domingo, 17 de setembro de 2017

Amizade

Uma das coisas que ganhei quando entrei no mundo das corridas foi um número infindável de novos amigos. Ok, algumas pessoas serão sempre "conhecidos" mas outros são mesmo amigos verdadeiros.

No treino de equipa a seguir ao meu dia de anos fui brindado com uma festa "meio-surpresa" onde estiveram presentes muitos dos habituais colegas das 5as feiras mas também alguns que apareceram "à civil" para me darem um abraço. Foi meio-surpresa e não surpresa completa porque eu fui apanhando alguns dicas que deixaram com a pulga atrás da orelha. Obviamente que adorei e senti-me tremendamente acarinhado por todos!

Neste grupo de amigos que apareceram sem ser para correr estavam elementos da equipa tagarela, nossos amigos e vizinhos e com quem tenho feito as provas do troféu das localidades. No meio de beijinhos e abraços, o mentor da equipa comentou comigo que tinha dorsais extra para a Corrida do Aqueduto e perguntou-me se eu tinha disponibilidade e vontade de ir. Aceitei quase sem hesitar, apenas porque não sabia como seria este fim de semana e passado uns dias confirmei que aceitava a oferta, mesmo não sendo possível alterar os dados da inscrição.

(Na verdade, o que eu gostava era de ter ganho o passatempo a que concorri para fazer a Meia Maratona do Porto mesmo sabendo que isso era logística e financeiramente complicado!)

Faço aqui um parêntesis para dizer algo importante: não gosto de correr com dorsais que não estejam em meu nome. Não que me faça confusão ter outro nome ao peito, mas (vamos todos bater 3 vezes na madeira) se acontece um problema físico pode ser uma complicação do caraças por causa de accionar o seguro. Aliás, em bom rigor será impossível fazê-lo! Atenção a este tipo de coisas porque a nossa saúde está sempre acima de tudo! Por outro lado isto também pode causar situações difíceis e injustas em termos de atribuição de medalhas. Fica então aqui o repto para tentarmos sempre correr com um dorsal que seja nosso e se for, por exemplo, comprado a outro atleta que seja dentro do prazo permitido para mudar dados de participante. 

Em relação à prova, ia com a ideia de fazer um tempo a rondar os 50 minutos, mas sem qualquer stress porque nesta altura não estou a apostar minimamente em provas curtas. Ao ver a altimetria da prova mudei de objectivo e quis apenas dar o meu melhor sem olhar muito para o relógio. E a verdade é que fiz tanto uma coisa como outra. A partida até foi tão rápida e sem aviso prévio que só meti o relógio a contar com uns 150 metros de atraso portanto sabia que havia uma ligeira discrepância em relação aos quilómetros e ao ritmo médio. O facto de irmos subir mais do que descer também ajudou a esquecer qualquer prognóstico de tempo final.


Durante a prova não houve muitos momentos de interacção, ao contrário de Castelo Branco. Algumas pessoas na rua mas apenas vi duas (DUAS) a bater palmas na altura em que a minha parte do pelotão passou. Retribui-lhes a gentileza a aplaudi de volta. Na estrada, ainda antes dos 2kms tinha um outro atleta a dizer-me que não conhecia a prova mas que sentia que isto era um percurso para nos deixar KO. Eu também nunca a tinha feito mas disse-lhe que pelo que tinha visto do percurso ainda ia piorar até ao km5. Ele ficou meio preocupado. Eu cá sou picuinhas com isso e não gosto de ser surpreendido durante a prova. Isso até aconteceu hoje porque na conversa antes da partida sobre a volta que íamos dar faltou dizer que havia ali um km - o oitavo - em terra batida. Foi pena só porque já tinha passado o pior da prova e estava a rolar num ritmo estável na casa dos 5m/km e tive que me resguardar um pouco. Nada que me tivesse deixado muito chateado, obviamente. Vejo agora que estou a actualizar o meu ficheiro de Excel que até foi o meu pior registo do ano em provas de 10kms. Estou preocupado? Nada.

Foi com tranquilidade que passei a meta, ainda com um sprint final e com o extra de ter tido o speaker de serviço a dizer o nome da equipa que leu na minha camisola. Depois disto foi esperar pelo chegar do resto da malta. Ainda pensei em voltar atrás para ir buscar alguns dos restantes companheiros de viagem mas cruzei-me com algumas caras familiares com quem estive à conversa e quem faltava foi chegando a conta-gotas mas em bom ritmo.

Como é normal, tivemos direito a abastecimento extra porque toda a gente leva qualquer coisa para partilhar e comer no final num picnic improvisado. Eu já estava claramente desabituado e como não houve menção a isso na convocatória não levei nada. Falha minha. E foi já no final de festa quando estávamos a caminho dos carros que recebi uma notícia fantástica e pude festejar a passagem pela meta que eu aguardava com muita confiança mas com aquele nervoso miudinho de quem está a ouvir um relato de futebol e espera que se grite golo a nosso favor! O golo da amizade!

Parabéns!
Prova nº 68 - Corrida do Aqueduto 2017 - 10km - 00:52:42

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Corrida da Felicidade

"Duas horas"

Foi a minha resposta vezes e vezes sem conta à pergunta: "Vais para fazer quanto tempo?" E disse isto também ao meu colega de equipa vezes suficientes para o recordar que não estou nesta fase a atacar os tempos da Meia Maratona, mas sim a usar estas provas como treinos longos mas em ambiente de competição para afinar a máquina para a Maratona. Isso ajudou a tirar alguma eventual pressão de cima, mas sem esquecer que também hei-de querer melhorar a minha marca na distância e em condições ideais procurar aproximar-me o mais possível dos 1:50.

É sempre impossível prever o que vai acontecer numa prova. Há dias em que a pressão faz falta para nos manter com a adrenalina em alta e focados num objectivo. Noutros dias não ter qualquer pressão faz com que se aprecie da prova pelo simples prazer de correr. O ideal estará, sempre, em conseguir o balanço perfeito entre ambas as situações.

Indo sem pressão, com o objectivo de fazer a prova em duas horas e depois de uma semana de férias que foi tão boa que pareceram duas - hei-de falar sobre isso - o dia tinha tudo para correr bem. Mais ainda, tínhamos dito uns dias muito agradáveis de convívio e boa disposição por termos começado o fim de semana logo na 6a à tarde e passado o tempo até chegar a Castelo Branco no domingo em passeio e descontracção, curiosamente pelas mesmas zonas onde tinha estado de férias em Julho: Portalegre, Castelo de Vide e até, novamente, Espanha.

Há anos que não ia a Castelo Branco, apesar de ter ligações familiares àquela zona do país, pelo que pouco me lembrava da cidade. O que já tínhamos visto é que a altimetria do percurso era "jeitosa" - confirmou-se com cerca de 300 de acumulado. Para além disso havia algum receio do calor (safei-me) e até do facto de estarmos a correr numa zona 400 metros acima do nível do mar. Nunca tinha pensado nesta última parte, mas também não senti dificuldades acrescidas por isso. A bomba da asma - que até ia ficando no carro - nunca saiu do bolso dos calções.

Na véspera, uma novidade: fomos dormir antes das 22:00 porque fizemos contas a sair da zona de Portalegre pelas 6:30 para fazer a viagem até Castelo Branco nas calmas, estacionar sem stress pelas 8:00, levantar os dorsais e descontrair depois. Foi tudo feito ao bom estilo de um relógio suíço: partida às 6:35, entrada num café na zona da prova às 7:55. Pelo caminho, sempre o espectro devastador dos fogos que assolaram aquela zona, para além das nuvens de fumo que já tínhamos sentido desde o fim de tarde de sábado por causa dos incêndios que lavravam lá perto. Desolador...

Fomos sentindo o ambiente da prova e o número de atletas a aumentar, mas tínhamos noção que não estava muita gente e íamos conversando sobre os motivos para isso: a data da prova que chocou com imensas outras pelo país fora, o facto de ser a primeira edição, a proximidade com a próxima prova das Running Wonders (o Dão dentro de duas semanas), a localização que obriga a uma logística mais exigente para muitas das pessoas com que nos cruzamos habitualmente, etc. Por outro lado gosto de correr mais longe da zona de Lisboa para ter contacto com outras equipas e outras camisolas que normalmente não se encontram. E isso faz com que a festa seja maior quando durante o percurso vemos malta do Correr Lisboa (grande Brigitte que foi segunda classificada no sector feminino nos 10km), dos Brr Night Runners do Barreiro, da equipa de Leião (sim, vi por lá um representante), etc. Já agora, números oficiais na classificação terminaram a Meia Maratona 343 atletas e a prova de 10kms 375 atletas.

O início da prova levou-nos a uma passagem junto ao parque da cidade, começando depois a subir por ruas estreitas e de empedrado. De seguida fomo-nos afastando gradualmente do centro da cidade sempre a descer até próximo dos 6km de prova. Nessa altura cruzei-me com o meu colega de equipa que levava uns 700 metros de avanço. Fiz contas e parece-me que ele ia bem lançado para fazer 1:50 como pretendia. Não havia muita gente nas ruas e quem estava apoiava, por vezes timidamente e por vezes após responder ao meu apelo de palmas. Sim, o meu estilo nunca muda e passei a prova toda a puxar pelo público. Depois veio o retorno e estávamos a subir o que tínhamos descido até chegar aos 9kms onde se fazia a divisão dos 10kms e da Meia. Pelo meio também fomos algum tempo ao lado da malta da caminhada, mas nessa altura não consegui encontrar caras conhecidas. Estávamos próximos da meta, mas ainda não era a nossa altura de terminar. Passei aos 10kms com 55:05 e por brincadeira pensei que era possível fazer os restantes 11kms numa hora, mesmo sabendo que ainda havia muito carrossel pela frente. Devem ter sido os 10kms mais fáceis que fiz nos últimos tempos. Não dei por eles a passar, ainda troquei umas palavras com o "Super-Homem" que fez a prova toda (não sei se fez a Meia ou os 10kms) a empurrar a filha num carrinho. Ri-me quando ela lhe pediu encarecidamente para não a largar na descida ele lhe disse que tinha que descansar um pouco nessa zona para depois subir no regresso. Ainda lhe perguntei se a certa altura do percurso iriam trocar para ser ela a empurrar e ele ir sentado, mas penso que isso não era opção.

Sabia que na segunda parte do percurso iríamos ter muitos pontos de retorno e isso agrada-me porque me permite ir distraído q.b. em quem vem em sentido contrário sem nunca perder o foco no que estou a fazer e sem perder o ritmo. Pelos 12km aproveitei uma subida mais pronunciada para mais tranquilamente tomar um gel - o único que tomei durante a prova - e isso também foi diferente do habitual porque normalmente em Meias Maratonas tomava um entre os 7 e os 8kms e depois um segundo aos 15kms. Era uma altura em que se estivéssemos a descer sabíamos que daqui a um ou dois quilómetros havia um ponto de retorno e faríamos o percurso inverso a subir (ou vice-versa) e isso ajudou-me a gerir o esforço. Quando me cruzei novamente com o meu colega de equipa não tive noção da distância que nos separava mas não seria muito maior que aos 6kms.

Havia diversão pelo percurso, entre tunas, bandas e outro tipo de animação e por estarmos mais próximos do centro da cidade senti mais algumas pessoas na rua que apoiavam dentro do possível. Acho que bati palmas a toda a gente que nos dava uma força extra e desviei-me algumas vezes para a berma para dar "high-5" às crianças que eu sei que gostam sempre deste tipo de interacção. Chamei campeão a vários, tive sorrisos de volta e fiz tudo o que estava ao meu alcance para dar justiça ao nome da prova: Corrida da Felicidade! Eu estava verdadeiramente feliz a correr naquelas ruas, muito zen, muito confiante. O meu momento alto foi ali pelos 13,2kms (fui ver ao Strava porque sei exactamente em que curva estava) quando me desviei ligeiramente do lado direito da estrada para ir dar umas palavras de ânimo e bater palmas a um jovem veterano que vinha em sentido inverso cansado da subida que tinha acabado de fazer. Ele sorriu - não tinha fôlego para mais na altura - e à minha volta houve palmas dos restantes atletas que iam junto a mim. Por falar em jovens veteranos, acabo de ver na classificação geral que dos 11 atletas com mais de 60 anos - dez homens e uma mulher - apenas 4 homens fizeram mais tempo que eu. Os restantes 6 homens fizeram tempos que eu não sei se vou algum dia atingir e a única senhora no escalão V60 chegou uns segundos à minha frente. Malta, continuem assim que daqui a 25 anos eu já vos apanho, ok?

Até aos 15km tive a companhia de um pequeno grupo que se foi formando e íamos a rolar entre 5:30 e 5:40. Uma dessas pessoas foi a Lúcia do Centro de Treinos Municipal de Vila Pouca de Aguiar. Nunca tinha ouvido falar da equipa, não a conhecia de lado nenhum, mas durante uns largos metros fomos ali lado a lado e trocámos algumas curtas palavras. Acabei por me distanciar deste grupo, ainda lhe dei uma força final quando a voltei a ver já perto da entrada para o último quilómetro e no final voltei a encontrá-la na zona de abastecimento de cevada logo a seguir à meta. Agora o mais provável é não me voltar a cruzar com ela, mas esta interacção entre atletas - aqueles que correm pela simples felicidade de correr - deixa-me sempre alegre. (Afinal "reencontrei-a" aqui)

Foi também perto do fim que voltei a cruzar-me com o meu colega - ele junto à placa dos 20kms que tínhamos visto ao entrar de carro em Castelo Branco e eu do lado oposto da estrada junto à placa dos 19kms. Queixou-se do calor e eu percebi pelo tempo de prova que ele ia ficar acima do objectivo, sendo que acabou com pouco menos de 1:52. Achei que estar apenas um quilómetro atrás dele não era nada mau. Nem sequer achei que estivesse assim tanto calor na altura, mas passado 500 metros quando fiz o retorno naquela estrada comecei a apanhar com o sol de frente na cara e depressa percebi o que ele quis dizer. Pouco importava, depois da placa dos 20km uma pessoa ganha o último ímpeto, apenas travado pelo facto de ser praticamente todo a subir. Ao chegar à recta da meta estava cansado - mas não exausto - e consegui ter a cereja no topo do bolo com uma chegada memorável à meta que sei ter sido capturada por fotógrafos mas cujas imagens ainda não encontrei - ou provavelmente ainda não foram publicadas.

Era o culminar de uma prova, de mais uma Meia Maratona. Foi a décima segunda da carreira, foi o meu terceiro melhor tempo na distância. E nunca é demais repetir, foi uma prova onde me senti feliz! Para os mais atentos, há exactamente um ano estava aqui, exactamente com o mesmo espírito descontraído mas a fazer o meu terceiro pior tempo de sempre!

Estava com imensas saudades de fazer uma prova. Já tinha passado demasiado tempo desde as Fogueiras. Curiosamente o plano de treinos mandava fazer uma prova de 10km no domingo para testar a evolução até àquela data. Oops, estiquei-me só um bocadinho...

Agora resta manter uma ideia que eu já aqui falei há tempos: domingo a prova ficou feita, 2a feira começou tudo outra vez!


Prova nº 67 - Meia Maratona de Castelo Branco 2017 - 21km - 01:58:53

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

36

De há quatro anos para cá que há uma tradição que me agrada: o Benfica festeja em Maio, eu festejo em Setembro. O número é o mesmo.


sábado, 2 de setembro de 2017

Setembro

Entrámos no melhor mês do ano - vá-se lá saber porquê!

E como ficou Agosto? Foi um mês de altos e baixos, com muitos quilómetros nas pernas, mas também com dois contratempos chatos que me obrigaram a parar mais do que eu gostaria. Primeiro um corte feio no dedo (foi há três semanas mas ainda ando com penso a proteger a zona da ferida, só para terem noção) e esta semana com um pequeno susto por me ter aparecido vinda do nada uma bola na zona do joelho direito, mesmo junto à dobra da perna, que era bastante incómoda ao caminhar e me obrigou mesmo a ir ao médico. Ora, para eu acordar um dia e decidir sem hesitar que ia ao posto de enfermagem do centro de saúde em vez de ir trabalhar era porque estava mesmo acagaçado preocupado.

O diagnóstico foi um abcesso - que não era passível de ser drenado naquela altura - e que tive que tratar com medicação. Felizmente passou tão depressa quanto apareceu e agora é só resta uma pequena marca no local e convém eu ir estando atendo a sinais de reaparecimento. Diz a médica que pode ter sido algo tão simples como uma reacção alérgica a uma picada de insecto. Obviamente que me preocupava se seria outro tipo de problema físico, sobretudo porque isto apareceu uns dias depois deste treino de 25km. (Obrigado Fabiana pela companhia, foi um prazer conhecer-te pessoalmente. O número de boas pessoas que passaram a fazer parte da minha vida por causa da corrida faz com que me relembre todos os dias a principal razão pela qual vale a pena cada quilómetro que corro!)

Pausa publicitária: se ainda não o fizeram, guardem o link do blog Correr pelos Dois algures nos vossos favoritos e depois voltem aqui. Ou fiquem por lá, que ela merece uma leitura atenta. Obrigado!

Voltando ao abcesso, a médica tranquilizou-me prontamente e disse-me que não havia nada de anormal no joelho e a localização era perfeitamente aleatória. Não treinar esta semana acabou por ser um misto de obrigação - até andar me custava - com precaução porque até já podia ter tentado fazer alguns quilómetros na 6a feira mas optei por preguiçar descansar mais um dia.

Segue-se agora uma semana de férias que vai culminar com a participação na Meia Maratona de Castelo Branco. Apesar de eu ter sempre ambições em termos de tempo final, vai servir sobretudo para ser mais um treino longo e fazer um ponto da situação em relação à minha condição actual. Curiosamente o meu plano de treinos diz-me para fazer uma prova de 10km nesse dia porque a partir da semana seguinte muda a intensidade e o tipo de treino. Não estou a seguir todo o plano - como era de calcular - mas estou a ser mais rigoroso que no ano passado. Vamos ver como corre. Uma coisa é certa: estou a precisar muito de fazer uma prova! Já passou demasiado tempo desde as Fogueiras e apesar de termos tentado levemente junto de quem de direito, este ano não se realizaram os 10km de Tagarro que no ano passado marcaram o regresso depois das férias. 

Em Agosto fiz 123,5kms de corrida, mais uma série deles em caminhadas (as mais significativas foram registadas no Strava, as outras nem por isso) e mesmo com estas paragens forçadas acaba por ser o meu mês com mais quilómetros de sempre. São, por exemplo, mais 40 e poucos quilómetros que em Agosto do ano passado. Para isso também contribuiu o tal treino de 25km de sábado que foi - sim, a sério - o meu treino mais longo de sempre. No ano passado, mesmo a treinar para a Maratona, nunca fiz mais que 21km em treino e sempre disse que me faltaram os longões de 30km. Para a próxima são só mais 5kms.

Não sei se já repararam que o título do post é "Setembro" e eu passei grande parte do tempo a falar do que aconteceu em Agosto. A explicação é simples: bom ou mau, o que aconteceu em Agosto já é passado. Agora há que olhar em frente para o futuro e consolidar em Setembro tudo o que foi feito até ao momento. Parecendo que não, faltam cerca de dois meses para a Maratona e isto vai passar... eu sei, é impossível não usar esta expressão... a correr!

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Spirit of the Marathon

Uma coisa que gosto de fazer é ir ler alguns relatos antigos de provas ou alguns textos que escrevi há 3 meses, há 6 meses, há um ano. Gosto também de ir aos relatos curtinhos e relembrar-me do que ficou por escrever. Foi isso que me aconteceu no fim de semana. Num serão reli uns quantos textos antigos na busca por motivação. E encontrei-a.

Hoje reli este, pela simples razão de me ter cruzado com aquela frase marcante e que ainda me arrepia. Estou novamente a passar pelo mesmo processo do ano passado em que tive uma overdose de Maratona porque consumia imensa informação relacionada com a prova. Este ano não o estou a fazer de forma tão sôfrega e já o consigo fazer sem aquela excitação de quem se estava a preparar pela prova pela primeira vez. Já consigo olhar com a experiência de ter concluído os míticos 42,195kms, olho com muita curiosidade e carinho para tudo o que escrevi, para todos os meus medos e para todos os conselhos e palavras de incentivo que fui recebendo, tanto aqui como ali ao lado na rede social.

Este ano parto para a prova com uma excelente leitura que me acompanhou durante as férias de Verão e da qual retirei o plano de treinos que estou a (tentar) seguir. Mais do que isso, li por lá indicações muito interessantes e explicações sobre ritmos de corrida, reacções musculares e comportamentos do organismo muito técnicas e detalhadas mas que fazem todo o sentido e que captaram a atenção do picuinhas e crominho que há em mim. Por isto tenho que agradecer à Agridoce que despertou a minha curiosidade para o livro. E confesso estar à partida de pé atrás por ter o preconceito que ia ser uma coisa demasiado básica ou até infantil. Nada disso, muito pelo contrário! Passei imenso tempo livre agarrado ao telemóvel a ler - e com uma cábula ao lado para não ter que andar sempre a fazer contas de cabeça para converter milhas para quilómetros que eu estava de férias, pá!


Estou novamente a procurar vídeos motivacionais ou textos de outros atletas. Ou simplesmente a reler as Maratonas do João Lima. E infelizmente, quase um ano depois, continuo sem conseguir encontrar online a sequela do documentário que falo no post que mencionei lá em cima. Isso significa que vou rever o documentário que vi no ano passado e rir-me nos mesmos sítios e emocionar-me com a mesma personagem - que descobri ter falecido em 2015 vítima de "doença prolongada". Deixo aqui os trailers dos Spirit of the Marathon I e II e o documentário completo da primeira parte está aqui.




Se/quando encontrar o Spirit of the Marathon II completo online ficarei mais feliz que uma criança na manhã de Natal! Enquanto isso não acontece vou-me entretendo a treinar e a criar a minha própria história de vida.

sábado, 19 de agosto de 2017

Semana atípica

Diz quem me tem acompanhado neste meu percurso que um dos meus aspectos fortes é a minha capacidade de luta, a minha força de vontade, a minha garra. a minha capacidade de me superar, etc e tal. E a alegria constante com que faço as coisas. (Também dizem coisas más de mim, que eu sei.)

Aquilo que aconteceu esta semana foi precisamente o inverso disso.

As coisas começaram logo mal na 2a feira com aquele fim de tarde manhoso em que tudo correu ao contrário do que era suposto. Agora que penso nisso - sim, eu sei que os homens exageram sempre - podia perfeitamente ter ficado sem um dedo naquela brincadeira. Felizmente que isto está a sarar bem, apesar de ainda estar bastante feio. Fica a história para contar e o ar baralhado dos meus colegas esta semana que me perguntaram o que me tinha acontecido e eu respondia que tinha sido quando estava a tirar a gata da máquina de lavar loiça. Depois disso a semana até foi bastante tranquila e relativamente produtiva cá por casa. "You can't always get what you want"

Do outro lado da barricada, pelo trabalho, a malta gosta de jogar às cartas. Pelo menos é o que parece porque de tempos a tempos estamos a baralhar e dar de novo. Depois do choque inicial de nova reestrutura nos vários departamentos, já passei os vários estágios de luto (o meu antigo formador ficaria orgulhoso por eu estar a reconhecer os passos e aplicar isto na prática) e estou na fase da aceitação, embora ainda com vontade de tentar uma negociação final. Vou ficar a gerir metade da minha equipa actual e receber outra metade que vem das outras equipas. Vou ficar a trabalhar com a mesma equipa de supervisores e com a minha actual chefe directa. Vou deixar de me preocupar com as tarefas que menos gostava de gerir e manter as outras que são mais stressantes e não me vão deixar ter tempo para respirar durante o dia todo. Mas vou continuar a ter gosto no que faço, de certeza. Não, não necessariamente, mas vou continuar a mostrar todo o meu profissionalismo e a dar valor às pequenas coisas do dia-a-dia, como a cliente de 78 anos que esta semana começou por reclamar de forma veemente com um colega e acabou a elogiar o charme (palavras dela) com que lhe expliquei e resolvi a situação. Uma pequena vitória destas por dia e fico feliz. "You can't always get what you want"

E correr, que é bom e bonito? Zero. Uma semana para esquecer a esse nível. Ok, fiz duas belas caminhadas por Lisboa depois do trabalho que serviram para me manter minimamente activo, mas tenho ali um plano de treinos a fazer-me comichão à vista. E porque a semana não foi fácil na 3a tive o ponto mais baixo quando vinha a conduzir para casa depois do trabalho. Uma pessoa quando não está bem não deve ficar com demasiado tempo livre para pensar. Comecei a visualizar os próximos desafios, as próximas provas, e como nem são muitas ponderei cancelar tudo e fazer um interregno até ao final do ano. Felizmente a viagem até casa foi curta porque eventualmente esse tipo de ideias não voltou. Mesmo assim desliguei do Strava, não andei a ver treinos de ninguém. Desliguei da rede social o mais que pude, ignorei por completo o que se passava no grupo e no chat do grupo. A única coisa que fiz por lá foi em duas palavras (re)confirmar a presença na Meia Maratona de Coimbra, o que até foi positivo para quem tinha pensado em parar uns tempos. Olhando agora com calma para o plano de treinos da Maratona e comparando com o mesmo período em 2016, reparo que este ano fiz menos 4kms de corrida. Tivesse eu feito uma semana normal e estava tudo ok. E vai na volta ainda me dá na cabeça ir correr amanhã, portanto... "You can't always get what you want"

Pelo meio ainda vi Ben Harper ao vivo. E podia simplesmente não escrever mais nada e deixar as reacções para quem for ler. Não sou propriamente fã e não passei a ser depois do concerto, embora lhe reconheça muita qualidade naquilo que faz e uma alegria em palco de quem está a sentir cada nota que toca e a absorver toda a energia positiva que recebe do público para a canalizar novamente para a sua actuação. Não é um estilo de música que me fascine, mas quando se ganham bilhetes uma pessoa lá condescende a dar uma oportunidade. Ainda me lembro quando fui meio desconfiado ver Muse no Campo Pequeno e tiveram que me arrastar para fora da sala no final porque eu suspirava por mais encores! "You can't always get what you want"

E assim acontece. Este texto serve sobretudo para atirar cá para fora alguns pensamentos difusos que andavam a voar-me pelo cérebro - que nestes dias está meio oco - e espero que me ajude a encerrar uma semana que foi meio para esquecer. Ou meio para relembrar. "But if you try, sometimes, you just might find you get what you need!"