segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Troféu das Localidades - CCD Cascais

O primeiro fim de semana do ano teu origem à primeira prova de 2018. Antes disso tinha feito dois treinos durante a semana, um onde fiz algumas séries e terminou comigo a torcer o pé ao não calcular o desnível da berma da estrada, tendo depois atropelado literalmente um carro que estava estacionado no passeio. Já ia com o treino quase no fim e como nunca me afastei muito de casa foi rápido regressar a caminhar para não forçar mais. Água fria do banho no tornozelo, Voltaren, meia elástica e no dia seguinte estava ok para o treino de equipa embora o tenha completado um bocado a medo. 

Lá vesti a minha "segunda pele" em termos de equipas para rumar a Cascais onde curiosamente na época passada nunca tinha marcado presença nas provas do troféu. A malta estava meio dividida por outras provas mas mesmo assim ainda estava um grupo simpático com vontade de se divertir e fazer uns pontinhos lá pelo meio. A partida/meta era na zona onde se parte para a Maratona de Lisboa e ao lado do Parque Marechal Carmona que me pareceu um espaço bastante agradável e que eu não conhecia propriamente. A visitar novamente noutras circunstâncias, se nos esquecermos que naquela zona se paga parquímetro todos os dias.

O sol brilhava lá no alto, mas com o vento que estava era insuficiente para nos aquecer. Felizmente os bons resultados dos escalões mais jovens deixavam-nos animados e faziam-nos esquecer do frio gélido que se sentia. Era um bom início para o resto das provas e que foi tendo continuidade à medida que os diversos escalões iam competindo. A malta faz aquilo por carolice, mas se puder ganhar umas medalhas ainda melhor, sobretudo porque isso também ajuda a motivar os mais pequenos a querer continuar a correr sem nunca lhes impor ou exigir resultados descabidos.

Quando começou a prova feminina alguns dos homens da equipa foram acompanhar as respectivas esposas usando esses 3,5km para aquecer. A prova tinha anunciado um percurso de 3,7km para elas e para nós seriam duas voltas ao mesmo trajecto. Quando terminei vi que tinha feito 7 quilómetros e confirmei depois que batia certo com os relógios de toda a gente e tinha sido um pouco menos que o esperado. Nessa altura eu fiquei a fazer reportagem fotográfica e a conversar com outro dos rapazes que ficou também a dar um olho aos miúdos que brincavam alegremente depois de terem feito a sua parte. Disse-lhe por brincadeira que gostava, um dia, de ficar entre os 30 primeiros do escalão numa destas provas para conseguir fazer 2 pontinhos em vez do habitual ponto de participação. Tirei logo essa ideia da cabeça porque apesar de ter sentido que havia uma ou outra equipa que não estava presente já havia um número muito razoável de mulheres a correr e de homens a fazer aquecimento, algo que contrastava com a hora a que chegámos. Paciência.

Chegou a nossa hora e lá fomos para a partida, bem dispostos como sempre. E, quase sem estar à espera, deu-se o arranque para a prova. Juro-vos que nunca senti tanto a falta de um aquecimento consistente como ontem! Andei sempre de um lado para o outro antes da prova começar, mas não tirei uns 10 minutinhos para correr um pouco e isso notou-se assim que comecei. As pernas estavam presas, a respiração uma lástima e até a cabeça estava noutra onda. Péssimo!

A altimetria da prova era muito acessível, tendo em conta aquilo que costumam ser estas provas e tratando-se de um percurso circular de duas voltas era fácil saber aquilo que iríamos passar. Também foi bom, no meu caso, porque dava para ir observando e dando (e recebendo) força a quem vinha do outro lado da estrada. Meti o objectivo de fazer 35 minutos, o que daria um ritmo ligeiramente abaixo dos 5:00m/km para os tais 7,4km esperados. O primeiro quilómetro foi penoso e o segundo corria da mesma maneira. Apesar de estar a conseguir correr próximo do ritmo que queria tinha clara noção que ia rebentar mais cedo ou mais tarde. Apanhei a companhia de dois colegas de equipa - um deles com objectivo igual ao meu - mas mantinha-me sempre em esforço atrás deles e fiquei mesmo para trás. Até que o corpo começou a responder devidamente! Fruto de ter finalmente aquecido? Por ter recorrido à bomba da asma, algo que raramente sinto necessidade de fazer apesar de me acompanhar sempre no bolso dos calções? Ambos? Não sei, mas à entrada do terceiro quilómetro já tinha apanhado um dos meus colegas e fomos juntos durante um bocado até eu ter decidido dar o tudo-ou-nada numa das subidas.

Ele ficou um pouco para trás mas não muito. Não estava obviamente a competir contra ele mas recordo-me de me ter ultrapassado na Cruz Quebrada na subida a seguir ao Jamor e eu não tive pernas para ir atrás dele. Ontem estava ali a tentar dar o máximo naquela fase para não perder tempo e era pelo menos um bom indicador. Quem diria que da primeira volta ali estava em sofrimento puro? Estava a um ritmo semelhante ou ligeiramente mais rápido e muito mais solto. Comecei a ver ao longe o meu outro colega, o que queria (e conseguiu) fazer abaixo de 5:00m/km. As flechas da equipa só me passavam pelos olhos nos retornos e bem acima das minhas possibilidades, portanto focava-me no que sei que consigo. Não o cheguei a apanhar, mesmo tendo feito a 4:30 a descida final contrária à tal subida, mas terminei uns segundos acima dos 35 minutos como tinha planeado. Só fiz foi menos 400 metros que o originalmente previsto. 

Foram 7 quilómetros onde passei por um turbilhão de emoções e sensações diferentes. Comecei a penar e depois tudo mudou, felizmente para melhor. No meio disto tudo queixava-me dos calções (e dos boxers também!) que são novos (mas já tinham sido devidamente estreados em treinos) e queixava-me do pé torcido que eu não sabia se me estava a doer ou se era eu que queria sentir lá uma dor que me daria uma desculpa razoável para parar. Enfim. O que é certo é que consegui no final de contas terminar mesmo dentro dos 30 primeiros do escalão e com uma boa margem até! Só não vi ainda quantos atletas havia, mas comparativamente o colega que acabou à minha frente e que eu não consegui apanhar ficou fora dos 50 primeiros do seu escalão apesar de ter chegado uns 10 ou 15 lugares à minha frente na classificação geral. Pimba, dois pontos para mim! 

Veremos como me correm as restantes provas de Cascais, mas já fico com pena de não poder estar presente na próxima que é dia 21 de Janeiro. 

A próxima meta é agora em Peniche no próximo domingo, de volta à minha pele original. Gostava de continuar a fazer sub-50 aos 10km mas tenho que ver melhor o percurso da prova para estudar o ritmo que quero. Não espero a mega festa que é nas Fogueiras mas sendo onde é promete ser uma animação em termos de ambiente.

Bons treinos e boas provas para todos!

(E é assim que se transforma uma prova de 7 quilómetros numa Maratona!)

Prova nº 75 - Troféu das Localidades (Sintra, Oeiras e Cascais) - Corrida CCD Cascais  - 7km - 00:35:20

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

São Silvestre de Lisboa 2017

Há várias semanas que um colega de equipa me andava a tentar desencaminhar para ir fazer a São Silvestre dos Olivais (como se fosse difícil convencer-me a ir fazer uma prova) mas por um motivo ou outro eu não estava 100% seguro que a queria fazer. Em boa hora decidi que não queria mesmo, o que se veio a revelar uma boa decisão porque no dia antes o nosso treino das 5as feiras foi temático e, de repente, havia 50 pessoas para levar a correr pelas ruas da cidade num percurso que foi traçado por mim. Daquilo que mais me lembro é de dizer no briefing que estava cheio de medo de me enganar no caminho mas felizmente nada disso aconteceu e a coisa foi, sem falsas modéstias, um pequeno sucesso. Como já se falou o suficiente do assunto ali na rede social - com direito a reportagem na imprensa local e tudo - vamos lá ao assunto que nos trouxe aqui: a São Silvestre de Lisboa.

Este meu colega acabou por se convencer a fazer a prova porque era onde já estavam inscritos muitos dos elementos da equipa. Mesmo assim ainda foram dois aos Olivais. Azar dos azares, ele teve um impedimento pessoal que o forçou a não estar em Lisboa no sábado e na véspera cedeu-me o dorsal dele. Foi daquelas situações chatas porque podia na mesma ter feito os Olivais como pretendia originalmente, mas ele também não pareceu muito chateado com isso. Até calhava bem porque ele - tal como eu se me tivesse inscrito - tinha um dorsal sub-50.

A questão é que eu já há muito tempo que andava a dizer que queria estar na prova com o pessoal mas sem competir. Queria estar ali pela Rua da Arsenal à espera de os ver passar, correr ao lado de quem precisasse, fazer umas palhaçadas e dar apoio moral, empurrá-los pela Avenida da Liberdade acima um passinho de cada vez e depois do Marquês sair de cena antes da meta para não a cruzar ilegalmente sem dorsal. Assim sendo a coisa já era diferente. A única ilegalidade era mesmo ter um dorsal com outro nome, algo que também não gosto como já aqui referi mas onde o risco é exclusivamente meu.

Lá me juntei com o pessoal à hora marcada, mas a partida para Lisboa foi um pouco confusa e com atrasos, ao que se somou muito trânsito já dentro da cidade. Comentei por sms que se estivesse ali para competir "a sério" estaria a ficar nervoso. Como é normal nestas situações tudo acabou por se resolver, carros todos estacionados algures e todos juntos no ponto de encontro para tirar fotos, tentar um grito de guerra que ainda não está bem ensaiado, acima de tudo, rir. Pelo meio ia vendo uma ou outra cara conhecida e trocando alguns cumprimentos. A caminho dos blocos de partida ignorei a porta dos sub-50 e fui com a malta foi ficando para o último dos blocos. Disse-lhes repetidamente, tal como tinha comentado na semana antes, que estaria ali para me divertir e que nos grupos de trás é que se corre com tempo e calma suficiente para se desfrutar de todos os momentos.


A Avenida estava lindíssima àquela hora da tarde. Muito mais bonita ao vivo do que alguma das fotos que eu tirei. E acreditem que tirámos imensas enquanto aguardámos pelo início da prova. Pelo início da nossa prova que foi uns 10 minutos depois do arranque oficial das Elites. E lá fomos. Confesso que fui sem qualquer plano. Estava só ali por perto a correr ao ritmo das minhas colegas de equipa. Nem sabia muito bem quem iria acompanhar ou se iria andar a fazer piscinas entre elas. Foi com alguma naturalidade que duas foram mais para a frente com bom andamento e uma ficou um pouco para trás portanto fiquei num ponto intermédio junto de outras duas colegas. Ao mesmo tempo pensava que podia estar a tentar fazer de lebre ao meu colega que queria fazer 45 minutos (mas isso é mais rápido do que eu corro) ou estar com o outro colega que ia tentar chegar aos 52 minutos ou estar com... Enfim, tanta gente a quem eu queria fazer companhia.

Lá fomos os três num ziguezague constante para tentar ultrapassar outros atletas enquanto nos mantínhamos unidos e sem perder ritmo. Íamos a 6:15m/km o que era um ritmo interessante para elas, ao mesmo tempo que eu já ia tentando ver quem vinha em sentido contrário para ver se percebia onde ia o resto da malta. Encontrei alguns, mas não todos. Encontrei também mais pessoal amigo o que é algo que muito me agrada. E de vez em quando ouvia também o meu nome, embora nem sempre fosse para mim. E quando era demorei imenso tempo a reagir para retribuir a mensagem de força. O nosso trio manteve-se quase sempre coeso, mas aos 4km uma delas fez-me sinal que tinha que abrandar um pouco mas que nós fossemos em frente que ela já nos apanhava. Cumpriu a promessa e logo a seguir ao abastecimento já estava junto a nós novamente, no entanto teve que abrandar pouco depois. Ficámos só os dois e eu sempre a tentar perceber se o ritmo era tranquilo para ela. Disse-me que também queria abrandar mas que não o ia fazer. Não sei se a minha presença ali lhe deu ânimo ou se se sentiu pressionada para não dar parte de fraca, mas gabei-lhe a força de vontade e a excelente prova que estava a fazer. Com isto já estávamos de regresso ao Cais do Sodré e havia cada vez mais gente na rua a assistir - em silêncio - à prova.

Ora se eu já puxo pelo público quando vou a correr no limite com os dentes cerrados em busca de um bom tempo, então agora que ia a um ritmo tranquilo para mim ainda mais energia tinha para animar os espectadores. Assim fiz e várias foram as vezes em que gritei a pedir palmas e a pedir barulho, mas infelizmente nem sempre fui correspondido. A minha colega devia estar a chamar-me louco, pensava eu... mas como ia eu à frente a servir de lebre nem sempre via a reacção dela. Entretanto percebi que ela estava a achar interessante o meu esforço. No meio do pessoal que estava à beira da estrada lá havia, como sempre, elementos do Correr Lisboa a dar um apoio constante. Por falar neles, foi a caminho do Rossio que encontrei a minha amiga Inês que me disse que até no meio de 10 mil pessoas nos conseguimos encontrar sem ser preciso combinar e que me "confidenciou" também que afinal não era só na Avenida da Liberdade que se começava a subir porque ali também já não era fácil. Ainda lhe tentei dizer que era pura ilusão, mas as pernas sentem logo quando o terreno começa a inclinar. Ao mesmo tempo perguntava à minha colega se ela tinha energia para enfrentar o que faltava e disse-me que tinha que ser. Sugeri-lhe não ter a  tentação de querer aumentar o ritmo para compensar a subida mas para ir tranquila, um passo de cada vez, lá está.

Aguentou-se muito bem, só teve necessidade de caminhar no último cruzamento da Avenida já com o Marquês à vista. Mandou-me seguir, que não esperasse por ela. Já o tinha feito no abastecimento quando teve que parar para beber água sem se engasgar. Seguir? Sem ti? Então mas eu estou aqui é para te ajudar, não tenho pressa em chegar à meta que ela espera por mim. E assim foi até dar quase meia volta ao Marquês. Disse-lhe que o mais difícil estava feito e que agora era só gerir a descida até à meta. Vou voltar para trás - acrescentei - à procura da nossa colega. Não tive que descer muito porque ela não vinha longe e fiz o mesmo. Deixei-a no mesmo sítio e fui pela Avenida abaixo "em contra-mão" à procura da última colega da equipa que eu imaginava viria com mais dificuldades, mas o último é o mais importante e ninguém fica para trás!

Vinha efectivamente cansada e ainda a começar a subir. O marido já a vinha a ajudar (fez 47 minutos em vez dos 45 que queria) e fomos os três por ali acima. Eu e ele mais na conversa para não a pressionar, ela a lutar com todas as forças contra aquela inclinação tramada. Fomos subindo, mais depressa ou mais devagar e ele dizia-me que a certa altura nos deviam barrar a passagem, até porque já lá atrás não o queriam deixar passar para a acompanhar quando o viram de medalha posta e com o resguardo prateado que foi dado no final da prova. Ok, disse-lhe eu, não te preocupes que se não te deixarem seguir eu acompanho-a até à meta. Valha a verdade eu gostava de terminar a minha prova, pá! Ficou incrédulo porque achou que eu já tinha passado a meta e tinha regressado ao percurso como ele. Nada disso, nada disso.

Ele foi efectivamente connosco até próximo das barreiras. Ao darmos a volta completa ao Marquês - e enquanto tentávamos convidar uma outra atleta do Correr Lisboa a seguir na nossa boleia e combinar onde era o ponto de encontro com a malta da nossa equipa após a meta - eis que vemos um foguete a passar sorridente pela Avenida abaixo! Ela ganhou forças vindas não sabemos de onde e estava com energias renovadas. Deu para ir quase sempre sem parar até à meta que foi cruzada de mãos dadas, seguindo-se um forte abraço!

(Gostava de encontrar uma foto da chegada, mas ainda não fui à página da prova na Running & Medals ver os álbuns que já estão disponibilizados e catalogados.)

Melhor ainda, todo o resto do pessoal que partiu connosco tinha aguardado por nós após a meta antes de ir receber a medalha. Esta amizade que nos une e este espírito que temos é completamente indescritível. Saber os bons resultados do resto do pessoal foi um bom complemento. A colega que eu acompanhei durante o percurso todo até ao Marquês já me tinha dito que a prova estava a passar muito depressa e veio a comprovar que fez o seu melhor tempo aos 10km. Maravilha!

Quanto a mim, passei a meta com o meu pior tempo de sempre numa prova de 10km - e no meio do vai-vem acabei obviamente por fazer mais que isso - mas foi das metas que mais alegria me deu a passar. Daqui a uns largos anos hei-de olhar para este tempo e por uns segundos hesitar se não me enganei a registar a prova no meu arquivo mas rapidamente me lembrarei de todos os momentos daquele final de tarde. Não podia ter tido uma meta melhor para terminar o ano. Adorei cada quilómetro, cada momento, cada passada dada pelo prazer de correr, pelo prazer da companhia, pelas gargalhadas, por tudo! Achei mesmo que ia sentir falta da adrenalina de estar a lutar contra o relógio para fazer "aquele" tempo mas isso nunca aconteceu. Em 2018 vou querer continuar a trabalhar para atingir alguns objectivos, eventualmente bater algumas das minhas melhores marcas actuais mas também vou querer voltar a ter dias assim em que o coração está tão cheio de carinho acumulado ao longo dos tempos que começa a transbordar e a retribuir tudo na mesma moeda e em todas as direcções.



Agora é voltar a respirar fundo e recomeçar tudo novamente. Nova semana com treinos, nova prova no domingo.

Para todos, votos de um 2018 em grande e que possam atingir a felicidade e o sucesso que procuram e que merecem!

Prova nº 74 - São Silvestre de Lisboa 2017 - "10km" - 01:21:40
    

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Natal

Eh pá, não vim cá deixar uma mensagem de Natal e se calhar agora é tarde, não? Se desejar Boas Festas ainda pode ser? Olhem, deixem estar. Fiquemos com estas verdades que li por aí durante estes últimos dias:

- O Natal não é a Black Friday. Não confundam os dois.
- Mais vale engordar uns quilos agora entre o Natal e o Ano Novo do que depois entre o Ano Novo e o Natal!

E agora pensem naquele gesto especial e diferente do habitual que tiveram, pensem naquela mensagem de Natal que enviaram a alguém com quem não falavam há imenso tempo e que deu origem a uma boa oportunidade para meterem a conversa em dia. Pensem em tudo aquilo que fizeram "porque é Natal" e façam-no todos os dias. Porque todos os dias é Natal e todos os dias recebemos prendas preciosas às quais nem sequer temos tempo [ou discernimento] para apreciar e dar o devido valor por já nos aparecerem desembrulhadas à nossa frente.


"Everyday is Christmas"
Sia
Oh, father time
You and me and holiday wine
Wait for the snow
I will read the last that they wrote
 
Said I'm by the open fire
Lovin' you is a gift tonight
Lovin' you for all my life
Lovin' you is a gift tonight
 
Oh, everyday is Christmas when you're here with me
I'm safe in your arms, you're my angel baby
Everyday is Christmas when you're by my side
You're the gift that keeps givin', my angel for life
Everyday is Christmas, everyday is Christmas
Everyday is Christmas with you by my side
Everyday is Christmas, everyday is Christmas
Everyday is Christmas with you by my side

Oh, you're my love
You're the joy in my holiday song
And when you smile I can't breathe
Can't believe that you're mine

Said I'm by the open fire
Lovin' you is a gift tonight
Lovin' you for all my life
Lovin' you is a gift tonight

Oh, everyday is Christmas when you're here with me
I'm safe in your arms, you're my angel baby
Everyday is Christmas when you're by my side
You're the gift that keeps givin', my angel for life
Everyday is Christmas, everyday is Christmas
Everyday is Christmas with you by my side
Everyday is Christmas, everyday is Christmas
Everyday is Christmas with you by my side

Ohh-oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh-ohh
Ohh-oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh-ohh
Ohh-oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh-oh
With you by my side
Ohh-oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh-ohh
With you by my side
Ohh-oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh-ohh
With you by my side

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Troféu das Localidades - Cruz Quebrada

Há pouco mais de um ano fiz a minha primeira prova no circuito do troféu das localidades que engloba provas de Sintra, Oeiras e Cascais. Adorei o convívio com o nosso grupo tagarela e fiz questão de voltar sempre que possível. Descobri entretanto que só fiz quatro provas na época passada, muito menos do que eu achava que tinha feito, mas isto é sinal que estando em boa companhia o pouco parece imenso.

Voltei a inscrever-me para a época 2017/2018 do troféu. As provas são gratuitas, intensas em termos de competitividade entre as colectividades dos concelhos e primam por percursos duros que são uns autênticos trails urbanos com pelo menos uma subida exigente a meio e com um constante parte-pernas. E eu gosto disso à brava! A novidade foi ter-me inscrito pela nossa equipa amiga em vez de o fazer pela minha. Assim, em vez de termos 3 ou 4 gatos pingados e fazer uns pontinhos aqui e ali sem qualquer impacto na classificação, estamos num grupo de uns 60 ou 70 inscritos e que - mesmo não indo todos a todas as provas - no total dos vários escalões acabam por ter algum relevo. A juntar à festa - e acreditem que o grupo faz a festa onde quer que vá - corri pela primeira vez de sempre com outra camisola que não a da minha equipa. E soube-me bem porque estamos entre amigos que têm o mesmo espírito festivo e de entre-ajuda no mundo da corrida. Com eles temos partilhado bons momentos e alguns eventos que já foram organizados e estamos em família. E foi curioso que durante a corrida quando ia pela Marginal comecei a ouvir dois atletas atrás de mim a conversar até que um diz o nome da equipa lido na minha camisola, diz que nos conhece bem e que temos enchido estas provas de alegria desde que nelas temos participado. Ora eu que só tinha feito quatro das provas da época passada e até sou "apenas" um elemento convidado não seria a melhor pessoa para falar em nome da equipa mas agradeci o elogio e disse que se não é para fazer disto uma festa não vale a pena vir. Este atleta ainda me encontrou no final da prova, deu-me um abraço e incentivou-nos a continuar com este espírito. Assim faremos, mesmo que haja uma pessoa ou outra que pudesse ser menos exuberante, mas cada um atira cá para fora o que lhe vai na alma à sua maneira...

Da prova retive o facto de ter corrido pela primeira vez na zona do Jamor. Por incrível que pareça nunca tinha lá estado sequer, nem a correr nem a fazer picnic numa qualquer final da Taça de Portugal. Pois que domingo corri e fiz picnic depois da prova, um hábito já muito enraizado sempre que esta malta vai a alguma prova. A subida da praxe lá estava, um quilómetro por dentro do complexo do Jamor onde tive mesmo que andar nos metros finais fruto de me andar a baldar a treinos com muitas subidas - ou a treinos no geral já que a última vez que tinha corrido foi no GP Natal - e também fruto do jantar de Natal da equipa que tinha acontecido no sábado à noite e que este ano foi coordenado por mim. Por outro lado havia por lá uma longa descida a seguir onde estiquei o mais que pude como se estivesse a descer do Saldanha até aos Restauradores.

O muito frio da manhã que se sentia na zona da partida/chegada deu lugar a uma bela manhã de sol assim que deixámos essa rua rumo às restantes que compunham o percurso da prova que foi, para os homens, de quase 7,5km. As mulheres fizeram aproximadamente 4km visto que aqui correm sempre cerca de metade do percurso masculino. Sinto sempre que para elas sabe a pouco e muitas são as que eu vejo partirem com os homens no final do pelotão para fugir à molhada de quem luta pelos lugares cimeiros e assim fazer mais uns quantos quilómetros.

Estava imensa gente na prova. Se é fruto de não haver muitas provas de grande renome neste fim de semana ou fruto de uma maior participação nesta época é algo que ficarei a perceber na próxima a  que for. A minha classificação é sempre modesta e eu também não tenho outras pretensões nesse aspecto. Aquilo para onde olho nestas provas é o ritmo final e a média de 5:12m/km foi a melhor que obtive em todas as que participei no troféu das localidades. Não podia pedir mais que isso.

Em termos de provas o ano termina aqui. Desconfio que ainda me apareça a possibilidade de fazer a São Silvestre de Lisboa. Já deixei no ar a ideia de ir sem dorsal para fazer companhia ao pessoal da equipa, entrando no percurso após a confusão da partida e saíndo antes da chegada porque a ideia será só mesmo dar apoio moral a quem precisar. Seja como for ainda não está confirmado. O que está na agenda são mesmo alguns treinos especiais que ainda vamos ter com cheirinho a Natal e a fim de ano.

Em 2018 há mais provas e mais metas. Para Janeiro já tenho o Grande Prémio Peniche a Correr no dia 14 e o Fim da Europa no dia 28 com duas provas do concelho de Cascais no calendário para dias 7 e 21. Se marcar presença em ambas estamos perante um início do ano com provas em todos os fins de semana. Medo...!

Ainda cá voltarei antes do final de 2017 para um balanço - quase obrigatório em todos os blogs de corridas - relativo às 21 metas que cruzei este ano. Será um balanço feliz!

Prova nº 73 - Troféu das Localidades (Sintra, Oeiras e Cascais) - Grande Prémio de Atletismo da Cruz Quebrada - 7,4km - 00:38:27

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

GP Natal 2017

Tentei não ler o post do ano passado, mas falhei redondamente e foi o que acabei de fazer antes de começar a escrever este. Não sei se há mais semelhanças ou diferenças.
Desta vez não me caiu um dorsal na véspera, já me tinha inscrito com a devida antecedência e sabia ao que ia. E ia com esperança de melhorar o tempo do ano passado. É que eu continuo com um problema: o meu record pessoal aos 10km foi no GP Natal 2016 com 48:16 mas com um dorsal que cedido por um amigo. O meu record pessoal em nome próprio é 48:18 feito na Scalabis 2017. É este que eu uso quando me perguntam e quero de uma vez por todas poder deixar de ter que explicar que tenho "dois recordes pessoais".

Spoiler alert: não foi hoje que isso aconteceu! Serei um dos 7 atletas num universo de 4356 finishers que não o fizeram hoje. Vamos já colocar de lado esta questão. Quem estava à espera de um relato épico de um record pode ficar por aqui. Temos "apenas" um relato épico de uma excelente prova, culminada com uma aproximação à meta onde beijo o símbolo da equipa na camisola e depois de terminar ergo os braços, danço ao som da música que saía dos altifalantes terminando com um soco no ar. Tudo isto com um sorriso na cara, imagine-se. Descobri no carro na viagem que regresso a casa que parte disto foi também filmado em directo pelo canal que fez a transmissão da prova e prontamente colocado a circular na rede social. Bonito!

Não fiz grandes análises à prova. Sabia o ritmo final que tinha que atingir, sabia as dificuldades pelo caminho, sabia que é aquele final que (quase) toda a gente gosta. O que não estava nos planos era a jantarada de Natal até às tantas na 6a feira, não pelo jantar em si mas pelo frio que apanhei. Ontem acordei meio constipado e isso manteve-se hoje, apesar de ter atacado com medicação. O nariz entupido era o maior inimigo, mas descobri antes dos 3kms que a respiração estava também a ficar afectada, daí que tenha ido ao bolso dos calções agarrar a bomba para a asma na esperança que fosse ajudar a acalmar. Resultou por uns quilómetros ou pelo menos enquanto o psicológico deixou.

Ao contrário do ano passado comecei forte nas subidas iniciais. Tinha que chegar ao fim com média de 4:49m/km e comecei dentro desse registo mesmo sabendo que podia pagar a factura mais tarde, mas queria chegar a Telheiras abaixo do ritmo desejado sem pensar que podia recuperar alguma perda na descida final. Disse isto no ano passado: estava a correr em ruas que me são familiares mas mantinha a concentração e podia ter as 7 maravilhas do mundo ao lado do passeio naqueles quilómetros que não as teria visto.


Escolhi até levar o relógio "antigo" por ser mais rigoroso a mostrar o ritmo instantâneo e mais fácil para começar/terminar o treino. O novo tem um ligeiro delay no ritmo, embora mostre depois com exactidão o ritmo por quilómetro no final dos mesmos. Mas eu queria saber sempre a quantas andava e fazia eu as contas da média por quilómetro. Era importante chegar a meio da prova com 24 minutos e chegar aos 8km abaixo dos 39 minutos. Foi por isso que fiquei muito contente quando atravessei o tapete de controlo dos 5km com 24:03.

Pequena pausa para dizer que não me vou alargar nos comentários às questões da organização que já foram muito debatidas pela rede social. A camisola é feia, a animação durante a prova foi bastante pior que no ano passado, mas por outro lado a existência de caixas de tempos facilitou no arranque. Aquilo que me vou queixar é da falta de apoio popular nas ruas de Lisboa. Excepto na Avenida da Liberdade onde havia muitas pessoas também por estarem à espera de amigos e familiares, o restante percurso foi uma pasmaceira em termos de apoio. Se ouvi 5 pessoas a bater palmas foi muito. Eu sei que ia focado, mas parece-me que não estou a ser injusto. 

Agora vinha a fase dos túneis. Três quilómetros até ao Saldanha, três túneis. Se no primeiro a coisa não correu mal, no segundo já me senti a fraquejar, não tanto por falta de pernas mas porque a respiração estava a ficar descontrolada. Fiquei até na dúvida se ainda haveria um terceiro túnel de tão desorientado que me sentia. Claro que havia e quando saí dele já tinha a mira apontada ao Saldanha, mas ali a estrada sobe um pouco. Uma pessoa nem nota muito, mas sobe. Mesmo antes de começarmos a descer um amigo apanha-me e mete conversa rápida. Basicamente só me disse para respirar melhor. Eu ia ofegante ao ponto de se notar para quem estava nas redondezas. Já tinha pensado se esse seria o caso e tive ali a confirmação. Como sei que - em estrada - desço melhor que ele arranquei. A chegada ao quilómetro 8 deu-se já bem acima dos 39 minutos. Não consigo precisar exactamente com que tempo foi, mas já era o suficiente para colocar de lado a hipótese de recorde.
Teria que fazer dois quilómetros finais loucos e embora o coração me tivesse dito para partir tudo até aos Restauradores, a razão mandou-me descer a um ritmo forte mas que eu conseguisse manter de forma regular até ao final e foi isso que fiz.

Terminei da forma que já relatei no início. E muito feliz, diga-se! Uma frase feita que aparece de vez em quando no mundo da corrida é "Celebrate finish lines, not finish times!" Nesta prova celebrei ambos porque a chegada à meta marcava um tempo excelente para mim. Trata-se da 5a vez que baixo dos 50 minutos e é o meu quarto melhor tempo aos 10km. Está óptimo! Queria bater o recorde, sim... mas não preciso disso para me sentir feliz numa chegada à meta.

Para juntar à festa, antes da partida e depois da chegada estive com imensos amigos e vi caras conhecidas em catadupa. Tirei fotos, conversei com malta amiga com quem não me cruzava há algum tempo, falei imenso com outros atletas. Assim que me despedia de alguém tinha logo outra cara conhecida a chamar-me ou a cruzar-se comigo. E percebo pelas fotos que já vi que ainda houve muitos outros que não encontrei, mas que também estavam por lá a correr. Ficará para uma próxima oportunidade.

Agora para terminar o ano resta uma prova do troféu das localidades, a primeira onde vou marcar presença nesta nova época. Tive que ir ali ao Excel ver que é na Cruz Quebrada, porque nem tinha ainda visto muito bem onde era. Vou passar a semana a dizer que estas provas são só para o convívio - o que é verdade - mas quando lá chegar vou cerrar os dentes e dar o meu máximo naqueles percursos sempre muito sinuosos.

Prova nº 72 - Grande Prémio de Natal 2017 - 10km - 00:48:53

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Há vida para além das corridas

Depois de dias e dias de ouvir falar no anúncio do concerto dos Pearl Jam no Nos Alive e de me tentar esquivar a ter que ir, afinal lá me convenceram e mudei de ideias...


Agora vou ter que olhar para o calendário e perceber que provas vou ter que cortar do orçamento.

Que mau timing, tendo em conta que ainda ontem também reservei quarto em Peso da Régua para o último fim de semana de Maio, if you know what I mean...!

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Évora, Évora, Évora

Então já passou quase uma semana da prova e tu não te dignas a escrever sobre o assunto?
Na verdade esta falta de tempo deve-se não só às obrigações pessoais do dia-a-dia, mas também a outros projectos que têm merecido a minha atenção.

Disse várias vezes nas semanas antes da prova que Évora era para fazer nas calmas e que o mais importante ia ser o convívio. A prova é dura, mas aquele duro de ser desafiante ao ponto de uma pessoa querer sempre lá voltar. Porque se fosse fácil qualquer um fazia, porque uma pessoa queixa-se das subidas nos treinos mas também são elas que nos fazem chegar mais longe e melhorar o nosso desempenho.

Juntando ao facto de ainda estar em período de esvaziamento da bolha da Maratona e de estar a fazer menos treinos - mas não estou letárgico como fiquei por esta altura em 2016 - sabia que ia ter um fim de semana bastante agitado ainda antes de chegar a Évora. 6a feira tive o jantar de Natal da minha empresa. Este ano foi tão antecipado que estávamos a celebrar o facto de faltar um mês para o Natal! Tendo em conta que na noite de 5a feira tive uma chatice que até me fez desligar por um dia do mundo virtual, passei esse dia algo irritado e em modo de birra portanto foi um jantar onde afoguei algumas mágoas e onde só cheguei a casa pelas 4:00 da manhã

Gin e capirinha e mais gin




No sábado deu para tentar recuperar um pouco, mas ao fim da tarde/início da noite tive uma festa de anos. Mais tranquila e sem os excessos da noite anterior, mas mesmo assim cansativa. E domingo toca a acordar às 6:00 que a viagem é longa e é para chegar cedo a Évora para estacionar sem stress.

Correu tudo bem, sobretudo pelo facto de um casal da equipa ter lá ficado de véspera e ter levantado os dorsais da equipa no sábado. Foi uma ajuda preciosa. E domingo pouco antes das 9:00 já estávamos estacionados no local do costume e pouco depois era hora de tirar a foto de grupo antes de rumar à partida. Éramos 15 no total: 3 na Meia, 2 nos 10km e os restantes na caminhada. Percebi que ia ser o último da equipa a chegar porque em condições normais seria o menos rápido do trio de elementos que faziam a Meia Maratona. Já imaginava a equipa em peso a acompanhar-me na subida final até à Praça do Giraldo!

Da prova havia uma novidade já anunciada pela organização: o percurso era diferente. Foi uma inversão do que tinha sido feito nos dois anos anteriores e depois do início dentro de Évora faríamos a zona dentro da cidade em vez de sairmos para o IP2 e para a EN354. Isso significava que a parte mais complicada do percurso seria na primeira metade e a segunda parte tinha tudo para ser mais tranquila por ser em alcatrão plano em vez de empedrado com sobe e desce que só voltaríamos a apanhar na reentrada em Évora por volta do km19. Quem fez a prova de 10km também achou este trajecto mais duro mas onde a participação do público era muito mais activa por estarem sempre em zona urbana.

Assim sendo decidi dar o tudo por tudo para fazer esta parte enquanto tinha energia e força nas pernas para depois gerir na segunda parte. E isso correu às mil maravilhas! Senti-me muito bem nesta fase e os quilómetros iam passando com a dificuldade esperada mas com alguma confiança. Foi bom ver muita gente nas ruas a apoiar, mesmo que um senhor de um grupo a quem pedi palmas me tenha dito, a sorrir e com sotaque alentejano: "Ah amigo, palmas? Agora na temos tempo p'ra isso!"

A zona que era crítica nos anos anteriores tornou-se super interessante este ano: do lado esquerdo da estrada vinham os atletas a fazer o retorno e do nosso lado direito começávamos a ver os participantes da caminhada a vir na nossa direcção. Não sabia para onde olhar, não sabia se havia de tentar encontrar os meus colegas dos 21km ou o grupo da caminhada. Percebi entretanto - porque não vi ninguém - que o grupo tinha ficado bastante para trás no início e que eu ainda estava a ver a parte da frente. Consegui ver quem ia à minha frente e quando fiz eu o retorno cruzei-me com as colegas dos 10km. E ainda tive o bónus de ter encontrado um grupo de malta amiga - incluindo a minha chefe de trabalho - que estava em passeio de fim de semana por Évora e onde um deles estava a correr. Curiosamente é um amigo que encontro em todas as provas sem nunca combinarmos e desta vez vi o grupo de apoio mas não estive com ele. Aliás, foi mais uma prova onde encontrei algumas caras conhecidas e muitas outras ficaram por cumprimentar pessoalmente.

Ao passar pela divisão entre os 10km e os 21km também reparei que se tivesse ido para o outro lado teria feito um tempo muito simpático para o tipo de prova e percurso. Seguindo para o lado da Meia Maratona dou por mim a entrar no Complexo Desportivo de Évora onde estava o abastecimento dos 10km e voltei a pensar que bonito era darmos uma volta pela pista de tartan em vez de apenas a vermos ali tão perto e tão longe. Aos 11km tinha exactamente 60 minutos de prova. Se fosse de propósito não tinha conseguido. Fiz contas, obviamente. Tal como em Coimbra pensei que agora era só fazer mais 60 minutos nos 10km restantes e chegaria ao objectivo de fazer um tempo final dentro das duas horas. E agora era um percurso maioritariamente a rolar! A diferença para Coimbra era que aqui não tínhamos começado com um tal percurso sempre a descer.

Vamos a isso! Para ajudar tinha umas camisolas conhecidas de um grupo vizinho ali à frente a marcar o ritmo e podia aproveitar essa espécie de boleia. E até aos 15km fui a um ritmo mais ou menos estável a rondar os 5:30m/km mas a começar a sentir algum desgaste e senti necessidade de fazer uma paragem um pouco maior no abastecimento dos 15km. Tentei voltar a um ritmo tranquilo e baixei para os 6:00m/km. Sabia que não precisava de ir mais depressa portanto não valia a pena forçar. Lá está, já tinha feito o pior, tinha tomado um gel há instantes e agora era só gerir.

Mas... há sempre um mas... Se esta zona era calma em termos de dificuldade também era calma em termos de ambiente. Na realidade, à excepção de um café cheio de gente a aplaudir e um bairro com muitas pessoas à beira da estrada todo o resto era uma pasmaceira e a única companhia que havia era a de outros atletas. Tendo optado desta vez por não levar música senti imensa falta dela nesta fase para me distrair, mas lá fui a um ritmo mais lento, a ritmo mais ou menos de treino. Ora se o percurso não tivesse sido alterado esta fase teria sido feita ainda dentro dos primeiros dez quilómetros portanto ainda haveria muita energia e pouco desgaste. E o pensamento estaria nas dificuldades que estavam para chegar. Também senti um pouco de Coimbra aqui porque já só queria voltar a entrar na cidade e esse momento estava a aproximar-se.

Novo abastecimento aos 18km e o momento chave da minha prova foi aqui porque depois de passar por ele e de ganhar novas forças perdi-as rapidamente no momento em que não me consegui desviar devidamente de uma garrafa de água que estava no chão, pisei mal e torci o pé esquerdo - aquele que torço sempre. Na altura soltei um grito e quem ia à minha frente ainda olhou para trás. Fiz sinal positivo com o polegar e continuei. Estando quente e a menos de 3km da meta pouco me estava a doer e pouco podia fazer a não ser continuar até ao fim. Aqui sim tive que optar pela minha segurança e estando novamente nas ruas de Évora e de volta ao empedrado alternei entre correr devagar e caminhar em algumas zonas. Aquilo que menos queria era que o mesmo me voltasse a acontecer agora por causa do chão sinuoso. Muito pessoal que passava ia puxando por mim, muitas pessoas novamente na berma da estrada e algumas caras conhecidas. Ia timidamente explicando que tinha torcido o pé, mas estava ok e só não queria forçar até ao final. A minha cara de esforço a correr devia contrastar com o sorriso que ia fazendo ao falar.

Quando chego finalmente à subida final até à meta encontro duas colegas de equipa que me começam a acompanhar. Não me recordo se lhes falei na altura do susto com o pé, mas era a altura de esquecer isso naqueles metros finais e só voltar a pensar no que tinha acontecido quando estivesse do outro lado da meta. E a partir dali foi uma alegria imensa com a malta toda, sobretudo a minha claque pessoal que me leva ao sprint final. Meta atingida, prova superada. Percebi antes da partida que esta foi a terceira edição da prova, o que faz de mim um dos totalistas do evento, estatuto que quero manter até onde me for possível.

Felizmente o que se passou com o pé foi mesmo um susto e à medida que ia arrefecendo a caminho do carro não sentia qualquer dor, para além daquelas mazelas normais de quem completa uma Meia Maratona. Durante o resto da tarde e agora que já passaram alguns dias confirma-se que não tenho qualquer mazela no pé, mas é cada vez mais óbvio que depois da primeira vez este vai sempre ser o meu pé preferido para torcer.

Estava longe de saber que o momento mais mágico da prova ainda estava para acontecer. Depois de voltarmos dos carros e quando estávamos a caminho do restaurante que tínhamos marcado para almoçar íamos novamente começar a subir a recta que nos levaria até à meta. Sentimos uma imensa algazarra nas nossas costas e quando olhamos percebemos que o último estava a chegar fortemente acompanhado por um grupo de atletas que vim a perceber serem dos Évora Night Runners. Foi memorável! Quem me conhece sabe o quanto eu me emociono com momentos destes e o quando isto me toca. Há largos anos atrás o senhor Reinaldo que estava ali a correr devagar mas imensamente feliz era eu e se eu não tivesse tido apoio semelhante não seria nem metade do que sou hoje.

Lembrei-me de tantos momentos. De Peniche, do Autódromo do Estoril e depois da Scalabis conforme já estava prometido, de Alverca, de não ter conseguido fazer isto em Coimbra este ano. Foi um momento muito bonito e um final perfeito para o circuito das 7 Running Wonders de 2017. Já tinha ficado prometido que para o ano só iria fazer Coimbra e a Évora com muita pena por Guimarães ser sempre no mesmo fim de semana das Fogueiras. Mas sem esperar abriu-se meia porta para o Douro Vinhateiro. E há sempre uma porta aberta para Castelo Branco.

Resta falar do tempo. Estava frio de manhã e imenso calor que foi aumentando durante a prova. Ah, não era esse tempo? Ok, dos três anos em que fui a Évora era aquele em que ia melhor lançado para o tempo que queria e acaba por ser o meu tempo mais fraco. Só hoje é que reparei nisso, mesmo antes de começar a escrever este texto. Sabem o que isso significa? Que apesar de querer fazer um tempo específico e desse tempo ter estado perfeitamente ao meu alcance isso sempre foi a menor das minhas preocupações.

E comer no Alentejo? Que maravilha! Que valente almoço!

Prova nº 71 - Meia Maratona de Évora 2017 - 21km - 02:04:09

Participações anteriores na prova: 2015 e 2016