Como sempre inscrevi-me para as Fogueiras na madrugada em que as inscrições abriram. Uns 10 minutos depois da meia-noite já tinha o dorsal pago e ainda consegui baixar um número em relação ao ano anterior. No entanto, a verdadeira prova começou no dia 21 de Março.
A pergunta era: "Consigo fazer os 15 das Fogueiras?"
A resposta antes disto foi: "Sim! E nós vamos buscar-te quando acabarmos."
Continuando...
Qualquer desculpa é boa para ir passar um fim de semana a Peniche. Se for para correr, melhor ainda. Se for para fazer a Corrida das Fogueiras é perfeito. A primeira vez que ouvi falar desta prova foi no regresso a casa depois desta
Meia Maratona da Ponte 25 de Abril. Estava obviamente abatido e vinha com um grupo de companheiros de estrada aqui da zona. Alguém comentou que as inscrições iam abrir em breve e foi a loucura. Disseram-me que se eu não conhecia tinha que passar a conhecer e por mais que tentassem explicar as razões acabaram por dizer que só mesmo indo é que se percebia. E eu fui. E agora é prova que eu quero fazer sempre!
Já aqui vos tinha dito quais os meus planos para esta prova e por mais que eu tivesse um colega - o mesmo que me desafiou
aqui - a dizer-me que este ano não me apanhava porque eu estava muito forte, eu sabia que não era bem assim. Ele ia com planos de fazer menos de 1:15 e acabou a fazer 1:12. Ele sim está muito forte e fico bastante feliz pela evolução que está a ter!
Ao chegar a Peniche no sábado à hora de almoço o tempo estava fresquinho (frio, mesmo!) e até houve uns chuviscos pelo caminho. Bom para correr, desde que o vento não fosse dar um ar da sua graça. E levar um casaco? Nada. Nem aquela sweatshirt nova e giraça do grupo. Tótó, até parece que não sabes como é Peniche! Para minha surpresa e alegria a malta da equipa que lá foi ter chegou a meio da tarde em vez de mais próximo da hora da prova e isso fez com que fosse uma tarde ainda mais animada com o pessoal. Não deu para descansar uma horinha no quarto como estava previsto, mas não fez mal! Já agora, durante a tarde às voltas em Peniche devo ter feito a Avenida do Mar umas 5 vezes para cada lado e já ia com 8kms feitos. Belo aquecimento! Nessas voltas cruzei-me com caras conhecidas: o
João Lima, a
Isa e o Vítor, o
Carlos, entre outros. E muitas outras caras ficaram por ver, tal era a multidão de atletas presente.
Conversa, fotos, preparativos finais, mais conversa, planear como fazer com as sardinhas, um stress de última hora, beijinhos e abraços (e um grande abraço de força!) e num instante a malta foi para os blocos de partida das Fogueiras e das Fogueirinhas. Era o único a estar na Onda Amarela e fiquei sozinho no bloco de partida. E sabia que desta vez não ia defender a média do comprovativo de tempo que tinha enviado: 1:15 era fantástico, 1:18 era o esperado, melhorar o tempo de 2016 era obrigatório.


Em cima temos a comparação entre 2017 e 2016. Lembrava-me que em 2016 tinha feito uns 5kms iniciais muito rápidos e que depois comecei a sentir o peso disso à passagem dos 10kms tendo rebentado por completo na subida do Hospital aos 13km. Este ano, à excepção do km12, fui sempre mais rápido que no ano passado. Voltei a fazer um primeiro terço da prova em excelente ritmo, aguentei-me bem na subida até ao Farol e quebrei... a seguir ao quilómetro 13 mas muito menos que no ano passado. Como a história se repete, foi um pouco antes desta zona que o João Lima passou por mim, exactamente no mesmo sítio do ano passado! Curiosamente quando nos vimos durante a tarde ele falava-me da minha cara de espanto em 2016 quando o vi a voar ao meu lado. Este ano não fiquei admirado. Os meus dois últimos quilómetros voltaram a ser os piores da prova mas não tão maus como em 2016 onde tive um final de prova mesmo complicado. Quando já estava a entrar no último quilómetro vejo a minha amiga
Inês à beira da estrada a apoiar e aquele high-5 e a rápida troca de palavras de incentivo deram-me alento para me aguentar até ao fim. Mesmo com o apoio de tantos desconhecidos, sabe sempre bem ver um sorriso amigo e um apoio mais personalizado.
Durante o percurso tivemos tudo aquilo a que temos direito em Peniche: o público na rua a puxar por toda a gente! (Felizmente Portugal jogou a meio da tarde e não à hora da corrida como em 2016) Obviamente a apoiarem ainda com mais fervor os atletas locais, mas sempre com palavras de ânimo e palmas para os quase 3000 que completaram as Fogueiras, sem contar com os atletas das Fogueirinhas para os quais penso não haver número oficial. Já agora, a malta das Fogueirinhas também merecia um dorsal, não?
E quando o público por alguma razão não estava a apoiar, o que é que acontecia? Gritava eu para os apoiar a eles! "Bora lá Peniche" foi uma frase que ainda repeti algumas vezes e era sempre seguida de uma reacção sonora por parte de quem assistia. Senti-me imensamente bem nesta sintonia com o público. Também cheguei a gritar que não estava a ouvir nada quando o público estava ligeiramente mais calmo e aposto que alguém terá dito - ou só pensado - que isso era porque eu ia com os phones nos ouvidos.
Voltando à zona do Cabo Carvoeiro, ia a sentir-me tão bem que só aos 9kms é que me lembrei que ainda não tinha tomado o gel que estava previsto para tomar entre os 7.5 e os 8kms. Aquilo que notei - confirmado por quem também já fez a prova mais vezes - foi que este ano havia muito menos fogueiras acesas, previsivelmente fruto dos acontecimentos recentes. Como a lua também estava encoberta foi um misto de loucura e beleza extra fazer aquela zona quase às escuras! Recordo-me de vez num ano a organização lançar o desafio dos atletas levarem frontais para melhor iluminar o percurso naquela zona e ter havido uma recusa geral por parte dos participantes porque a prova chama-se Corrida das Fogueiras e não Corrida dos Frontais!
Ao ver a Avenida do Mar ali outra vez já só queria terminar bem. Devo ter olhado para o relógio umas três vezes durante o percurso todo. Uma delas foi à passagem aos 10kms para comparar o tempo com o do cronómetro oficial da prova (ia ligeiramente abaixo dos 51 minutos) e outra lembro-me ter sido à entrada para o último km e ter visto que estava com 1:13 e alguns segundos. Estava na mira para acabar com 1:18 e assim foi, embora já a cheirar o minuto 19.
Depois da meta não tinha tempo a perder, era voltar atrás para cumprir a promessa feita três meses antes. Foi difícil sair daquela zona e atravessar a Avenida do Mar - por esta altura já devia ir na décima volta à avenida - mas depois de passar essa parte ficou mais fácil e fui fazendo o percurso em sentido contrário. Comecei a ver novamente caras conhecidas, colegas de equipa com boa cara a caminho do final, cruzei-me com a
Agridoce (juro-te que aos 5kms passou por mim a tua irmã gémea e fui a persegui-te - quer dizer, a persegui-la - durante vários quilómetros sem nunca a conseguir apanhar! Só percebi que não eras mesmo tu quando te vi!), fui apoiando alguns Vicentes e trocando palavras com outros atletas que me juravam que "lá atrás também disseram que já faltava pouco!".
Até que chegou o momento esperado a cerca de 1,8kms da meta. E esses quilómetros - aqui abreviados em poucas linhas, mas que dão para encher um post inteiro - foram dos mais marcantes de sempre e nunca os esquecerei. A certa altura ouço alguém no passeio a gritar: "Assim é que é, um colega de equipa nunca fica para trás!" E isso resume tudo.
Depois da prova veio a bela da sardinhada. O ponto alto do convívio, a troca de risos, gargalhadas, abraços. Muitos brindes, muitos
drones, muita loucura saudável daquela que nos faz esquecer todos os sacrifícios e todas as dores enquanto estamos a correr! Tenho tanto orgulho em pertencer a esta família. E isso não cabe em nenhum post!
De regresso ao quarto do hotel só adormeci bem depois das 3 e tal da manhã. Ainda tinha a adrenalina a correr-me nas veias, ainda estava eufórico e estava estupidamente sem sono mas acabei por conseguir descansar umas horas. Na manhã seguinte, antes do regresso a casa ainda houve tempo para um pequeno passeio até ao Cabo Carvoeiro, para relembrar memórias de outros tempos e para fazer parte do caminho da prova de carro e à luz do dia. E arrepiar-me em algumas zonas ao recordar as emoções da noite anterior.
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| Subida? Qual subida? |
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| As Berlengas lá ao fundo |
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| Adoro este azul do mar! |
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| Trouxe Amigos de Peniche, mas ficaram lá imensos pela estrada fora e nos passeios! |
Até ir de férias não tenho mais provas confirmadas. Não posso ir à Meia Maratona de Almada no dia 1 nem à prova do troféu das localidades dia 2, mas ainda tenho duas possibilidades para dia 8 de Julho. A ver vamos se alguma se concretiza.
Depois do Verão começam os treinos longos e algumas Meias Maratonas como preparação para a Maratona do Porto.
Aparentemente em
2016 faltava-me um F.
Prova nº 66 - Corrida das Fogueiras 2017 - 15km - 01:18:56
O meu histórico nesta prova: