Vindo de quem vinha, fiz o filme todo na minha cabeça. Respondi que não tinha dorsal. Reparem que eu não disse que não ia... E meia hora depois tinha um dorsal na mão. O dorsal do LS, só para ser mais simbólico e acrescentar mais um grau de responsabilidade à coisa. Estudei o percurso rapidamente, confirmei a altimetria (os dois últimos kms a descer do Saldanha até aos Restauradores e nada de muito relevante nos outros oito) e organizei a roupa. Vamos lá a isso.

Não sei se já repararam que eu sou um bocado supersticioso. Ou tenho manias, como preferirem. A camisola da equipa é preta e nos dias mais frios levo outra preta de manga comprida por baixo. Desta vez quando estava de roda do material peguei numa camisola de manga comprida... branca. A da Meia Maratona dos Descobrimentos da semana passada. Macacos me mordam, vens comigo e hás-de ficar mais encharcada do que eu fiquei no domingo! Vais pagar a factura daquele resultado menos bom! E ainda te digo mais, fica muito porreiro o contraste entre as mangas compridas brancas e a camisola preta!

O colega que me desafiou a ir está a recuperar de lesão e se eu não tivesse ido ele também tinha acabado por ficar em casa. Felizmente fomos. Ele não sabia a que ritmo iria fazer a prova, chegámos a pensar em ir juntos para eu o ir sempre a acompanhar. Depois disse-lhe que ia ver como me sentia nos primeiros kms e se não aguentasse o ritmo que queria impor que esperava por ele. Por fim combinámos que na pior das hipóteses nos encontrávamos depois da meta. E assim foi, mais ou menos. A história do pós-meta dava assunto para um post inteiro.

Hora de começar com alguns atropelos. Não por causa do percurso que era bastante largo, mas por causa do volume de atletas na partida - eram 7500 inscrições que estavam esgotadas mas "apenas" houve 4683 classificados. (E eu que dizia que tinha que fazer um treino sozinho para limpar a cabeça, hein?) Bom, por causa disso os primeiros quilómetros foram num ziguezague constante, para além de termos apanhado uma ligeira subida em direcção do Largo da Luz. Foram os únicos que corri acima de 5:00/km. A partir daqui estava convencido que podia ter um bom dia, até porque tinha a vantagem de estar a correr em estradas que conheço perfeitamente. Benfica, Largo da Luz, Telheiras, o eixo Campo Grande-Saldanha e daí em diante até ao Marquês e Restauradores. É uma Lisboa de que eu gosto e onde cada cantinho me diz algo muito pessoal.

Decidi dividir a prova em três partes. A primeira era desde a partida - jura? - até passar Telheiras e dar a volta ao estádio para o Campo Grande. (Fait divers: até me ri com a malta a cantar o "Só eu sei porque não fico em casa")
Depois do arranque, comecei a puxar por mim para os 4:40/km sempre na esperança de conseguir fazer 4:30/km e estava a sentir-me bem, sem receio de quebrar, e entrei confiante na segunda fase que seria toda a zona entre o Campo Grande e o Saldanha onde o objectivo era manter o ritmo abaixo dos 5:00/km ou próximo disso. A passagem a meio da prova com 24:20 era um bom presságio.

A "surpresa" veio depois com a passagem pelos três túneis da Avenida da República. Então não é que eu tinha metido na cabeça que íamos passar sempre por cima? Até deu para tolices destas! Não faz mal, um gajo embala nas descidas e não quebra nas subidas mesmo quando via a ouvir malta ao lado a dizer que "esta subida é a pior delas" ou "agora vai custar mais a subir". Isso é que é motivação, pessoal! E eu que não levei playlist, por opção e por ainda não ter afinado uma coisa para os 10km.

Com o Saldanha à vista tudo batia certo. Estava dentro do ritmo, ia entrar na parte final que era sempre a descer e estava a receita para o sucesso. Passou-me só pela cabeça que tinha que fazer menos de 49 minutos, porque o meu record é era 49 e qualquer-coisa segundos e eu não me lembrava do qualquer-coisa. Não me podia dar ao luxo de fazer 49 minutos hoje e depois ficar na dúvida se tinha dado para record. As coisas parvas em que uma pessoa pensa quando tudo corre bem... 

 

Apesar do piso estar em mau estado na Fontes Pereira de Melo, a descida fez-se dentro do esperado e depois do Marquês foi quase um sprint constante já com os olhos postos na meta. Dorsal do LS ao peito, camisola da Meia dos Descobrimentos a sofrer no tecido aquilo que eu tinha sofrido na pele. Um pórtico, outro pórtico, mais um pórtico, afinal qual é mesmo a meta, ah, é aquele, ok. Corto a meta e festejo - nem me lembro bem como - mas pouco depois de olhar para o relógio tive uma epifania: o João Lima deve tem que estar a chegar! Viro-me para trás e lá estava ele. Não havia dúvidas, novo record batido! Dei-lhe um grande abraço ali mesmo. 

Restava esperar pelo meu colega de equipa - que fez uns excelentes 55 minutos e pouco - mas tivemos um desencontro tal que eu fui a pé até quase ao Marquês a ver se o via a descer e acabei por regressar e acompanhar até à meta uma amiga - também ela a recuperar de lesão - que fez perto de 1:20. Disse-lhe que havia de chegar lá abaixo e ter o meu colega à espera e assim foi. Levei novo discurso sobre o facto de não levar telemóvel, apesar de andar actualmente com um mais velhinho e que cabe bem no bolso dos calções ou no Flipbelt. Pronto, isto era o assunto que dava para um post inteiro.

E agora? Um dos objectivos que falei lá no cimo do texto era voltar a dedicar-me aos 10km porque me andava a sentir bastante bem nesta distância antes da preparação para a Maratona. Sem esperar, melhorei hoje o meu tempo. É certo que a prova ajuda, mas também é certo que ainda antes do Saldanha eu já estava com ritmo para baixar dos 50 minutos com boa margem.

E agora? Fazer a prova de Barcarena do Troféu das Localidades de forma séria mas sem querer perturbar as classificações das equipas da zona. E pensar se faço a São Silvestre de Lisboa em modo treino para acompanhar a malta da equipa.

E agora? Dormir que amanhã é dia de trabalho e à noite é dia de treino. Hoje foi fantástico, mas amanhã começa tudo novamente.

Prova nº 51 - Grande Prémio de Natal 2016 - 10km - 00:48:16