terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Corta-Mato de Santo António dos Cavaleiros

Falhei a presença no Corta-Mato do Catujal por motivos de doença, mas regressei às provas do troféu em Santo António dos Cavaleiros. A malta está mesmo a aderir em massa a estas provas e isso acaba por dar os seus frutos ao termos saído de lá com um 3º lugar individual e uma taça pela classificação por equipas. Não é esse o objectivo, só nos queremos divertir, mas se der para conciliar com uns resultados destes a brincadeira fica mais engraçada.

Ao contrário de Santa Iria, não chovia. Apesar disso a manhã tinha acordado muito tristonha, mas a prova final masculina já terminou debaixo de um sol radiante. Desta vez eram quatro voltas ao circuito que me pareceu menos exigente que aquele que eu tinha como base de comparação. Ou por isso, ou pelo facto de ter apanhado tempo seco fiz um tempo melhor que anteriormente. E pude ir perfeitamente com ténis de estrada. Uns ténis que, diga-se, apenas tinham 2 quilómetros feito em corrida, num treino realizado nessa semana e que culminou de forma precoce quando eu estava a fazer séries numa zona residencial numa estrada sem saída para a qual só vão os moradores e uma pessoa resolveu abrir a porta do carro à minha passagem, cravando-a de forma assertiva no meu joelho e no meu ombro. Foi bonito.

Continuando... 

A ansiedade é sempre grande com as provas dos mais pequenos, mas eles cumpriram o percurso na perfeição e com uma enorme vontade. Nestas idades o que importa é estar a plantar a semente para que esta paixão pela corrida possa crescer com eles e os resultados são mesmo o que menos interessa, mas no geral até foram agradáveis. Depois de correrem passaram o tempo todo a jogar à bola e se fosse preciso ainda tinham feito uma perninha nas nossas provas. Energia não lhes falta! 

Os graúdos iam vendo o percurso e eu e um colega aproveitámos a primeira volta da prova feminina para irmos atrás do grupo para fazermos também o reconhecimento e ver afinal que dificuldades é que teríamos pela frente. Foi porreiro e ajudou muito. Também foi fixe termos sido fortemente aplaudidos em ar de brincadeira por alguns amigos que estavam de fora e que nos desejaram boa sorte para ombrear com as atletas femininas. Até fomos apanhados pelos fotógrafos a fazer uma guarda de honra à menos rápida das nossas colegas de equipa. Terminámos a primeira volta junto dela e saímos do percurso. Fomos devagar, mas íamos ambos com a sweatshirt da equipa vestida e já estávamos ambos a ferver por dentro. Enquanto elas completavam as suas voltas, nós íamos fazendo fotografias e dando apoio do lado de fora. 

Quando chegou a nossa vez já sabíamos que haveria um pódio na equipa, cuja cerimónia decorreu durante a nossa prova, e ainda ficámos às portas de mais dois pódios. Curiosamente, não achei o percurso tão difícil como tinha achado naquela volta de reconhecimento. Prova disso foi ter terminado com um ritmo próximo dos 5:00m/km sem nunca ter sentido que ia a puxar muito. Andei quase sempre par a par com outro atleta de outro escalão que só me fugiu na última volta, mas também foi aí que consegui ultrapassar alguns outros que seguiam mesmo à minha frente e que terão quebrado. Acabei feliz da vida, como se quer em qualquer prova, tenha ela 4 ou 42 quilómetros.

O próximo corta-mato do troféu tem 5,5kms e dependendo do percurso poderá ser mais puxado que estes dois. Em princípio estarei presente na ressaca de um treino longo no dia anterior. Tenho que ver o que o plano me permite fazer, já que não me posso esquecer - como se os recentes eventos me permitissem fazer isso - que tenho a Maratona de Madrid para fazer daqui a dois meses.



Prova nº 103 - Troféu Corrida das Colectividades do Concelho de Loures - Corta-Mato de Santo António dos Cavaleiros - 4km - 00:20:10

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

O fim (?) do Fim da Europa

Há qualquer coisa nesta prova e no ar da serra de Sintra que me fez passar de um discurso de "ah e tal, vou lá uma vez só para marcar com um visto a prova do calendário" para "já cá vim 3 vezes seguidas e já estou ansioso pelo próximo ano!"

Escrevi isto no ano passado.
O ar da Serra de Sintra continua lá. Sinto que já conheço todos os pedaços de asfalto e de terra batida que fazem parte da prova. A subida inicial e a mítica aos 10kms já não me assustam. A chegada à Azóia e ver o Cabo da Roca e o mar lá ao fundo continuam a ser dos melhores momentos da prova. São momentos que vou guardar para sempre. Hei-de voltar ao Fim da Europa, mas não será para o ano. Nada contra a prova, atenção, apenas sinto que se fechou um ciclo de participação.

Inscrevi-me porque, mais uma vez, havia gente que lá queria ia pela primeira vez. Mesmo que depois cada um faça a sua prova, não resisti a estar presente e a apadrinhar as estreias. Fico contente por uma delas ter dito precisamente que só queria fazer a prova uma vez, mas no final já afirmou querer voltar em 2020.

Éramos muitos (tendo em conta que já passou um mês já não sei de cor quantos... uns 12 ou 13) elementos da equipa a participar e aproveitei o facto de ter uma amiga que mora próximo de Sintra para lhe pedir para nos levantar os dorsais. Correu mal. Não por ela, que fez tudo certinho, mas pela organização... e por minha culpa também. Ninguém percebia bem qual era o comprovativo de inscrição que era preciso levar. A organização também não esclarecia e só respondia que era o comprovativo ou o cartão de cidadão. O resultado foi que os comprovativos só começaram a chegar por e-mail - e em triplicado ou mais - na 6a feira ao fim da tarde. No meio de tanto rigor até nos deixaram levantar o kit de participação de uma colega que não iria participar na prova e que não me enviou nada para eu levantar o kit dela.

A cereja no topo do bolo foi no sábado ao fim da tarde quando um dos meus colegas preferiu vir cá a casa buscar o dorsal dele em vez de só o receber no dia da prova. Fui ao saco com os kits, tirei o dele e aproveitei para tirar o meu para ir preparando as minhas coisas também. E encontro o dorsal de uma pessoa que não sou eu, nem é nenhum dos meus colegas de equipa. Ao preparar o ficheiro com os nomes, números de dorsal, tamanho de t-shirt e etc para ela levantar cometi a proeza de trocar uns dígitos no meu dorsal. Quando ela foi levantar tudo, nem olharam para os documentos nem para os nomes. Viram o número de dorsais que ela tinha na lista e deram-lhe tudo. Liguei, em pânico, para o local onde estava a ser feita a entrega que ainda estava em funcionamento e disseram-me que teriam o meu dorsal - e todos os que não fossem levantados - num stand de secretariado junto à partida no domingo. Menos mal. No meio disto tudo prefiro ter-me enganado no meu próprio dorsal do que num dos restantes colegas e... a minha preocupação era com o atleta cujo dorsal eu tinha na mão e que, sem culpa, poderia não ter levantado o seu kit de participação. Chateia-me saber que basta uma pessoa chegar com uma lista feita manualmente com números de dorsais e poder levar todos sem stress sem que haja um controlo por parte de quem entrega. Eu sei que o erro no número foi meu, mas quem está do outro lado a entregar tem que detectar que algo está errado. E falo com conhecimento de causa porque eu já estive - e estarei novamente este ano - do outro lado a entregar dorsais.

Posto isto, passei quase todo o tempo em Sintra antes da partida junto do secretariado, também para resolver um erro numa das atletas femininas que aparecia num escalão masculino. O convívio pré-prova com o pessoal foi bastante curto, infelizmente. Resolveu-se tudo, pelo menos isso!

Já é hora da partida e já estava cansado. Lá fomos, ainda a tempo de umas fotos finais que é isso que fica para a história. Ao fim do primeiro quilómetro olhei pela primeira e única vez para o relógio ao longo de todo o percurso. Parei-o na meta, mas só olhei para ele novamente já na tenda da chegada enquanto me aquecia com um chá.

Ia ouvindo o constante bater dos ténis no chão e o arfar dos atletas ao longo dos primeiros quilómetros a serpentear serra acima. Uns mais audazes arriscavam mesmo trocar umas curtas palavras, sinal que iam a subir de forma mais tranquila. Tentei acompanhar os mais rápidos da equipa, mas sempre com um olho em quem vinha mais atrás. Acabei por ficar a meio, sem stress.

Agora seria a parte em que eu faria umas descrições da serra. Ela é linda e mágica, não há dúvida disso, mas sinto que não tenho nada para dizer que não tenha já dito nos anos anteriores. Dei por mim a olhar com bastante atenção para os restantes atletas, mais do que para a paisagem que me rodeava. Algumas caras e camisolas familiares, um constante rol de ultrapassagens entre todos ajudava a perceber quem estava mais confortável a subir e quem arriscava mais a descer. Eu, tal como a Suiça na Segunda Guerra Mundial, estava numa posição neutra. Soltava-me nas descidas, de facto, que em asfalto não me custa nada. Até o local onde os primeiros classificados das 10:15 me passaram foi o mesmo de sempre. Ao longe já tinha visto um colega de equipa, meu homónimo, e percebi que me estava a aproximar até que o ultrapassei desejando-lhe boa prova para o resto do percurso. E cada vez que passava alguém focava-me no atleta seguinte, que às vezes até era um que me tinha acabado de passar mas que tinha quebrado novamente.

Como habitual, havia pequenos grupos a treinar em Sintra e que iam apoiando de fora à nossa passagem. Numa dessas ocasiões ia sendo atropelado por uma bicicleta que vinha em contra-mão, junto ao início da tal mítica subida dos 10km que fiz sempre sem parar. Aliás, foi esse um dos meus objectivos, nunca parar! Consegui, inclusive na aproximação à meta que tem ali uma última subida enganadora.

Lembro-me bem de ter chegado lá acima e ter gritado que "Agora é sempre a desceeeeeeeeeeer!!!" True story! Acelerei por ali abaixo porque não me estava a sentir nada cansado. Percebi que isto de ir em modo neutro era bom para as pernas, mas que se notava no tempo final. Lembrei-me também que descer tanto também cansa portanto não me ia rebentar todo no primeiro quilómetro da descida. Tentei ir acompanhando alguns outros atletas, sobretudo aqueles que passavam por mim mais ao menos ao meu ritmo. A certa altura passou-me uma rapariga do Correr Lisboa que ficou ali à minha frente. Já tenho pacer até ao fim, pensei eu, meio hipnotizado pelo cabelo dela, apanhado num rabo de cavalo que oscilava para a direita e para a esquerda consoante o passo. Estava a impor um ritmo interessante e lá fui eu durante um bom bocado até ter perdido essa luta. Claramente que não posso competir contra atletas do escalão "menos de 25 anos e menos de 50 quilos". Aquela pequenita voou de uma forma imparável durante o resto e eu lá fiquei lado a lado com cotas da minha idade.

"Mete-te com alguém do teu tamanho" terá dito o meu cérebro quando despertou da hipnose. Ok, ok!

E lá fui. Entrada na Azóia para a parte da prova que mais gosto. Muita gente nas casinhas à beira da estrada. Alguns atletas que já terminaram a fazer o percurso de regresso até aos carros. O mar como cenário de fundo. O sentimento de dever cumprido porque ali o trabalho mais difícil está feito e é só desfrutar do final da prova. Muito vento, obviamente, mas isso faz parte.

Meta à vista, um colega de equipa à espera e outros dois que chegaram pouco atrás de mim. Vamos até à tenda aquecer e trocar de roupa enquanto aguardamos pelo resto da malta. Faz-se a festa, sobe-se ao pódio para uma foto de grupo da praxe e fazemos o caminho de regresso no autocarro. Um caminho que me pareceu interminável e mais longo que o habitual. A prova não me cansou, mas este ano a logística antes e depois deixou-me exausto.

Para o ano não volto, faço uma pausa sabática desta prova. Até sempre, Sintra! 

 


 
Prova nº 102 - Corrida Fim da Europa 2019 - 17km - 01:37:33

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Corta-mato - ou Crossrun para parecer mais fino

Nota prévia: um mês e qualquer coisa é provavelmente o maior hiato de tempo que estive sem escrever aqui no blog. Coisas da vida, no fundo. Não gosto de estar tanto tempo ausente, mas também não gosto de tanta coisa que acontece. Enfim. The show must go on!


Esta época tem sido deplorável em termos de participação no Troféu das Localidades de Sintra, Cascais e Oeiras. Ou não tenho estado em condições de ir ou há outra prova no mesmo dia ou acontece "a vida" e não dá para marcar presença. Por outro lado, uma colega lançou o desafio de irmos ao Troféu das Colectividades do Concelho de Loures e, de repente, já éramos uns 25 inscritos. Talvez até já sejamos mais nesta altura. Nada mau!

A primeira prova foi este Crossrun Santa Iria da Azóia, uma prova de corta-mato onde nos lançámos de corpo e alma para dar o nosso melhor! E no corpo levámos com uma chuvada em cima, bem ao estilo de "prova molhada, prova abençoada"!

Conseguimos ter atletas na maioria dos escalões, incluindo os mais pequenos. Embora nem todos tenham participado nesta primeira prova, estarão presentes nas seguintes dentro das possibilidades. A participação da primeira mini-atleta até foi... tímida. Ela tem potencial, portanto esperemos que amadureça as ideias, sem nunca esquecer o fundamental que é divertir-se!

Enquanto a vimos correr iam chegando mais colegas, alguns mais prevenidos e munidos de chapéus de chuva que muito ajudaram. Eu mantinha-me com uma série de camadas de roupa para me proteger do frio e à medida que a chova piorava a vontade de dar meia volta e regressar a casa também aumentava. Ainda bem que tinha ido de boleia!

Vieram os escalões femininos e alguns bons resultados na classificação final, mas mais do que isso recebemos também algumas indicações importantes em relação ao percurso. E eu não sabia que duas voltas a um percurso de 2kms podia ter tanta coisa para dizer: "atenção naquela curva porque há imensa lama; lá ao fundo sente-se imenso o vento; naquela zona ainda levam com os ramos das árvores na cabeça; esta subida aqui é tramada"; etc... E no meio disto o sol também aparecia, de forma tímida, até que lá se decidiu a ficar a assistir à prova masculina.

Lá fui para a zona da partida completamente tranquilo. Fora da minha zona de conforto, mas também eram só 4kms. Dada a partida fiquei naturalmente para trás. A minha única ambição era mesmo não ser o último! E mesmo que fosse, paciência. Rapidamente perdi o contacto com os primeiros... e com os segundos... e... fiquei na cauda do grupo, sempre a controlar que tinha pelo menos mais dois ou três atletas atrás de mim. A partir deste momento fui nas calmas, sobretudo nas zonas com mais lama. Se, por um lado, o relógio ainda marcou ritmos de 4:00/km na parte mais rápida do percurso, por outro lado houve zonas em que andei a saltitar delicadamente por cima da lama.

Do lado de fora vinham muitas palavras de apoio, bem como outras que me confirmavam que isto não é mesmo a minha praia. Quando terminei estava visivelmente cansado, mas feliz da vida. Aquele pequeno carrossel de sobe e desce constante deu cabo de mim, mas também deixou exaustos os meus colegas, incluindo os mais habituados a fazer trails. Da minha parte, isto do corta-mato foi engraçado. Não é alcatrão, mas dá para correr depressa de forma constante; teve lama mas não é um trail com descidas loucas que me deixam arrepiado até à ponta dos cabelos dos pés!

Foi assim que saí da minha tal zona de conforto e gostei. Depois da tempestade veio a bonança que nos trouxe dois pódios individuais e uma boa classificação de equipa. Infelizmente já tive que falhar as duas provas seguintes do troféu: uma por ter marcado presença na Corrida Fim da Europa (o relato dessa prova já está escrito na minha cabeça, só falta passar para o papel) e a outra por doença. Seja como for, aquele início do ano marcado por problemas de asma parece estar ultrapassado!


Prova nº 101 - Troféu Corrida das Colectividades do Concelho de Loures - Crossrun Santa Iria da Azóia - 4km - 00:22:03

sábado, 5 de janeiro de 2019

Cem Silvestre de Lisboa

A minha centésima prova! E um trocadilho à maneira para celebrar, que tal?

Vocês sabem lá o que isto custou! As 100 provas? Não, conseguir que a centésima fosse a São Silvestre só para poder fazer este trocadilho! Foram meses de treino, caramba!

Não é habitual demorar tanto tempo para escrever o relato de uma prova. Aliás, se não fosse a minha actual debilidade respiratória que mencionei no post anterior, teria hoje feito em Marvila a prova 101. Fica para a semana, espero eu.

A São Silvestre de Lisboa tem sido nos últimos anos uma prova obrigatória, mas sempre para o convívio. Desta vez não foi diferente. Éramos 26 no total e, fruto disso, enquanto responsável pela equipa, fui contactado pela HMS e tivemos o privilégio de receber os nossos kits mais de uma semana antes de serem distribuídos aos atletas em geral. Quando fizemos o treino de Natal da equipa no dia 22 de Dezembro deu para entregar quase todos os kits ao pessoal. A única recomendação era não partilharmos fotos da camisola nas redes sociais antes do dia 27. Fica aqui um agradecimento à organização pela atitude pro-activa e por este gesto para as equipas mais representativas na prova.

O ponto de encontro antes da prova foi na Fábrica dos Pastéis de Nata. E no final também, para manter a tradição iniciada no ano passado. Foi por lá que começou a festa que durou bem mais que os 10km da prova. Fotos e fotos antes de rumarmos até aos respectivos blocos de partida e, antes disso, fiz um pequeno discurso de agradecimento a todos os que estavam ali e que contribuíram para eu chegar às 100. Muitos mais deveriam estar ali, muitos mais estiveram comigo neste percurso que começou de forma oficial a 7 de Junho de 2012 na Corrida de Santo António, mas que só se desenvolveu a sério a partir de 2015. Fica a curiosidade de ter completado esta marca praticamente no mesmo sítio onde comecei.

Em termos de prova, num mundo ideal seria o palco para eu fazer um brilharete do caraças e bater o meu record pessoal. Sabia que isso era irreal, mas ia tentar começar forte nos primeiros quilómetros e ver o que aquilo dava. Deu para três e percebi logo que até ia ser difícil honrar o dorsal sub-50 que tinha. Reparei agora que já não fazia provas de 10km desde Agosto, em Tagarro, e até essa já foi na reentrada pós-verão numa altura em que o foco já estava todo na Maratona.

Comecei bem, sim, mas sempre acima dos 4:45 que era o ritmo sonhado até chegar ao Terreiro do Paço para depois ter folga na subida. Ao fazer o retorno tirei da cabeça quaisquer ambições fantásticas e fui a curtir a prova e a ver quem tinha em redor. Algumas caras conhecidas, obviamente! (Aliás, antes e depois da prova eu tive bastante dificuldade em andar sem me cruzar com amigos. Gosto tanto quando assim é!)

Fui sempre próximo do mesmo grupo de atletas e reduzi o ritmo. A certa altura fui em conversa com algum pessoal e vejo, de forma inesperada, o Duarte que foi um dos meus companheiros de pódio em Novembro nos 5km da Luzia Dias. Percebi que ele estava a fazer a prova em ritmo de treino porque o objectivo dele era a São Silvestre da Amadora. Fomos na conversa largos quilómetros e foi bom para ir tranquilo, sobretudo ao passar o empedrado após o Cais do Sodré. 


Nessa zona - e pelo Rossio acima até à Avenida da Liberdade - muitos eram os espectadores do lado de fora da estrada a ver os atletas a passar. Como habitual pedi palmas e barulho. Uns quantos "Toca a bater palmas, Lisboa!" e outros gritos semelhantes foram retribuídos com alguns "Animo, venga!". Foi um bom treino para Madrid, claramente! Salvam-se as crianças, sempre prontas a esticar a mão a quem passa!

A ideia ali era subir sempre abaixo de 6:00, objectivo que foi cumprido quase na íntegra. O Duarte ainda estava por ali, agora na companhia de um colega de equipa. Ele estava a guardar-se para o quilómetro final. Eu também estava à espera desse momento para me soltar e tentar recuperar alguns segundos perdidos. Comecei a descer a todo o gás por ali abaixo, mas nunca consegui manter um ritmo elevado. Também já tinha olhado para o relógio e sabia que o tempo ia ficar longe dos 50 minutos, portanto a única ambição que me restava era fazer o meu melhor tempo na prova, algo que consegui por larga margem. Valha a verdade, sempre tive marcas muito dispares na São Silvestre. No ano passado, por exemplo, fui a acompanhar uma colega a ritmo de 6:00 até ao Marquês e depois deixei-a sozinha no último quilómetro e voltei para trás.

O sprint final permitiu-me, pelo menos, fazer abaixo do minuto 52 e fiquei tranquilo com esse tempo. Na meta tinha alguns colegas à espera, o que permitiu logo fazer uma série de fotos, até porque naquele momento foram chegando outros que vinham no meu encalce. Depois fomos para lados diferentes. Um dos meus colegas teve, infelizmente, que ir embora; outros foram até aos carros e novamente até ao ponto de encontro no final e eu... voltei para trás. Fui praticamente até ao Terreiro do Paço ter com um trio de colegas que estava a fazer a prova a "corrinhar".

Ficaram surpreendidas por me verem ali, uma delas até me perguntou onde é que eu tinha arranjado a maça que levava na mão porque não tinha percebido que eu já tinha acabado. Só acreditou mesmo quando lhe mostrei a medalha! Fomos em amena cavaqueira até ao final, com umas pausas para fotos pelo caminho. Nesta brincadeira, acabei por fazer mais 4,5km depois de terminar. E foram fantásticos! Lembrei-me imensas vezes da minha chegada à meta em 2017, em óptima companhia. Queria muito ter repetido esse momento em 2018, mas ficará para uma próxima oportunidade!




No final, ainda fomos a tempo de chegar aos pastéis de nata, embora outro grupo de amigos me tenha tentado desviar para a ginjinha. Para o ano vou a ambos os lados, pronto!

Ficou assim acabado mais um ano de corridas. Com a centésima no bolso! Estou muito orgulhoso e em breve farei um ligeiro resumo do que foram estas cem corridas. Em relação à São Silvestre de Lisboa, fica aqui o meu histórico de participação na prova.



Prova nº 100 - São Silvestre de Lisboa - 10km - 00:51:54

2019

Quase um mês depois, volto aqui a escrever.

Nestes dias aconteceu tanta coisa, a nível pessoal, profissional e, obviamente, no que diz respeito a corridas. Nem tudo foram coisas boas, mas isso é algo para o qual temos que estar preparados em todas as alturas da nossa vida. Fiquem tranquilos, do mau não vou falar. Apenas uma curta referência ao facto da minha mazela do trail de Alcanena ainda não estar debelada a 100%. A ferida ainda não sarou na totalidade e por vezes sinto um ligeiro desconforto e dor no joelho. Há-de passar.

Estive atento ao que foram escrevendo pela blogosfera fora, mas só hoje comentei algumas das coisas que fui lendo. Estou, novamente, actualizado nesse capítulo.

Desportivamente, tivemos um final de ano repleto de emoção, com um treino de Natal bem porreiro e com uma São Silvestre que, de acordo com muitos dos presentes, nada ficou a dever às oficiais. E o abastecimento no final, com bolo-rei quentinho em barda oferecido por uma pastelaria local foi a cereja no topo do bolo que ninguém esperava e que caiu que nem ginjas. Para além disso, usando a expressão anterior, também havia cerveja no topo do bolo(-rei). Foram 80 pessoas, números redondos. Para o ano quero 100! É um evento que muito me toca, confesso, mas que não seria possível sem a fantástica equipa que me acompanha nestas aventuras.

Para terminar o ano desportivo, outro momento muito aguardado: a São Silvestre de Lisboa que foi a minha centésima prova. Ainda não consegui escrever sobre o assunto, mas será para breve!

A todos os que estão por aí, votos de um fantástico ano, a todos os níveis!

Assim que me passar a preguiça volto a treinar. Raio do frio e, sobretudo, da humidade que voltou a despertar o asmático que há em mim. Há-de passar, também, que há muitas provas pela frente e algumas têm "Maratona" no nome!

"We will be victorious" ouço enquanto escrevia esta linha final. Soa-me bem!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Vida de um corredor

E não, não estou a falar dos corredores dos supermercados.
Pronto, vamos substituir por "atleta amador". 

É uma vida muito repetitiva e previsível. Estamos sempre a fazer o mesmo. Todos. Vou meter uma lista de coisas que fiz durante a última semana, por exemplo. Vejam lá bem e metam a mão no ar se  também fizeram o mesmo que eu num ou em vários dos seguintes casos:

- passear pelos sites de lojas online para procurar por material desportivo em promoção
- fazer a inscrição numa maratona
- participar numa prova durante o fim de semana
- procurar por fotos dessa mesma prova
- dar likes, kudos, palmadinhas nas costas e afins ao ver as provas que os nossos amigos fizeram e partilharam

E pronto... é isto!

Pedras no meu caminho?

Guardo-as todas, um dia construo um castelo.

Ora, hoje saí de Alcanena com um pequeno estúdio! Por onde começar a falar do meu regresso a uma prova de trail? Talvez pelo que aconteceu na última que tinha feito: há três anos e meio atrás.
Na altura "...pisei mal uma pedra...". Hoje dei um pontapé numa que me pregou uma valente rasteira!

Quando há uns meses, numa viagem de regresso a casa vindo do trabalho, me inscrevi na prova não sei bem o que me passou pela cabeça. Terá sido o facto de só ter participado em trails cuja inscrição é gratuita? Não sei, lembrei-me disso agora mesmo enquanto escrevia.

Entretanto alguém da equipa reparou que o meu nome estava na lista de inscritos e a partir daí foi uma festa. O N. ia fazer um trail! Passei estas últimas semanas a dizer que a minha ida estava dependente do estado do tempo e se estivesse a chover eu cancelava a inscrição. Até recebemos um SMS da organização para os contactar em caso de desistência... Ai, a tentação! Só que esteve sempre sol nestes últimos dias. Ontem ainda apareceu novo dorsal para o GP Natal e eu ainda insinuei que ficava com ele, mas sofri logo bullying no sentido de qualquer outra pessoa poder aceitar o dorsal, menos eu. Malandros, pá!

(Aqui entre nós que ninguém nos ouve, sabem que o mais provável era eu fazer um belo record pessoal hoje em Lisboa? Isto não é arrogância, é um feeling dadas as minhas provas recentes. Se estou arrependido de não ter feito o GP Natal? Nada!)

Antes do meu trail propriamente dito, o sábado foi passado a seguir a prova de duas colegas - e outros amigos - no Epic Trail Azores. E que orgulho senti com a prestação das nossas duas guerreiras  nos 63km da prova! Que lição de força de vontade e querer! Que stress a ver as horas a passar sem haver notícias da chegada ao próximo PAC. E que festejo foi quando terminaram a prova! Perante isto, o que são 14km?

Com tudo preparado para o dia seguinte lá fui dormir umas poucas horas que passaram rapidamente. Às 7 da manhã já estávamos a começar a viagem que se fez com muito sono. Felizmente hoje não precisei de conduzir. À chegada já tínhamos os dorsais levantados por um colega que tinha passado o fim de semana naquela zona e entrámos no pavilhão para aliviar alguma carga, para tirar umas fotos e para aproveitar a oferta de pequeno-almoço com café quente e pastéis de nata. Não, pessoal, não há disto em provas de estrada...

De ténis de trail e mochila de hidratação às costas lá partimos. E o início foi fantástico, num alcatrão fofinho que me fez soltar um "adoro trails assim!" Valha a verdade, o meu trauma com os trails são as descidas e o facto de ter muito pouca técnica e jeito. Por isso é que tento só me aventurar nos trilhos que conheço aqui na zona. Fora isso é sempre muito porreiro ir no meio da natureza, obviamente!

Ao entrar no primeiro trilho apanhámos logo uma poça de água gigantesca. Vá, grande. "Ehhh, tudo a passar ao lado. Não queriam sujar os ténis não viessem para um trail! Meninos!" - gritou-se lá do fundo, na brincadeira. Ri-me e gostei de ter visto muitos "meninos" como eu a passar à volta em vez de meter o pé na poça. Sem ser isto, os primeiros 5km foram super corríveis, mesmo com alguma lama. Tudo tranquilo que nem se dava pela distância passar. A minha distracção era ver onde metia os pés ao mesmo tempo que ia vendo os ténis da atleta que ia à minha frente gradualmente a mudarem de "cor de rosa vivo" para "castanho lama" passando por todos os tons intermédios.

O ritmo baixou consideravelmente quando chegámos à grande subida que durou uns bons dois quilómetros. Usei-a para pensar em como seria a descida e para perceber se me estaria a sentir tranquilo caso tivesse que descer algo parecido do outro lado da serra. E parecia-me confortável, apesar de TODA A GENTE à minha volta estar a falar da perigosidade que eram as descidas lá à frente sobretudo com as pedras tão húmidas e escorregadias. Fónix, era tudo o que eu não queria ouvir. Íamos com o sol de frente, pelo que raramente tinha oportunidade de olhar em volta devidamente, mas quando conseguia espreitar a vista era verdadeiramente linda. 

A subida foi toda num single track e feita a caminhar. Curiosamente eu vinha a pensar que o meu maior receio era descer num single track onde fosse toda a gente atrás de mim a queixar-se da minha lentidão e inépcia para a coisa. Sim, medos reais causados por acontecimentos reais. De vez em quando alguém perguntava se havia interessados em ultrapassar e em correr e confesso que não me ralava nada porque ia algo irritado por ir sempre naquela pasmaceira. Mal por mal, eu subo de forma bastante razoável e sentia-me com força para isso. Paciência, só deu mesmo para passar lá no topo e atrás de mim vieram logo bastantes outros atletas que afinal também queriam correr. Menos de 500 metros depois chegava o abastecimento.

À medida que íamos subindo, a minha temperatura corporal ia descendo. Estava a ficar cheio de frio, mesmo estando sol e eu indo de manga comprida por baixo. Arrefeci demasiado e precisava de correr para aquecer novamente. Parei um ou dois minutos no abastecimento e aproveitei a boleia de um grupo de atletas para ir com eles a um ritmo agradável. Havia muitas pedras no chão mas dava para correr, até que uma das pedras me pregou uma rasteira.

"Vai com cuidado e não caias!" - era a recomendação que eu trazia. Assim que dei um pontapé na pedra e me senti a meio caminho do chão pensei logo que só ia ficar com uns arranhões que iriam passar despercebidos. Pensei uma asneira cabeluda quando, já sentado no chão, olhei para o joelho e vi que afinal era mais chato. Quem vinha à minha volta parou logo, ajudaram-me a limpar a ferida com água e um rapaz voltou atrás para ir chamar os bombeiros que estavam ali a pouco menos de 300 metros porque tínhamos acabado de sair do abastecimento. Muita gente que passou perguntou como é que eu estava e se precisava de ajuda. Só lhes pedia para não tropeçarem em mim e desviei-me ligeiramente do caminho. Estava no chão mas bem disposto, ora essa.

Foi quando começo a ver alguns dos colegas de equipa que vinham em prova atrás de mim. Entre eles estava a nossa enfermeira que rapidamente avaliou a situação e quando os bombeiros chegaram tomou ela conta da ocorrência. Outros colegas davam-me força e uma achou que era um momento que tinha que ser registado e tirou uma série de fotos, algumas até bastante explícitas que mostram como ficou maltratada a minha perna e do quão bem disposto eu me mantinha. No final, a pergunta dos bombeiros? "Mas você quer continuar?" Tentava eu começar a perguntar o que é que eles me recomendavam quando a nossa enfermeira respondia logo que obviamente que eu ia seguir e outra colega me ajudou a levantar. Seguimos viagem!

Ficámos cinco, mas rapidamente nos separámos e eu fui para a frente mas outra colega ia endiabrada e não a consegui apanhar. Decidi ter calma, deixei-me apanhar e como começou um trilho a descer disse que ia esperar por companhia para me ajudar. Assim foi. Desci devagar e devagarinho. Fomos a puxar uns pelos outros e eles preocupados em saber se eu estava bem. Estava.

De repente, uma surpresa: alcatrão! Oh pessoal, isto é a parte do trail que eu mais gosto! "Cala-te, não digas isso assim, pá!" Com receio que alguém do staff da prova viesse atrás de mim decidi zarpar por ali fora, abri os braços e voei o mais que pude a 3:40m/km. Abram alas que lá vou euuuuuu!

Durou pouco, assim que voltámos ao trilho havia uma série de descidas (algumas feitas de rabo...) e os meus colegas apanharam-me num instante. Era obviamente bom voltar a ter companhia nesta zona mais íngreme onde ainda vimos passar os primeiros classificados do trail longo. Descidas finais feitas, era altura de abrir a passada até ao final. Agradeci o apoio importantíssimo dos colegas, eles mandaram-me seguir até ao fim e assim fiz porque o terreno era à minha medida. Ia sozinho com atenção às fitas e só perto do final encontrei mais atletas. Um casal que tinha passado por mim quando estava no chão e que muito contentes ficaram por me ver acabar.

E acabei, perante a alegria das colegas que me tinham ajudado quando caí e o alívio dos colegas que iam à frente e só ficaram a saber do que tinha acontecido instantes antes quando elas chegaram. Pouco depois chegaram os colegas que me acompanharam nas descidas e lentamente fomos rumando aos banhos. A malta dos 25km e da caminhada haveria de chegar a conta-gotas entretanto e o grupo ia ficando reunido novamente e com apetite para o almoço. Não só o da organização, como também o picnic que tínhamos levado.

Curiosamente, tanto nos balneários como nas mesas, tive bastantes atletas a perguntarem-me como é que eu estava por me terem reconhecido da queda. Ainda fui à ambulância trocar o penso e a ligadura e esqueci-me deste azar durante o resto da tarde. O convívio com a malta foi super porreiro, como era de esperar. A todos agradeço a atenção e a força dada antes, durante e depois da prova.

Agora tenho aqui um penso para mudar e uma pomada antibiótica para colocar para ver se isto volta ao sítio e se não fica infectado. Em princípio não, mas todo o cuidado é pouco. A nossa enfermeira está com algum receio até porque hoje também tenho algumas dores que podem apenas ser do impacto recente como podem ser sinal de mais qualquer coisa. É ir cuidando com juízo.

No meio disto tudo, qual é o veredicto final? Garantidamente que não vou trocar o alcatrão pelo trilho, mas revejo totalmente a beleza de correr pelo meio do monte. Mantenho a minha falta de prática nos trilhos. Para mim se é para correr é sempre a olhar para a frente sem medo de onde estamos a meter os pés. Gostava de ter feito um trail limpo, sem quedas, para ficar com uma memória melhor disto, mas longe de mim estar arrependido de ter feito a prova. Levem-me para o mato de vez em quando (oops, isto não soou tão bem como devia) mas de preferência em zonas que me sejam familiares para eu me sentir mais tranquilo.

Ia dizer que se calhar para o ano faço outro trail, mas com o calendário que já tenho pela frente não sei se isso será uma realidade.

Agora vou ver se recupero. Temos uma série de eventos importantes na equipa nesta altura do ano antes de terminar 2018 com uma festa em grande na São Silvestre de Lisboa. 


Prova nº 99 - Alcanena Trail - Serras de Aire e Candeeiros 2018 - 14km - 02:10:00