Todos nós temos, com maior ou menos regularidade, aquele sonho em que estamos a cair e de repente acordamos, certo? Nos últimos tempos tem sido recorrente acordar assim a meio da noite ou até pouco tempo depois de ter adormecido. Ora o que a minha mente fez foi adaptar este sonho (ou devo chamar-lhe mesmo pesadelo?) às minhas próprias circunstâncias: no meu sonho eu estou a andar/correr e começo a cair até ao infinito porque torci o pé.
Foi precisamente num trail que eu tive uma das minhas maiores lesões precisamente porque torci um pé. Mas também já me aconteceu o mesmo num treino de estrada - poucos dias antes da MM Douro Vinhateiro - e no primeiro treino que fiz este ano. Foi só susto em ambos estes casos.
A minha gritante falta de jeito para andar em percursos que não sejam de estrada afasta-me constantemente de trails e faz-me torcer... o nariz quando sei que é esse o destino. Raramente alinho quando são treinos de equipa e meter-me em provas então está quase fora de questão. Tenho uma falta de confiança brutal quando estou perante uma descida mais pronunciada que, no entanto, é quase inversamente proporcional à tranquilidade com que encaro as subidas.
Não entrei em 2018 com particular vontade de mudar esta minha apetência para o trail, nem faço disso nenhuma espécie de resolução de ano novo, mas a verdade é que a equipa marcou um treino de trail especial para hoje e eu não hesitei em estar presente. Na ementa estavam previstos 20km com a menor quantidade de alcatrão possível. Estava entre amigos e sem pressão portanto sabia que ia ter ajuda em caso de necessidade. Foi curiosa a festa que a malta me ia fazendo à medida que ia chegando. Muitos nunca me tinham visto com coisas como ténis de trail nos pés e mochila de hidratação às costas. A gata cá de casa também mostrou a sua estranheza relativamente à mochila tanto ontem quando a preparei como hoje quando me veio fazer companhia enquanto me equipava.
O que aconteceu durante aqueles quilómetros foi aquilo que esperava. Tive dificuldades em algumas descidas, mas de facto só numa é que precisei de apoio extra por ser íngreme e estar enlameada. Depois não me poupei nas subidas e tentei correr todas as que pude. Uma espécie de preparação para o Fim da Europa. E o desfecho final foi que... gostei. Não estou surpreendido, a minha aversão ao trail nunca foi tanto pelo trail em si (as imperfeições técnicas a descer corrigem-se da mesma forma como uma pessoa em estrada tenta melhorar a maneira como corre em empedrado, por exemplo) mas sim por outras questões que me fazem associar trails e pensamentos e momentos negativos. Um pouco como o Alex na Laranja Mecânica ser submetido a um "tratamento" que consiste em associar imagens de violência à Nona Sinfonia do Beethoven que ele tanto adora.
Isto não significa que a partir de agora vou passar a inscrever-me que nem louco em trails - apesar de estar nos planos fazer um este ano - mas é um passinho para os voltar a olhar de outra forma. Porque o importante são sempre as pessoas com quem partilhamos estes momentos e que nos fazem felizes e os trails em geral não têm culpa da maneira como eu os passei a observar nos últimos dois anos, mais coisa menos coisa.
Fiquem com algumas das imagens. Acreditem que isto ao vivo é imensamente mais bonito!
Foi com este lema que hoje calcei os ténis e saí à rua para correr, naquele que foi o meu primeiro treino depois da não-ida a Peniche. E para ser ainda mais masoquista fiz um treino com séries. E passei exactamente pelo mesmo sítio onde torci o pé neste mesmo treino de séries há 15 dias atrás, mas tive o cuidado de ver onde estava a pisar. Curiosamente, acho que era o mesmo carro que lá estava estacionado.
Era para ter ido logo na 2a feira, mas a coisa não se deu e ontem não pude ir ao treino da equipa porque estava em actividades extra-curriculares que ainda devem ter direito a um post também. Não podia passar de hoje, apesar de várias serem as possibilidades de desculpa para não ir. O vento frio, os stresses, a Manuela Moura Guedes poder estar a passar por aqui a caminho de uma consulta. Felizmente fui impedido impelido a sair de casa pouco depois de ter chegado. Música a bombar nos ouvidos e lá fui eu.
O treino teve 11km, com uns circuitos de séries pelo meio em três pontos diferentes do percurso. Rolar antes do primeiro, rolar no caminho entre os três locais, meter alguma altimetria pelo meio, rolar após o último. E dar tudo, mas tudo nas séries. E sentir-me como o próprio Zatopek, guardando fazendo o melhor tempo na última série, tal como ele fazia na última volta das suas provas de 5000 e de 10000 metros (Baptista, ia a meio do livro, mas como já não me lembrava exactamente onde tinha ficado decidi voltar a ler desde o início com o mesmo entusiasmo da primeira vez!)
Deixei a frustração de domingo marcada no equipamento. Festejei o fim do treino como se estivesse a passar uma meta. Parvoices. Amanhã há mais.
E domingo vou voltar a calçar estes... Wish me luck.
Alto lá que isto afinal começa a ficar mesmo mais interessante. Tenho dois nomes que gostava que viessem, mas se eu os revelo aqui ainda alguém me começa a reclamar aos ouvidos.
Era com imenso entusiasmo que eu aguardava por fazer esta prova, em ano de estreia. Por ser Peniche, por ser organizada por um grupo fantástico, por todas as razões e mais algumas. Mas a vida dá sinais e nós às vezes não os percebemos.
Houve uns contratempos durante a semana mas uma pessoa vai resolvendo de uma maneira ou de outra. A deslocação para o treino de 5a foi um bocado surreal e o próprio treino podia (devia!) ter corrido melhor, mas havia aniversário e houve bolo e comidinha no fim! Para terminar em beleza a semana acabou com notícias que me deixaram de coração nas mãos e a pensar se não teria de cancelar a participação na prova ou, na melhor das hipóteses, fazer um desvio no caminho no regresso a casa. Felizmente o sábado trouxe boas novas.
Ontem pensei em ir até ao Jamor assistir aos campeonatos nacionais de estrada e fazer umas fotos do evento. Acabei por fazer outros planos que passaram por nem sequer sair de casa. Hoje tinha tudo pronto, acordei cedo confirme planeado, pego nas tralhas e lá vou eu rumo a Peniche até que o carro começa a dar problemas de aquecimento e decide desistir da viagem. Estava ainda demasiado longe de Peniche para tentar continuar. Acabei por voltar a casa assim...
Imagem real, não tirada da Internet nem nada
Estou desolado. Eu sei que provas há muitas, já percebi que o problema no carro não é grave. Mas estou desolado na mesma. E escrevo isto ainda dentro do carro à porta da oficina. E comecei a escrever a fazer contas e a dizer que ainda conseguia recomeçar a viagem a tempo de chegar antes da prova iniciar. Estava escrito que iria ser assim, nem fui a Valejas ao Troféu das Localidades nem fui a Peniche. Vou ali enviar a cabeça na almofada na esperança de ainda ter After Eight ou Ferrero Rocher suficientes do Natal para conseguir superar este desgosto.
É um assunto sério. É cada vez mais difícil controlar o que é propriedade intelectual de cada um. Que o digam os Tonys Carreiras e afins desta vida.
As redes sociais então são uma fonte fácil de roubo de tudo e mais alguma coisa. Fotografias, piadas em páginas de comédia, eu sei lá. Eu sigo uma série de páginas de comédia relacionadas com futebol - até sou administrador de uma, lembrei-me agora, só para verem há quanto tempo não escrevo lá - e é muito normal ler a mesma piada, o mesmo trocadilho, a mesma imagem repetida em várias páginas, às vezes mudando apenas uma vírgula, às vezes nem isso. Citar a fonte? Esqueçam lá isso que dá trabalho e assim parece que a piada é nossa.
Há largos anos atrás costumava contribuir com alguma regularidade numa página chamada Salão Neurótico. Aquilo era muito popular, mas com o tempo passou de moda. Nem sei se ainda existe, nem fui procurar enquanto escrevia. A ideia era pegar em trocadilhos parvos e rápidos e transformar em imagem. Tipo isto:
Sabem o que é? É Chá Pinto.
Um dia alguém publicou uma imagem com a legenda Acrobat Reader. Foi um sucesso! A pessoa disse ser a autora da montagem que até teve direito a grande destaque no 9Gag. Rapidamente apareceram outros eventuais autores que encontraram a imagem já partilhada noutros sítios e reclamaram para si o original. Acho que nunca se percebeu quem tinha tido a ideia. A coisa há-de ter morrido com o tempo. Procurando no Google o que mais se encontra agora são várias versões do mesmo trocadilho com esta ou outra imagem.
Na corrida acontece algo semelhante. Eu vejo uma prova que gosto e partilho com a malta. A mesma prova já há-de ter sido partilhada antes por outros atletas e há-de ser partilhada novamente por muitos outros. Estou a plagiar? De acordo com alguns entendidos na matéria, sim. "Ah e tal, eu disse que ia à prova/evento/etc X ontem e tu hoje foste fazer exactamente a mesma inscrição!"
Poupem-me! E se querem reagir de alguma forma então que se sintam felizes por terem incentivado outros a fazer o mesmo. Já aconteceu ter sido o primeiro atleta a inscrever-me na Corrida dos Sinos. No final da prova o meu sino e a minha garrafa de água eram iguais às do atleta 561 ou 1875. Já fiquei com um dorsal abaixo do número 10 em pelo menos duas noutras provas - daquelas que têm tendência a esgotar rápido - por querer garantir que não ia ficar sem vaga, tal como já me inscrevi mesmo à última da hora antes do preço das inscrições aumentar.
Querem falar de plágio? Ok, fiquem com este pequeno excerto sobre o assunto, retirado da excelente sitcom chamada "O Terceiro Calhau a contar do Sol" (3rd Rock from the Sun no original) que era sobre uma família de extraterrestres a viver na Terra para recolher dados sobre a cultura e comportamento dos seres humanos, sem terem noção das coisas mais básicas. Porque é disso que se fala aqui. De extraterrestres? Não, de calhaus!