domingo, 14 de janeiro de 2018

Peniche a Correr (mal)

Era com imenso entusiasmo que eu aguardava por fazer esta prova, em ano de estreia. Por ser Peniche, por ser organizada por um grupo fantástico, por todas as razões e mais algumas. Mas a vida dá sinais e nós às vezes não os percebemos.

Houve uns contratempos durante a semana mas uma pessoa vai resolvendo de uma maneira ou de outra. A deslocação para o treino de 5a foi um bocado surreal e o próprio treino podia (devia!) ter corrido melhor, mas havia aniversário e houve bolo e comidinha no fim! Para terminar em beleza a semana acabou com notícias que me deixaram de coração nas mãos e a pensar se não teria de cancelar a participação na prova ou, na melhor das hipóteses, fazer um desvio no caminho no regresso a casa. Felizmente o sábado trouxe boas novas.

Ontem pensei em ir até ao Jamor assistir aos campeonatos nacionais de estrada e fazer umas fotos do evento. Acabei por fazer outros planos que passaram por nem sequer sair de casa. Hoje tinha tudo pronto, acordei cedo confirme planeado, pego nas tralhas e lá vou eu rumo a Peniche até que o carro começa a dar problemas de aquecimento e decide desistir da viagem. Estava ainda demasiado longe de Peniche para tentar continuar. Acabei por voltar a casa assim...


Imagem real, não tirada da Internet nem nada

Estou desolado. Eu sei que provas há muitas, já percebi que o problema no carro não é grave. Mas estou desolado na mesma. E escrevo isto ainda dentro do carro à porta da oficina. E comecei a escrever a fazer contas e a dizer que ainda conseguia recomeçar a viagem a tempo de chegar antes da prova iniciar. Estava escrito que iria ser assim, nem fui a Valejas ao Troféu das Localidades nem fui a Peniche. Vou ali enviar a cabeça na almofada na esperança de ainda ter After Eight ou Ferrero Rocher suficientes do Natal para conseguir superar este desgosto.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Plágio

É um assunto sério. É cada vez mais difícil controlar o que é propriedade intelectual de cada um. Que o digam os Tonys Carreiras e afins desta vida.

As redes sociais então são uma fonte fácil de roubo de tudo e mais alguma coisa. Fotografias, piadas em páginas de comédia, eu sei lá. Eu sigo uma série de páginas de comédia relacionadas com futebol - até sou administrador de uma, lembrei-me agora, só para verem há quanto tempo não escrevo lá - e é muito normal ler a mesma piada, o mesmo trocadilho, a mesma imagem repetida em várias páginas, às vezes mudando apenas uma vírgula, às vezes nem isso. Citar a fonte? Esqueçam lá isso que dá trabalho e assim parece que a piada é nossa.

Há largos anos atrás costumava contribuir com alguma regularidade numa página chamada Salão Neurótico. Aquilo era muito popular, mas com o tempo passou de moda. Nem sei se ainda existe, nem fui procurar enquanto escrevia. A ideia era pegar em trocadilhos parvos e rápidos e transformar em imagem. Tipo isto:

Sabem o que é? É Chá Pinto.
Um dia alguém publicou uma imagem com a legenda Acrobat Reader. Foi um sucesso! A pessoa disse ser a autora da montagem que até teve direito a grande destaque no 9Gag. Rapidamente apareceram outros eventuais autores que encontraram a imagem já partilhada noutros sítios e reclamaram para si o original. Acho que nunca se percebeu quem tinha tido a ideia. A coisa há-de ter morrido com o tempo. Procurando no Google o que mais se encontra agora são várias versões do mesmo trocadilho com esta ou outra imagem.

Na corrida acontece algo semelhante. Eu vejo uma prova que gosto e partilho com a malta. A mesma prova já há-de ter sido partilhada antes por outros atletas e há-de ser partilhada novamente por muitos outros. Estou a plagiar? De acordo com alguns entendidos na matéria, sim. "Ah e tal, eu disse que ia à prova/evento/etc X ontem e tu hoje foste fazer exactamente a mesma inscrição!"

Poupem-me! E se querem reagir de alguma forma então que se sintam felizes por terem incentivado outros a fazer o mesmo. Já aconteceu ter sido o primeiro atleta a inscrever-me na Corrida dos Sinos. No final da prova o meu sino e a minha garrafa de água eram iguais às do atleta 561 ou 1875. Já fiquei com um dorsal abaixo do número 10 em pelo menos duas noutras provas - daquelas que têm tendência a esgotar rápido - por querer garantir que não ia ficar sem vaga, tal como já me inscrevi mesmo à última da hora antes do preço das inscrições aumentar. 

Querem falar de plágio? Ok, fiquem com este pequeno excerto sobre o assunto, retirado da excelente sitcom chamada "O Terceiro Calhau a contar do Sol" (3rd Rock from the Sun no original) que era sobre uma família de extraterrestres a viver na Terra para recolher dados sobre a cultura e comportamento dos seres humanos, sem terem noção das coisas mais básicas. Porque é disso que se fala aqui. De extraterrestres? Não, de calhaus!


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Troféu das Localidades - CCD Cascais

O primeiro fim de semana do ano teu origem à primeira prova de 2018. Antes disso tinha feito dois treinos durante a semana, um onde fiz algumas séries e terminou comigo a torcer o pé ao não calcular o desnível da berma da estrada, tendo depois atropelado literalmente um carro que estava estacionado no passeio. Já ia com o treino quase no fim e como nunca me afastei muito de casa foi rápido regressar a caminhar para não forçar mais. Água fria do banho no tornozelo, Voltaren, meia elástica e no dia seguinte estava ok para o treino de equipa embora o tenha completado um bocado a medo. 

Lá vesti a minha "segunda pele" em termos de equipas para rumar a Cascais onde curiosamente na época passada nunca tinha marcado presença nas provas do troféu. A malta estava meio dividida por outras provas mas mesmo assim ainda estava um grupo simpático com vontade de se divertir e fazer uns pontinhos lá pelo meio. A partida/meta era na zona onde se parte para a Maratona de Lisboa e ao lado do Parque Marechal Carmona que me pareceu um espaço bastante agradável e que eu não conhecia propriamente. A visitar novamente noutras circunstâncias, se nos esquecermos que naquela zona se paga parquímetro todos os dias.

O sol brilhava lá no alto, mas com o vento que estava era insuficiente para nos aquecer. Felizmente os bons resultados dos escalões mais jovens deixavam-nos animados e faziam-nos esquecer do frio gélido que se sentia. Era um bom início para o resto das provas e que foi tendo continuidade à medida que os diversos escalões iam competindo. A malta faz aquilo por carolice, mas se puder ganhar umas medalhas ainda melhor, sobretudo porque isso também ajuda a motivar os mais pequenos a querer continuar a correr sem nunca lhes impor ou exigir resultados descabidos.

Quando começou a prova feminina alguns dos homens da equipa foram acompanhar as respectivas esposas usando esses 3,5km para aquecer. A prova tinha anunciado um percurso de 3,7km para elas e para nós seriam duas voltas ao mesmo trajecto. Quando terminei vi que tinha feito 7 quilómetros e confirmei depois que batia certo com os relógios de toda a gente e tinha sido um pouco menos que o esperado. Nessa altura eu fiquei a fazer reportagem fotográfica e a conversar com outro dos rapazes que ficou também a dar um olho aos miúdos que brincavam alegremente depois de terem feito a sua parte. Disse-lhe por brincadeira que gostava, um dia, de ficar entre os 30 primeiros do escalão numa destas provas para conseguir fazer 2 pontinhos em vez do habitual ponto de participação. Tirei logo essa ideia da cabeça porque apesar de ter sentido que havia uma ou outra equipa que não estava presente já havia um número muito razoável de mulheres a correr e de homens a fazer aquecimento, algo que contrastava com a hora a que chegámos. Paciência.

Chegou a nossa hora e lá fomos para a partida, bem dispostos como sempre. E, quase sem estar à espera, deu-se o arranque para a prova. Juro-vos que nunca senti tanto a falta de um aquecimento consistente como ontem! Andei sempre de um lado para o outro antes da prova começar, mas não tirei uns 10 minutinhos para correr um pouco e isso notou-se assim que comecei. As pernas estavam presas, a respiração uma lástima e até a cabeça estava noutra onda. Péssimo!

A altimetria da prova era muito acessível, tendo em conta aquilo que costumam ser estas provas e tratando-se de um percurso circular de duas voltas era fácil saber aquilo que iríamos passar. Também foi bom, no meu caso, porque dava para ir observando e dando (e recebendo) força a quem vinha do outro lado da estrada. Meti o objectivo de fazer 35 minutos, o que daria um ritmo ligeiramente abaixo dos 5:00m/km para os tais 7,4km esperados. O primeiro quilómetro foi penoso e o segundo corria da mesma maneira. Apesar de estar a conseguir correr próximo do ritmo que queria tinha clara noção que ia rebentar mais cedo ou mais tarde. Apanhei a companhia de dois colegas de equipa - um deles com objectivo igual ao meu - mas mantinha-me sempre em esforço atrás deles e fiquei mesmo para trás. Até que o corpo começou a responder devidamente! Fruto de ter finalmente aquecido? Por ter recorrido à bomba da asma, algo que raramente sinto necessidade de fazer apesar de me acompanhar sempre no bolso dos calções? Ambos? Não sei, mas à entrada do terceiro quilómetro já tinha apanhado um dos meus colegas e fomos juntos durante um bocado até eu ter decidido dar o tudo-ou-nada numa das subidas.

Ele ficou um pouco para trás mas não muito. Não estava obviamente a competir contra ele mas recordo-me de me ter ultrapassado na Cruz Quebrada na subida a seguir ao Jamor e eu não tive pernas para ir atrás dele. Ontem estava ali a tentar dar o máximo naquela fase para não perder tempo e era pelo menos um bom indicador. Quem diria que da primeira volta ali estava em sofrimento puro? Estava a um ritmo semelhante ou ligeiramente mais rápido e muito mais solto. Comecei a ver ao longe o meu outro colega, o que queria (e conseguiu) fazer abaixo de 5:00m/km. As flechas da equipa só me passavam pelos olhos nos retornos e bem acima das minhas possibilidades, portanto focava-me no que sei que consigo. Não o cheguei a apanhar, mesmo tendo feito a 4:30 a descida final contrária à tal subida, mas terminei uns segundos acima dos 35 minutos como tinha planeado. Só fiz foi menos 400 metros que o originalmente previsto. 

Foram 7 quilómetros onde passei por um turbilhão de emoções e sensações diferentes. Comecei a penar e depois tudo mudou, felizmente para melhor. No meio disto tudo queixava-me dos calções (e dos boxers também!) que são novos (mas já tinham sido devidamente estreados em treinos) e queixava-me do pé torcido que eu não sabia se me estava a doer ou se era eu que queria sentir lá uma dor que me daria uma desculpa razoável para parar. Enfim. O que é certo é que consegui no final de contas terminar mesmo dentro dos 30 primeiros do escalão e com uma boa margem até! Só não vi ainda quantos atletas havia, mas comparativamente o colega que acabou à minha frente e que eu não consegui apanhar ficou fora dos 50 primeiros do seu escalão apesar de ter chegado uns 10 ou 15 lugares à minha frente na classificação geral. Pimba, dois pontos para mim! 

Veremos como me correm as restantes provas de Cascais, mas já fico com pena de não poder estar presente na próxima que é dia 21 de Janeiro. 

A próxima meta é agora em Peniche no próximo domingo, de volta à minha pele original. Gostava de continuar a fazer sub-50 aos 10km mas tenho que ver melhor o percurso da prova para estudar o ritmo que quero. Não espero a mega festa que é nas Fogueiras mas sendo onde é promete ser uma animação em termos de ambiente.

Bons treinos e boas provas para todos!

(E é assim que se transforma uma prova de 7 quilómetros numa Maratona!)

Prova nº 75 - Troféu das Localidades (Sintra, Oeiras e Cascais) - Corrida CCD Cascais  - 7km - 00:35:20

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

São Silvestre de Lisboa 2017

Há várias semanas que um colega de equipa me andava a tentar desencaminhar para ir fazer a São Silvestre dos Olivais (como se fosse difícil convencer-me a ir fazer uma prova) mas por um motivo ou outro eu não estava 100% seguro que a queria fazer. Em boa hora decidi que não queria mesmo, o que se veio a revelar uma boa decisão porque no dia antes o nosso treino das 5as feiras foi temático e, de repente, havia 50 pessoas para levar a correr pelas ruas da cidade num percurso que foi traçado por mim. Daquilo que mais me lembro é de dizer no briefing que estava cheio de medo de me enganar no caminho mas felizmente nada disso aconteceu e a coisa foi, sem falsas modéstias, um pequeno sucesso. Como já se falou o suficiente do assunto ali na rede social - com direito a reportagem na imprensa local e tudo - vamos lá ao assunto que nos trouxe aqui: a São Silvestre de Lisboa.

Este meu colega acabou por se convencer a fazer a prova porque era onde já estavam inscritos muitos dos elementos da equipa. Mesmo assim ainda foram dois aos Olivais. Azar dos azares, ele teve um impedimento pessoal que o forçou a não estar em Lisboa no sábado e na véspera cedeu-me o dorsal dele. Foi daquelas situações chatas porque podia na mesma ter feito os Olivais como pretendia originalmente, mas ele também não pareceu muito chateado com isso. Até calhava bem porque ele - tal como eu se me tivesse inscrito - tinha um dorsal sub-50.

A questão é que eu já há muito tempo que andava a dizer que queria estar na prova com o pessoal mas sem competir. Queria estar ali pela Rua da Arsenal à espera de os ver passar, correr ao lado de quem precisasse, fazer umas palhaçadas e dar apoio moral, empurrá-los pela Avenida da Liberdade acima um passinho de cada vez e depois do Marquês sair de cena antes da meta para não a cruzar ilegalmente sem dorsal. Assim sendo a coisa já era diferente. A única ilegalidade era mesmo ter um dorsal com outro nome, algo que também não gosto como já aqui referi mas onde o risco é exclusivamente meu.

Lá me juntei com o pessoal à hora marcada, mas a partida para Lisboa foi um pouco confusa e com atrasos, ao que se somou muito trânsito já dentro da cidade. Comentei por sms que se estivesse ali para competir "a sério" estaria a ficar nervoso. Como é normal nestas situações tudo acabou por se resolver, carros todos estacionados algures e todos juntos no ponto de encontro para tirar fotos, tentar um grito de guerra que ainda não está bem ensaiado, acima de tudo, rir. Pelo meio ia vendo uma ou outra cara conhecida e trocando alguns cumprimentos. A caminho dos blocos de partida ignorei a porta dos sub-50 e fui com a malta foi ficando para o último dos blocos. Disse-lhes repetidamente, tal como tinha comentado na semana antes, que estaria ali para me divertir e que nos grupos de trás é que se corre com tempo e calma suficiente para se desfrutar de todos os momentos.


A Avenida estava lindíssima àquela hora da tarde. Muito mais bonita ao vivo do que alguma das fotos que eu tirei. E acreditem que tirámos imensas enquanto aguardámos pelo início da prova. Pelo início da nossa prova que foi uns 10 minutos depois do arranque oficial das Elites. E lá fomos. Confesso que fui sem qualquer plano. Estava só ali por perto a correr ao ritmo das minhas colegas de equipa. Nem sabia muito bem quem iria acompanhar ou se iria andar a fazer piscinas entre elas. Foi com alguma naturalidade que duas foram mais para a frente com bom andamento e uma ficou um pouco para trás portanto fiquei num ponto intermédio junto de outras duas colegas. Ao mesmo tempo pensava que podia estar a tentar fazer de lebre ao meu colega que queria fazer 45 minutos (mas isso é mais rápido do que eu corro) ou estar com o outro colega que ia tentar chegar aos 52 minutos ou estar com... Enfim, tanta gente a quem eu queria fazer companhia.

Lá fomos os três num ziguezague constante para tentar ultrapassar outros atletas enquanto nos mantínhamos unidos e sem perder ritmo. Íamos a 6:15m/km o que era um ritmo interessante para elas, ao mesmo tempo que eu já ia tentando ver quem vinha em sentido contrário para ver se percebia onde ia o resto da malta. Encontrei alguns, mas não todos. Encontrei também mais pessoal amigo o que é algo que muito me agrada. E de vez em quando ouvia também o meu nome, embora nem sempre fosse para mim. E quando era demorei imenso tempo a reagir para retribuir a mensagem de força. O nosso trio manteve-se quase sempre coeso, mas aos 4km uma delas fez-me sinal que tinha que abrandar um pouco mas que nós fossemos em frente que ela já nos apanhava. Cumpriu a promessa e logo a seguir ao abastecimento já estava junto a nós novamente, no entanto teve que abrandar pouco depois. Ficámos só os dois e eu sempre a tentar perceber se o ritmo era tranquilo para ela. Disse-me que também queria abrandar mas que não o ia fazer. Não sei se a minha presença ali lhe deu ânimo ou se se sentiu pressionada para não dar parte de fraca, mas gabei-lhe a força de vontade e a excelente prova que estava a fazer. Com isto já estávamos de regresso ao Cais do Sodré e havia cada vez mais gente na rua a assistir - em silêncio - à prova.

Ora se eu já puxo pelo público quando vou a correr no limite com os dentes cerrados em busca de um bom tempo, então agora que ia a um ritmo tranquilo para mim ainda mais energia tinha para animar os espectadores. Assim fiz e várias foram as vezes em que gritei a pedir palmas e a pedir barulho, mas infelizmente nem sempre fui correspondido. A minha colega devia estar a chamar-me louco, pensava eu... mas como ia eu à frente a servir de lebre nem sempre via a reacção dela. Entretanto percebi que ela estava a achar interessante o meu esforço. No meio do pessoal que estava à beira da estrada lá havia, como sempre, elementos do Correr Lisboa a dar um apoio constante. Por falar neles, foi a caminho do Rossio que encontrei a minha amiga Inês que me disse que até no meio de 10 mil pessoas nos conseguimos encontrar sem ser preciso combinar e que me "confidenciou" também que afinal não era só na Avenida da Liberdade que se começava a subir porque ali também já não era fácil. Ainda lhe tentei dizer que era pura ilusão, mas as pernas sentem logo quando o terreno começa a inclinar. Ao mesmo tempo perguntava à minha colega se ela tinha energia para enfrentar o que faltava e disse-me que tinha que ser. Sugeri-lhe não ter a  tentação de querer aumentar o ritmo para compensar a subida mas para ir tranquila, um passo de cada vez, lá está.

Aguentou-se muito bem, só teve necessidade de caminhar no último cruzamento da Avenida já com o Marquês à vista. Mandou-me seguir, que não esperasse por ela. Já o tinha feito no abastecimento quando teve que parar para beber água sem se engasgar. Seguir? Sem ti? Então mas eu estou aqui é para te ajudar, não tenho pressa em chegar à meta que ela espera por mim. E assim foi até dar quase meia volta ao Marquês. Disse-lhe que o mais difícil estava feito e que agora era só gerir a descida até à meta. Vou voltar para trás - acrescentei - à procura da nossa colega. Não tive que descer muito porque ela não vinha longe e fiz o mesmo. Deixei-a no mesmo sítio e fui pela Avenida abaixo "em contra-mão" à procura da última colega da equipa que eu imaginava viria com mais dificuldades, mas o último é o mais importante e ninguém fica para trás!

Vinha efectivamente cansada e ainda a começar a subir. O marido já a vinha a ajudar (fez 47 minutos em vez dos 45 que queria) e fomos os três por ali acima. Eu e ele mais na conversa para não a pressionar, ela a lutar com todas as forças contra aquela inclinação tramada. Fomos subindo, mais depressa ou mais devagar e ele dizia-me que a certa altura nos deviam barrar a passagem, até porque já lá atrás não o queriam deixar passar para a acompanhar quando o viram de medalha posta e com o resguardo prateado que foi dado no final da prova. Ok, disse-lhe eu, não te preocupes que se não te deixarem seguir eu acompanho-a até à meta. Valha a verdade eu gostava de terminar a minha prova, pá! Ficou incrédulo porque achou que eu já tinha passado a meta e tinha regressado ao percurso como ele. Nada disso, nada disso.

Ele foi efectivamente connosco até próximo das barreiras. Ao darmos a volta completa ao Marquês - e enquanto tentávamos convidar uma outra atleta do Correr Lisboa a seguir na nossa boleia e combinar onde era o ponto de encontro com a malta da nossa equipa após a meta - eis que vemos um foguete a passar sorridente pela Avenida abaixo! Ela ganhou forças vindas não sabemos de onde e estava com energias renovadas. Deu para ir quase sempre sem parar até à meta que foi cruzada de mãos dadas, seguindo-se um forte abraço!

(Gostava de encontrar uma foto da chegada, mas ainda não fui à página da prova na Running & Medals ver os álbuns que já estão disponibilizados e catalogados.)

Melhor ainda, todo o resto do pessoal que partiu connosco tinha aguardado por nós após a meta antes de ir receber a medalha. Esta amizade que nos une e este espírito que temos é completamente indescritível. Saber os bons resultados do resto do pessoal foi um bom complemento. A colega que eu acompanhei durante o percurso todo até ao Marquês já me tinha dito que a prova estava a passar muito depressa e veio a comprovar que fez o seu melhor tempo aos 10km. Maravilha!

Quanto a mim, passei a meta com o meu pior tempo de sempre numa prova de 10km - e no meio do vai-vem acabei obviamente por fazer mais que isso - mas foi das metas que mais alegria me deu a passar. Daqui a uns largos anos hei-de olhar para este tempo e por uns segundos hesitar se não me enganei a registar a prova no meu arquivo mas rapidamente me lembrarei de todos os momentos daquele final de tarde. Não podia ter tido uma meta melhor para terminar o ano. Adorei cada quilómetro, cada momento, cada passada dada pelo prazer de correr, pelo prazer da companhia, pelas gargalhadas, por tudo! Achei mesmo que ia sentir falta da adrenalina de estar a lutar contra o relógio para fazer "aquele" tempo mas isso nunca aconteceu. Em 2018 vou querer continuar a trabalhar para atingir alguns objectivos, eventualmente bater algumas das minhas melhores marcas actuais mas também vou querer voltar a ter dias assim em que o coração está tão cheio de carinho acumulado ao longo dos tempos que começa a transbordar e a retribuir tudo na mesma moeda e em todas as direcções.



Agora é voltar a respirar fundo e recomeçar tudo novamente. Nova semana com treinos, nova prova no domingo.

Para todos, votos de um 2018 em grande e que possam atingir a felicidade e o sucesso que procuram e que merecem!

Prova nº 74 - São Silvestre de Lisboa 2017 - "10km" - 01:21:40
    

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Natal

Eh pá, não vim cá deixar uma mensagem de Natal e se calhar agora é tarde, não? Se desejar Boas Festas ainda pode ser? Olhem, deixem estar. Fiquemos com estas verdades que li por aí durante estes últimos dias:

- O Natal não é a Black Friday. Não confundam os dois.
- Mais vale engordar uns quilos agora entre o Natal e o Ano Novo do que depois entre o Ano Novo e o Natal!

E agora pensem naquele gesto especial e diferente do habitual que tiveram, pensem naquela mensagem de Natal que enviaram a alguém com quem não falavam há imenso tempo e que deu origem a uma boa oportunidade para meterem a conversa em dia. Pensem em tudo aquilo que fizeram "porque é Natal" e façam-no todos os dias. Porque todos os dias é Natal e todos os dias recebemos prendas preciosas às quais nem sequer temos tempo [ou discernimento] para apreciar e dar o devido valor por já nos aparecerem desembrulhadas à nossa frente.


"Everyday is Christmas"
Sia
Oh, father time
You and me and holiday wine
Wait for the snow
I will read the last that they wrote
 
Said I'm by the open fire
Lovin' you is a gift tonight
Lovin' you for all my life
Lovin' you is a gift tonight
 
Oh, everyday is Christmas when you're here with me
I'm safe in your arms, you're my angel baby
Everyday is Christmas when you're by my side
You're the gift that keeps givin', my angel for life
Everyday is Christmas, everyday is Christmas
Everyday is Christmas with you by my side
Everyday is Christmas, everyday is Christmas
Everyday is Christmas with you by my side

Oh, you're my love
You're the joy in my holiday song
And when you smile I can't breathe
Can't believe that you're mine

Said I'm by the open fire
Lovin' you is a gift tonight
Lovin' you for all my life
Lovin' you is a gift tonight

Oh, everyday is Christmas when you're here with me
I'm safe in your arms, you're my angel baby
Everyday is Christmas when you're by my side
You're the gift that keeps givin', my angel for life
Everyday is Christmas, everyday is Christmas
Everyday is Christmas with you by my side
Everyday is Christmas, everyday is Christmas
Everyday is Christmas with you by my side

Ohh-oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh-ohh
Ohh-oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh-ohh
Ohh-oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh-oh
With you by my side
Ohh-oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh-ohh
With you by my side
Ohh-oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh-ohh
With you by my side

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Troféu das Localidades - Cruz Quebrada

Há pouco mais de um ano fiz a minha primeira prova no circuito do troféu das localidades que engloba provas de Sintra, Oeiras e Cascais. Adorei o convívio com o nosso grupo tagarela e fiz questão de voltar sempre que possível. Descobri entretanto que só fiz quatro provas na época passada, muito menos do que eu achava que tinha feito, mas isto é sinal que estando em boa companhia o pouco parece imenso.

Voltei a inscrever-me para a época 2017/2018 do troféu. As provas são gratuitas, intensas em termos de competitividade entre as colectividades dos concelhos e primam por percursos duros que são uns autênticos trails urbanos com pelo menos uma subida exigente a meio e com um constante parte-pernas. E eu gosto disso à brava! A novidade foi ter-me inscrito pela nossa equipa amiga em vez de o fazer pela minha. Assim, em vez de termos 3 ou 4 gatos pingados e fazer uns pontinhos aqui e ali sem qualquer impacto na classificação, estamos num grupo de uns 60 ou 70 inscritos e que - mesmo não indo todos a todas as provas - no total dos vários escalões acabam por ter algum relevo. A juntar à festa - e acreditem que o grupo faz a festa onde quer que vá - corri pela primeira vez de sempre com outra camisola que não a da minha equipa. E soube-me bem porque estamos entre amigos que têm o mesmo espírito festivo e de entre-ajuda no mundo da corrida. Com eles temos partilhado bons momentos e alguns eventos que já foram organizados e estamos em família. E foi curioso que durante a corrida quando ia pela Marginal comecei a ouvir dois atletas atrás de mim a conversar até que um diz o nome da equipa lido na minha camisola, diz que nos conhece bem e que temos enchido estas provas de alegria desde que nelas temos participado. Ora eu que só tinha feito quatro das provas da época passada e até sou "apenas" um elemento convidado não seria a melhor pessoa para falar em nome da equipa mas agradeci o elogio e disse que se não é para fazer disto uma festa não vale a pena vir. Este atleta ainda me encontrou no final da prova, deu-me um abraço e incentivou-nos a continuar com este espírito. Assim faremos, mesmo que haja uma pessoa ou outra que pudesse ser menos exuberante, mas cada um atira cá para fora o que lhe vai na alma à sua maneira...

Da prova retive o facto de ter corrido pela primeira vez na zona do Jamor. Por incrível que pareça nunca tinha lá estado sequer, nem a correr nem a fazer picnic numa qualquer final da Taça de Portugal. Pois que domingo corri e fiz picnic depois da prova, um hábito já muito enraizado sempre que esta malta vai a alguma prova. A subida da praxe lá estava, um quilómetro por dentro do complexo do Jamor onde tive mesmo que andar nos metros finais fruto de me andar a baldar a treinos com muitas subidas - ou a treinos no geral já que a última vez que tinha corrido foi no GP Natal - e também fruto do jantar de Natal da equipa que tinha acontecido no sábado à noite e que este ano foi coordenado por mim. Por outro lado havia por lá uma longa descida a seguir onde estiquei o mais que pude como se estivesse a descer do Saldanha até aos Restauradores.

O muito frio da manhã que se sentia na zona da partida/chegada deu lugar a uma bela manhã de sol assim que deixámos essa rua rumo às restantes que compunham o percurso da prova que foi, para os homens, de quase 7,5km. As mulheres fizeram aproximadamente 4km visto que aqui correm sempre cerca de metade do percurso masculino. Sinto sempre que para elas sabe a pouco e muitas são as que eu vejo partirem com os homens no final do pelotão para fugir à molhada de quem luta pelos lugares cimeiros e assim fazer mais uns quantos quilómetros.

Estava imensa gente na prova. Se é fruto de não haver muitas provas de grande renome neste fim de semana ou fruto de uma maior participação nesta época é algo que ficarei a perceber na próxima a  que for. A minha classificação é sempre modesta e eu também não tenho outras pretensões nesse aspecto. Aquilo para onde olho nestas provas é o ritmo final e a média de 5:12m/km foi a melhor que obtive em todas as que participei no troféu das localidades. Não podia pedir mais que isso.

Em termos de provas o ano termina aqui. Desconfio que ainda me apareça a possibilidade de fazer a São Silvestre de Lisboa. Já deixei no ar a ideia de ir sem dorsal para fazer companhia ao pessoal da equipa, entrando no percurso após a confusão da partida e saíndo antes da chegada porque a ideia será só mesmo dar apoio moral a quem precisar. Seja como for ainda não está confirmado. O que está na agenda são mesmo alguns treinos especiais que ainda vamos ter com cheirinho a Natal e a fim de ano.

Em 2018 há mais provas e mais metas. Para Janeiro já tenho o Grande Prémio Peniche a Correr no dia 14 e o Fim da Europa no dia 28 com duas provas do concelho de Cascais no calendário para dias 7 e 21. Se marcar presença em ambas estamos perante um início do ano com provas em todos os fins de semana. Medo...!

Ainda cá voltarei antes do final de 2017 para um balanço - quase obrigatório em todos os blogs de corridas - relativo às 21 metas que cruzei este ano. Será um balanço feliz!

Prova nº 73 - Troféu das Localidades (Sintra, Oeiras e Cascais) - Grande Prémio de Atletismo da Cruz Quebrada - 7,4km - 00:38:27

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

GP Natal 2017

Tentei não ler o post do ano passado, mas falhei redondamente e foi o que acabei de fazer antes de começar a escrever este. Não sei se há mais semelhanças ou diferenças.
Desta vez não me caiu um dorsal na véspera, já me tinha inscrito com a devida antecedência e sabia ao que ia. E ia com esperança de melhorar o tempo do ano passado. É que eu continuo com um problema: o meu record pessoal aos 10km foi no GP Natal 2016 com 48:16 mas com um dorsal que cedido por um amigo. O meu record pessoal em nome próprio é 48:18 feito na Scalabis 2017. É este que eu uso quando me perguntam e quero de uma vez por todas poder deixar de ter que explicar que tenho "dois recordes pessoais".

Spoiler alert: não foi hoje que isso aconteceu! Serei um dos 7 atletas num universo de 4356 finishers que não o fizeram hoje. Vamos já colocar de lado esta questão. Quem estava à espera de um relato épico de um record pode ficar por aqui. Temos "apenas" um relato épico de uma excelente prova, culminada com uma aproximação à meta onde beijo o símbolo da equipa na camisola e depois de terminar ergo os braços, danço ao som da música que saía dos altifalantes terminando com um soco no ar. Tudo isto com um sorriso na cara, imagine-se. Descobri no carro na viagem que regresso a casa que parte disto foi também filmado em directo pelo canal que fez a transmissão da prova e prontamente colocado a circular na rede social. Bonito!

Não fiz grandes análises à prova. Sabia o ritmo final que tinha que atingir, sabia as dificuldades pelo caminho, sabia que é aquele final que (quase) toda a gente gosta. O que não estava nos planos era a jantarada de Natal até às tantas na 6a feira, não pelo jantar em si mas pelo frio que apanhei. Ontem acordei meio constipado e isso manteve-se hoje, apesar de ter atacado com medicação. O nariz entupido era o maior inimigo, mas descobri antes dos 3kms que a respiração estava também a ficar afectada, daí que tenha ido ao bolso dos calções agarrar a bomba para a asma na esperança que fosse ajudar a acalmar. Resultou por uns quilómetros ou pelo menos enquanto o psicológico deixou.

Ao contrário do ano passado comecei forte nas subidas iniciais. Tinha que chegar ao fim com média de 4:49m/km e comecei dentro desse registo mesmo sabendo que podia pagar a factura mais tarde, mas queria chegar a Telheiras abaixo do ritmo desejado sem pensar que podia recuperar alguma perda na descida final. Disse isto no ano passado: estava a correr em ruas que me são familiares mas mantinha a concentração e podia ter as 7 maravilhas do mundo ao lado do passeio naqueles quilómetros que não as teria visto.


Escolhi até levar o relógio "antigo" por ser mais rigoroso a mostrar o ritmo instantâneo e mais fácil para começar/terminar o treino. O novo tem um ligeiro delay no ritmo, embora mostre depois com exactidão o ritmo por quilómetro no final dos mesmos. Mas eu queria saber sempre a quantas andava e fazia eu as contas da média por quilómetro. Era importante chegar a meio da prova com 24 minutos e chegar aos 8km abaixo dos 39 minutos. Foi por isso que fiquei muito contente quando atravessei o tapete de controlo dos 5km com 24:03.

Pequena pausa para dizer que não me vou alargar nos comentários às questões da organização que já foram muito debatidas pela rede social. A camisola é feia, a animação durante a prova foi bastante pior que no ano passado, mas por outro lado a existência de caixas de tempos facilitou no arranque. Aquilo que me vou queixar é da falta de apoio popular nas ruas de Lisboa. Excepto na Avenida da Liberdade onde havia muitas pessoas também por estarem à espera de amigos e familiares, o restante percurso foi uma pasmaceira em termos de apoio. Se ouvi 5 pessoas a bater palmas foi muito. Eu sei que ia focado, mas parece-me que não estou a ser injusto. 

Agora vinha a fase dos túneis. Três quilómetros até ao Saldanha, três túneis. Se no primeiro a coisa não correu mal, no segundo já me senti a fraquejar, não tanto por falta de pernas mas porque a respiração estava a ficar descontrolada. Fiquei até na dúvida se ainda haveria um terceiro túnel de tão desorientado que me sentia. Claro que havia e quando saí dele já tinha a mira apontada ao Saldanha, mas ali a estrada sobe um pouco. Uma pessoa nem nota muito, mas sobe. Mesmo antes de começarmos a descer um amigo apanha-me e mete conversa rápida. Basicamente só me disse para respirar melhor. Eu ia ofegante ao ponto de se notar para quem estava nas redondezas. Já tinha pensado se esse seria o caso e tive ali a confirmação. Como sei que - em estrada - desço melhor que ele arranquei. A chegada ao quilómetro 8 deu-se já bem acima dos 39 minutos. Não consigo precisar exactamente com que tempo foi, mas já era o suficiente para colocar de lado a hipótese de recorde.
Teria que fazer dois quilómetros finais loucos e embora o coração me tivesse dito para partir tudo até aos Restauradores, a razão mandou-me descer a um ritmo forte mas que eu conseguisse manter de forma regular até ao final e foi isso que fiz.

Terminei da forma que já relatei no início. E muito feliz, diga-se! Uma frase feita que aparece de vez em quando no mundo da corrida é "Celebrate finish lines, not finish times!" Nesta prova celebrei ambos porque a chegada à meta marcava um tempo excelente para mim. Trata-se da 5a vez que baixo dos 50 minutos e é o meu quarto melhor tempo aos 10km. Está óptimo! Queria bater o recorde, sim... mas não preciso disso para me sentir feliz numa chegada à meta.

Para juntar à festa, antes da partida e depois da chegada estive com imensos amigos e vi caras conhecidas em catadupa. Tirei fotos, conversei com malta amiga com quem não me cruzava há algum tempo, falei imenso com outros atletas. Assim que me despedia de alguém tinha logo outra cara conhecida a chamar-me ou a cruzar-se comigo. E percebo pelas fotos que já vi que ainda houve muitos outros que não encontrei, mas que também estavam por lá a correr. Ficará para uma próxima oportunidade.

Agora para terminar o ano resta uma prova do troféu das localidades, a primeira onde vou marcar presença nesta nova época. Tive que ir ali ao Excel ver que é na Cruz Quebrada, porque nem tinha ainda visto muito bem onde era. Vou passar a semana a dizer que estas provas são só para o convívio - o que é verdade - mas quando lá chegar vou cerrar os dentes e dar o meu máximo naqueles percursos sempre muito sinuosos.

Prova nº 72 - Grande Prémio de Natal 2017 - 10km - 00:48:53