O primeiro fim de semana do ano teu origem à primeira prova de 2018. Antes disso tinha feito dois treinos durante a semana, um onde fiz algumas séries e terminou comigo a torcer o pé ao não calcular o desnível da berma da estrada, tendo depois atropelado literalmente um carro que estava estacionado no passeio. Já ia com o treino quase no fim e como nunca me afastei muito de casa foi rápido regressar a caminhar para não forçar mais. Água fria do banho no tornozelo, Voltaren, meia elástica e no dia seguinte estava ok para o treino de equipa embora o tenha completado um bocado a medo.
Lá vesti a minha "segunda pele" em termos de equipas para rumar a Cascais onde curiosamente na época passada nunca tinha marcado presença nas provas do troféu. A malta estava meio dividida por outras provas mas mesmo assim ainda estava um grupo simpático com vontade de se divertir e fazer uns pontinhos lá pelo meio. A partida/meta era na zona onde se parte para a Maratona de Lisboa e ao lado do Parque Marechal Carmona que me pareceu um espaço bastante agradável e que eu não conhecia propriamente. A visitar novamente noutras circunstâncias, se nos esquecermos que naquela zona se paga parquímetro todos os dias.
O sol brilhava lá no alto, mas com o vento que estava era insuficiente para nos aquecer. Felizmente os bons resultados dos escalões mais jovens deixavam-nos animados e faziam-nos esquecer do frio gélido que se sentia. Era um bom início para o resto das provas e que foi tendo continuidade à medida que os diversos escalões iam competindo. A malta faz aquilo por carolice, mas se puder ganhar umas medalhas ainda melhor, sobretudo porque isso também ajuda a motivar os mais pequenos a querer continuar a correr sem nunca lhes impor ou exigir resultados descabidos.
Quando começou a prova feminina alguns dos homens da equipa foram acompanhar as respectivas esposas usando esses 3,5km para aquecer. A prova tinha anunciado um percurso de 3,7km para elas e para nós seriam duas voltas ao mesmo trajecto. Quando terminei vi que tinha feito 7 quilómetros e confirmei depois que batia certo com os relógios de toda a gente e tinha sido um pouco menos que o esperado. Nessa altura eu fiquei a fazer reportagem fotográfica e a conversar com outro dos rapazes que ficou também a dar um olho aos miúdos que brincavam alegremente depois de terem feito a sua parte. Disse-lhe por brincadeira que gostava, um dia, de ficar entre os 30 primeiros do escalão numa destas provas para conseguir fazer 2 pontinhos em vez do habitual ponto de participação. Tirei logo essa ideia da cabeça porque apesar de ter sentido que havia uma ou outra equipa que não estava presente já havia um número muito razoável de mulheres a correr e de homens a fazer aquecimento, algo que contrastava com a hora a que chegámos. Paciência.
Chegou a nossa hora e lá fomos para a partida, bem dispostos como sempre. E, quase sem estar à espera, deu-se o arranque para a prova. Juro-vos que nunca senti tanto a falta de um aquecimento consistente como ontem! Andei sempre de um lado para o outro antes da prova começar, mas não tirei uns 10 minutinhos para correr um pouco e isso notou-se assim que comecei. As pernas estavam presas, a respiração uma lástima e até a cabeça estava noutra onda. Péssimo!
A altimetria da prova era muito acessível, tendo em conta aquilo que costumam ser estas provas e tratando-se de um percurso circular de duas voltas era fácil saber aquilo que iríamos passar. Também foi bom, no meu caso, porque dava para ir observando e dando (e recebendo) força a quem vinha do outro lado da estrada. Meti o objectivo de fazer 35 minutos, o que daria um ritmo ligeiramente abaixo dos 5:00m/km para os tais 7,4km esperados. O primeiro quilómetro foi penoso e o segundo corria da mesma maneira. Apesar de estar a conseguir correr próximo do ritmo que queria tinha clara noção que ia rebentar mais cedo ou mais tarde. Apanhei a companhia de dois colegas de equipa - um deles com objectivo igual ao meu - mas mantinha-me sempre em esforço atrás deles e fiquei mesmo para trás. Até que o corpo começou a responder devidamente! Fruto de ter finalmente aquecido? Por ter recorrido à bomba da asma, algo que raramente sinto necessidade de fazer apesar de me acompanhar sempre no bolso dos calções? Ambos? Não sei, mas à entrada do terceiro quilómetro já tinha apanhado um dos meus colegas e fomos juntos durante um bocado até eu ter decidido dar o tudo-ou-nada numa das subidas.
Ele ficou um pouco para trás mas não muito. Não estava obviamente a competir contra ele mas recordo-me de me ter ultrapassado na Cruz Quebrada na subida a seguir ao Jamor e eu não tive pernas para ir atrás dele. Ontem estava ali a tentar dar o máximo naquela fase para não perder tempo e era pelo menos um bom indicador. Quem diria que da primeira volta ali estava em sofrimento puro? Estava a um ritmo semelhante ou ligeiramente mais rápido e muito mais solto. Comecei a ver ao longe o meu outro colega, o que queria (e conseguiu) fazer abaixo de 5:00m/km. As flechas da equipa só me passavam pelos olhos nos retornos e bem acima das minhas possibilidades, portanto focava-me no que sei que consigo. Não o cheguei a apanhar, mesmo tendo feito a 4:30 a descida final contrária à tal subida, mas terminei uns segundos acima dos 35 minutos como tinha planeado. Só fiz foi menos 400 metros que o originalmente previsto.
Foram 7 quilómetros onde passei por um turbilhão de emoções e sensações diferentes. Comecei a penar e depois tudo mudou, felizmente para melhor. No meio disto tudo queixava-me dos calções (e dos boxers também!) que são novos (mas já tinham sido devidamente estreados em treinos) e queixava-me do pé torcido que eu não sabia se me estava a doer ou se era eu que queria sentir lá uma dor que me daria uma desculpa razoável para parar. Enfim. O que é certo é que consegui no final de contas terminar mesmo dentro dos 30 primeiros do escalão e com uma boa margem até! Só não vi ainda quantos atletas havia, mas comparativamente o colega que acabou à minha frente e que eu não consegui apanhar ficou fora dos 50 primeiros do seu escalão apesar de ter chegado uns 10 ou 15 lugares à minha frente na classificação geral. Pimba, dois pontos para mim!
Veremos como me correm as restantes provas de Cascais, mas já fico com pena de não poder estar presente na próxima que é dia 21 de Janeiro.
A próxima meta é agora em Peniche no próximo domingo, de volta à minha pele original. Gostava de continuar a fazer sub-50 aos 10km mas tenho que ver melhor o percurso da prova para estudar o ritmo que quero. Não espero a mega festa que é nas Fogueiras mas sendo onde é promete ser uma animação em termos de ambiente.
Bons treinos e boas provas para todos!
(E é assim que se transforma uma prova de 7 quilómetros numa Maratona!)
Prova nº 75 - Troféu das Localidades (Sintra, Oeiras e Cascais) - Corrida CCD Cascais - 7km - 00:35:20



