domingo, 24 de junho de 2018

"...em Setembro conversamos."

Em Março, no rescaldo daquela prova única que foi a Meia Maratona do Eixo Norte-Sul, escrevi o seguinte:

"Foi a minha 15ª Meia Maratona e foi a 5ª que terminei abaixo das duas horas. E se a ideia é apagar resultados menos conseguidos do passado, então alguém avise a Meia das Lampas que em Setembro conversamos."

Como sou pessoa de cumprir com as minhas promessas, a inscrição foi feita a meia da semana e paga hoje. Será sempre feita já bem dentro da preparação para a Maratona do Porto em Novembro, mas com a ideia de fazer melhor do que fiz na única vez que tive o prazer de estar presente nesta prova.

42ª edição - número mítico!


Depois há várias particularidades que me faziam querer regressar este ano como o facto de ser a edição número 42. E o facto da prova se realizar nas proximidades do meu aniversário faz com que tenha por ela uma estima particular. Num destes anos há-de calhar no próprio dia e desconfio que lá estarei nessa edição. Este ano há outra novidade interessante: a Meia Rampa!

Quem conhece o percurso sabe que passamos pela meta aos 13km, portanto este ano vai haver uma prova exactamente com essa distância para quem não se quiser aventurar na Meia Maratona. Assim de repente, e sem fazer grandes pesquisas, desconfio que seja a única prova de estrada desta distância no calendário. E quem "só" fizer este percurso já fica com uma excelente ideia da razão pela esta prova é carinhosamente apelidada da Meia das Rampas. Para quem não conhece, a altimetria dos 21km é assim:

Lindo!!

Vamos a isso, que o meu plano de treinos para o Porto é de 20 semanas e já começou na segunda-feira sem eu ter reparado. Querem vir às Lampas? Vejam aqui, vá.

sábado, 23 de junho de 2018

Desafio: profissionalismo!

Vou ser breve e vou direito ao assunto. Fiquei satisfeito por isto. No dia 30 de Maio ficou tudo acertado para ser compensado com a inscrição no evento do dia de hoje, depois do infeliz engano na prova no Jamor. Tudo ok, e-mails guardados para referência futura, fiquei descansado.

Tudo mudou quando ontem à noite tive finalmente resposta ao meu pedido de confirmação de horários e de lista de inscritos. "Apareça!" foi a resposta que me deram, mas, como eu já receava, o meu nome não constava na lista. "Sem problema" li hoje de manhã, seguido de um pedido de confirmação de dados e do desafio onde queria ser inscrito. Depois de ter dormido super mal e de ter acordado em qualquer vontade de participar, esta resposta absurda deixou-me a ferver. Tinha ficado tudo tratado no dia 30 de Maio e a informação estava toda naquela troca de e-mails. Estava tudo no e-mail anterior, mas nada foi feito. 

Incompetência, falta de profissionalismo, incapacidade em manter a palavra e um desrespeito total onde nem um pedido de desculpas recebi: foram estas as razões que me fizeram desistir de participar nesta prova, mesmo com a promessa recebida esta manhã que o meu nome acabaria mesmo por constar na lista de inscritos.

Assim sendo, apesar de adorar o conceito e a experiência de correr em pista, terminou definitivamente o meu interesse em qualquer futura prova do Challenge 3000. Eu sou apenas uma gota de água no meio do vasto oceano de atletas que todas as semanas participam em provas por tudo o país. Sei que não sou ninguém, sou apenas mais um no pelotão. Estar ou não estar é igual, portanto ambos vamos seguir o nosso rumo, mas de forma separada. O Challenge 3000 vai continuar a ter atletas a participar e eu vou continuar a participar em provas. E seremos ambos muito felizes longe um do outro.

Até sempre, Challenge 3000! 


segunda-feira, 11 de junho de 2018

Corrida Volkswagen

Se há uma palavra que pode definir o que tenho sentido desde o Douro Vinhateiro, essa palavra é "ressaca". Desde então até ontem, apenas tinha corrido uma vez, num evento que fizemos em Lisboa e apesar de ter sido um treino com alguma altimetria, foi sobretudo uma brincadeira para o convívio com bastantes paragens para fotos de grupo.

Conheço perfeitamente este processo de ressaca, já tinha passado por ele logo a seguir à primeira maratona. Uma pessoa está muito focada num objectivo e quando ele está concluído (e felizmente com muito sucesso) rebenta aquela bolha de excitação que andou a crescer gradualmente até ao dia 27 de Maio. Já reconheço os sintomas e sei lidar com eles melhor, o que não invalida que não pudesse ter feito mais para lutar contra esta inércia consciente que se gerou.

Mas não foi tudo, não senhores. Neste fim de semana em particular houve outra "ressaca", aquela causada pelas jolas (a minha nova palavra favorita) no sábado à tarde e pelo vinho branco no jantar de aniversário de sábado à noite. Juntemos a isto algum desleixo durante estes últimos dias (hei-de fazer um post sobre as "actividades extra-curriculares" que tenho feito) e lá fui eu em bonitas condições correr no domingo a Palmela. As provas do crime:




Ora, era suposto em Junho a minha única prova ser a das Fogueiras, mas para além da questão do Challenge 3000 que já aqui abordei, também tive o privilégio de receber um convite para participar na Corrida Volkswagen através de uma empresa que é cliente de um colega de equipa. E lá fomos nós fazer uma prova que é daquelas que sempre esteve nos meus planos mas na qual nunca tinha participado.

A Autoeuropa é um mundo lá dentro. Não tinha noção da dimensão das instalações e mesmo tendo visto o percurso na página da prova, ainda me intrigava como é que íamos fazer 10km lá dentro. E após ver e rever o mapa, nunca consegui também meter na cabeça o caminho que íamos fazer. Como eu sou uma pessoa muito visual em termos de aprendizagem (obrigado às formações na empresa que me ajudaram a descobrir isto ao longo dos anos) preciso de analisar bem os percursos para me conseguir situar durante as provas e isso ontem nunca aconteceu. Não é grave, pensei, isto nem estava na agenda, é só ir atrás dos outros até à meta.

Fomos 7 elementos da equipa até Palmela, encontrámos lá um oitavo para além de alguns outros amigos. A grande curiosidade era mesmo as passagens pelos corredores junto às linhas de montagem da fábrica e nessa zona éramos brindados também com bastantes aplausos dos funcionários presentes. O tempo estava encoberto e a malta dividia-se entre os que tinham frio e os que não tinham. Eu levei a nossa camisola e vesti por cima a do nosso patrocinador de ocasião, ambas de manga curta, e se havia quem me dissesse que eu ia ter calor, também havia quem achasse boa ideia ter uma segunda camada de roupa. Como ambas as camisolas até têm o mesmo padrão de cor, não estranhei e ambas de acabaram por fundir numa só. Uma coisa certa era que o boné ia servir mais para proteger da chuva do que do sol.

À medida que se aproximava a hora de início da prova, o espírito ia entrando e após os votos finais de boa sorte não foi surpresa que eu tenha começado logo em bom ritmo a tentar fugir à confusão inicial da partida. Apesar do espaço ser largo, havia imensa gente e muitos zigue-zagues. Não tinha nenhuma estratégia definida, para além de dizer ao corpo que aqueles 10km eram a minha punição pelo que tinha andado a fazer nos últimos tempos, portanto era para os fazer até ao fim sem me queixar. Aguenta e não chora, rapaz!
Tentei ir atrás da dupla de colegas mais rápidos e durante os primeiros 3km ainda os fui acompanhando primeiro ali perto e depois cada vez mais longe até deixar de os ver no meio do pelotão. Foi mais ou menos quando percebi que estava a ficar sem pernas para o ritmo a que ia e moderei o esforço. Achei que tinha, pelo menos, ganho margem suficiente para gerir o resto da prova por forma a terminar abaixo dos 50 minutos e honrar não só a nossa camisola mas também a camisola extra que tinha vestida. E lá fui sem pensar em muito mais.

As passagens pelas linhas de montagem foram, de facto, interessantes. Tentando não perder o ritmo ia espreitando em volta para conseguir capturar alguns detalhes do interior e de todas aquelas peças do puzzle que acabam por formar os carros que dali vão saindo. E lá dentro não chovia, ao contrário do que ia acontecendo cá fora. Uma chuva não muito intensa, mas constante que se fez sentir durante um terço da prova, talvez. 
Outro ponto de interesse foi a pista de testes cá fora. Suponho que é o local dos testes dos travões e afins. Mais ou menos como aquilo que encontramos quando vamos com o carro à inspecção, mas ali estendia-se por quase um quilómetro de distância. Foi aqui também que havia um retorno que me permitiu ver praticamente todo o resto da equipa e fazer a festa quando nos cruzámos todos.

Depois deste ponto faltavam 2,5km e era altura de focar na meta que nunca mais chegava. Ao entrar nos pavilhões das linhas de montagem o sinal de GPS tinha sido perdido, portanto era impossível contar com as médias do relógio para saber a quantas andava. Acabou por me marcar 9kms no final da prova. Olhando para o tempo decorrido mantinha a convicção que abaixo dos 50 minutos era garantido e tive essa garantia quando tinha 44 minutos ao passar a placa dos 9kms. Só um infortúnio me faria fazer 6 minutos no quilómetro final e fiz um último esforço para terminar o melhor possível. E consegui.

Depois da prova veio um momento de maior tristeza ao saber que um amigo tinha caído a cerca de 300 metros da meta e veio a confirmar-se depois que fracturou duas costelas. E aqui veio um daqueles momentos de entre-ajuda que me faz orgulhar de estar neste mundo. Quem ia mesmo atrás do nosso amigo era o meu mentor que ia a acompanhar uma colega nossa rumo a um bom tempo, mas pararam imediatamente para o ajudar e foram chamar ajuda da organização (para além de entrarem logo em contacto com a mulher dele que aguardava na meta) e só o deixaram quando já estava na companhia dos bombeiros. Provas há muitas e foi mais uma confirmação de que aprendi tudo o que sei com a pessoa certa.

Aprendi - ou recordei - também outra lição. Logo na meta percebi que a nossa enfermeira bateu o seu record aos 10km e vendo os resultados mais a frio percebi que o mesmo aconteceu com um dos colegas mais rápidos que eu (ou com ambos até, não tenho a certeza). Para além da muita felicidade pelos resultados deles fica no ar a ideia que eu poderia ter conseguido o mesmo se não tivesse andado mais na balda nos últimos tempos. É que olhando para o meu próprio resultado final acabei por não ficar nada longe. Obviamente que não tenho nenhuma obsessão com os tempos e esta prova nem fazia parte do calendário, mas é a prova de que não podemos/devemos baixar a guarda em nenhum momento porque há oportunidades que aparecem que podem ser únicas e temos que estar preparados para as agarrar com ambas as mãos ambos os pés. Por outro lado, há mais da vida para além das corridas, portanto não me arrependo de nenhum dos momentos de lazer e de nenhuma das jolas. Mal seria se assim fosse. Venham mais: corridas e jolas! Já disse que jolas é a minha nova palavra preferida?

Prova nº 88 - Corrida Volkswagen 2018 - 10km - 00:48:42


quarta-feira, 30 de maio de 2018

Próxima paragem...

... não são as Fogueiras.

Ainda se lembram disto? Hoje foi divulgada nova edição em Lisboa, portanto voltei a pegar na troca de e-mails quando reclamei e onde me disseram que me iriam ressarcir pelo acontecido, mas a coisa ficou assim em águas de bacalhau sem nunca ser concretizada. Pedi a oferta da inscrição e o pedido foi prontamente aceite. Lá está, não é pelo valor que são só 3€, mas gostei que tivessem mantido a palavra e também há que destacar essa abertura.

Portanto... pronto... Siga!


segunda-feira, 28 de maio de 2018

Desempate no Douro Vinhateiro

"Eu vou devagarinho, vou só para curtir a vista e ficar a conhecer o percurso. Vamos todos juntos e fazemos 1:40." - foi este o mote dado pelo nosso amigo e colega de treinos que é uma flecha. 

"Isso são mais de 15 minutos abaixo do meu record pessoal (1:57:08 - Coimbra 2017), nem penses nisso." E nem a mudança de planos para 1:50 me convenceu, se bem que ele tinha razão quando dizia que às vezes é preciso um empurrão extra para sair da nossa zona de conforto. "Eu quero ir a 5:30m/km, tudo o que for abaixo disso é lucro." - rematei minutos antes da partida.

Meus caros, eu estava empatado com esta prova e hoje era o dia D, de desempate. E não ter treinado nas duas semanas anteriores não era grande augúrio, pois não? Pois. Andar com desarranjo intestinal desde a madrugada de 4a para 5a também não foi fixe. Em cima da barragem do Bagaúste sentia o Flipbelt a pressionar-me essa zona... e ter que me colocar de cócoras para voltar a apertar os atacadores dos ténis também não ajudou. Felizmente esqueci-me disso assim que tudo começou.

O pré-prova foi muito porreiro, sempre em excelente companhia e só por causa disso já estava a prova ganha. Obrigado pela companhia, do fundo do coração! Uma viagem longa mas que vale sempre a pena fazer quando vamos bem acompanhados.

Já na 6a tentei combater a coisa é acabei por ter uma pasta party caseira. A oficial foi no sábado à noite e foi muito melhor que a do ano passado. Na Régua, inspirados pelo tal colega que só ia passear, a coisa teve Favaios em dose dupla, já depois de ter tido paragem obrigatória pelo Bar 21 com um copo de branco. Isto explica a razão pela qual eu ainda sinto a boca seca. 
 

 
 
Voltando atrás, é por causa destes momentos que vale a pena fazer estas aventuras.
Por falar nisso, assim que entramos no secretariado para levantar os dorsais, quem é que eu encontro? O André, cuja página e desafios tenho andado a seguir desde o seu início. Reconhecemo-nos quase imediatamente e percebemos que ambos íamos à pasta party, portanto havíamos de voltar a falar.

Pasta Party caseira com massa integral na 6a

Pasta Party oficial no sábado

Dorsais levantados, "login" feito no hotel e regresso ao Museu do Douro para o jantar. Ao entrar descobrimos que ainda estava menos gente que no ano passado, mas que o espaço estava mais requintado. E a refeição não desiludiu. Estar pouca gente até foi melhor, foi tudo tão tranquilo que era o que estávamos todos a precisar depois da longa viagem. E já estava o André a a Sofia, com quem estive à conversa. Foi um prazer conhecê-los e ter a oportunidade de transportar para a "vida real" esta malta com quem comunicamos apenas atrás de um teclado vale muito, porque são estas as medalhas e os recordes que ficam. E percebemos que no dia seguinte tínhamos autocarro marcado para a mesma hora. E, sem combinar, lá nos encontrámos à hora prevista.  

Houve Favaios, disse eu. A meio da tarde com cerveja depois de levantar os dorsais e depois de jantar como digestivo com o café. A malta abusou? Diz que sim, um bocadinho, mas a ideia era fazer da prova uma festa e estávamos rodeados de muitos amigos.

 
Este ano mudámos de Hotel - a primeira opção era o Columbano, mas o meu colega que tratou disto já tinha estado no Império Hotel. A escolha foi óptima, sobretudo pela proximidade da estação da Régua, local da partida dos comboios e autocarros. A noite passou depressa e nem sequer senti que tivesse dormido tão bem quando gostaria, mas acordei tranquilo, com aquela calma de "Este gajo sempre que diz que vem sem pensar em tempos faz sempre grandes resultados!" e foi assim que cheguei ao pequeno-almoço, não sem antes decidir à última da hora que não ia levar música. Dali até à Barragem do Bagaúste foi um tirinho, já com a equipa toda reunida. Felizmente optámos por partir mais tarde que em 2017 e assim o tempo de espera antes da partida foi menor. Após a típica separação da Mini e da Meia, estávamos todos nos locais certos para partir para as nossas provas. E nós estávamos bem mais à frente do que o habitual, o que vinha dar alguma razão à nossa ideia que estaria, possivelmente, muito menos gente este ano. É que na noite anterior o ambiente na cidade era quase inexistente, pelo menos na zona onde andámos. A chuva que começou a cair de forma acentuada e a final da Champions League explicavam tudo?

E se chovia na noite de sábado, a manhã de hoje acordou encoberta mas durante pouco tempo. O calor já se fazia sentir e eu estava todo contente, apenas pelo facto de poder justificar a minha nova aquisição e que ia estrear na prova: um boné de corrida! Eu sei experimentar coisas novas em dia de prova é um erro, mas como nesta semana não treinei (novamente) não tive oportunidade de o testar. Passou no teste com distinção, já agora.

Então e vamos correr? Vamos a isso. Sempre a 5:30m/km ou um pouco menos, se possível.
A prova para mim tem três partes: da Barragem até ao retorno, do retorno até à Barragem, da Barragem até à Meta.
 
O começo é sempre um momento onde tentamos ganhar a melhor posição no pelotão. Rapidamente perdi de vista os restantes elementos da equipa. Vi a flecha ir lá para a frente, pelo menos um colega ir com ele e os restantes teriam ficado para trás. Sem música, sem companhia conhecida, mas no meio de muitos atletas fui tranquilo, ao ritmo que a tabela mostra. Fui fixando outros companheiros de pelotão que também iam por ali ao mesmo ritmo e ia apreciando a paisagem. Tranquilidade era mesmo a palavra de ordem e os quilómetros iam passando com o relógio a dar-me boas notícias. A prioridade era mesmo refrescar-me e apanhar água em todos os abastecimentos porque o calor apertava a sério. Deixei-me ir quase sempre com as mesmas caras e camisolas por perto até começarem a passar os primeiros atletas vindos do retorno: primeiro os da prova de 21km em cadeira de rodas e depois os nossos onde eu procurava encontrar as caras conhecidas da equipa e não só. Não vi todos, nem todos me viram, mas é sempre dos momentos que me permitem esquecer algum eventual cansaço que, na altura, não sentia.

Logo após o retorno passei um dos meus colegas que me pareceu ter quebrado muito cedo - e comprovei isso pelo tempo final. Dei-lhe umas palavras de força e continuei. Chego ao décimo quilómetro exactamente com 55:00 marcados no relógio. Ritmo perfeito para o que queria, mas agora era preciso manter na segunda-metade-mais-o-km-final. Tomei o gel conforme planeado e o André passou por mim. Estes quilómetros do 11 ao 15/16 até regressar à Barragem são sempre os mais difíceis para mim psicologicamente e eu já estava a sentir que estava a ficar desgastado, mas seguir a poucos metros dele e ir mantendo o ritmo e a distância estavam a ajudar-me. O Strava explicou-me entretanto a razão pela qual achei que estava a custar-me mais fazer esta parte. Vejam lá bem. Confesso que no fim não sei se lhe agradeci ter sido a minha lebre sem saber, mas se não o fiz hei-de fazê-lo. Nem quis olhar muito para o relógio nesta fase porque tive receio de ver a média a piorar e isso ia deixar-me desanimado. Afinal...
E chegou o quilómetro 16 onde a coisa piorou... Perante a promessa de água fresquinha - o resto daquela que levava comigo estava quente - fiquei atento ao momento do abastecimento, mas a loucura para as garrafas era imensa. Acabei por ter que optar pelo Red Bull e no meio de tantos copos agarrei... numa lata! Que estava quase cheia. E super fresca! Tentei beber em andamento, tal como já tinha conseguido fazer com o copo de Isostar uns quilómetros antes sem ter que abrandar muito, mas engasguei-me ao primeiro gole, ao ponto de outro atleta se ter assustado e me ter logo perguntado como estava e recomendado cuidado. Parei uns 20 segundos, bebi e segui. Gostava de ter levado água para o resto da prova, mas paciência.

Era a entrada na última etapa. Nesta paragem perdi de vista o André, mas estava novamente com outro grupo que já me tinha acompanhado durante largos metros antes. Não fiquei ali muito tempo e zarpei para tentar recuperar os segundos perdidos. Acelerei tanto que quando dei por mim ia abaixo de 5:00m/km. Aguenta os cavalos, rapaz, que não consegues fazer isso até à meta. Estabilizei aos 18km, na tentativa de perceber se aquela paragem seguida de um esticão tinha feito estragos. Achei que tinha, ao ponto de me ter baralhado a matemática. E na viagem de regresso a minha malta mais próxima ainda gozou comigo porque eu sou certinho nestas coisas e, por alguma razão, naquele quilómetro achei que a continuar a um ritmo de 5:30 ia acabar com 1:58, algo longe do objectivo que tinha. Não sei que contas fiz, não faço ideia. Fiquei com isso na cabeça e pensei que fazer menos de duas horas é sempre um resultado simpático e ficava satisfeito na mesma. Entretanto vejo ao longe a Lúcia, de quem já aqui vos falei e que encontro sempre nas provas da Running Wonders. Decidi que a ia tentar apanhar e eventualmente fazer aqueles últimos quilómetros com ela. Trocámos umas rápidas palavras, percebi que eu ia com melhor ritmo e segui com a promessa de falarmos melhor no final. Estava finalmente na ponte pedonal que nos leva a entrar na Régua e perante o maior número de espectadores comecei a puxar por eles e a dar cinco a quem esticava a mão. A Lúcia passou-me mais ou menos nessa altura. Teria ido buscar forças para o quilómetro final, talvez. Disse-lhe para dar tudo até à meta que tínhamos tempo para descansar depois. Já só a vi logo a seguir à meta. Chegada ao quilómetro 20. E o relógio marcava 1:48 e qualquer coisa e... espera lá! Se é assim afinal estou melhor do que tinha pensado! Pernas para que te quero. Agora as contas eram fáceis, tinha que fazer o último quilómetro-mais-quase-cem-metros em seis minutos. Entrei em modo "faca nos dentes e coração na boca" mas aquela recta até à meta parecia interminável, mesmo comigo a tentar abstrair-me de tudo e a continuar a pedir apoio ao - cada vez mais - público. Foi brutalmente importante ver a nossa dupla da Mini ali no passeio próximas dos metros finais para dar aquele boost final e com tudo o que tinha e não tinha acabei e parei o relógio com 1:55:03! Gritei de alegria ao mesmo tempo que pensei "Estúpido, menos quatro segundos parado e era épico!"

Medalha na mão, ergui-a ao alto e fotografei na minha memória aquele momento só para mim. A não ser que alguém o tenha capturado em imagem, mas penso não haver fotógrafos naquela zona híbrida depois da meta e antes dos stands. Foi com muita alegria também que comecei a ver colegas e amigos - Sofia e André novamente incluídos neste lote - e que a malta da equipa estava prontinha a pedir cervejas. Não vos digo quantas bebi antes de irmos embora de regresso ao hotel.

Prova concluída e sim, record pessoal batido no Douro Vinhateiro pelo segundo ano consecutivo. Estou a ganhar 2-1. De volta ao hotel era hora de aproveitar o late check-out para tomar banho antes de se pensar num sítio para almoçar. O anho estava muito bom e foi regado com vinho tinto, que até é coisa que eu não costumo beber. À mesa conversava-se sobre a prova e dava uma preguiça aliada a uma vontade imensa de ficar mais uma noite. Repete-se a promessa de voltar noutra altura fora da prova para apreciar ainda mais e melhor aquela zona lindíssima do nosso país. E a promessa de regressar em 2019, naquela que é uma das duas provas - a outra é o Fim da Europa - onde eu disse que só ia uma vez para ficar a conhecer e onde já marquei presença pelo terceiro ano consecutivo. Curiosamente no restaurante estava alguém com uma camisola do Fim da Europa misturada com várias outras do Douro Vinhateiro. Agora comparem os slogans e vejam lá se não faz sentido.

Corrida Fim da Europa - "Dificilmente haverá corrida mais bonita"
Meia Maratona do Douro Vinhateiro - "A mais bela corrida do mundo"

Deixo-vos só com mais umas fotos, antes de perceberem a razão pela qual dei um salto de alegria ainda maior do que na meta quando já estava em casa, de pijama vestido, e abri o site das classificações.









Prova nº 87 - Meia Maratona Douro Vinhateiro 2018 - 21km - 01:54:56

Yesssssss!!!!! Tempo oficial dentro do minuto 54!!!
E alguém ainda se lembra que eu andei - e ainda ando ligeiramente - com desconforto intestinal? É que nem eu me lembrei (excepto em cima da barragem), a avaliar por tudo o que comi e bebi neste fim de semana!
Acabaram as provas em Maio. A próxima será apenas nas Fogueiras, em Peniche. Agora já posso pensar nos planos de 5a feira e nos outros que estamos a preparar internamente.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Não há tempo para respirar

A prova de domingo está feita. Resta aguardar pela reunião para balanço final do evento.
A nossa reunião está feita, os próximos eventos estão em marcha: já neste domingo, já na próxima 5a feira (estou nervoso por antecipação, confesso), talvez em Setembro, de certeza em Outubro, de certeza no Natal e no Fim de Ano novamente.
E eu com vontade de me meter numa brincadeira à parte para Agosto, mesmo sabendo que é meio utópico e logisticamente complicado.

No meio disto tudo há uma Meia Maratona para fazer na Régua e eu começo a achar que a prova terá sempre um elemento extra de dificuldade ao qual não consigo escapar. Em 2016 aconteceu durante o mês de Maio tudo aquilo que alguns de vocês sabem e que não vale a pena recordar. Pimba, desisti ao km 15. Em 2017, na 5a feira antes da prova torci o pé durante o último treino e as palavras mágicas da nossa enfermeira juntamente com toda a força que recebi levaram-me a terminar batendo o meu record pessoal, já melhorado entretanto. Em 2018, também na 5a feira antes da prova, não consegui ir trabalhar devido a... problemas... intestinais... e nem sequer me senti com energia para um derradeiro treino ao fim do dia juntamente com a equipa. Talvez consiga fazer uns quilómetros amanhã, caso contrário será uma semana sem treinos. Se assim for, vamos acreditar que era o descanso que as minhas pernas precisavam neste fim de mês vertiginoso.

O que vale é que passei o serão a ouvir Mamonas Assassínas e isso é o suficiente para me dar a dose de parvoíce diária que preciso, deixar-me com um sorriso nos lábios e cheio de energia. Se calhar ainda os levo na playlist para o Douro Vinhateiro!

Agora vou ali lançar mais uns convites para dia 31 para poder estar - ainda mais - entre amigos.