quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Fim da Europa 2018

Bem, com tanta coisa que se tem andado a passar à minha volta quase que deixava passar o relato daquela que aos poucos foi passando a ser umas das minhas provas favoritas do calendário: a Corrida Fim da Europa.

Fui lá em 2016 um bocado a medo e a coisa tinha corrido mal com a entrega dos dorsais.
Regressei em 2017 meio lesionado e depois da prova acabei por ter que parar um mês para recuperar.
E tirei a barriga de misérias este ano. Fui lá cheio de fé para "partir aquilo tudo"!

Há qualquer coisa nesta prova e no ar da serra de Sintra que me fez passar de um discurso de "ah e tal, vou lá uma vez só para marcar com um visto a prova do calendário" para "já cá vim 3 vezes seguidas e já estou ansioso pelo próximo ano!" Não é uma prova fácil, tem uma logística complicada inerente ao facto de começar num sítio e terminar noutro a 17km de distância, mas o que é certo é que é um desafio fantástico que me continua a cativar. Já posso dizer que tive finalmente uma prova verdadeiramente feliz em Sintra, porque para além do Fim da Europa a outra que lá tinha feito... Credo, agora que olho para trás há imensa coisa que começa a fazer sentido.

Fui novamente com alguns colegas de equipa e eu era o único que já tinha feito a prova e sabia exactamente ao que ia. Tentei, por isso, transmitir-lhes a dureza e beleza do percurso, os pontos críticos e as alturas mais tranquilas onde podiam arriscar mais. Fico muito contente também que todos, sem excepção, tenham ficado fascinados com a prova e queiram voltar para o ano para repetir já com um melhor conhecimento do trajecto para melhorarem o seu desempenho. Foi precisamente com esse objectivo que eu lá fui no domingo.

Antes da prova tive vários momentos de felicidade que me ajudaram a descontrair. A cada cantinho encontrava uma cara conhecida: o Rúben (que eu encontro sempre em todas as provas assim que chego à zona da partida sem nunca combinarmos um ponto de encontro para darmos um abraço), o Rui, a Filipa, o Mário e mais malta porreira, amigos de muito longa data e companheiros de estrada. Mas o ponto alto estava precisamente naquilo que quase que se tornou no primeiro encontro organizado de bloggers de corrida de Lisboa e arredores. Deu-se a coincidência de eu, a Agridoce, a Fabiana e a Mafalda estarmos ao mesmo tempo no mesmo espaço e na mesma prova. E obviamente que nos encontrámos, apesar de não termos tido a possibilidade de fazer uma foto de grupo para a "prosperidade", como muito alegremente diria uma amiga minha. Foi muito fixe (re)ver ao vivo e a cores esta malta toda e ter tempo para conversar um pouco, tanto no início como no final da prova. Temos que repetir, ok? E juntar ainda mais malta, já agora. (Por falar nisso, oh Vonita, como é que é possível que ainda não tenha sido desta?!? É nos Sinos?) 

Pronto, se calhar está na hora de começar a correr e pelas 10:00 em ponto lá fomos a serpentear por Sintra acima naqueles primeiros quilómetros sempre a subir. Malandros, é só para estragar logo a média de uma pessoa.




Eu sabia ao que ia e subi nessa fase com muita calma sem me querer cansar e sem stressar com o ritmo porque a única coisa que queria era fazer o mais próximo possível dos 7:00/km. Depois veio a parte boa. O sector intermédio agrada-me bastante com um longo carrossel onde ia ultrapassando bastantes atletas a descer e era ultrapassado por poucos a subir. Era também uma fase onde ia identificando muitos companheiros de estrada que iam com um andamento semelhante ao meu e fui procurando manter-me sempre a um ritmo forte. Sabia que no ano anterior tinha tido dificuldades em algumas partes desta zona e não queria que o mesmo acontecesse este ano. Sabia também que se queria fazer um tempo porreiro era aqui que não podia quebrar, sobretudo entre os 8 e os 11 quilómetros. E consegui. E de tão focado que ia que até me esqueci de tomar o gel que levava. Encarei aquela rampa malvada de garras afiadas e consegui nunca ter que parar para caminhar, mesmo que fosse a correr com passinhos curtos e pouco mais rápido do que quem estava efectivamente a andar.

Tinha feito contas ao tempo de prova que queria ter quando chegasse ao ponto mais alto da prova antes da descida frenética até ao Cabo da Roca e quando lá cheguei com menos 3 minutos que o planeado senti claramente que era o meu dia!


Era altura de dar o golpe final. Desço em estrada com uma leveza inversamente proporcional àquela com que desço em trail. Fui a voar por ali abaixo - dentro daquilo que é a minha velocidade, claro - mas sempre tentando não me cansar em excesso porque descer tanto tempo seguido também é difícil. Quando chego ao cruzamento da Azóia atirei um de vários "bora-lá-fazer-barulho-toca-a-bater-palmas-não-'tou-a-ouvir-nada" para o muito público que estava a assistir mas a resposta foi tímida ao contrário do que aconteceu já mais perto do Cabo da Roca onde as pessoas que estavam à beira da estrada ou no pátios das vivendas respondiam de forma positiva.

O dia fantástico de sol mostrava perfeitamente o oceano lá ao fundo. Tive saudades do nevoeiro do ano anterior, mas foi bom sentir o doce toque dos raios de sol (estão a ver, fala-se de Sintra e dá-me para clichés poéticos) no rosto e na pele. Consegui não quebrar naquela rampa estrategicamente colocada uns metros antes da meta e consegui não tropeçar e rebolar por ali abaixo no empedrado final. Acabei com um tempo que destrói por completo as marcas dos dois anos anteriores. Ainda sonhei em fazer na casa da hora e trinta, mas assim deixei margem para regressar em 2019 com objectivos renovados.


O Strava não chegou aos 16,945kms oficiais da prova. Parece-me que andei a cortar curvas qual carro de Fórmula 1 ou piloto de motociclismo. O RAI (ritmo ajustado à inclinação) que faz o acerto do ritmo mediante a elevação (seja ela positiva ou negativa) mostra que andei muito na casa dos 5:00/km e isso soa-me muito bem.

A tenda final foi palco para mais reencontros e para um rápido balanço do que tinha acabado de acontecer. Apesar das dificuldades, não encontrei ninguém desapontado com a sua prestação, antes pelo contrário. Parto rumo aos autocarros e a imagem que levo é de rostos felizes e muito sorridentes, imagem essa que ainda mantenho bem fixa na minha mente.

Parece então que lá terei que voltar para o ano. Que chatice! 

Prova nº 76 - Corrida Fim da Europa 2018 - 17km - 01:32:29

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Não me tentem...

Retido numa estação de comboios devido a problemas na circulação causados por "incidentes com passageiros".

Vou ao Google Maps confirmar: são 17km a pé até casa...

Não estivesse eu de sapatos e calças de ganga e era um belo treino longo, era...!

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Bom dia!

Diz que é por ali o caminho até ao trabalho, mas eu vejo isto e só consigo pensar que é assim que quero encontrar Sintra no domingo!


domingo, 21 de janeiro de 2018

O regresso ao Trail

Todos nós temos, com maior ou menos regularidade, aquele sonho em que estamos a cair e de repente acordamos, certo? Nos últimos tempos tem sido recorrente acordar assim a meio da noite ou até pouco tempo depois de ter adormecido. Ora o que a minha mente fez foi adaptar este sonho (ou devo chamar-lhe mesmo pesadelo?) às minhas próprias circunstâncias: no meu sonho eu estou a andar/correr e começo a cair até ao infinito porque torci o pé.

Foi precisamente num trail que eu tive uma das minhas maiores lesões precisamente porque torci um pé. Mas também já me aconteceu o mesmo num treino de estrada - poucos dias antes da MM Douro Vinhateiro - e no primeiro treino que fiz este ano. Foi só susto em ambos estes casos.

A minha gritante falta de jeito para andar em percursos que não sejam de estrada afasta-me constantemente de trails e faz-me torcer... o nariz quando sei que é esse o destino. Raramente alinho quando são treinos de equipa e meter-me em provas então está quase fora de questão. Tenho uma falta de confiança brutal quando estou perante uma descida mais pronunciada que, no entanto, é quase inversamente proporcional à tranquilidade com que encaro as subidas.

Não entrei em 2018 com particular vontade de mudar esta minha apetência para o trail, nem faço disso nenhuma espécie de resolução de ano novo, mas a verdade é que a equipa marcou um treino de trail especial para hoje e eu não hesitei em estar presente. Na ementa estavam previstos 20km com a menor quantidade de alcatrão possível. Estava entre amigos e sem pressão portanto sabia que ia ter ajuda em caso de necessidade. Foi curiosa a festa que a malta me ia fazendo à medida que ia chegando. Muitos nunca me tinham visto com coisas como ténis de trail nos pés e mochila de hidratação às costas. A gata cá de casa também mostrou a sua estranheza relativamente à mochila tanto ontem quando a preparei como hoje quando me veio fazer companhia enquanto me equipava.

O que aconteceu durante aqueles quilómetros foi aquilo que esperava. Tive dificuldades em algumas descidas, mas de facto só numa é que precisei de apoio extra por ser íngreme e estar enlameada. Depois não me poupei nas subidas e tentei correr todas as que pude. Uma espécie de preparação para o Fim da Europa. E o desfecho final foi que... gostei. Não estou surpreendido, a minha aversão ao trail nunca foi tanto pelo trail em si (as imperfeições técnicas a descer corrigem-se da mesma forma como uma pessoa em estrada tenta melhorar a maneira como corre em empedrado, por exemplo) mas sim por outras questões que me fazem associar trails e pensamentos e momentos negativos. Um pouco como o Alex na Laranja Mecânica ser submetido a um "tratamento" que consiste em associar imagens de violência à Nona Sinfonia do Beethoven que ele tanto adora. 

Isto não significa que a partir de agora vou passar a inscrever-me que nem louco em trails - apesar de estar nos planos fazer um este ano - mas é um passinho para os voltar a olhar de outra forma. Porque o importante são sempre as pessoas com quem partilhamos estes momentos e que nos fazem felizes e os trails em geral não têm culpa da maneira como eu os passei a observar nos últimos dois anos, mais coisa menos coisa.

Fiquem com algumas das imagens. Acreditem que isto ao vivo é imensamente mais bonito!




Uma boa semana para todos!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

"When you can't keep going, go faster!"

Foi com este lema que hoje calcei os ténis e saí à rua para correr, naquele que foi o meu primeiro treino depois da não-ida a Peniche. E para ser ainda mais masoquista fiz um treino com séries. E passei exactamente pelo mesmo sítio onde torci o pé neste mesmo treino de séries há 15 dias atrás, mas tive o cuidado de ver onde estava a pisar. Curiosamente, acho que era o mesmo carro que lá estava estacionado.

Era para ter ido logo na 2a feira, mas a coisa não se deu e ontem não pude ir ao treino da equipa porque estava em actividades extra-curriculares que ainda devem ter direito a um post também. Não podia passar de hoje, apesar de várias serem as possibilidades de desculpa para não ir. O vento frio, os stresses, a Manuela Moura Guedes poder estar a passar por aqui a caminho de uma consulta. Felizmente fui impedido impelido a sair de casa pouco depois de ter chegado. Música a bombar nos ouvidos e lá fui eu.

O treino teve 11km, com uns circuitos de séries pelo meio em três pontos diferentes do percurso. Rolar antes do primeiro, rolar no caminho entre os três locais, meter alguma altimetria pelo meio, rolar após o último. E dar tudo, mas tudo nas séries. E sentir-me como o próprio Zatopek, guardando fazendo o melhor tempo na última série, tal como ele fazia na última volta das suas provas de 5000 e de 10000 metros (Baptista, ia a meio do livro, mas como já não me lembrava exactamente onde tinha ficado decidi voltar a ler desde o início com o mesmo entusiasmo da primeira vez!)

Deixei a frustração de domingo marcada no equipamento. Festejei o fim do treino como se estivesse a passar uma meta. Parvoices. Amanhã há mais.

E domingo vou voltar a calçar estes... Wish me luck.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Alive

Alto lá que isto afinal começa a ficar mesmo mais interessante. Tenho dois nomes que gostava que viessem, mas se eu os revelo aqui ainda alguém me começa a reclamar aos ouvidos.


domingo, 14 de janeiro de 2018

Peniche a Correr (mal)

Era com imenso entusiasmo que eu aguardava por fazer esta prova, em ano de estreia. Por ser Peniche, por ser organizada por um grupo fantástico, por todas as razões e mais algumas. Mas a vida dá sinais e nós às vezes não os percebemos.

Houve uns contratempos durante a semana mas uma pessoa vai resolvendo de uma maneira ou de outra. A deslocação para o treino de 5a foi um bocado surreal e o próprio treino podia (devia!) ter corrido melhor, mas havia aniversário e houve bolo e comidinha no fim! Para terminar em beleza a semana acabou com notícias que me deixaram de coração nas mãos e a pensar se não teria de cancelar a participação na prova ou, na melhor das hipóteses, fazer um desvio no caminho no regresso a casa. Felizmente o sábado trouxe boas novas.

Ontem pensei em ir até ao Jamor assistir aos campeonatos nacionais de estrada e fazer umas fotos do evento. Acabei por fazer outros planos que passaram por nem sequer sair de casa. Hoje tinha tudo pronto, acordei cedo confirme planeado, pego nas tralhas e lá vou eu rumo a Peniche até que o carro começa a dar problemas de aquecimento e decide desistir da viagem. Estava ainda demasiado longe de Peniche para tentar continuar. Acabei por voltar a casa assim...


Imagem real, não tirada da Internet nem nada

Estou desolado. Eu sei que provas há muitas, já percebi que o problema no carro não é grave. Mas estou desolado na mesma. E escrevo isto ainda dentro do carro à porta da oficina. E comecei a escrever a fazer contas e a dizer que ainda conseguia recomeçar a viagem a tempo de chegar antes da prova iniciar. Estava escrito que iria ser assim, nem fui a Valejas ao Troféu das Localidades nem fui a Peniche. Vou ali enviar a cabeça na almofada na esperança de ainda ter After Eight ou Ferrero Rocher suficientes do Natal para conseguir superar este desgosto.