Quando na 2a feira chego ao treino e isto é a segunda ou terceira frase que ouço depois dos boas noites, se calhar é mau sinal, não? Quando isto vem da pessoa a quem temos ido buscar forças e conselhos, pior ainda!
"Então como é que estás? Em forma para o Porto?"
"Olha, não sei. Por um lado estou confiante e muito motivado, mas por outro sinto que devia ter feito mais treinos longos, acho que devia ter sido mais rígido com o plano de treinos. Acima de tudo estou com um enorme respeito pela distância e..."
"Olha, sabes que vais penar, não sabes? Mas..." (e o que foi dito após este "mas" fica só entre nós os dois, mas garanto-vos que foram palavras que me deixaram com a certeza que não aceito outro desfecho que não seja cortar aquela meta!)
Já no treino de 5a feira passada outro dos meus colegas - aquele que fez de minha lebre na primeira metade da Corrida de Santo António e me lançou para eu conseguir baixar dos 50m aos 10km - me deixava palavras de... desânimo misturadas com alguns conselhos! Que a partir dos 30km vai doer tudo, etc e tal. Ele, que foi um grande apoio aos maratonistas da equipa que se estrearam em Lisboa no dia 2, também me disse quem vai estar a acompanhar no Porto e que eu não devo ter companhia para a prova toda e terei que ir sozinho. Sozinho nunca estarei, aquilo vai estar cheio de gente a correr, pá!
Então mas agora toda a gente me quer meter medo? Agora que eu preciso de forças para esta recta final? Não, o que a malta está a fazer é a ajudar-me a manter-me focado e concentrado! Eu já disse vezes sem conta que entre ir confiante ou ir cheio de medo para a partida, prefiro a primeira! Se vou com medo é meio caminho andado para falhar, mas também não posso ir demasiado confiante. Tenho que manter os pés bem assentes no chão - sem qualquer tentativa de metáfora!
Entretanto estou a entrar no espírito da Maratona, quase literalmente. Passo algum tempo do serão a pesquisar histórias, vídeos motivacionais, imagens e vídeos de provas. Estou a tentar viver e respirar Maratona sempre que posso, mas calma que não o faço de forma estupidamente obsessiva.
Hoje nas minhas pesquisas encontrei este documentário de 2007 que relata a história de 6 maratonistas, uns amadores e outros profissionais, que participaram na Maratona de Chicago em 2005. Alguns, tal como eu, faziam a primeira maratona.
Ainda só vi o trailer, mas num destes serões vou ver o documentário completo. Também há um segundo documentário, de 2013, sobre a Maratona de Roma. Infelizmente não o consegui encontrar disponível online, o que é pena por se tratar de relatos ainda mais recentes. Do trailer, fica a frase que está na capa da imagem:
"When you cross the finish line - no matter how slow, no matter how fast - it will change your life forever!"
Arrepiou-me ouvi-la, arrepia-me escrevê-la!