" - Não dás dois nós nos atacadores dos ténis?"
" - Normalmente não, nem penso nisso."
" - E nunca se desapertam enquanto corres?"
" - Não, é raro"
Foi esta a conversa com um colega da equipa na qual faço as provas do Troféu das Localidades, um minuto antes de começar a prova. Na verdade, houve uma altura em que a cada treino que fazia tinha que parar ao fim do primeiro quilómetro para apertar melhor os ténis. Já estão a ver o que aconteceu, não já? A meio da prova tive que parar 10 segundos para tratar disso.
Não tenho sido tremendamente assíduo nestas provas. Apesar de gratuitas mantêm-se como uma alternativa e nunca como primeira opção. Mesmo assim, a prova de hoje ganhou à Corrida do Benfica onde já participei duas vezes e estive no ano passado na bancada a dar apoio e a fazer fotos. Já não é novidade que aqui as provas são curtas e exigentes, com uma altimetria interessante e um carrossel jeitoso. O gráfico no regulamento deixava-me um pouco de pé atrás, mas na verdade lá dentro a prova fez-se com mais facilidade do que eu achava. Ou isso ou o corpo reage melhor do que a cabeça acha. O ritmo final foi do melhor que tenho feito neste troféu.
A coisa até não começou bem com os escalões mais jovens. Um erro no percurso (da organização, dos miúdos, enfim) fez com que se tivesse gerado alguma confusão e se tivesse perdido um pouco o foco nas provas. Um grupo de atletas seguiu atrás da mota e do carro da polícia (que iam a abrir caminho à frente do carro da organização) pela rua errada e ultrapassou os primeiros. Não posso falar do que não vi, mas quando fiz a prova masculina percebi claramente onde tinha acontecido o engano e nessa altura já lá estava bem colocado um elemento a indicar qual era a rua pela qual deveríamos ir. Agora aquilo que vi foi uma falta de tacto tremenda por parte de duas pessoas perante um miúdo de 12 anos. Uma foi o condutor do carro da organização (seria o director da prova?) que ao chegar à meta disse alto e a bom som pelo megafone que "este miúdo está enganado e não faz parte da prova". Mais à frente quando ele segue pelo gradeamento até à carrinha da organização assim que lá chega dizem-lhe que "não vale a pena dar-te os parabéns porque vais ser desclassificado". Malta, estamos a falar com um miúdo que acabou uma prova, está super surpreendido por não ver ninguém na meta antes dele e nem tem noção do que aconteceu. Eu sei que a competitividade nestas provas é enorme, mas não é assim que ajudamos a formar crianças que pretendem ser o futuro do atletismo, nem que seja de forma amadora. Não é assim que se fomenta o gosto pelo atletismo. Resultado: um miúdo lavado em lágrimas, super nervoso e com imensa raiva e frustração.
Menos mal, pelo que percebi depois a coisa resolveu-se com esta mesma pessoa a falar directamente com todos os atletas que chegaram a acordo em relação à classificação final que foi determinada pelo lugar em que estavam antes da bifurcação demoníaca. Ainda cheguei a ouvir outros miúdos dizerem que fizeram uma volta a mais naquela zona, portanto a confusão foi mesmo geral.
Afastei-me ainda a tempo de fazer umas fotos à prova feminina, tanto na partida como depois na chegada. Com tudo isto quase que nos esquecíamos delas e quando chegaram estavam com um ar muito mais exausto do que o habitual. Era assim tão mau? A dica que nos traziam era para levarmos menos roupa. Eu ia com camisola de manga comprida por baixo e todas insistiram para eu a tirar porque estava muito abafado durante o percurso. Era mesmo isso ou estavam as meninas a flirtar connosco? Convenci-me com um "Se não fizeres o que eu te digo quando acabares a prova vais-me dizer que eu tinha razão." E eu fiz. E ela tinha. Apesar da chuva que começou a cair e se fez sentir durante o primeiro quilómetro e meio, quando ela desapareceu estava mesmo muito quente na zona mais afastada da meta e ir só de manga curta soube bem.
Tentei olhar o menor número de vezes possível para o relógio mas sempre que o fazia estava contente com o que via. A certa altura passou por mim um atleta em bom ritmo e fiz tudo o que pude para me agarrar a esta lebre. Aguentei-me bem a subir e acelerei a descer, mas sem abusar porque já sabia que lá à frente havia mais. E mais ou menos a meio da prova comecei em "picardia" com outro atleta. Passei por ele numa subida - ele ia a andar - e nessa altura ele volta a correr e ultrapassa-me. Depois volta a andar até eu, que mantive a mesma passada certinha, o passei. E ele... voltou a correr.
Ai o caraças! Confesso que estava a ficar incomodado e assim que pude acelerei para sair deste ping-pong. Até que tive que atar os atacadores e ele foi-se embora.
E apanhei-o no fim, no último quilómetro. Estava ele já exausto e eu ainda fresquinho e com pernas para dar uma segunda volta ao trajecto. E sim, com a moral em alta. Aquele sétimo quilómetro sempre a descer deu-me essa moral e o último, mesmo com algumas rampas, foi feito com a corda toda. A recta, perdão, rampa da meta foi feita a sprintar. Vá, e não tenho nada contra o rapaz com quem "embirrei" hoje, nem sequer é esse o meu espírito.
Tudo feito, fotos finais e só faltou sair a classificação do meu escalão em tempo útil. Desta vez não fiquei para o convívio habitual pós-prova. E fui obviamente agradecer a dica de ter ido de manga curta.
A parte chata veio depois, à hora de almoço. Então não é que o Monção que eu abri era tinto quando eu achava que era branco? Tragédia! Felizmente sendo Alvarinho uma pessoa nunca fica mal, qualquer que seja a cor.
Para a semana: Estafeta Cascais-Lisboa.
Menos mal, pelo que percebi depois a coisa resolveu-se com esta mesma pessoa a falar directamente com todos os atletas que chegaram a acordo em relação à classificação final que foi determinada pelo lugar em que estavam antes da bifurcação demoníaca. Ainda cheguei a ouvir outros miúdos dizerem que fizeram uma volta a mais naquela zona, portanto a confusão foi mesmo geral.
Afastei-me ainda a tempo de fazer umas fotos à prova feminina, tanto na partida como depois na chegada. Com tudo isto quase que nos esquecíamos delas e quando chegaram estavam com um ar muito mais exausto do que o habitual. Era assim tão mau? A dica que nos traziam era para levarmos menos roupa. Eu ia com camisola de manga comprida por baixo e todas insistiram para eu a tirar porque estava muito abafado durante o percurso. Era mesmo isso ou estavam as meninas a flirtar connosco? Convenci-me com um "Se não fizeres o que eu te digo quando acabares a prova vais-me dizer que eu tinha razão." E eu fiz. E ela tinha. Apesar da chuva que começou a cair e se fez sentir durante o primeiro quilómetro e meio, quando ela desapareceu estava mesmo muito quente na zona mais afastada da meta e ir só de manga curta soube bem.
Tentei olhar o menor número de vezes possível para o relógio mas sempre que o fazia estava contente com o que via. A certa altura passou por mim um atleta em bom ritmo e fiz tudo o que pude para me agarrar a esta lebre. Aguentei-me bem a subir e acelerei a descer, mas sem abusar porque já sabia que lá à frente havia mais. E mais ou menos a meio da prova comecei em "picardia" com outro atleta. Passei por ele numa subida - ele ia a andar - e nessa altura ele volta a correr e ultrapassa-me. Depois volta a andar até eu, que mantive a mesma passada certinha, o passei. E ele... voltou a correr.
Ai o caraças! Confesso que estava a ficar incomodado e assim que pude acelerei para sair deste ping-pong. Até que tive que atar os atacadores e ele foi-se embora.
Tudo feito, fotos finais e só faltou sair a classificação do meu escalão em tempo útil. Desta vez não fiquei para o convívio habitual pós-prova. E fui obviamente agradecer a dica de ter ido de manga curta.
A parte chata veio depois, à hora de almoço. Então não é que o Monção que eu abri era tinto quando eu achava que era branco? Tragédia! Felizmente sendo Alvarinho uma pessoa nunca fica mal, qualquer que seja a cor.
Para a semana: Estafeta Cascais-Lisboa.
Prova nº 81 - Troféu das Localidades (Sintra, Oeiras e Cascais) - Grande Prémio de Atletismo de Leceia - 7,850km - 41:01






