segunda-feira, 19 de junho de 2017

Pequenino...

Domingo...

Acordar com a notícia que o Louzan Trail tinha sido cancelado. Relacionar isso com a notícia que tinha ouvido por alto na noite anterior sobre um incêndio sem lhe prestar a devida atenção. Lembrar-me que o meu comentário foi "oh, agora começa a altura deles..."

Sosseguei quando soube que estava tudo ok com quem eu conhecia, mas ouvir as notícias durante o resto do dia foi uma angústia tremenda, mesmo sem ter - ao contrário de tantos outros à minha volta - família a viver naquelas zonas afectadas. Pouco há a dizer sobre tragédias tão grandes. Não imagino o que é passar por algo do género e custa-me tirar da cabeça o horror que terá sido para aquelas pessoas que perderam a vida na EN236-1.

Lembrei-me também de na noite anterior olhar pela janela a estar a trovejar lá ao fundo.

Lembrei-me de há uns anos atrás andar semi-perdido ao regressar a Dornes vindo do centro geodésico de Portugal em Vila de Rei, numa estrada municipal algures no meio do mato, porque tinha memorizado aquele caminho alternativo que o gps tinha indicado mas que era tão alternativo que quando lá estava fiquei sem rede e tive que fazer o percurso de cabeça esperando não me enganar.

Passei o dia de ontem a sentir-me pequenino perante as notícias e as imagens que passavam na televisão. Muito pequenino mesmo.

Voltemos ao Louzan Trail, porque no meio do infortúnio há que destacar as acções positivas de quem ajudou como possível. A organização decidiu, após cancelar a prova por motivos de segurança, doar todos os abastecimentos previstos para a prova aos Bombeiros. E durante o dia vários foram os atletas que publicamente cederam o valor da inscrição na prova como donativo para ajudar no que fosse necessário. Pequenos gestos que dão esperança...

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Challenge 3000

Depois de estar marcada para Maio e posteriormente adiada para o início de Junho, decorreu finalmente hoje o Challenge 3000. Estava muito curioso em fazer finalmente uma prova em pista e como já tinha estado exactamente neste local a fazer reportagem fotográfica numa das provas do Circuito dos Parques mais interessado fiquei em pisar aquele palco sem ser "à civil".

Depois da prova de estafetas - que foi curiosamente o que me levou à Corrida dos Parques - este era um dos outros objectivos que tinha para cumprir.

Apesar de trabalhar em Lisboa e de ser dia de Santo António... estive a trabalhar durante o dia, portanto tive que preparar a trouxa de véspera para levar e mudar de roupa entretanto. Rapidamente levantei o dorsal e fui vendo o ambiente. Voltei ao carro e equipei-me. Cheguei cerca de uma hora antes da minha prova - havia desafios de tempo diferentes para os atletas inscritos o que fazia com que a prova se dividisse por várias séries. Entretanto dado o número de atletas que efectivamente apareceram foi decidido pela organização juntar quem se inscreveu para o Desafio 18 com os atletas do Desafio 15 - a minha série.

Para explicar, estes desafios significam exactamente o tempo abaixo do qual nos propomos a terminar os 3kms. Também havia duas séries de Desafio 12, uma série só feminina com vários tempos e pelo que percebi séries de equipas, mas já não fiquei a assistir a todas para perceber como iriam funcionar.

Antes da nossa prova estavam a decorrer provas - julgo que oficiais - de 400 metros barreiras e salto com vara e havia atletas por todo o lado, o que era bom para ir entrando no ambiente. Próximo da hora da partida foi sugerido que fossemos preparando um aquecimento e lá fiz uma corridinha e uns alongamentos. Em boa hora, porque deu para me habituar um pouco ao piso da pista.

Ora, numa prova de 3kms é complicado fazer um relato muito longo. A própria prova pareceu passar num instante, como era de esperar! Como eu todas, defini objectivos de tempo: fazer menos de 14 minutos era quase obrigatório. Dependendo de como me fosse sentir, fazer entre 13:30 e 13:40 era ouro sobre azul e a prova começou bem lançada para isso. Assim que partimos fui atrás dos mais rápidos para ver até onde conseguia esticar a corda. Percebi que era ambição a mais e moderei o ritmo para algo mais próximo do que eu faço. Quilómetro inicial: 4:22!

Deixando a malta da frente ir embora ficou mais fácil. Eles iam mostrando qual era o percurso e eu fiquei mais para trás com outros dois atletas à frente a tentar seguir o ritmo deles e a gerir o meu. Segundo quilómetro a 4:39, bem mais lento mas bem mais realista. Eu queria mesmo era fazer isto tudo a 4:30/km e nesta altura estava com esse média que dava para os tais 13:30. Era só não perder muito no último para não ficar longe desse tempo.

Não consegui, fiz o último quilómetro a 4:46, mas longe de mim estar arreliado com isso. Cumpri o desafio - que era fazer em 15 minutos - e cumpri o meu primeiro objectivo, menos de 14. Como era de esperar gostei de correr na pista. Foram 7 voltas e meia e adorei a sensação de passar pela meta e ver reduzir o indicador no número de voltas que faltavam para acabar. Tentei contá-las mentalmente mas perdi-me logo, portanto o relógio e aquele marcador manual eram essenciais. No final da prova comentei com um companheiro que conheço de outras andanças que às vezes se torna repetitivo andas às voltas à pista, achei que essa sensação seria mais fácil de ultrapassar. Certamente falta de experiência nesse capítulo. Temos uma "pista improvisada" num quarteirão aqui na zona onde fazemos séries mas não se sente essa questão. É uma questão de hábito.

E o calor? Era muito, mas não me afectou. Continuo a ter boa resistência ao calor e a não me deixar abalar com temperaturas mais elevadas. Custou-me mais a garrafa de água no final estar a quente e nada refrescar a boca e a garganta. No final, foi muito agradável fazer a prova e já estou de olho em outras do género. Falei com a organização que confirmou que estão a planear novo Challenge para breve. Estarei atento.

Ia-me logo embora depois de acabar, mas percebi que tinha tempo livre e já que não ia ao treino da equipa e estava num local tão bom decidi fazer mais uns quilómetros pelas pistas de fora para não prejudicar as séries seguintes. Não fiz muito mas foram mais quase 3km em 15 minutos. Eu disse que era só para descomprimir as pernas... só que não foi.

Do que é que eu me queixei mesmo durante a prova? De dores nos braços e na zona lombar.
Dica: mesmo que seja só uma coisinha de 3kms, nunca façam percursos de arvorismo (ou arborismo?) e escalada dois dias antes de uma prova!!!





Prova nº 65 - Challenge 3000 - Pista de Atletismo Municipal Prof. Moniz Pereira - 3km - 00:13:52

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Resumo da matéria dada

Faz hoje 5 anos desde que fiz a minha primeira prova: a Corrida de Santo António em 2012. Conclui os 10km com 1:13:46 e até me lembro de ter parado aos 5km para fotografar a placa e enviar para o grupo de colegas de trabalho que iam mais atrás porque estavam a fazer a prova a caminhar. Quantos treinos tinha feito? Zero! Nem sequer conhecia o mundo das aplicações para registar a actividade física. Fazia muitas caminhadas mas na altura não corria e só fiz a prova porque fui desafiado a participar pelo grupo de caminhada e corrida da empresa. E não me arrependo.

Demorei mais de um ano para voltar a fazer uma prova e fui sempre na desportiva. Sempre a piorar os tempos mas provas planas de 10kms, mas sempre a divertir-me. E até meados de 2014 a coisa foi assim andando. Não, não foi correndo, foi mesmo andando. Até que se deu um click: o primeiro treino do grupo (23/05/2014), o iniciar dos treinos regulares, o convívio, conhecer outros "malucos", perceber que isto era um mundo muito maior do que eu imaginava, a amiga do meu mentor que me chamava sempre de Lanterna Vermelha, os 25 quilos que perdi ao longo de todo este processo desde que apanhei um pequeno susto. Até ao fim de 2014 já tinha feito um tempo muito próximo dos 60 minutos aos 10km, fiz a primeira Meia Maratona porque me mentalizaram que eu conseguia e no primeiro trimestre de 2015 já tinha baixado da marca mítica dos tais 60 minutos. Continuava a divertir-me e a motivar-me pela evolução, pelas palavras de apoio, pela surpresa na cara das pessoas que me viam de tempos a tempos. Serei sempre o Lanterna Vermelha porque agora não quero largar a alcunha que me fará sempre lembrar de como comecei.

5 anos depois já tenho 64 provas feitas, divididas desta forma:


Há planos que têm que ser feitos consoante o calendário de corridas, há provas fetiche, há muitas provas ainda para realizar (dentro e fora do país), há os trails que estão em pausa (permanente, digo eu, porque sempre que fazemos um treino que mete trilhos eu dou saltos de alegria no momento em que voltamos à estrada). E há as amizades que ganhei, as pessoas que conheci, as pessoas que nunca irei esquecer. E o bom é que sei que pelo caminho ainda há muito mais caras novas e sorrisos que irei encontrar por esse alcatrão fora. Vá, pelos trilhos provavelmente também.

Dizia-me há dias uma colega num treino - ao conversarmos sobre coincidências de encontros com amizades comuns em provas - que quando começou a correr lhe disseram que as pessoas se conheciam facilmente na corrida. Acrescenta ela que as pessoas se revelam na corrida através das atitudes que demonstram perante os outros. Eu não podia estar mais de acordo.

Bom, considerações à parte, isto é suposto ser um resumo e eu já vou quase com 500 palavras de texto. (Sim, fiz copy/paste no Word para contar.)
Como seria impossível resumir tudo o que bom me aconteceu em termos pessoais - tanto de amizade como de saúde - deixo os meus records actuais. O dos 10kms é o que mais vezes foi melhorado. Chegou a cair em provas consecutivas durante todo o ano de 2016. Os mais saborosos são os das provas mais longas. Não guardo



 Não guardo registo "oficial" do meu km mais rápido, mas terá sido o primeiro na prova de estafetas da Associação Vale Grande (3:54/km). E dentro de dias farei a minha primeira prova de 3km, portanto vou adicionar mais uma linha a este quadro.

E o futuro? Eu costumo dizer que as provas se fazem um quilómetro de cada vez ou então "de abastecimento em abastecimento". A segunda metade do ano tem novamente na agenda algumas meias maratonas, mas que servirão sobretudo como preparação para o regresso à Maratona do Porto. O importante é não voltar a ter problemas físicos e continuar a divertir-me, entre amigos.

Que venham mais 5 anos, um quilómetro de cada vez!

terça-feira, 6 de junho de 2017

Estão a ver os meus relatos das provas?

Hoje fiz um igualmente minucioso no auto policial que tive que preencher e outro ainda mais detalhado na declaração (nada) amigável para apresentar à seguradora.

Também fiz outra descrição perfeita do sucedido mas... deixem estar, era capaz de ter uma ou duas ou vinte asneiras...

(Só chapa, tudo ok. E sim, o outro foi o culpado mas vai tentar safar-se mentindo descaradamente...)

domingo, 4 de junho de 2017

Cheira bem, cheira a Lisboa!

Em primeiro lugar, o meu agradecimento à Europcar que me permitiu fazer esta prova por causa do passatempo que ganhei. Agora vamos falar a sério: podem parar de apanhar o elevador para subir para o segundo andar lá no edifício onde trabalhamos? Pior, podem parar de o fazer quando querem descer? É só um andar, caramba! (Curiosamente eu - que trabalho uns quantos andares acima - ia sempre pelas escadas quando só andava nas caminhadas e não corria.)

Para quem não sabe - vão lá ler o primeiro post do blog, vá... ou esperem pelo texto que já está escrito e programado para ser publicado na 4a feira - a Corrida de Santo António foi a primeira prova que fiz. A partir daí esta tornou-se numa prova com um grande simbolismo, mas nunca a fiz quando passou a ser parte integrante do já extinto BES Run Challenge. Anos mais tarde vim a descobrir que o meu mentor também lá esteve, não terminou a prova por problemas de saúde e a partir daí ganhou-lhe uma raiva que nunca lá meteu os pés. Daí que lhe tenha dedicado - de forma privada que ele não gosta deste tipo de agradecimentos públicos - o meu tempo na prova do ano passado, a primeira vez que baixei dos 50 minutos aos 10km. Não meto aqui o link desse post porque contém uma asneira e apesar do adiantado da hora vamos manter alguma integridade.

Tinha esta prova no calendário porque é daquelas que transita sempre de um ano para o outro, mas já a tinha marcado a vermelho para não ir. Hoje também foi dia de milha no Troféu das Localidades que se disputou no estádio do "meu" Real de Massamá e estava fisgado a ir a essa prova. A vida trocou-me as voltas e acabei aqui, depois de um dia a passear por Lisboa. Isso levou logo a um dilema: deixar o carro onde estava e ir de metro ou levar o carro até mais próximo da zona da prova? 

Optei pela segunda opção e até estacionei junto ao edifício onde estavam antigamente sediados os escritórios da minha empresa. Estacionei com relativa facilidade e mude de roupa dentro do carro. Pois claro, não ande a passear equipado durante o dia! Foi só quando saí que percebi que tinha o carro em frente a um hotel - que não existia ali "no meu tempo" e que é quase paredes meias com outro hotel bem antigo e conceituado. E no sítio onde tinha o carro estava um sinal de estacionamento proibido, excepto para serviço do hotel. Saí, dei uma volta ao quarteirão na esperança de encontrar uma panóplia de lugares livres que me permitissem mudar o carro. Não encontrei e quando voltei vi outro carro estacionar ao lado, também com malta a preparar-se para a prova. Que se lixe, se fosse multado não era o único. Não que isso me tenha deixado mais tranquilo, mas já sabemos como funciona a mente humana nestas coisas.

Fui o único elemento da equipa a fazer a prova, embora soubesse que iria encontrar bastantes amigos sendo que alguns até treinam connosco com frequência. Confesso que estava chateado. Não por ser o único, isso já aconteceu antes comigo e com outros colegas e há-de voltar a acontecer e onde estiver o nosso símbolo numa camisola estamos todos representados, mas não houve aquele ritual de encontro, deslocação e convívio pré-prova que ajuda a entrar no espírito. Nessa onda, até me consegui picar num dedo com um alfinete de dama a meter o dorsal. Toma lá para aprenderes a não teres experimentado nesta prova os fixadores Go Grip que me foram enviados para experimentar. Isto ficará para outra oportunidade e outro post.

A caminho do Rossio tudo me irritava. O vento, sentir os ténis a apertarem-me muito os dedos dos pés, a bexiga cheia meia hora depois de a ter supostamente esvaziado, o tamanho das unhas das mãos (sim, a sério), a picada de melga que tenho no joelho e que me dá uma comichão do caraças... Enfim, cheguei a pensar em dar meia volta mas para além de ter sentido a força da equipa na camisola que tinha vestida lembrei-me também que uma das nossas colegas trabalha na Europcar - noutro departamento, noutro edifício - portanto ela que não conseguiu dorsal era pessoa para me matar se eu lhe fosse dizer que não tinha feito a prova. Entretanto fui ao wc - obrigado Padaria Portuguesa - e senti-me parcialmente... aliviado.

(Tanto palavreado e ainda não comecei a correr. Começa a ser hábito.)

Ao chegar à zona da partida dei umas voltas pelo recinto, vi uma ou duas caras conhecidas e como estava sem grande cabeça para conversas entrei para a minha zona de tempo assim que pude. Tinha 3 ideias diferentes para esta prova: honrar o meu dorsal de sub-50, baixar os 49:22 do ano passado e, dependendo de como me estivesse a sentir, talvez atacar o record dos 48:18.

Foi com relativa facilidade que ao fim do primeiro quilómetro passei o atleta responsável por levar a bandeira de ritmo dos 50 minutos - os marcadores de ritmo partiram todos na frente e foram acertando o ritmo entretanto - e nunca mais pensei na hipótese de fazer mais que 50:00. Venha o próximo. 

No ano passado tive uma lebre que me marcou o ritmo nos primeiros 4km e depois abrandou para acompanhar outro colega. Quando pensei nisso passa por mim um atleta de boné vermelho e camisola vermelha - diferente da camisola da prova - com o símbolo da CM Lisboa nas costas. Fui atrás dele e quando dei por mim estava a rondar os 4:45/km. Parecia-me bem e segui, sem ele saber que me estava a ajudar. A ideia era tentar ir em ritmo mais elevado até onde fosse possível. Depois passa por nós o campeoníssimo Fernando Andrade e eu achei que era a lebre perfeita. Ambição não me faltava. O que é certo é que agora tinha duas lebres em ponto de mira e estava a conseguir seguir aguentar o ritmo, pelo menos até meio da prova. Após os 5km continuava a vê-los mas um pouco mais longe. Tinha noção que estava ligeiramente mais lento - e os parciais confirmam. Queria ter passado a meio da prova abaixo dos 24 minutos para ter hipóteses de bater o meu record. Passei com... 24:00 certinhos. Tinha que manter o mesmo andamento na segunda metade e sabia que isso era complicado, pelo cansaço e pelo último quilómetro onde iríamos subir o que descemos no primeiro.

Como habitual, nas provas em que há retorno, ia sempre olhando para quem estava do outro lado à procura de rostos familiares, de camisolas conhecidas, de formas de manter o alento e a concentração. Foi assim que já ali pelos 6 ou 7 kms encontrei a Paula, que vinha em sentido contrário - uma amiga de uma equipa vizinha e que nos meus tempos iniciais foi uma fonte de inspiração por ter perdido tantos quilos quanto eu e pela sua evolução. Infelizmente uma longa paragem por lesão tirou-lhe todo o ritmo, mas nenhuma da força de vontade nem do companheirismo. Desviei-me um bocado do percurso a direito para lhe dar um "high five". Perdi uns dois segundos? Não me arrependo de nada.

No Cais do Sodré tive uma surpresa no percurso: não fomos até ao Terreiro do Paço por baixo junto ao rio e voltámos pela Rua do Arsenal exactamente como tínhamos ido. Isso significava que a subida da Rua da Prata não ia ser tão longa como habitualmente. Ajustei a estratégia para o último km e fui buscar as últimas forças para atacar, daí que o meu segundo quilómetro mais rápido tenha sido exactamente esse, mesmo com a subida. Por acaso foi por volta dessa altura que o João Lima me apanhou e eu só me lembro de lhe dizer que estava quase e arranquei. Desculpa João, como tinha os phones nem sei ao certo o que me disseste na altura mas fica só a nota que não estava a fugir de ti e muito satisfeito fiquei quando me ultrapassaste e me disseste no final o que te tinha acontecido. Vão lá ler o relato que prometo que vale a pena, como sempre!

Já perto da meta percebi que não ia dar para record - por pouco - mas que estava garantido o objectivo de melhorar o tempo de 2016. Missão cumprida com o meu 3º melhor resultado de sempre aos 10km, atrás dos 48:16 no GP Natal 2016 (que eu considero "oficioso" por ter sido com um dorsal que me foi cedido e por ser naquela prova que termina sempre a descer) e dos 48:18 na Scalabis Night Race 2017! 

Entretanto as queixas pré-prova ficaram na linha de partida. Aos 200 metros já não me lembrava delas! 

No final da prova tive nova conversa agradável com a mesma amiga que me tinha chamado estúpido à partida para o Douro Vinhateiro. Foi uma nova conversa agradável com ela, nova troca de elogios mútuos, imensa simpatia que eu considero ser sincera. Força para essa operação!

Não devo estar presente na próxima prova do Troféu das Localidades, no Jamor, pelo que a prova seguinte no meu calendário é o Challenge 3000, dia 13 de Junho na Pista de Atletismo Prof. Moniz Pereira.

Prova nº 64 - Corrida de Santo António 2017 - 10km - 00:48:39

O meu histórico nesta prova:


segunda-feira, 29 de maio de 2017

A mais bela (e longa) corrida do Mundo

Apaguei o post que tinha pré-escrito para fazer o relato da prova. Ou melhor, editei-o e transformei-o no post anterior. Não ia escrever mais nada, mas tenho que o fazer.

Ontem durante a viagem até à Régua saltou a pergunta:
"Olha lá, este fim de semana e esta prova são uma espécie de fecho de ciclo, certo?"

Estava, finalmente, feito o click e dado o mote para voltar ao Douro Vinhateiro. Não era só ter desistido no ano passado, era tudo o que aconteceu em Maio do ano passado. E tudo o que Maio desde ano está a fazer para apagar de vez as más memórias que ficaram.

Eu disse - mais que uma vez - que não sou vingativo. Diverti-me imenso ao ler há pouco os comentários destas publicações, tal como me emocionei ao ler as palavras de força e ânimo que me deixaram recentemente aqui (e ali ao lado na rede social também). Obrigado, esta vitória também é vossa!

Esta prova tinha tudo para correr bem, após a lesão no início do ano regressei de forma bastante ambiciosa e recuperei a forma que tinha perdido entretanto. Bati record dos 10km em Santarém, dos 15km no 1º de Maio e até dos 5km também em Maio, embora em circunstâncias diferentes do habitual. O problema foi a falta de treino nas últimas semanas. Andava quase a correr de prova em prova e quando na semana passada consegui finalmente voltar a treinar duas vezes por semana acontece-me um daquelas coisas que nunca é boa mas que há alturas em que é mesmo horrível: pisei uma pedra e torci um pé a meio do treino de 5a. 

Assustei-me, enervei-me, estava a rir - de nervos! - e quase a chorar ao mesmo tempo. Felizmente o destino tem destas coisas e no meio das 20 pessoas que apareceram no treino eu estava ao lado da nossa colega que é enfermeira. Ela não me disse absolutamente nada que eu não soubesse "Vais para casa, fazes gelo, tomas anti-inflamatório e usas uma meia elástica. Repousas o pé ao máximo e vais ver que isso não há-de ser nada." mas disse-o de uma forma tão calma e confiante que me tranquilizou imediatamente. Ossos do ofício. Muito obrigado, esta vitória também é tua!

Ainda me passou pela cabeça continuar o treino e fui meio a andar, meio a correr ter com o resto do grupo que tinha parado à nossa espera. Como nós íamos na cauda do grupo mais ninguém sabia o que tinha acontecido. Também assustei e enervei a minha colega que me confortou no ano passado. Aquela que me deu a medalha e que não a quer de volta e já me explicou porquê. E eu percebi e aceitei a justificação. Assustei-a ao ponto de ter corrido mais depressa quando foi à nossa procura do que no resto do treino todo! Muito obrigado, esta vitória também é tua!

Depois tive o apoio todo do resto do grupo. O treino continuou - the show must go on! - e enquanto uns colegas foram buscar o meu carro à outra ponta da cidade (às 3as os treinos começam quase à minha porta, mas às 5as não e eu nem sempre me despacho a tempo para ir a fazer um aquecimento até lá) outro ficou a fazer-me companhia e fui a andar devagar até casa. Este carinho da equipa vale ouro. Ninguém ficar para trás também é isto. Obrigado malta, esta vitória também é vossa!

Felizmente foi mesmo mais o susto que outra coisa. Passei 6a e sábado sem dores e apenas com uma ligeira impressão na zona torcida. No sábado até deu para fazer parte do caminho até Peso da Régua a conduzir, o que me deixou bastante confiante. Hotel, levantamento dos dorsais, passeio pela cidade, fotos, selfies, relax total e... pasta party. Era a primeira vez que ia a uma e primeiro estranhou-se e depois entranhou-se. Será algo a repetir no Porto. Com tudo pronto de véspera, era hora de ir descansar e domingo chegou rapidamente. Acordar cedo, tomar pequeno almoço, confirmar que dava para fazer late check-out até às 14:00. Tudo correu às mil maravilhas no Hotel Columbano e quando é assim, fica a referência.

Feita a divisão entre comboio e autocarro, entre Meia e Mini, era hora de embarcar. À chegada à Barragem do Bagaúste ainda nos voltámos a cruzar até que fiquei com a companhia de amigos de outra equipa com quem estive até à partida. Poucas caras conhecidas, equipas e camisolas menos familiares do que em provas por Lisboa e arredores. O tempo estava encoberto e era perfeito continuar assim. Levantou e abriu o sol 20 minutos antes da partida e senti-o bem até ao retorno aos 8kms. Antes de partirmos, uma das pessoas que estava comigo lembrou-se de me falar do ano passado. Confirmou que eu tinha desistido à passagem pela barragem, a cerca de 5 ou 6 quilómetros do final. Chamou-me estúpido - assim a frio e com todas as letras. Eu ri-me e disse-lhe que tinha toda a razão. Disse-me que sabe bem que a cabeça é que manda, muito mais que as pernas e que percebia o que tinha acontecido mas que sabia que este ano não ia ser assim. Ela tinha a certeza, disse-me que eu estou mais forte, fisicamente e não só, disse-me tudo o que eu precisava de ouvir e que eu não esperava que fosse ela a dizer. Obrigado! Todos os elogios que trocámos naqueles abraços depois da meta foram sinceros e sentidos.

Mas vamos começar a correr ou nem por isso? Já vamos com um testamento e ainda nem passei a partida! Vá, vamos lá correr! Não sem antes dizer que passei debaixo do pórtico de partida com esta música a tocar nos altifalantes da organização. A minha power song. E por falar em música, ao fazer o primeiro quilómetro o leitor de mp3 foi-se abaixo. Eu já tinha percebido que isso era capaz de acontecer na noite anterior. Devo tê-lo deixado ligado depois de o carregar. Paciência. Guardei-o tranquilamente no bolso dos calções e fui a cantarolar na minha cabeça todas as músicas da playlist até que me esqueci disso e a música não me fez falta.

Decidi que a prova era só para acabar, que ia meter um ritmo "de maratona" a rondar os 6m/km e sempre sem stress. Vi que não era isso que estava a acontecer de início, fartei-me de olhar para o relógio nos quilómetros iniciais e aquilo marcava quase sempre o mesmo ritmo. Vejam bem este relógio quase suiço até ao quilómetro 9! Na verdade estava a sentir-me muito bem e sem dores. Senti-me a destilar até ao retorno, mas ia-me sempre hidratando nos abastecimentos tanto a beber água como a molhar a cara e testa. Assim que se deu a volta deixei de sentir esse problema. Tinha dividido a prova em 3 partes: até ao retorno aos 8kms, de regresso à barragem aos 16km e os últimos 5kms que não fiz no ano passado e que não conhecia. Passei aos 10km com 55 minutos e comecei a fazer contas que assim iria terminar com cerca de duas horas. Esqueci-me logo disso porque sabia que ia quebrar na segunda metade, para além de ter o efeito psicológico da chegada à barragem. Mas não quebrei, antes pelo contrário. Apenas no km 12, exactamente onde comecei a quebrar e a andar na prova de 2016. respondi da melhor maneira: aumentei o ritmo! Foi de forma involuntária e foi o sub-consciente a falar mais alto. Se no ano passado comecei a quebrar aos 12km, hoje comecei a ganhar a prova no mesmo sítio.
Já via a barragem ao longe, estava a aproveitar todos os abastecimentos tanto de água como de isotónico - também ajudou num deles o staff estar a colocar garrafas inteiras em vez de dividir por copos, porque assim trouxe uma para ir bebendo - e segui à risca o plano do gel: um no retorno aos 8km, outro na barragem aos 16km.
Algo que eu tenho que tentar perceber é a ilusão de óptica do percurso. Tanto na ida como no regresso parecia visualmente que ia a descer, embora o gráfico de altimetria confirme que nem sempre foi assim.
Os quilómetros continuavam a voar e eu sem nunca sentir cansaço, nem dores, nem quebras de ritmo, nem quebras psicológicas. Estava bem, muito bem. A partir dali era o desconhecido, era completar duas provas ao mesmo tempo. Mas eram também os quilómetros mais fáceis por serem os mais próximos da meta. (tem sido uma frase que eu digo muito ultimamente)
Fui ver que no ano passado desisti aos 15,3kms. Este ano parei exactamente nessa mesma altura, mas foi apenas para beber um copo de isotónico que neste abastecimento estava mesmo em copo e não em lata. Depois segui e nessa altura já estava a ver bastantes atletas em dificuldades, sobretudo pelo calor. Tenho sorte que historicamente não me dou mal com temperaturas altas. Nem senti que estivesse abafado, mas aparentemente estava.
Começou a fase em que tentava perceber os nomes dos colegas que estrada se tivessem na camisola ou se tivessem o dorsal nas costas e puxava por eles pelo nome quando os passava. E eu ia passando bastantes. E ia aumentando ainda mais o ritmo naqueles quilómetros. Já era impossível não fazer contas. Se fosse a x minutos por quilómetro ia ficar abaixo das duas horas. Se mantiver vou para record. Na verdade, a primeira vez que pensei em record foi aos 5kms mas decidi ignorar esse pensamento por ser absurdo.

Estando cada vez mais perto de entrar em Peso da Régua começavam a aparecer cada vez mais espectadores e/ou membros de staff no percurso. Comecei a minha saga de puxar pelo público, a pedir palmas, a pedir barulho, a pedir apoio. Normalmente faço isto quando estou a começar a fraquejar e preciso de motivação ou quando estou feliz na estrada. E eu estava radiante a transpirar de alegria por todos os poros! A malta retribuía os meus pedidos. Ouvi palmas, muito barulho. Ouvi alguém de fora gritar "És grande, Nuno!", ouvi outra pessoa dizer "Calma jovem, não te canses tanto!" Mas eu não estava nada cansado! Nada!

Passagem pela ponte pedonal, mais apoio, mais barulho, mais gente a meter-se comigo. Acho que deixei a minha marca bem vincada naqueles quilómetros finais. Acho que também assustei um ou outro atleta que ia à minha frente.

Meta à vista, nem me preocupei em olhar para o relógio do pulso, mas vislumbrei o relógio da meta que me garantia o record (batido por 31 segundos) e nunca mais pensei nisso. Metros finais emotivos, olho para as barreiras, para quem me apoiava da parte de fora. Braços no ar, sorriso estampado no rosto e... acabei! Já vi algumas fotos da chegada e nunca, nunca me vi tão feliz ao passar uma meta.

Soltei um grito, um sonoro "YES!" onde estavam contidas todas as emoções. Atirei tudo cá para fora. Vi quem estava lá, pensei em toda a gente que não estava mas que gostava de estar, em toda a gente que eu sabia que estava à espera de notícias. Continuei a correr e só parei quando me meteram a medalha na mão. É minha, é nossa!

Depois foi a descompressão, sacos de ofertas, imperiais que tão bem me souberam, garrafas de vinho também oferta. Fotos finais e festejos. Muitos abraços e mais palavras reconfortantes que me encheram o coração. Já só queria voltar ao hotel para tomar banho e partilhar o resultado com o mundo. Depois foi almoçar e fazer a viagem de regresso que ainda é longa e foi preenchida com muitas mensagens de parabéns. Agora é o voltar à normalidade do dia-a-dia e pensar na próxima, a Corrida de Santo António no próximo sábado à noite.

E porque há coisas que não vale a pena mudar, também este ano o Benfica deu uma alegria durante o regresso a casa. No ano passado foi o campeonato, este ano foi a Taça.
Estou exausto e feliz. Já devia ter ido dormir há 3 horas atrás.
Parecendo que não, terminei duas meias maratonas no mesmo dia. O ciclo está fechado.


Prova nº 63 - Meia Maratona Douro Vinhateiro 2017 - 21km - 01:57:16
Prova nº 36 - Meia Maratona Douro Vinhateiro 2016 - 21km - 378 dias, 2 horas e 4 minutos, mais coisa, menos coisa

domingo, 28 de maio de 2017

Meia Maratona do Douro Vinhateiro

A prova da letra R. A começar por (Peso da) Régua
Dedico esta prova:

- à Rute
- à Raquel
- a todos os Runners que me deram umas palavras de incentivo e de carinho. Não só os da equipa, mas todos os outros com quem me cruzei.
- à Rita
- bati um Record ao concluir a prova de 2016 378 dias depois de a ter começado.
- bati outro Record, ao concluir a meia em 1:57:18

O relato há-de surgir quando eu processar tudo. E tem mais de duas linhas, garantidamente!