terça-feira, 16 de maio de 2017

36

Felizmente nem tudo o que aconteceu em Maio do ano passado foi penoso. No dia em que chorei copiosamente no Douro Vinhateiro (Carlos, mesmo assim a minha Meia Maratona consegue ter mais quilómetros que a tua Maratona!) o Benfica conseguiu dar-me uma alegria pela conquista do tricampeonato.

Seja como for, o momento pessoal não dava azo a qualquer celebração portanto foi uma vitória que me passou ao lado. Lembro-me bem da noite penosa que foi. Adiante. A história repetiu-se e este ano veio um tetracampeonato. Vinguei-me e tirei a barriga de misérias com festejos em dose dupla!

Sábado no Marquês, onde nunca tinha ido pelo Benfica, apenas lá tinha estado no ano passado após a vitória de Portugal no Euro. Curiosamente tanto nesse dia como no sábado vi o jogo em Campo de Ourique e a coisa correu bem. Raios, que eu sou supersticioso nestas coisas e se calhar agora tenho que lá estar sempre nos jogos decisivos. Já agora, a malta que ficou a ver a Eurovisão depois do jogo diz que lá por casa se festejou a vitória do Salvador Sobral com mais intensidade que o golo do Éder. Acredito, mas desta vez ninguém gravou o momento para a posteridade.



Depois do Marquês veio o meu ritual habitual destes últimos anos (excepto, lá está, o ano passado): a recepção da equipa nos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa. Já tinha saudades e foi tudo aquilo que eu me lembrava. O Marquês é mítico mas continuo a preferir estes momentos mais intimistas, se é que posso usar este termo para descrever o momento.




As corridas seguem dentro de instantes.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Entrelinhas

Sabem quando têm um segredo que querem mesmo mesmo partilhar e não podem? Pois eu tenho que partilhar uma coisa com alguém e não o posso fazer de forma declarada, portanto vou falar por código. Tudo o que estiver em itálico é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.

----

Há uns dias atrás - chamemos-lhe segunda-feira - estava eu - chamemos-me Norberto - a falar com uma pessoa próxima - chamemos-lhe Teresa - que dizia que se tinha encontrado com alguém que não conhecia e tinha estado a conversar com ela durante um bocado. Partilhou um pouco dessa conversa, disse que esse alguém estava a lidar com um problema recente e que estava a fazer umas renovações a vários níveis. Acrescentou que tinha uma energia semelhante a outra pessoa que nós conhecemos e a conversa ficou por ali, sem dar mais detalhes específicos.

Passado uns instantes aqui o vosso amigo Norberto pegou no telemóvel, ligou-se à net, mostrou algo à Teresa e perguntou-lhe: "- Tu estiveste a falar com a - chamemos-lhe - Carolina??"

A Teresa ficou confusa, o Norberto ficou radiante com os seus dotes divinatórios e muito curioso pelo desfecho da situação. E a Carolina? Não ficou nem uma coisa nem outra porque nem faz ideia disto. Mas se a Carolina ficar eu depois aviso.

----


Pedimos desculpa pela interrupção, este blog segue o seu percurso normal dentro de momentos.

domingo, 7 de maio de 2017

Estafeta

Cumpri hoje o meu objectivo de fazer uma prova por estafetas. Recebi um convite que muito me honrou, sobretudo porque havia uma lista infindável de elementos da equipa que podiam ter participado, mas eu acabei por ser a primeira escolha. Gosto quando o carinho que damos é retribuído com gestos destes. É assim que gosto de andar pelo mundo das corridas.

Na altura nem me fez click que a prova era organizada pela Associação pela qual corre o Vítor Oliveira, cujos excelentes resultados tenho andado a acompanhar.

Por uma ou outra razão, não fiz qualquer treino esta semana pelo que a última vez que corri foi no 1º de Maio e isso deixava-me nervoso. Já tive uma fase em que durante umas poucas semanas só corria em provas e isso não me agrada. Faz-me falta pelo menos um treino a meio da semana, nem que sejam só 5km para descontrair a cabeça e as pernas.

Para ficar a conhecer melhor os elementos da equipa, fui ontem à Pista Municipal Professor Moniz Pereira onde acabei por assistir à segunda prova do Circuito dos Parques de Lisboa e passar uma tarde muito agradável tendo confraternizado com bastantes atletas conhecidos. A pergunta da praxe era em relação às calças de ganga e pólo que tinha vestido que não era equipamento adequado para correr. Acabei a tirar fotos e deixei-me envolver completamente pelo ambiente. No final, tudo combinado para hoje.

Ponto de encontro em Odivelas às 8:30, uma breve conversa e eu até algo tímido por não estar a 100% no meu ambiente. Depressa passou que nisto de correr estamos 99% do tempo entre amigos, mesmo que sejam recentes. A prova consistia num percurso de 10km que era feito por duas vezes. A mim calhou-me o percurso que era maioritariamente a descer. Obrigado por isso que nos últimos tempos - apesar de provas com algum desnível como os Sinos ou o 1º de Maio - não tenho incluído muitas subidas nos treinos.

Percebemos que eram 23 equipas e embora não tivéssemos qualquer ambição na classificação final era notório que estavam ali elementos muito fortes e não havia ninguém que fosse só para descontrair um pouco como normalmente acontece em algumas provas. Isso preocupou um dos elementos da equipa que embora tenha conseguido fazer o seu melhor tempo aos 5km, não evitou chegar à primeira transmissão no último 23º lugar. (Só soube disso quando acabei a minha parte) Sem stress, quem estava preocupado com a classificação eram outras equipas. Enquanto esperava pela minha vez cheguei a ouvir um dos outros atletas que iam fazer o terceiro percurso dizer que "sabia que ia ganhar, mas que era inadmissível a organização deixar participar atletas federados porque assim há sempre o risco de 4 gajos do Benfica ou do Sporting fazerem uma equipa e ganharem eles." Juro! Só não percebi se ele estava a falar de algum atleta em particular que estivesse a correr. Enfim.

Foi após 52 minutos de espera que chegou a minha vez. Quem me passou o testemunho é um craque. Se no primeiro trajecto fizemos cerca de 31 minutos (a descer) ele no regresso fez cerca de 21 (a subir!) e parti em 16º com um minuto e pouco de atraso em relação à atleta da equipa que ia à nossa frente. Uma coisa que me preocupou a certa altura foi tentar não me perder! Isto quando vamos em pelotão é mais fácil, mas agora as referências que íamos ter eram as marcas no chão para além do trânsito cortado. Haveria polícia e membros da organização suficientes? Havia, mas percebi em conversa com mais gente que isso era preocupação geral.

Como tinha a tal atleta à frente meti na cabeça que o objectivo era tentar não a perder de vista - nem que fosse para saber sempre o caminho! Sendo a descer, arranquei muito rápido e tentei ao máximo manter o ritmo elevado nas partes planas. Também tinha umas subidas mais curtas, atenção. Corri que me fartei - porque descer muito também cansa - e sabia que tinha que deixar tudo naquelas estradas. Cheguei finalmente a Odivelas e no quilómetro final aproveitei a última subida até à última transmissão e ultrapassei-a. Quando acabei estava morto porque foram 5km de sprint quase contínuo, no entanto estava numa fase em que já tinha um ritmo estável e se tivesse que fazer mais 5km faria uma gestão do esforço até ao fim.

Até tinha pensado em regressar pelo mesmo caminho em ritmo de descompressão, mas como havia um autocarro para nos levar até à meta não hesitei, porque o regresso era duro e porque tinha a companhia do primeiro elemento da equipa e não a ia deixar sozinha.

Não sei a classificação final, mas penso termos terminado em 16º na mesma. O último atleta da equipa que eu tinha ultrapassado era muito forte e recuperaram o lugar perdido. Sem stress. Valeu muito pela experiência da estafeta, pelo convívio com o pessoal com quem estive, tanto hoje como ontem. Vou ficar a aguardar novas provas semelhantes para desafiar a malta da equipa. A estafeta para a qual olho todos os anos tem calhado num dia que não é ideal, portanto ainda não a fiz.

As quebras de ritmo são sobretudo as rotundas e as viragens de direcção do percurso.
Ainda não tinha feito nenhuma prova de exactamente 5km e mesmo nos registos intermédios noutras provas maiores nunca tinha feito um tempo destes. É claro que a altimetria ajudou, mas a título pessoal fica mais uma marca que é record pessoal da distância.

Prova 61 - GP Estafetas Vale Grande - Subida às Colinas de Odivelas - 5km - 00:22:16

Maio, o 7º...

Faz hoje 13 anos.
Faz hoje 1 ano.

Quase à mesma hora.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Maio, o 2º

Quis o destino que - tal como no ano passado - eu tivesse um concerto marcado para o dia 2 de Maio.
Se em 2016 ver Muse no Pavilhão Atlântico se tornou no pior concerto da minha vida, ontem Placebo foi um dos melhores. Fantástico como as coisas mudam. Fantástico como o universo às vezes se completa e fecha ciclos de forma natural e sem grande esforço.

"Without you, I'm nothing"

20 anos de Placebo. Ainda nem tinha acabado o secundário quando eles surgiram e eu os comecei a acompanhar. 20 anos em que a minha vida mudou, definiu-se, estragou-se e voltou a ter sentido. E consegui sentir isso em vários momentos do concerto porque posso saber letras de cor e salteado mas quando são ouvidas no momento certo, no timing ideal ganham todo o sentido.

"We are loud like love!"

O concerto começou bem, depois teve uma parte (demasiado) melancólica (assumida pelo próprio Brian Molko) em que confesso me perdi e quase me desliguei, mas depois disto foi sempre a abrir até ao fim. Saltei, gritei, cantei e gastei certamente mais calorias do que num treino. Felizmente o caminho até ao carro foi uma espécie de descompressão.

"It's a song to say goodbye."

A minha favorita? No meio de muitas, escolho esta, a partir do minuto 3:45.
(O facto da letra falar em correr é pura coincidência, juro! E sim, estou ali de braços no ar no meio da molhada!)



Infra-Red
Placebo
One last thing before I shuffle off the planet
I will be the one to make you crawl
So I came down to wish you an unhappy birthday
Someone call the ambulance, there's gonna be an accident
I'm coming up on infra-red,
There is no running that can hide you
'cause I can see in the dark
I'm coming up on infra-red,
Forget your running, I will find you
One more thing before we start the final face off
I will be the one to watch you fall
So I came down to crash and burn your beggar's banquet
Someone call the ambulance there's gonna be an accident
I'm coming up on infra-red,
There is no running that can hide you
'cause I can see in the dark
I'm coming up on infra-red,
Forget your running, I will find you (find you!)
Someone call the ambulance
There's gonna be an accident!
I'm coming up on infra-red
There is no running that can hide you
'cause I can see in the dark
I'm coming up on infra-red
Forget your running, I will find you
'cause I can see in the dark
I'm coming up on infra-red
There is no running that can hide you
'cause I can see in the dark
I'm coming up on infra-red
Forget your running, I will find you
I'll find you
I'll find you

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Maio, o 1º

"Próxima meta: Corrida 1º de Maio, onde vou novamente atacar o record dos 15km. Porque estando bem comigo mesmo a única coisa que faz sentido é dar 110% para melhorar os meus registos. Sempre entre amigos, sempre a sorrir."
Foi isto que escrevi no rescaldo da Scalabis Night Race. Salto já para o desfecho ou mantenho o suspense?
Depois do fim de semana de Páscoa disse que ia ter uma semana regrada, sem tocar em doces e em bebidas alcoólicas. Não que abuse da bebida, atenção, mas o calor já pede uma cervejinha e não nego um copo de vinho à refeição caso se proporcione. Ora, no dia a seguir à Scalabis tive um dia de aniversário e de grande festa portanto compensei todas aquelas cervejas que não bebi, para além de ter visitado com frequência a mesa dos doces. Descompressão total. O problema é que muitas das sobras vieram para casa e mantive-me nessa onda menos regrada toda a semana.
Talvez com isso a pesar no subconsciente, acordei com pouco espírito e pouco motivado. Éramos poucos hoje e todos os olhos estavam em mim para obter um grande resultado, até porque duas das colegas tinham ido ontem a um trail e hoje iam só rolar com muita calma.
Como é normal fiz a minha análise habitual ao percurso e comparei com o ano passado. Para chegar onde queria tinha que atacar na primeira metade, sobretudo na descida para depois me aguentar na Almirante Reis até ao Areeiro. Sabia perfeitamente os ritmos que tinha que fazer, chegar ao Rossio com média abaixo de 5m/km e subir o mais próximo possível dos 5:30m/km para perder o menor tempo possível.
Tudo corria bem na primeira metade. Passou-me pela cabeça que era porreiro serem só 10km e já só conseguia pensar na subida. Curiosamente nessa altura ia ao lado de um grupo de atletas e num momento entre duas músicas ouço um deles dizer que a prova não acaba ao chegar ao Areeiro como muita gente "pensa". Dali até à meta ainda há mais 3kms para fazer. Sorri, mas sabia que terminando bem a subida nada me iria parar. As primeiras passadas a subir não me agradaram. Chegou o receio de quebrar física e psicologicamente. Nesta eterna questão de cabeça vs tecnologia hoje ganhou o relógio porque me foi dando sinais que o ritmo era bom. 5:15/5:20, raramente andava mais devagar que isto e só tenho um km acima de 5:30.
Lisboa não costuma ser pródiga em apoio em dias de prova. Na zona do Rossio e Martim Moniz havia imensos turistas muito eufóricos à nossa passagem, mas o que gostei mesmo de ver foram as inúmeras camisolas amarelas do Correr Lisboa pelo percurso, sobretudo na subida. Já fiz questão de dizer que mesmo não sendo Vicente senti esse apoio e foi fundamental nos momentos críticos. E quem me lê já sabe o quanto eu gosto de puxar pelo público de dentro para fora.
12km, final da subida, uma hora de prova. 3kms para fazer em 15 minutos. Senti um arrepio igual ao que acabo de sentir ao escrever esta parte do texto. Terminando bem a subida nada me iria parar! Já só via a meta, já ao imaginava a entrar no estádio e a terminar em grande estilo.
E consegui, caramba! Aqueles últimos quilómetros passaram literalmente a correr. Um crescendo de emoção que só terminou nos metros finais da pista onde tive o final desejado e ansiado. Já pensei em como descrever a chegada mas aquilo de não haver palavras não é só um cliché. Dei abraços, gritei, festejei! Passei das barreiras para o relvado e atirei o buff ao ar. Não o apanhei e deixei-me cair no chão em cima da relva. Estive assim algum tempo a tentar assimilar o que tinha acontecido ao mesmo tempo que confirmava a quem perguntava que não me tinha dado nenhuma coisinha má.
Levantei-me quando vi chegar o segundo elemento da equipa mas não tive coragem para ir buscar os restantes elementos. Comecei a cruzar-me com várias caras conhecidas e por ali fiquei a confraternizar. Chegou o terceiro elemento e nessa altura um amigo puxa-me para ir com ele. Fui, sem saber onde. Fomos dar duas voltas ao relvado para descomprimir e depois alongar. Só tenho que lhe agradecer porque já nem me passava pela cabeça essa parte tão essencial. Ao dar uma volta ao estádio chegou o último elemento da equipa e ainda fizemos meia volta com ela até à meta.
Prova superada. Cumpri hoje o desafio que me foi feito nos Sinos. Tirei mais de 3 minutos ao meu record anterior, feito aqui no ano passado. Fiz menos 3:40 do que nos Sinos há um mês. Estou radiante e sei que tenho razões para isso. Dizia no final que agora dificilmente baixo mais que isto mas rapidamente me disseram para não pensar assim. Melhore ou não, o sorriso continua cá e isso é o mais importante.
Maio começou bem! "Don't stop me now!"
Prova 60 - Corrida 1º de Maio 2017 - 15km - 01:15:13

domingo, 30 de abril de 2017

Desafios, parte 2

Estou a ter uns dias interessantes.
Na mesma semana consigo ficar à beira de adicionar ao meu "currículo" dois objectivos que tinha em mente concretizar. Para além de me ter inscrito na prova de pista, fui convidado a fazer parte de uma equipa de estafetas numa prova que se vai realizar já no próximo fim de semana. Diz que mete colinas e subidas e essas coisas divertidas. E que se calhar vai ser também a minha estreia a correr com uma camisola de uma equipa alheia, mas isso fica para acertar melhor depois.

Agora é só explicar aos amigos tagarelas que afinal vou prescindir de mais uma prova do Troféu das Localidades e que terei que adiar por mais uma semana o regresso à sua companhia.

"Run boy run! The sun will be guiding you"