Take 2 precisamente por duas razões: segundo ano consecutivo a marcar presença nesta Meia Maratona e segunda tentativa de escrever este relato porque o rascunho que fui escrevendo quando vinha no carro de regresso a casa não ficou gravado no Blogger e está perdido para sempre. Resta-me agora tentar-me lembrar das notas que fui escrevendo para poder desenvolver agora ao fim da noite.
Muito do que aconteceu hoje foi semelhante ao que aconteceu no ano passado. Aproveito para pegar naquele texto e fazer apenas alguns ajustes: a hora de acordar desta vez foram umas pornográficas 5:00 da manhã e às 6:30 já estávamos todos os 15 elementos da equipa dentro de três carros para rumar a Coimbra. No total fomos 5 para a Meia Maratona, 2 para os 10kms da Mini Maratona e 8 participantes nos 5kms da caminhada. Infelizmente ainda tivemos algumas pessoas que não puderam comparecer à última da hora e na Meia Maratona havia duas estreias, uma das quais daquela colega que no ano passado não conseguimos convencer a fazer a Meia. Foi hoje e a nossa amiga e enfermeira não nos deixou ficar mal. Confesso aqui que quando ela estava a chegar à meta eu estava a aplaudir e a gritar por ela ao mesmo tempo que fazia um esforço brutal para não chorar. Foi uma chegada emocionante de uma das pessoas que eu mais estimo neste grupo. Emocionei-me tanto ou mais do que na minha própria chegada - e acreditem que a minha foi muito simbólica.
Também em relação ao estacionamento e ao café onde fomos antes da partida tudo foi igual a 2016. Fotos finais, palavras de ânimo e lá fomos nós. Estava mais contido que o habitual e sentia isso. Nos minutos antes da partida até já tinha ligado a minha playlist - também pelo facto de estar a usar uns phones bluetooth e de ter as músicas no relógio, daí não querer mexer nele depois de passar o pórtico inicial. Já tinha feito experiências em treino mas ainda tinha receio de parar o relógio se carregasse numa opção errada. Mantém-se algo a ponderar para o Porto: usar estes phones que têm autonomia para a prova toda ou usar o mp3 do ano passado que "só" se aguenta 4h. A outra hipótese é tentar fazer a Maratona abaixo desse tempo.
Dos cinco da Meia Maratona sabia que, em condições normais, seria o elemento do meio, portanto deixei dois colegas mais para trás e vi outros dois afastarem-se gradualmente até deixar de os ver no horizonte. Também tinha dito durante a semana a várias pessoas que, em condições normais, podia perfeitamente ir a Coimbra e tentar bater o meu record na distância, embalado pelos treinos para a Maratona e pelo percurso igual a 2016 onde se desce bastante de início e depois enfrentamos mais de dois terços da prova praticamente em terreno plano. Infelizmente a paragem recente amolgou-me a forma e também a confiança. Mesmo assim, deixei-me ir nos primeiros 5km até passarmos pela zona da meta. Até aqui os quilómetros iam passando em boa média, a rondar os 5:00m/km ou abaixo disso.
Tentei estabilizar a velocidade a partir daqui, até porque já me estava a senti cansado e ainda tinha muito pela frente. Deu para ir olhando em redor com mais atenção, sendo que nem sequer as tentativas de me meter com o público tinham corrido bem. A coisa melhorou quando desejei boa prova a uma atleta do Correr Lisboa e aplaudi veementemente uma menina de - não sei, 7 ou 8 anos talvez? - que ia a correr pelo passeio ao ritmo do grupo onde eu ia naquele momento. "Grande atleta" - gritei-lhe eu.
Uns quilómetros mais à frente, já depois de deixarmos os atletas dos 10km seguirem o seu percurso até à meta deu-se uma feliz coincidência. Lembram-se da Lúcia com quem partilhei um pouco da Meia Maratona de Castelo Branco? Pois bem, encontrei-a novamente. Ela admitiu que não se lembrava bem de mim mas seguimos à conversa sobre as provas das Running Wonders. Ela já fez as sete e ficou "prometido" novo encontro para Évora! Segui viagem perante a insistência dela que sentia que me estava a atrasar o ritmo.
E encontrei-a novamente aos 10km quando parei no abastecimento por uns segundos para beber um copo de isotónico. Ela passou por mim e fui quase até aos 15km atrás dela. Foi uma boa lebre. Já antes disso senti um outro atleta a colar-se a mim e foi um bom bocado ao meu lado, mas sem nunca falarmos. Acho que havia ali uma entreajuda silenciosa e ao passarmos por outro pequeno grupo ele acabou por ficar com eles. E, de repente, a minha cabeça de matemático escondido atrás de um curso de Letras começou a trabalhar: se eu tenho 55 minutos à passagem os 10,5km então se mantiver o ritmo faço 1:50 no final! Ah, mas agora não vou ter aqueles quilómetros a descer para ajudar a média, esquece lá isso. Mas calma, se passei aos 11km com cerca de 57:30 basta-me fazer uma hora nos 10km finais para acabar com um tempo interessante. Não, esquece lá isso.
E esqueci. Nesta fase havia um ponto de retorno e o meu interesse era saber onde estavam os restantes colegas da equipa. Não havia surpresas e isso era bom sinal. E entre o quilómetro 14 e 15, depois de tomar o único gel da prova (levei dois, mas optei por retardar ao máximo para tentar só tomar um) ultrapassei a Lúcia. E voltei a fazer contas. E à falta de público naquela zona do percurso dei por mim a agradecer aos voluntários nos abastecimentos dizendo que nós sem o apoio deles não conseguíamos fazer as provas. Já estava a ficar cansado, apesar de contente por estar a conseguir manter um bom ritmo. Já só queria voltar a entrar em Coimbra, já só queria ver a Ponte de Santa Clara, já só queria acabar. Felizmente tive uma visão e encontrei lá ao fundo a camisola azul de um dos meus colegas de equipa e tentei encurtar distâncias para, quem sabe, terminarmos juntos porque ele teria, eventualmente, quebrado. Não consegui e vim a perceber mais tarde que era uma miragem. Esse meu colega acabou a prova 9 minutos antes de mim! Era claramente outra camisola parecida.
Foi já em quebra que entrei no último quilómetro - o mais lento de todos, feito a 6:00m/km - e nem o facto de ter a meta à vista me conseguia ajudar a reagir. Até que na última curva antes da meta vejo uma das colegas de equipa que fez os 10km e faço a minha melhor pose sorridente para a foto. E a partir dali foi uma festa em toda a recta da meta que só terminou depois de concluir a prova. E caso não haja fotos oficiais pelo menos já há um vídeo que imortaliza o momento! Pouco depois chegava a Lúcia.
Era altura de partir para outro objectivo, ir atrás buscar a nossa colega. E eu não consegui. Disse aos meus dois outros colegas que já tinham terminado antes de mim que fossem porque eu estava completamente rebentado e sem forças. Acabei por esperar junto à meta e também por isso me emocionei. Felizmente o espírito da equipa faz com que quando não podem uns, podem outros e ela lá vinha com uma guarda de honra. Quando lhe dei os parabéns também lhe pedi desculpa por não a ter ido buscar.
E pronto, mais uma aventura terminada, regresso aos carros não sem antes passar pelas famosas escadas do Quinchorro. O almoço foi no mesmo local do ano passado, o que significa que houve doçaria a seguir viagem com a malta no regresso a casa. Dos cinco que fizeram a Meia houve duas estreias na distância e dois recordes pessoais batidos, um deles o meu.
Repete lá isso? Sim. Quando cruzei a meta não olhei para o relógio nem o parei logo. Não sabia exactamente o tempo que tinha feito e acabei por me esquecer disso até ao momento em que estávamos a beber café depois de almoço e me lembrei de ir ver à net se já havia resultados oficiais. E havia. Tirei 8 segundos ao tempo que tinha feito no Douro Vinhateiro.
Agora é ver como recupero. Claro que o início rápido da prova ajuda, mas este resultado surpreendeu-me. Não sei bem o que pensar até porque apesar das contas que fiz a meio da prova nunca fui à procura da marca. Acabei exausto mas por outro lado nunca tive momentos a meio em que tivesse quebrado mentalmente. É estranho um record pessoal deixar uma pessoa com dúvidas. Não foi um "treino longo" ao ritmo da Maratona, mas foram 21km nas pernas - a última vez que farei tantos antes do Porto.
Estou feliz, claro que sim. Foi um dia cheio de emoções! Mas acreditam que estou confuso?
Prova nº 69 - Meia Maratona de Coimbra 2017 - 21km - 01:57:08
